|
Foto Acervo/Gazeta Press
|
 |
Jura:
um dos primeiros sucessores de Cafu
Por Marcelo Belpiede
O lateral-direito Jura é um dos jogadores
que está guardado na memória do torcedor do
São Paulo. Afinal, ele fez parte do grupo que deu as
maiores glórias à equipe do Morumbi. Revelado
no Guarani, o atleta chegou ao Morumbi em 1993, onde participou
de conquistas como a Copa Libertadores da América e
o Mundial Interclubes, fazendo sombra a Cafu. titular da posição,
Onze anos depois, aos 33 anos, Jura não vive os mesmos
tempos de glória. Chegou até a encerrar a carreira
neste ano e a tentar a vida de treinador. "Estava no
Independente de Limeira e comecei a sentir um problema de
hérnia de disco. Decidi terminar a carreira. Cheguei
ao Olímpia e fiz um trabalho como técnico do
time sub-20 por três meses. Mas agora estou recuperado
da dor nas costas e os dirigentes daqui insistiram para voltar
a jogar", explica.
Portanto, começou a corrida para Jura recuperar a
forma. Além da lateral, ele também se adaptou
para jogar como volante. O grande objetivo em 2005 é
atuar na Série A-2 do Campeonato Paulista e, quem sabe,
conseguir uma vaga para elite do estado. Segundo o próprio
jogador, o Olímpia está com uma boa estrutura
de trabalho, depois de fechar uma parceria com uma empresa
de geradores (Sumotores).
No entanto, Jura admite que não conseguiu realizar
vários desejos de sua carreira como atleta. "Acho
que não fui um profissonal ideal. Os jogadores precisam
se cuidar fora de campo e se apresentar em 100% das condições.
O futebol não tem espaço só para boleiros.
Todos devem se preparar bastante na parte física",
analisa o atleta, que chegou a ser pego no exame antidoping,
em 1999, pelo uso de maconha. "Não era um dependente
químico, mas acabei me empolgando", justifica.
Além disso, o lateral-direito também lamenta
o fato de sofrer uma contusão grave no auge da carreira.
Em um jogo do Campeonato Brasileiro de 1993, teve o tornozelo
quebrado em uma dividida com o ex-atacante Casagrande, no
jogo entre São Paulo e Flamengo. "Ele me pede
desculpas toda vez que nos falamos. Diz que foi o responsável
por atrapalhar minha vida profissional", afirma.
Mesmo assim, Jura não culpa Casagrande pela conturbada
trajetória de sua carreira. Ele classifica a contusão
como um fato normal do futebol. O jogador também lembra
que, apesar do problema físico, o São Paulo
tentou sua contratação em definitivo. Só
que não houve acerto com o Guarani e começou
um outro momento difícil na carreira. Jura ficou seis
meses sem contrato com o clube de Campinas enquanto negociava
com o Tricolor.
Somando ao tempo de inatividade, o jogador admite que passou
a ter obstáculos para jogar futebol depois da passagem
pelo Morumbi. A falta de confiança no tornozelo deixou
Jura impossibilitado de tentar vôos mais altos. "Infelizmente,
sinto dor no local da contusão até hoje. Tenho
que aquecer bem antes das partidas. Nunca mais fui o mesmo
depois desse problema", confessa o atleta.
Vida de treinador - Jura está retornando ao
futebol no Olímpia, mas não deixa de pensar
em uma nova experiência como treinador, em breve. Isso
pode acontecer até depois do Campeonato Paulista. Mas
o jogador garante que já tem uma personalidade definida
para comandar uma equipe.
"Quero ser um exemplo como treinador. Passar todas as
coisas ruins e boas da minha vida, que sirvam para os atletas
aprenderem. Para jogar no meu time, o jogador deve ser um
profissional correto, obediente taticamente", avisou.
O grande exemplo de Jura para a vida de treinador é
obviamente Telê Santana, com quem trabalhou no São
Paulo. "Eu aprendi muito com ele. Precisa ter grupo na
mão, demonstrar comando e ainda necessita de um bom
trabalho técnico. Tudo que conquistei devo a Telê,
que falava que eu era o sucessor do Cafu na seleção",
lembrou o jogador, que, como muitos outros, não conseguiu
seguir a sombra do atual titular do time de Carlos Alberto
Parreira.
| Raio-X |
|
Nome: Jurandir César do Nascimento
Posição: lateral-direito
Nascimento: 12/06/1971, em São
Miguel Paulista, SP
Altura: 1,77 m. Peso: 78 kg
Clubes: Guarani, Remo, São Paulo,
Bahia, Flamengo, Ponte Preta, XV
Piracicaba, União São João,
Avaí e Independente.
Principais títulos: campeão
da Libertadores, Supercopa, Recopa e Mundial interclubes
pelo São Paulo em 1993; campeão
baiano em 1995 pelo Bahia.
|
|
Foto Acervo/Gazeta Press
|
 |
|
|
|