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Por Leila Araújo, da Espanha
Quando o relógio marcar 18 horas do próximo
dia 31, as ruas da capital espanhola serão invadidas
por uma multidão de 12.500 atletas. A San Silvestre
Vallecana completará sua 38ª edição
e desta vez os participantes vão correr usando camisetas
laranjas, numa tentativa de alegrar a paisagem invernal madrilenha.
Criada em 1964, a San Silvestre Vallecana foi
inspirada na corrida homônima brasileira. A idéia
surgiu num grupo de amigos, liderados por Antonio Sabugueiro,
um associado do clube Rayo Vallecano, que todos os anos via
imagens da prova brasileira pela televisão. Numa reunião
informal em um bar, Sabugueiro falou do desejo de organizar
uma prova noturna semelhante à nossa São Silvestre
e com esforço conseguiu juntar 5 mil pesetas para as
despesas iniciais.
Primeiro, a competição ganhou
o nome de Gran Premio de Vallecas e anos depois foi batizada
de San Silvestre Vallecana pelo jornalista do "Marca"
José Luis Gilabert. A primeira edição
foi disputada em 27 de dezembro de 1964, à noite, com
largada e chegada no boulevar do bairro de Vallecas. Quinhentos
atletas inauguraram a que se tornaria mais tarde a principal
prova de rua da Espanha. Só no ano seguinte a corrida
começa a ser disputada no dia 31 de dezembro.
A exemplo de sua prova inspiradora, a San Silvestre
Vallecana nasceu despretensiosa, com participação
quase exclusiva de espanhóis. Três anos mais
tarde, começa a atrair atletas estrangeiros, como Mohammed
Gammoundi, da Tunísia, os ingleses Mike Tagg, Roger
Clark, Ian Stewart e Jim Dingwall. Somente os espanhóis
Mariano Haro e Fernando Cerrada conseguiram superar as estrelas
internacionais de então.
Em 1977, a corrida, que até então
era apenas para os atletas de elite, foi dividida em duas:
uma para os atletas de ponta e outra para os anônimos.
O português Carlos Lopes foi outro importante
nome do atletismo mundial a fazer parte da história
da corrida.Venceu duas edições (1979 e 1980)
antes de sagrar-se campeão olímpico da maratona
em Los Angeles. O ex-recordista mundial dos 10 mil metros,
o mexicano Arturo Barrios, também conferiu prestígio
à prova de Vallecas.
No começo dos anos 90, a Vallecana, assim
como a prova brasileira, foi dominada pelos quenianos. Ondoro
Osoro venceu três edições consecutivas
e só não ganhou mais porque em 1994 a organização
decidiu apoiar os atletas espanhóis.
Diferentemente da prova brasileira, a Vallecana
possui um percurso de dez quilômetros, com largada no
famoso Paseo de la Castellana e chegada no estádio
de futebol Teresa Rivero. A corrida é disputada em
duas etapas: a primeira largada ocorre às 18 horas
e é exclusiva para os atletas populares. Ás
20h é a vez dos atletas da elite. Em ambas as provas,
homens e mulheres correm juntos.
Com o êxito do atletismo espanhol nos
últimos anos, as estrelas da San Silvestre Vallecana
desta edição são de casa: Chema Martínez,
ouro nos 10 mil metros no Europeu de Munique, Reyes Estévez,
vice-campeão nos 1.500 na Copa do Mundo de 2002 e prata
no Europeu de Munique, Alberto Garcia, campeão dos
5 mil metros na mesma competição e Isaac Viciosa,
três vezes campeão da prova.
Em função da diferença
de horário entre os dois países (a Espanha está
a quatro horas à frente do Brasil), no próximo
dia 31, os futuros campeões da Vallecana ainda terão
tempo de ver pela TV imagens da corrida que é conhecida
no mundo todo como a verdadeira São Silvestre.
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