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Foto Gazeta Press
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Moisés: Sinceramente Xerifão

Por Daniel Fernandes

O termo "Xerifão" tornou-se um dos maiores clichês do futebol brasileiro. Todo zagueiro viril é considerado xerife pela imprensa e pelos torcedores. Poucos jogadores, entretanto, eram dignos deste rótulo verdadeiramente. Moisés, certamente, foi merecedor do apelido. Dono de pouca técnica, como ele próprio admite, mas muita vontade, Moisés fez história no Vasco da Gama, Corinthians e Fluminense. Ele encerrou a carreira no Bangu, no começo da década de 80, mas jamais abandonou o esporte.

Atualmente, Moisés é coordenador técnico do Cabofriense, clube que disputa a segunda divisão do futebol carioca. "Geralmente, ex-jogador vive no futebol, ele está envolvido emocionalmente ou profissionalmente", afirmou o ex-zagueirão. Antes de assumir o cargo administrativo, Moisés permaneceu à beira do gramado, treinando equipes. "Depois que eu parei de jogar futebol, em 1983, assumi o Bangu como treinador e fui responsável por aquela arrancada do time (que disputaria a final do Brasileirão de 85 com o Coritiba)", lembrou. "Dali, fui campeão como técnico no Santa Cruz e no Ceará. Eu fiquei também três anos dirigindo o Belenenses e voltei para comandar o Atlético-MG e o América (RJ)", disse Moisés, que ainda trabalhou sete anos no Oriente Médio.

Trabalhar fora do país, na década de 80, aliás, não era novidade. Como zagueiro, Moisés foi o primeiro jogador brasileiro a vestir a camisa do Paris Saint-Germain. "Antes mesmo do Abelão (Abel Braga, atual técnico da Ponte Preta)", lembra. Moisés ficou pouco tempo em Paris, quando voltou ao Rio de Janeiro seduzido, acreditem, por proposta financeira do Flamengo.

"Fiquei na França pouco menos de um ano. Naquela época, o futebol no país era muito fraco. Mas eu voltei pelo dinheiro, mesmo", admite o atual coordenador do Cabofriense.

Apesar de ser apontado como um jogador truculento, Moisés era pouco indisciplinado. Em sua passagem de dois anos pelo Corinthians, o então zagueiro foi expulso de campo em apenas duas oportunidades. Comparando o estilo considerado rude na década de 70 com a atual truculência dos defensores, Moisés poderia trocar o apelido de Xerifão para Anjinho.

"Eu fazia uso da lei, que faculta o direito da falta até porque eu não tinha uma técnica muito grande quando era mais jovem", admite o ex-jogador, sempre sincero em suas análises.

Moisés divide o seu tempo atual entre o trabalho na Cobofriense e a família. Todo orgulhoso, diz que a esposa Eliete é craque em informática e que possui três filhos. "Moisés tem 27 anos, Vanessa, que é dentista, com 25 e o Iaponã de 16". Este último, atuando nas categorias de base do clube carioca.

 Raio-X
Foto Gazeta Press

Nome: Moisés Matias de Andrade

Apelido: Xerifão

Posição: Zagueiro

Clubes em que atuou: Bonsucesso, Botafogo, Vasco da Gama, Flamengo, Corinthians e Paris-Saint Germain. Também defendeu a seleção brasileira.

Curiosidade: Defendeu o Corinthians entre 76 e 78 e ajudou o clube do Parque São Jorge a superar a interminável fila de 23 anos sem título no Campeonato Paulista. No Timão, disputou 122 jogos e marcou apenas um gol contra. Moisés ainda foi o primeiro brasileiro a atuar no Paris-Saint Germain.

Publicação:25/07/2003
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