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Marcelinho planeja vida nova após o Nacional

Foto Gazeta Press
Marcelinho começa a fazer planos

Por Marta Teixeira

Aos 27 anos, o ala/armador Marcelinho sabe exatamente o que deseja para seu futuro. Destaque no Fluminense e na seleção brasileira, Marcelinho só espera o final do Campeonato Nacional para dar um rumo a sua carreira. Deixar o Flu, que não tem honrado os pagamentos em dia e já acumula quatro meses de atrasos salariais, não é uma opção descartada. A nova fase inclui testes na liga norte-americana profissional masculina (NBA), quem sabe uma transferência para a Europa ou até para outro clube brasileiro.

Os testes nos Estados Unidos serão feitos assim que terminar o Nacional, porque uma coisa Marcelinho já decidiu: com atraso ou não, cumpre seu contrato com o Fluminense. "Resolvi ficar porque acho que tenho que cumprir minha parte do contrato. Não posso exigir dos outros se não fizer a minha parte".

Marcelinho, que se transferiu do Botafogo para o tricolor depois de enfrentar vários meses de atrasos salariais, lamenta a situação de sua atual equipe. "Quando fechei contrato com o Flu, estavam em dia. Recebi três meses e de lá para cá não consegui mais receber em dia", recorda. Como profissional, ele faz questão de lembrar que não pode deixar de pensar no futuro.

"Tenho 27 anos hoje (completados na última sexta-feira) e tenho muita coisa pela frente", analisa. "A carreira de jogador é curta, estou tentando fazer da minha o melhor possível, tentando me tornar um jogador melhor a cada dia".

Foto Marcelo Ferrelli/Gazeta Press
Ala/armador recebeu algumas propostas

Na hora de pensar em deixar o Tricolor falou alto não apenas o sonho de jogar fora do País, que Marcelinho tenta desde o ano passado, mas também a falta de estrutura da equipe carioca. "Só vou conseguir isso (melhorar como jogador) em uma estrutura melhor.

"No ano passado ia fazer um teste na NBA, mas como a data coincidia com a participação do Brasil no Sul-americano optei por ficar e desistir dos testes no Memphis (Grizzlies) e no (Los Angeles) Lakers", afirma. Hoje, a realidade é diferente. "Se o Flu continuar com a estrutura que tem hoje, que eu acho muito aquém do que é necessário para um jogador, vou ser obrigado a sair".

Se o sonho de ir para a NBA não der certo, o ala/armador também faz planos para tentar a sorte na Europa, motivado pelo sucesso de Anderson Varejão no Velho Continente. Segundo ele, já existem algumas propostas que estão sendo consideradas.

Nem mesmo outro endereço aqui no Brasil mesmo está sendo desconsiderado. "Claro que existe a chance de ficar no Brasil, mas estou procurando o que é melhor para mim", conclui.

Do que Marcelinho não abre mão mesmo é da melhoria em suas condições de trabalho. "A estrutura em algumas cidades está muito abaixo do que é necessário para o jogador", critica. Mas sua análise não é implacável ou pessimista. "Há equipes em São Paulo pagando em dia e com uma estrutura boa. O Flamengo paga em dia e tem uma estrutura legal", diz.

Para ele, o grande problema do basquete é a instabilidade financeira com a qual os clubes têm que conviver. "A gente não sabe até quando a estrutura vai ser boa no clube. Da noite para o dia muda, principalmente em clube que não tem patrocínio. É neste ponto que está pesando muito a minha decisão".

Comprometido com o Tricolor até o final do Nacional, Marcelinho faz questão de ressaltar que mantém as esperanças no futuro do basquete no País. "Eu espero que até o final do meu contrato muita coisa possa mudar no basquete brasileiro".

Enquanto espera pela definição de seu futuro, Marcelinho tem feito o que faz melhor, ajudando o Fluminense na luta por uma vaga para as quartas-de-final do Campeonato Nacional. Terceiro principal pontuador do torneio, 608 pontos e média de 26,4 por jogo, ele também se destaca na estatística de assistências, contribuindo com 6,5 (por confronto) para seus companheiros.

Por enquanto, o Nacional é o que emporta. Depois vem a NBA e a Europa e os preparativos brasileiros para o Mundial de Indianápolis, em agosto. Mas isto já é outra história.

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