| Por Marta Teixeira
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Foto:
Djalma Vassão/Gazeta Press

Milhares de anônimos amadores emprestam
colorido especial à SS
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Serviço |
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Corrida Internacional
de São Silvestre
Data: 31/12/2006
Largada: Na Av. Paulista, em
frente ao Masp
Horários:
15 horas – portadores de necessidades especiais
15h15 – elite feminina
17 horas – elite masculina
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A lua foi substituída pelo sol, o percurso foi invertido,
mas o charme continua o mesmo. A Corrida Internacional de São
Silvestre chega à sua 82ª edição mantendo
o apelo popular que sempre teve. A prova deste domingo, que
fecha o calendário de atletismo nacional, reunirá
15 mil atletas, dos quais apenas 100 estão na elite.
Os outros 14.900 fazem parte da legião de semi-profissionais,
amadores e festeiros que têm na corrida um desafio pessoal.
Com 15 quilômetros e um percurso reconhecidamente difícil,
a São Silvestre pode ser o ápice no teste de
resistência de muitos e como a corrida de rua mais tradicional
e importante da América Latina abriu as portas para
um fenômeno que só fez se popularizar nos últimos
tempos. Pelos cálculos da Federação Paulista
de Atletismo (FPA), em seis anos, o estado de São Paulo
cresceu em 1750% o número de provas de rua.
“Este é um fenômeno que tem ocorrido em
todo o Brasil, mas especialmente em São Paulo tem crescido
muito”, reconhece o presidente da FPA, José Antônio
Martins Fernandes. Segundo ele, até 2000 eram disputadas
apenas 20 provas deste tipo por ano. Hoje, este número
chega a aproximadamente 350. “Sendo que mais ou menos
250 estão catalogadas”, acrescenta Fernandes.
Para ele, o aumento reflete a evolução do interesse.
“Geralmente, começa como uma preocupação
de saúde e acaba com um aficionado pela corrida”,
indica. A história é exatamente a de Armando
Francisco Cunha Ferreira Santos, diretor-executivo da Corpore
(Corredores Paulistas Reunidos), que também organiza
provas.
Corredor há 28 anos, ele era um sedentário
clássico. 1,87m de altura, gerente de banco, chegou a
pesar 110kg. “Para minha sorte, um dia tive um piripaque”,
recorda. Socorrido por um amigo/cliente médico recebeu
o diagnóstico. “Lembro exatamente a frase dele:
você vai fazer os exames, mas já te digo quais
serão os resultados. Colesterol alto, pressão.
Vai pensando em duas alternativas. Você continua do mesmo
jeito, vamos te monitorando com remédios e dá
para te dar mais um tempinho, ou começa a mudar sua vida,
parar o cigarro e ter uma atividade física”. A
mudança não foi fácil, mas definitiva.
“Fui tentar e deu no que deu. Se não tivesse acontecido
isso, não sei se estaria aqui agora. Não dá
para comparar o antes e o depois”, confessa.
A paixão pessoal virou profissão e o levou
à diretoria de uma das mais importantes entidades de
corredores do país. “Somos um clube de corredores
para corredores”, explica, concordando com a avaliação
de crescimento da modalidade. Situação que se
refletiu nos números da própria instituição.
Nas três últimas temporadas, seu quadro de associados
cresceu em progressão geométrica (35 mil em
2004, 75 mil em 2005 e 150 mil em 2006) e de 1997 para 2006,
o número de participantes em suas provas passou de
10 mil para 140 mil.
Como se não bastasse, a presença de ‘estreantes’
é outro fator que denuncia a evolução.
A cada prova, os organizadores registram cerca de 10% de pessoas
novas. Mesmo que sejam novatos apenas nos eventos da entidade,
mas já tenham participado de outra prova antes, o número
é expressivo. “O crescimento é um fato”,
concorda Santos. E arrisca um motivo para isso: mudança
de meta. “O grande foco no esporte sempre foi a performance.
Isso não acabou, mas todo mundo sabe que a atividade
física traz muitos benefícios. É uma
questão de comportamento e tornou-se uma coisa muito
forte”, completa.
A ponta do iceberg - As provas de 10km são as
mais populares. “Do total (no Estado), cerca de 60% têm
percurso de 10km”, diz o presidente da FPA. Das 23 organizadas
pela Corpore este ano, três tinham esta distância.
“Realmente existe uma concentração nos 10km.
Como atleta imagino que seja porque este é o primeiro
desafio de um corredor. Quando ele completa sua primeira prova
nesta distância é uma marca que não esquece
mais”, avalia Santos.
