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Por Claudia Andrade
Há exatos 50 anos, o atletismo nacional conquistava
sua primeira medalha olímpica. Com a marca de 1,98m,
o carioca José Telles da Conceição garantia
o bronze no salto em altura nos Jogos de Helsinque, dia 20
de julho de 1952. A marca também estabeleceu novo recorde
sul-americano. O ouro ficou com o norte-americano Walter Davis,
que saltou seis centímetros a mais e quebrou o recorde
olímpico. A prata foi para outro representante dos
Estados Unidos, Kenneth Wiesner, que marcou 2,01m.
Em uma época em que o salto em altura era feito de
frente, com as pernas ultrapassando o sarrafo primeiro e depois
o corpo, o feito do brasileiro de 21 anos foi ainda maior
já que ele não apenas disputava essa modalidade,
mas também as provas de velocidade e até mesmo
o decatlo. "Em 52 ele estava despontando", lembra
Ulisses Laurindo dos Santos, corredor dos 400m com barreiras
e colega de Telles no Flamengo e na seleção
brasileira. "Era um atleta eclético, que tinha
velocidade tanto na horizontal como na vertical."
Dos 28 atletas que atingiram a altura mínima nas eliminatórias,
apenas quatro ultrapassaram o sarrafo colocado a 1,98m na
final. O brasileiro e o sueco Goesta Svensson registraram
a mesma marca, mas por ter conseguido primeiro, Telles garantiu
o bronze. O sueco só conseguiu na terceira tentativa,
e acabou em quarto.
A conquista do carioca, no entanto, foi ofuscada pelo ouro
de Adhemar Ferreira da Silva no salto triplo, poucos dias
depois. "É claro que entre o ouro e o bronze iam
falar mais do ouro. Como na Copa do Mundo, o Ronaldinho jogou
menos, mas foi o mais falado, porque fez os gols", compara
Laurindo. "Mas o Telles era introvertido, não
demonstrou ter ficado chateado por isso. Até porque,
no nosso tempo tudo era uma questão pessoal, não
tinha essa história de patrocinador."
Mais medalhas José Telles, quando criança,
queria ser engenheiro. Mas mudou de idéia depois de
participar de uma competição escolar. Ele venceu
todas as provas que disputou, com exceção do
salto em altura, por ironia. E acabou recebendo um convite
para treinar em seu primeiro clube, o Vasco. Depois passou
para o Flamengo, que representou por vários anos.
O auge de sua carreira foi mesmo a década de 50, quando
além do êxito olímpico, somou outras conquistas
ao seu currículo. Em 1954, competindo em São
Paulo, atingiu a marca dos 2m no salto em altura, a melhor
da América do Sul e que como recorde brasileiro, só
foi superada 19 anos depois, quando Irajá Chedid Cecy
registrou um centímetro a mais, em uma competição
realizada em Brasília.
Nos Jogos Pan-americanos de 55, na Cidade do México,
outras duas medalhas de bronze: no salto em altura, com 1,91m,
e nos 200m, com 21s40. De volta às Olimpíadas,
nos Jogos de Melbourne/56, ele ficou em sexto lugar.
"Todo talento é displicente. Lembro que muitas
vezes o Telles chegava para treinar às quatro da tarde,
depois do trabalho, e ficava lá, sentado, até
anoitecer e acabava não treinando. Se naquela época
todos nós tivéssemos mais orientação,
os resultados com certeza seriam ainda melhores", afirma
Laurindo.
O primeiro medalhista olímpico brasileiro teve um
fim trágico. Ele morreu em 1973, aos 42 anos, assassinado
no Rio de Janeiro.
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