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Ex-Expressinho, Mona pensa em se tornar técnico e abrir escolinha

Foto Acervo/Gazeta Press
Foto: Acervo/Gazeta Press

Por Fábio Matos, especial para a GE.Net

O chamado Expressinho do São Paulo, que conquistou o título da Copa Conmebol em 1994 e representou a equipe em várias partidas entre 1992 e 1994 – quando o Tricolor enfrentava uma série de competições simultâneas –, é sempre lembrado por conta de alguns atletas que, a partir dali, se firmaram no próprio clube do Morumbi ou ganharam projeção nacional e internacional. Muito se fala sobre o goleiro Rogério Ceni, o lateral direito Pavão, o zagueiro Bordon ou os atacantes Caio e Jamelli, mas poucos se lembram de um volante pouco técnico, mas verdadeiramente “guerreiro”, daquela equipe: Mona.

Aos 32 anos, comemorados no último 4 de junho, Mona vive com a esposa – com quem é casado desde 1997 – e a filhinha de seis anos na cidade paulista de Votorantim. Sua última passagem por um clube foi no início de 2005, no Operário/SC, mas o constante atraso no pagamento dos salários fez o atleta deixar, ao menos por enquanto, a carreira de lado. “É claro que, se aparecer alguma proposta interessante, eu gostaria de voltar a jogar. Mas a situação dos clubes, em geral, é muito complicada. Se não surgir nada muito bom, a idéia é abrir uma escolhinha na minha cidade”, conta.

Além disso, Mona pensa em se tornar treinador e está fazendo um curso de Educação Física na Universidade FMU, em São Paulo. A influência de Telê Santana, que o comandou no São Paulo, pode contribuir com o futuro treinador Marcelo Alexandre Pires Corrêa. “O melhor técnico com quem eu trabalhei foi o Telê. Ele era um pai”, afirma Mona. “Você sobe para o profissional e acha que não tem mais defeito nenhum. Quando começamos a treinar com ele, percebemos que precisávamos melhorar muito a qualidade do passe, por exemplo, que ele valorizava muito. O professor Telê era muito detalhista”, diz.

Na vida pessoal, garante Mona, o velho mestre também foi decisivo. “Ele sempre dizia que precisávamos guardar nosso dinheiro, porque não sabíamos o que aconteceria no futuro e tínhamos de estar preparados. Eu juntei meu dinheiro, e hoje tenho uma casa para a minha esposa e a minha filha. Devo muito ao Telê”, revela, emocionado.

Saudades – Mona não esconde que os tempos de São Paulo foram os melhores de sua vida profissional. Ele lembra, com muita saudade, dos amigos. “A saudade é mais dos amigos, alguns dos quais eu não vejo há tempos”, conta. O ex-volante do Expressinho afirma que o time que venceu a Copa Conmebol em 1994 era muito bom, e só não teve a chance de se firmar por conta da concorrência desleal com a máquina do Tricolor no início dos anos 90. “Aquele time (Expressinho) não se firmou porque não tivemos como jogar diante daquele time titular fantástico”, relembra. “E nem nos importávamos com isso, pois sabíamos que era um time especial. Aprendemos muito com aqueles caras. Foi o maior time da história do São Paulo”.

Em relação ao momento atual do São Paulo, seu “time de coração”, como ele mesmo diz, Mona não esconde a alegria ao falar sobre Rogério Ceni – o único remanescente do Expressinho de 1994. “Da minha época, só ficou o Rogério. Quando eu vejo ele jogar, até me emociono. É o maior goleiro da história do clube, sem dúvida”, opina. Para Mona, a conquista do tricampeonato da Libertadores foi justa. “O São Paulo fez ótimas contratações, como o Amoroso e o Luizão. O time é muito forte”.

Trajetória – O ex-volante do Expressinho Tricolor destaca que começou a atuar pelo clube, na categoria infantil, em 1987. “Eu entrei no São Paulo em 1987, no infantil, e subi para o profissional em 1992. Cheguei a fazer dois jogos pela Libertadores daquele ano”, conta.

Após o título da Conmebol em 1994 e o “desmanche” da então máquina tricolor, Mona ganhou sua primeira chance em 1995. “Mesmo com a chegada do Axel e do Alemão, em 1995, eu fui titular por um ano. Mas com a chegada do Muricy (Ramalho, atual treinador do Internacional), quem teve a chance foi o Donizete (na época, contratado junto ao Cruzeiro) e eu acabei não jogando”. Mona prossegue: “Quando o Mário Sérgio assumiu, em 1998, ele falou que gostaria que eu jogasse. Mas ele caiu, e assumiu o (Paulo César) Carpegiani. Então, ele me disse que eu não fazia parte dos planos”.

Desde então, Mona perambulou por uma série de clubes pelo Brasil e nunca teve o mesmo destaque da época do Expressinho. Chegou a ser campeão da Série C, pelo Vila Nova, em 1998, em seu melhor momento pós-Tricolor. Ainda atuou por Araçatuba, Botafogo/SP, Comercial/SP, Goiânia, XV de Piracicaba, Prudentópolis/PR, Francisco Beltrão e Operário/SC.

 Raio-X

Nome: Marcelo Alexandre Pires Corrêa (Mona)

Data de nascimento: 04/06/1973

Clubes: São Paulo, Santo André, Vila Nova, Araçatuba, Botafogo (SP), Comercial, Goiânia, XV de Piracicaba, Prudentópolis (PR), Francisco Beltrão e Operário (SC).

Principais títulos: Bicampeão da Copa Libertadores da América (1992 e 1993), bicampeão mundial interclubes (1992 e 1993) e campeão da Copa Conmebol (1994), pelo São Paulo; campeão da Série C do Campeonato Brasileiro (1998), pelo Vila Nova.

Foto Acervo/Gazeta Press
Foto Acervo/Gazeta Press
Publicação:12/08/2005
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