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28/12/02

San Silvestre espanhola levará multidão às ruas de Madri
Prova inspirada na corrida mais famosa do Brasil terá participação de 12.500 atletas

Por Leila Araújo, da Espanha


Quando o relógio marcar 18 horas do próximo dia 31, as ruas da capital espanhola serão invadidas por uma multidão de 12.500 atletas. A San Silvestre Vallecana completará sua 38ª edição e desta vez os participantes vão correr usando camisetas laranjas, numa tentativa de alegrar a paisagem invernal madrilenha.

Criada em 1964, a San Silvestre Vallecana foi inspirada na corrida homônima brasileira. A idéia surgiu num grupo de amigos, liderados por Antonio Sabugueiro, um associado do clube Rayo Vallecano, que todos os anos via imagens da prova brasileira pela televisão. Numa reunião informal em um bar, Sabugueiro falou do desejo de organizar uma prova noturna semelhante à nossa São Silvestre e com esforço conseguiu juntar 5 mil pesetas para as despesas iniciais.

Primeiro, a competição ganhou o nome de Gran Premio de Vallecas e anos depois foi batizada de San Silvestre Vallecana pelo jornalista do "Marca" José Luis Gilabert. A primeira edição foi disputada em 27 de dezembro de 1964, à noite, com largada e chegada no boulevar do bairro de Vallecas. Quinhentos atletas inauguraram a que se tornaria mais tarde a principal prova de rua da Espanha. Só no ano seguinte a corrida começa a ser disputada no dia 31 de dezembro.

A exemplo de sua prova inspiradora, a San Silvestre Vallecana nasceu despretensiosa, com participação quase exclusiva de espanhóis. Três anos mais tarde, começa a atrair atletas estrangeiros, como Mohammed Gammoundi, da Tunísia, os ingleses Mike Tagg, Roger Clark, Ian Stewart e Jim Dingwall. Somente os espanhóis Mariano Haro e Fernando Cerrada conseguiram superar as estrelas internacionais de então.

Em 1977, a corrida, que até então era apenas para os atletas de elite, foi dividida em duas: uma para os atletas de ponta e outra para os anônimos.

O português Carlos Lopes foi outro importante nome do atletismo mundial a fazer parte da história da corrida.Venceu duas edições (1979 e 1980) antes de sagrar-se campeão olímpico da maratona em Los Angeles. O ex-recordista mundial dos 10 mil metros, o mexicano Arturo Barrios, também conferiu prestígio à prova de Vallecas.

No começo dos anos 90, a Vallecana, assim como a prova brasileira, foi dominada pelos quenianos. Ondoro Osoro venceu três edições consecutivas e só não ganhou mais porque em 1994 a organização decidiu apoiar os atletas espanhóis.

Diferentemente da prova brasileira, a Vallecana possui um percurso de dez quilômetros, com largada no famoso Paseo de la Castellana e chegada no estádio de futebol Teresa Rivero. A corrida é disputada em duas etapas: a primeira largada ocorre às 18 horas e é exclusiva para os atletas populares. Ás 20h é a vez dos atletas da elite. Em ambas as provas, homens e mulheres correm juntos.

Com o êxito do atletismo espanhol nos últimos anos, as estrelas da San Silvestre Vallecana desta edição são de casa: Chema Martínez, ouro nos 10 mil metros no Europeu de Munique, Reyes Estévez, vice-campeão nos 1.500 na Copa do Mundo de 2002 e prata no Europeu de Munique, Alberto Garcia, campeão dos 5 mil metros na mesma competição e Isaac Viciosa, três vezes campeão da prova.

Em função da diferença de horário entre os dois países (a Espanha está a quatro horas à frente do Brasil), no próximo dia 31, os futuros campeões da Vallecana ainda terão tempo de ver pela TV imagens da corrida que é conhecida no mundo todo como a verdadeira São Silvestre.

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