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22/07/02
Foto: Gazeta Press
Foto: Gazeta Press

Por Claudia Andrade

Há exatos 50 anos, o atletismo nacional conquistava sua primeira medalha olímpica. Com a marca de 1,98m, o carioca José Telles da Conceição garantia o bronze no salto em altura nos Jogos de Helsinque, dia 20 de julho de 1952. A marca também estabeleceu novo recorde sul-americano. O ouro ficou com o norte-americano Walter Davis, que saltou seis centímetros a mais e quebrou o recorde olímpico. A prata foi para outro representante dos Estados Unidos, Kenneth Wiesner, que marcou 2,01m.

Em uma época em que o salto em altura era feito de frente, com as pernas ultrapassando o sarrafo primeiro e depois o corpo, o feito do brasileiro de 21 anos foi ainda maior já que ele não apenas disputava essa modalidade, mas também as provas de velocidade e até mesmo o decatlo. "Em 52 ele estava despontando", lembra Ulisses Laurindo dos Santos, corredor dos 400m com barreiras e colega de Telles no Flamengo e na seleção brasileira. "Era um atleta eclético, que tinha velocidade tanto na horizontal como na vertical."

Dos 28 atletas que atingiram a altura mínima nas eliminatórias, apenas quatro ultrapassaram o sarrafo colocado a 1,98m na final. O brasileiro e o sueco Goesta Svensson registraram a mesma marca, mas por ter conseguido primeiro, Telles garantiu o bronze. O sueco só conseguiu na terceira tentativa, e acabou em quarto.

A conquista do carioca, no entanto, foi ofuscada pelo ouro de Adhemar Ferreira da Silva no salto triplo, poucos dias depois. "É claro que entre o ouro e o bronze iam falar mais do ouro. Como na Copa do Mundo, o Ronaldinho jogou menos, mas foi o mais falado, porque fez os gols", compara Laurindo. "Mas o Telles era introvertido, não demonstrou ter ficado chateado por isso. Até porque, no nosso tempo tudo era uma questão pessoal, não tinha essa história de patrocinador."

Mais medalhas – José Telles, quando criança, queria ser engenheiro. Mas mudou de idéia depois de participar de uma competição escolar. Ele venceu todas as provas que disputou, com exceção do salto em altura, por ironia. E acabou recebendo um convite para treinar em seu primeiro clube, o Vasco. Depois passou para o Flamengo, que representou por vários anos.

O auge de sua carreira foi mesmo a década de 50, quando além do êxito olímpico, somou outras conquistas ao seu currículo. Em 1954, competindo em São Paulo, atingiu a marca dos 2m no salto em altura, a melhor da América do Sul e que como recorde brasileiro, só foi superada 19 anos depois, quando Irajá Chedid Cecy registrou um centímetro a mais, em uma competição realizada em Brasília.

Nos Jogos Pan-americanos de 55, na Cidade do México, outras duas medalhas de bronze: no salto em altura, com 1,91m, e nos 200m, com 21s40. De volta às Olimpíadas, nos Jogos de Melbourne/56, ele ficou em sexto lugar.

"Todo talento é displicente. Lembro que muitas vezes o Telles chegava para treinar às quatro da tarde, depois do trabalho, e ficava lá, sentado, até anoitecer e acabava não treinando. Se naquela época todos nós tivéssemos mais orientação, os resultados com certeza seriam ainda melhores", afirma Laurindo.

O primeiro medalhista olímpico brasileiro teve um fim trágico. Ele morreu em 1973, aos 42 anos, assassinado no Rio de Janeiro.

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