A metragem também serve de parâmetro mesmo para
atletas experientes. Na São Silvestre deste ano, por
exemplo, os índices estabelecidos para quem buscou
uma vaga nos pelotões de elite foram 30min e 36min
na distância no masculino e feminino, respectivamente.
Mas, em geral, os 10km são apenas o começo da
trajetória.
Aldo Luiz Moresi é um dos ‘anônimos’
que vai dar estofo à São Silvestre deste domingo.
Funcionário da Carbocloro, que terá um grupo
de funcionários e colaboradores na prova, começou
a correr há 13 anos para abandonar o vício do
cigarro e participa de sua quarta edição da
prova. “Quanto mais eu corria, menos fumava”,
recorda. Quando chegou a 10km na esteira em 1 hora/1h10 foi
treinar no Clube do Hospital das Clínicas junto com
um primo, que o incentivou a participar da primeira prova
de rua. O desafio inicial foi exatamente nesta distância.
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Pé na estrada e olho vivo
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Quem pretende se aventurar no universo das corridas de rua deve ficar atento
não apenas a sua própria preparação
para o desafio, mas também à estrutura
oferecida pelas provas. As oficiais podem ser de 10km,
15km, 20km, meia-maratona, 30km, maratona (42.195km),
100km e corrida de revezamento (geralmente na distância
da maratona).
Para evitar surpresas desagradáveis, o ideal
é optar por corridas reconhecidas pela Federação
Paulista de Atletismo (FPA). Estas têm a obrigação
de atender às exigências estipuladas pela
Associação Internacional das Federações
de Atletismo (IAAF) na regra 240 de seu regulamento.
Entre os requisitos básicos da prova bem
organizada estão:
- distância medida oficialmente pela IAAF
- largada demarcada por faixa branca de, no mínimo
5cm, e iniciada com um tiro ou sinal sonoro audível
- sinalização ao longo do percurso
- nas provas de 10km, a hidratação (oferta
de água) deve ser feita em intervalos de 2 a
3km.
- provas mais longas devem incluir também estações
jatos de água para refrescar os atletas a cada
5km, aproximadamente
- segurança para atletas e fiscais
- além da básica permissão das
autoridades locais para realização da
corrida e do respeito aos competidores: do primeiro
ao último colocado.
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Desde então, participou de várias meias-maratonas
e duas maratonas. A evolução foi uma provação
extra. “As transições são um grande
desafio” admite. “E você só consegue
treinando, treinando, treinando”.
A atividade tornou-se fator de dependência. “Se
passo uma semana sem correr, fico com peso na consciência”,
confessa. “Para mim é como escovar os dentes,
comer ou pentear os cabelos. Virou parte da minha vida. Depois
de certo tempo correndo, seu corpo libera endorfina e vira
um vício positivo”. O diretor-corredor Santos
assina embaixo. “Qualquer forma de prazer precisa de
mais oxigênio e correndo você oxigena mais”.
A balança também agradece a opção
de vida da dupla. “Posso comer sem preocupação
porque sei que vou queimar tudo depois”, brinca Moresi.
Mas não é apenas o organismo do corredor que
pode se beneficiar da atividade. Com certo jeitinho, até
o bolso sai lucrando nesta história.
Se no universo das grandes corporações o clássico
golfe é tido como esporte que aproxima os homens de
poder e favorece a concretização de empreendimentos
financeiros, as ruas também têm se tornado um
bom balcão de negócios ou, até mesmo,
consultório sentimental. “Além de se incluir
mais e melhorar a auto-estima, muita gente faz negócio,
cria um verdadeiro network nas corridas. Também há
casos de gente que se conheceu e até casou assim. O
importante é que você começa a criar oportunidades
em outro tipo de ambiente”.
Com tantos benefícios aos praticantes, Santos está
seguro que a evolução das provas de rua está
apenas no começo. “Acho que não chegamos
nem à metade do caminho. As pessoas que praticam estimulam
outras cada vez mais”. Segundo ele, a demanda por eventos
é constante. O que limita acaba sendo o calendário
e os requisitos básicos para uma prova de qualidade
(ver matéria ao lado).
“Calendário já é um problema pela
falta de espaço, principalmente em São Paulo.
Também já há problemas para treinar”,
diz o dirigente, lembrando do alto fluxo de corredores em
locais como a Cidade Universitária e o Parque do Ibirapuera.
“Já está na hora de as autoridades públicas
criarem espaços para evitar problemas. Vamos ter de
nos organizar”.
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