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Foto Acervo/Gazeta Press
Foto Acervo/Gazeta Press

Marcelinho Paulista não esquece o Timão

Por Matheus Pichonelli, especial para a GE Net

Quando deixou o Parque São Jorge, em 1998, Marcelinho Paulista defendeu as cores de Botafogo, Guarani, Fluminense, Panionios (Grécia), Juventude, Almeiria (Espanha) e Cabofriense, seu clube atual. Mas não teve jeito: até hoje, a torcida alvinegra, ao falar dele, refere-se a Marcelinho Paulista como o ex-volante do Corinthians.

A ligação com o clube paulista não se dá por menos. Marcelinho passou treze anos da sua vida defendendo as cores da equipe de Parque São Jorge. Seis como amador e sete como profissional. Revelado nas categorias de base do Corinthians, Marcelinho Paulista viveu o melhor momento de sua carreira atuando no meio-campo de uma equipe que contava também com Marcelinho Carioca, Zé Elias e Souza. Ao lado deles, o volante conquistaria em pouco tempo um vice-campeonato brasileiro, em 1994, uma Copa do Brasil e um Campeonato Paulista, estes últimos em 1995.

O bom toque de bola, visão de jogo e forte marcação – suas principais virtudes – chamaram a atenção de Zagallo, que o convocou para integrar o elenco da seleção brasileira que conquistaria, em 1996, o Pré-olímpico de Mar Del Plata. Meses depois, o volante voltaria a vestir a camisa da seleção nas Olimpíadas de Atlanta, quando conquistou a medalha de bronze. “Aquele era um timaço, com jogadores como Bebeto, Ronaldinho, Roberto Carlos e Dida. Olhando bem até acho que o time que caiu no Pré-olímpico deste ano era melhor tecnicamente, mas em 1996 tínhamos atletas que realmente faziam a diferença”, compara.

Jovem e campeão, Marcelinho poderia ter entrado para a galeria de grandes ídolos do Parque São Jorge caso não tivesse deixado o clube tão cedo. Após uma passagem pelo Botafogo, o jogador voltou ao Timão, em 1998 e, logo depois, foi negociado novamente com outro time, o Guarani. A partir de então, jamais voltou a vestir a camisa do Timão.

Seguiu apresentando um bom futebol, o que lhe rendeu novas convocações para a defender a seleção brasileira principal, mas, analisando aquele momento, sete anos mais tarde, Marcelinho não esconde: todas as camisas que vestiu a partir dali não lhe caíram tão bem como a do Corinthians.

A paixão pelo clube fez com que o jogador jamais deixasse de acompanhar o Timão, esteja ele onde estivesse. “Acompanho todas as notícias relacionadas ao Corinthians. Tudo o que conquistei devo a este clube e isto eu falo pata todos, aonde eu for. Lá foi que as portas se abriram para mim e por isto tenho muito orgulho de ter vestido aquela camisa. No Corinthians, a única preocupação de um atleta é jogar futebol. O resto o clube dá a ele, em termos de estrutura, apoio e treinamento”, confessa.

Após passar mais de ano no exterior (onde defendeu as cores do Almeiria, time da segunda divisão do futebol espanhol, pouco depois de ter atuado na Grécia), Marcelinho comemora agora a nova fase em um Campeonato Carioca como há muito não se via: bem organizado, com estádios cheios, e repleto de equipes com condições de chegar ao título. Antes, porém, ele conta, teve de driblar muitas dificuldades até voltar ao seu país de origem.

A passagem Grécia não foi das mais fáceis. A difícil adaptação com a linguagem local, o isolamento, a distância da família (na época sua mulher estava grávida) fizeram com que o atleta não rendesse como era esperado.

“Só aprendi, mais ou menos, a falar inglês. Em qualquer lugar é uma linguagem universal. Mas só fui encontrar os brasileiros que atuam na Grécia depois de três meses, porque, antes disso, nós fizemos pré-temporada, excursões, enfim. Depois deste tempo é que pude encontrar com o Zé Elias, o Giovanni”, relembra Marcelinho, que da experiência no futebol internacional guarda melhores lembranças da Espanha.

“Na Espanha o brasileiro é muito valorizado, muito bem falado. Lá sim pude levar minha família, meu filho já podia freqüentar a escola, aprendeu a falar espanhol. Culturalmente, foi uma experiência muito gratificante”, avalia.

Maduro, sem os receios e ansiedades do começo da carreira, o meio-campista da Cabofriense, time que tenta fazer um bom trabalho no Carioca para conquistar uma vaga na Copa do Brasil do próximo ano, não esconde o seu desejo de voltar ao futebol paulista. O sonho: voltar a vestir a camisa do Timão.

“O futuro ninguém pode prever. Sou novo ainda, tenho 30 anos, e estou mais maduro. Muita gente que anda sumida por aí de repente reaparece, volta às origens e jogando bem. Mas sonho em um dia voltar ao Corinthians. Quem sabe? Ponho meu destino nas mãos de Deus”, confessa.

Sobre o atual momento do Timão, Marcelinho prefere não fazer crítica ou dar nome aos bois, mas deixa um recado aos seus sucessores na equipe. “Todo jogador, quando chega ao Corinthians, deve saber que o seu futuro é que está em jogo. Se o cara for bem neste time, ele será sempre lembrado como um grande jogador. Se ele for mal, será sempre lembrado como o atleta que não deu certo no Corinthians e terá a sua carreira comprometida para sempre”, sentencia.

 Raio-X
Foto Acervo/ Gazeta Press
Foto Acervo/Gazeta Press

Nome: Marcelo José de Souza

Data e local de Nascimento: 13 de setembro de 1973, em Cotia (SP)

Clubes em que atuou: Corinthians (das categorias de base até 1996), Botafogo/RJ (1997), Corinthians (1998), Guarani (1998), Fluminense (1999), Botafogo/RJ (2000), Panionios, da Grécia (2001), Juventude (2003), Almeiria (2003), Cabofriense (2004).

Títulos: Copa do Brasil (1995), Campeonato Paulista (1995), Campeonato
Carioca (1997), Pré-olímpico de Mar Del Plata (1996)

Publicação: 05/03/2004
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