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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . RUBENS MINELLI
Foto Gazeta Press
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A silenciosa despedida de um campeão

Por Bruno Chazan, especial para a GE.net

Acabaram-se os dias nos bastidores. Nada mais de chuteiras, apito, pranchetas ou planejamentos. Sem muito alarde, um dos profissionais mais vitoriosos da história do futebol brasileiro decidiu dar um basta à carreira de 45 anos (42 como técnico e três como dirigente). Aos 75 anos, Rubens Francisco Minelli, ou simplesmente Rubens Minelli, como se consagrou, decidiu passar o resto dos dias ao lado da família. "Essa vida é muito sacrificada, e depois de tanto tempo, quero alojar-me junto aos familiares. Tenho quatro netos para curtir", diz o ex-treinador, que divide seu tempo entre o apartamento em São Paulo e a chácara no município de Valinhos, no interior do estado.

Foi esse destino que Minelli escolheu depois de seu último trabalho. Em março de 2003, o então superintendente de futebol do Avaí pediu demissão após a diretoria recusar seu projeto de modernização do clube. "O presidente (João Zanino) não conseguiu captar recursos para construir um CT de excelência. Mas não guardo mágoa, ele é uma pessoa diferenciada", garante.

Porém, o afastamento dos gramados não implica necessariamente em grande distancia do futebol. Até porque Minelli não consegue ficar longe de seu grande amor. "O futebol não cansa, foi e é minha vida. Continuo apaixonado por essa maravilha. Não perco nada do que passa na TV", afirma. O retiro, inclusive, foi tentado por convites para trabalhar numa emissora de televisão e para escrever num jornal. Mas o ex-treinador resistiu e firmou definitivamente sua saída do meio.

Minelli orgulha-se de ter se aposentado sem uma única frustração na carreira. Nem o fato de um recordista(*) de títulos brasileiros (75 e 76 pelo Inter e 77 pelo São Paulo) nunca ter treinado a seleção brasileira provoca alguma mágoa. "Já estive bem perto da seleção em 86, mas não posso reclamar. Sou um cara privilegiado. Fui muito valorizado, sempre fiz bons contratos e pude escolher onde queria trabalhar. Só fui dispensado três vezes, e mais por temperamento do que outra coisa. Fiz muitos amigos e também ajudei muita gente", conta.

A torcida agora fica pela recuperação do futebol brasileiro. Segundo Minelli, o processo passa pela revisão da Lei Pelé. "Os jogadores e empresários estão ganhando muito e os clubes pouco, alguma coisa tem de ser feita", adverte. Outra preocupação é com as categorias de base dos clubes. O ex-treinador entende que a aposta nos jovens não dever ser solução apenas na crise financeira, mas também nos momentos de folga. "Se vivêssemos em berço esplêndido, todos os garotos estariam jogando na Segunda Divisão. Agora que a coisa apertou eles (cartolas) olharam para a base...".

Dentro de campo, total apoio ao técnico da seleção, Carlos Alberto Parreira, cujo trabalho ganha elogios. "Ele é um gentleman, mostrou uma dignidade enorme na Copa de 94. Foi muito pressionado, ganhou o título e nem por isso revidou as críticas". São palavras que, vindas de uma legenda da profissão, reforçam o sentido de ética no meio. Virtude que sempre fez parte do vocabulário do vencedor Minelli.

(*) Minelli é recordista de títulos brasileiros ao lado de Wanderley Luxemburgo (campeão em 93, 94 e 98) e Ênio Andrade (79, 81 e 85)


 Raio-X
Foto Gazeta Press
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Nome: Rubens Francisco Minelli

Data de nascimento: 19/12/1928

Clubes: Palmeiras, São Paulo, Corinthians, Santos, Portuguesa, Guarani, Ponte Preta, Rio Branco (SP), Francana (SP), Botafogo (SP), América (SP), Rio Preto (SP), Ferroviária (SP), Inter, Grêmio, Paraná, Coritiba, Atlético-MG, Sport, Al Helal (Arábia Saudita) e seleção da Arábia Saudita

Títulos: 3 Campeonatos Brasileiros (75 e 76 pelo Inter e 77 pelo São Paulo), Robertão (70, pelo Palmeiras), 4 Gaúchos (74,75 e 76 pelo Inter e 85 pelo Grêmio), 3 Paranaenses (93,94 e 97 pelo Paraná), Pernambucano (66 pelo Sport), 2 Paulistas da Segunda Divisão (63 pelo América e 73 pela Francana), Saudita e da Copa do Golfo (80 pelo Al Helal)

Publicação:16/09/2003
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