| Em transição,
Brasil sonha com quatro pódios
Por Marta Teixeira
| Termômetro
olímpico
Mais que medalhas em Osaka, a comissão técnica brasileira
espera ter um vislumbre do que poderá ser a seleção
para os Jogos Olímpicos de Pequim-2008. “Já dá para
ter um termômetro da olimpíada neste Mundial”, garante
o treinador-chefe, Ricardo D’Angelo.
Segundo ele, a equipe que representará o país na China
no ano que vem não deve ser muito diferente da que compete
no Japão esta semana. “O grupo será muito parecido com
este”, aposta.
Além de prestar atenção aos desempenhos dos atletas,
a comissão aproveitará o Mundial para estabelecer as
diretrizes de trabalho para Pequim. “Eu diria que estamos
no estágio final para isso. Faremos uma reunião no Japão
para estabelecer nossa estratégia e as etapas fundamentais
de preparação para Pequim”.
Durante o encontro, serão feitos também alguns ajustes
nos índices olímpicos. |
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Foto: Djalma Vassão/Gazeta
Press

Jadel Gregório é a maior chance
de medalha em Osaka |
Principal competição do atletismo depois das
Olimpíadas, o Mundial terá sua abertura às
19 horas desta sexta-feira (7h da manhã de sábado
no Japão), em Osaka, com a prova da maratona masculina.
Prévia do que será visto em Pequim-2008, a 11ª
edição do evento terá o número
recorde de 1981 atletas, 203 países, e mais de R$ 15
milhões em prêmios distribuídos.
Com um histórico de nove medalhas conquistadas em campeonatos
mundiais de atletismo, a delegação brasileira se prepara para
estrear na edição de Osaka nesta sexta-feira com um grupo
em transição. Para o treinador-chefe da delegação, Ricardo
D’Angelo, falar em medalhas é sempre complicado. Apesar disso,
pelo menos quatro atletas oferecem à equipe a esperança de
colocar o país no pódio.
Ao contrário do que faria supor o histórico de medalhas
brasileiras na competição, as expectativas desta vez não estão
com os atletas de pista, mas no campo, com os saltadores.
Jadel Gregório, Keila Costa e Maurren Maggi nos em distância
e triplo puxam a lista completada por Fabiana Murer no salto
com vara.
“O Jadel é nossa maior chance”, reconhece D’Angelo. “Todos
têm grandes perspectivas pelo que apresentaram este ano. Mas
Mundial é um torneio muito forte e qualquer um deles pode
eventualmente ficar fora da zona de medalhas”.
Jadel é o vice-líder do ranking internacional e no Japão
não irá reencontrar seu principal adversário do circuito,
o sueco Christian Olsson. Atual campeão olímpico, o triplista
não se recuperou em tempo de uma lesão no músculo da coxa
e está fora do torneio, repetindo a situação de Helsinque-2005.
Maureen retorna ao Mundial após duas edições sem participar.
A atleta, que foi suspensa por doping e chegou a oficializar
sua aposentadoria das competições, voltou ao circuito no ano
passado e provou que permanece na elite.
Líder do ranking no salto em distância, a atual campeã pan-americana
saltou 6,94m em junho, sétima melhor marca da temporada que
tem sido dominada pelas russas Lyudmila Kolchanova (7,21m)
e Tatyana Lebedeva (7,15m). Keila aparece em terceiro na lista.
Prata no Pan do Rio, sua melhor performance na prova foram
6,88m, em maio, em Belém (PA). Em Osaka, ela sonha com a medalha,
mas seu principal foco é atingir os 7,00m.
Apostando que as oito finalistas vão ultrapassar os 6,80m
na fase classificatória, ela não sabe nem se a distância almejada
a colocaria no pódio. “Pode ser medalha, não sei”.
Para seu técnico, Nélio Moura, as duas brasileiras fizeram
o necessário para figurar entre as melhores. “A meta é ficar
entre as oito, mas medalha é uma coisa difícil. Temos três
russas (Kolchanova, Lebedeva e Irina Simagina) e uma portuguesa
(Naide Gomes), que estão muito bem”, racionaliza.
Tendo seu nome lembrado pelas próprias adversárias, Maurren
é a principal esperança na distância, enquanto Keila é a melhor
das duas no triplo. Segunda melhor das Américas na prova,
atrás da cubana Yargelis Savigne, a brasileira marcou 14,57m
no GP do Brasil, desempenho ainda bastante distante da russa
Lebedeva (15,14m).
Terceira do ranking mundial, Fabiana Murer deu uma revitalizada
na carreira nos últimos seis anos, desde que começou a fazer
intercâmbios para treinar com o russo Vitaly Petrov, técnico
de Sergey Bubka e Yelena Isinbayeva, ambos recordistas mundiais.
Apesar de bem posicionada no ranqueamento, ela chega a Osaka
com marca distante das melhores do ano. Seu melhor desempenho
foram os 4,60m do título pan-americano. Isinbayeva atingiu
4,90m e outras cinco atletas estão na casa de 4,70m.
Fora do quarteto, o Brasil participa com um grupo de transição
no qual a principal meta é adquirir experiência e tentar abocanhar
um lugar nas finais ou semis. “Nós os classificamos como atletas
em desenvolvimento”, ressalta D’Angelo. É o caso do revezamento
4x100m e dos 800m masculino para os quais ele vislumbra pelo
menos uma semifinal.
Na opinião do técnico Jayme Neto, para alguns o desafio
será melhorar as próprias marcas. “Mas mesmo assim, sem chances
de medalha”. A relação inclui Lucimara Silvestre, no heptatlo,
e Sabine Heitling, nos 3.000m com obstáculos. Campeã pan-americana,
Sabine embarcou confiante depois do Pan. “Além do título,
lá eu consegui minha melhor marca pessoal (9min51s13). Sei
que em Osaka chegar a uma final é difícil, mas estou pensando
em conseguir o índice olímpico. Este é o meu objetivo”. No
Mundial, a barreirista pretende ficar abaixo dos 9min45.
A delegação brasileira está no Japão há uma semana. A primeira
parada foi em Kobe, onde o grupo participou de treinamentos
e fez os últimos ajustes. Na verdade, o foco total da preparação
nacional foram os Jogos Pan-americanos, em julho. Com isso,
a equipe que viajou para o Japão no último dia 14 vê-se na
situação singular de ter atingido seu ápice antes do Mundial
e, como o Pan terminou dia 29, não ter tempo suficiente para
um novo trabalho específico.
Apesar do ‘contratempo’ pan-americano, D’Angelo não tem
dúvidas que os resultados obtidos no Rio deixaram a seleção
mais confiante para Osaka. “O que a gente espera é que os
mais novos não sintam tanto o peso do Mundial”.
Os primeiros brasileiros a participar das competições
em Osaka são José Teles de Souza e Geovane de
Jesus Santos, na maratona. Os outros a competir na primeira
sessão são Lucimara Silvestre (100m com barreiras
e salto em alturo do heptatlo), Sabine Heitling e Zenaide
Vieira (3.000m com obstáculos), Hudson de Souza (1.500m)
e Vicente Lenilson, José Carlos Moreira e Sandro Viana
(100m), todas provas classificatórias. A SporTV anuncia
a transmissão ao vivo da maratona, a partir das 19h.
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