Voltar para a home Terça, 02 de Dezembro de 2008 Home Fale conosco. Receba o boletim   Ir para a Gazeta Press
 
23/08/2007
Montagem sobre foto de Djlama Vassão/Gazeta Press

Em transição, Brasil sonha com quatro pódios

Por Marta Teixeira

Termômetro olímpico

Mais que medalhas em Osaka, a comissão técnica brasileira espera ter um vislumbre do que poderá ser a seleção para os Jogos Olímpicos de Pequim-2008. “Já dá para ter um termômetro da olimpíada neste Mundial”, garante o treinador-chefe, Ricardo D’Angelo.

Segundo ele, a equipe que representará o país na China no ano que vem não deve ser muito diferente da que compete no Japão esta semana. “O grupo será muito parecido com este”, aposta.

Além de prestar atenção aos desempenhos dos atletas, a comissão aproveitará o Mundial para estabelecer as diretrizes de trabalho para Pequim. “Eu diria que estamos no estágio final para isso. Faremos uma reunião no Japão para estabelecer nossa estratégia e as etapas fundamentais de preparação para Pequim”.

Durante o encontro, serão feitos também alguns ajustes nos índices olímpicos.

 
Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press
Foto: Marcelo Ferrelli/Gazeta Press
Jadel Gregório é a maior chance de medalha em Osaka

Principal competição do atletismo depois das Olimpíadas, o Mundial terá sua abertura às 19 horas desta sexta-feira (7h da manhã de sábado no Japão), em Osaka, com a prova da maratona masculina. Prévia do que será visto em Pequim-2008, a 11ª edição do evento terá o número recorde de 1981 atletas, 203 países, e mais de R$ 15 milhões em prêmios distribuídos.

Com um histórico de nove medalhas conquistadas em campeonatos mundiais de atletismo, a delegação brasileira se prepara para estrear na edição de Osaka nesta sexta-feira com um grupo em transição. Para o treinador-chefe da delegação, Ricardo D’Angelo, falar em medalhas é sempre complicado. Apesar disso, pelo menos quatro atletas oferecem à equipe a esperança de colocar o país no pódio.

Ao contrário do que faria supor o histórico de medalhas brasileiras na competição, as expectativas desta vez não estão com os atletas de pista, mas no campo, com os saltadores. Jadel Gregório, Keila Costa e Maurren Maggi nos em distância e triplo puxam a lista completada por Fabiana Murer no salto com vara.

“O Jadel é nossa maior chance”, reconhece D’Angelo. “Todos têm grandes perspectivas pelo que apresentaram este ano. Mas Mundial é um torneio muito forte e qualquer um deles pode eventualmente ficar fora da zona de medalhas”.

Jadel é o vice-líder do ranking internacional e no Japão não irá reencontrar seu principal adversário do circuito, o sueco Christian Olsson. Atual campeão olímpico, o triplista não se recuperou em tempo de uma lesão no músculo da coxa e está fora do torneio, repetindo a situação de Helsinque-2005.

Maureen retorna ao Mundial após duas edições sem participar. A atleta, que foi suspensa por doping e chegou a oficializar sua aposentadoria das competições, voltou ao circuito no ano passado e provou que permanece na elite.

Líder do ranking no salto em distância, a atual campeã pan-americana saltou 6,94m em junho, sétima melhor marca da temporada que tem sido dominada pelas russas Lyudmila Kolchanova (7,21m) e Tatyana Lebedeva (7,15m). Keila aparece em terceiro na lista. Prata no Pan do Rio, sua melhor performance na prova foram 6,88m, em maio, em Belém (PA). Em Osaka, ela sonha com a medalha, mas seu principal foco é atingir os 7,00m.

Apostando que as oito finalistas vão ultrapassar os 6,80m na fase classificatória, ela não sabe nem se a distância almejada a colocaria no pódio. “Pode ser medalha, não sei”.

Para seu técnico, Nélio Moura, as duas brasileiras fizeram o necessário para figurar entre as melhores. “A meta é ficar entre as oito, mas medalha é uma coisa difícil. Temos três russas (Kolchanova, Lebedeva e Irina Simagina) e uma portuguesa (Naide Gomes), que estão muito bem”, racionaliza.

Tendo seu nome lembrado pelas próprias adversárias, Maurren é a principal esperança na distância, enquanto Keila é a melhor das duas no triplo. Segunda melhor das Américas na prova, atrás da cubana Yargelis Savigne, a brasileira marcou 14,57m no GP do Brasil, desempenho ainda bastante distante da russa Lebedeva (15,14m).

Terceira do ranking mundial, Fabiana Murer deu uma revitalizada na carreira nos últimos seis anos, desde que começou a fazer intercâmbios para treinar com o russo Vitaly Petrov, técnico de Sergey Bubka e Yelena Isinbayeva, ambos recordistas mundiais.

Apesar de bem posicionada no ranqueamento, ela chega a Osaka com marca distante das melhores do ano. Seu melhor desempenho foram os 4,60m do título pan-americano. Isinbayeva atingiu 4,90m e outras cinco atletas estão na casa de 4,70m.

Fora do quarteto, o Brasil participa com um grupo de transição no qual a principal meta é adquirir experiência e tentar abocanhar um lugar nas finais ou semis. “Nós os classificamos como atletas em desenvolvimento”, ressalta D’Angelo. É o caso do revezamento 4x100m e dos 800m masculino para os quais ele vislumbra pelo menos uma semifinal.

Na opinião do técnico Jayme Neto, para alguns o desafio será melhorar as próprias marcas. “Mas mesmo assim, sem chances de medalha”. A relação inclui Lucimara Silvestre, no heptatlo, e Sabine Heitling, nos 3.000m com obstáculos. Campeã pan-americana, Sabine embarcou confiante depois do Pan. “Além do título, lá eu consegui minha melhor marca pessoal (9min51s13). Sei que em Osaka chegar a uma final é difícil, mas estou pensando em conseguir o índice olímpico. Este é o meu objetivo”. No Mundial, a barreirista pretende ficar abaixo dos 9min45.

A delegação brasileira está no Japão há uma semana. A primeira parada foi em Kobe, onde o grupo participou de treinamentos e fez os últimos ajustes. Na verdade, o foco total da preparação nacional foram os Jogos Pan-americanos, em julho. Com isso, a equipe que viajou para o Japão no último dia 14 vê-se na situação singular de ter atingido seu ápice antes do Mundial e, como o Pan terminou dia 29, não ter tempo suficiente para um novo trabalho específico.

Apesar do ‘contratempo’ pan-americano, D’Angelo não tem dúvidas que os resultados obtidos no Rio deixaram a seleção mais confiante para Osaka. “O que a gente espera é que os mais novos não sintam tanto o peso do Mundial”.

Os primeiros brasileiros a participar das competições em Osaka são José Teles de Souza e Geovane de Jesus Santos, na maratona. Os outros a competir na primeira sessão são Lucimara Silvestre (100m com barreiras e salto em alturo do heptatlo), Sabine Heitling e Zenaide Vieira (3.000m com obstáculos), Hudson de Souza (1.500m) e Vicente Lenilson, José Carlos Moreira e Sandro Viana (100m), todas provas classificatórias. A SporTV anuncia a transmissão ao vivo da maratona, a partir das 19h.

anuncie seu carro
Gazeta Esportiva.Net © Todos os direitos reservados à Gazeta Esportiva.Net