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Foto Gazeta Press
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Palhinha (à direita) e Juninho Paulista: festa no Tricolor nos anos 90

Palhinha: um campeão do mundo em Birigui

Por Matheus Pichonelli, especial para a GE Net

Tornou-se o principal assunto na pequena Birigui, desde que foi anunciado como a principal contratação do Bandeirante para a disputa do Campeonato Paulista da Série A-2. O casal de namorados sentados nas poltronas do Cine Galleria, os jovens que passeiam na avenida São Francisco, os velhinhos do Clube do Coração, os beatos da Igreja São João Batista: todos mal podem esperar para ver Palhinha estrear com a camisa do Bandeirante.

Aos 36 anos, o antigo ídolo de América-MG, São Paulo e Cruzeiro garante que ainda tem gás o suficiente para jogar por mais dois ou três anos. “Nunca sofri nenhuma lesão grave. Isto é muito importante. Além disso, meu porte físico me ajuda a seguir jogando, apesar da idade”, comenta. Antes de ver a carreira como atleta encerrada, ele assegura estar pronto para assumir a responsabilidade de ser o comandante do time de Birigui na caminhada rumo à elite do futebol paulista.

“Os times do interior de São Paulo têm hoje uma estrutura muito forte e isto facilita o trabalho do atleta. Algo parecido com o que acontecia no Marília, quando levamos o time à Série A do Paulista. Aqui, temos o apoio do prefeito, de deputados, da torcida. O time é forte, a cidade é boa e a tendência é melhorar a cada dia”, comenta o meio-campista.

Experiente, Palhinha lida diariamente com as expectativas acerca do futuro nos campos, ao mesmo tempo em que encontra, no passado, histórias vitoriosas à frente das equipes que lhe deram projeção no esporte nacional.

Nascido em 1967, este mineiro de Carangola, que deu seus primeiros passos no futebol no América-MG, em 1987, conta com empolgação do dia em que soube que um grande time da capital paulista estava interessado em seu futebol. “Quando saí do América-MG para jogar no São Paulo, quase não acreditei no que estava acontecendo. A ida para São Paulo mudou minha vida. Ganhamos quase tudo o que disputamos nos quatro anos em que fiquei no time. Além disso, foi lá que aconteceu a melhor coisa da minha carreira: Telê Santana”, relembra Palhinha, emocionado quando fala do velho mestre.

“Muita gente dizia, na época, que eu não me dava bem como o Telê, que ele pegava muito no meu pé. Mas isso era algo que tinha que acontecer, ele tinha um jeito de trabalhar que forçava o jogador a doar tudo o que podia para o time. Por isso ele me cobrava e muito, porque sabia do que eu podia render em campo. Ainda hoje acho que não veremos um treinador como ele, por tudo o que ele representa para o futebol brasileiro, embora o Brasil ainda tenha grandes profissionais nesta área atualmente”, comenta.

Orgulhoso por ter feito parte do time que conquistou o bicampeonato mundial interclubes, em 1992 e 1993, em Tóquio, Palhinha responde ainda hoje às críticas recebidas à época de que só rendia em campo quando tinha a seu lado jogadores como Raí e Muller. “Muita gente falava que eu só era capaz de jogar ao lado deles, mas pouco depois fui para o Cruzeiro, um time totalmente diferente do São Paulo, e conquistamos a Libertadores de 1997”, diz o comandante da Raposa naquela competição.

Seleção - Palhinha empolga-se facilmente quando fala das ex-equipes e dos grandes momentos vividos na década de 90, mas o tom de voz muda quando fala sobre a sua experiência com outra camisa: a da seleção. Uma das peças-chave da equipe que levou o Brasil para a Copa do Mundo de 1994, após a pedreira das Eliminatórias, Palhinha relembra com desgosto do dia em que viu a lista de convocados do técnico Carlos Alberto Parreira para a disputa do Mundial. Entre os jogadores, não constava o seu nome na lista.

“Foi a grande decepção da minha vida. Na época, fiquei chocado. Afinal, ajudei o time nas competições sul-americanas e, no momento principal, não fazia mais parte do time. Mas consegui superar isto com tranqüilidade. Torci muito para meus amigos que foram aos Estados Unidos, e vibrei como qualquer brasileiro quando o Brasil conquistou o Tetra”, conta o meia.

Sobre o recente fiasco da seleção brasileira Sub-23, que não obteve a classificação para os Jogos Olímpicos de Atenas, Palhinha acredita que estes mesmos jogadores, que decepcionaram no Pré-olímpico, ainda vão amadurecer e dar muitas alegrias à torcida.

“Os jogadores deste time já provaram as suas qualidades. Veja o exemplo do Robinho, que voltou ao Santos e jogou muito contra o Mogi Mirim. Futebol é assim. O que falta a eles, é amadurecer fora de campo. Eles sentiram e muito as cobranças dentro e fora de campo. Isto é complicado. Se a pessoa não tiver liberdade para viver a sua vida, não se pode cobrar nada dela em campo. Afinal, ninguém vai mudar a postura de ninguém fora de campo. Mas eles têm um grande futuro ainda pela frente”, conclui.

 Raio-X
Foto Gazeta Press
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Nome: José Ferreira da Silva

Data e local de nascimento: 14 de dezembro de 1967, em Carangola (MG)

Clubes em que atuou: América-MG (1987 a 1992 e 1999 a 2000), São Paulo (1992 a 1995), Cruzeiro (1995 a 1997), Mallorca (1997 a 1998), Flamengo (1998), Grêmio (1998), Alianza Lima (2001), Sporting Cristal de Lima (2001 a 2002), Gama (2001), Marília (2002), Comercial (2003), Uberaba (2003) e Bandeirante (2004)

Principais títulos: Tricampeão da Libertadores (pelo São Paulo, em 1992 e 1993, e Cruzeiro, em 1997), do Mundial Interclubes (pelo São Paulo, em 1992 e 1993), da Supercopa Sul-americana (pelo São Paulo, em 1993), bicampeão da Recopa Sul-americana (1993 e 1994), campeão da Copa do Brasil (1996), bicampeão mineiro (1996 e 1997, pelo Cruzeiro), da Sul-Minas (pelo América-MG, em 2000).

Publicação:30/02/2004
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