Fale conosco Receba o boletim  
Keli ganha ação e Karina tenta o acordo

foto Fábio Sabba/GP
A empresa da pivô Karina foi condenada no processo trabalhista movido pela ex-ala Keli

Por Marta Teixeira

A ex-jogadora Keli Karina Meira Barros ganhou a ação trabalhista que movia contra a Ka Comércio, Produção e Eventos Esportivos, da pivô Karina Rodrigues na 3ª Vara da Justiça de Campinas. A decisão da Justiça foi tomada no dia 3 de abril e comunicada aos interessados na sexta-feira, dia 19. A sentença do processo 1855/00 ainda permite a entrada com recurso, mas antes disso, as partes pretendem conversar para tentar um acordo.

A sentença proferida determina que a empresa regularize o registro trabalhista de Keli, referente ao período de outubro de 1999 a setembro de 2000, recolha o INSS e o PIS, faça o acerto com o Fundo de Garantia e notifique o INSS sobre o acidente de trabalho, ocorrido em 5 de janeiro de 2000. Além disso, a empresa de Karina também deverá pagar os valores que Keli receberia mensalmente do INSS a título de auxílio por acidente de trabalho até que o Instituto regularize a situação da ex-jogadora, um valor aproximado de R$ 2,3 mil/mensais retroativo à data de início do processo. A regularização da carteira de trabalho deve ser feita em até 48h depois do trânsito em julgado do processo.

Segundo Karina, a reunião com o advogado Pedro Augusto Ambroso Adib, que representa Keli, deverá ser feita na segunda-feira. Mas Adib não confirma a data. "Ela nos procurou querendo marcar para a segunda, mas ainda estou esperando uma confirmação da data pelos seus advogados", afirmou no início da noite desta sexta-feira.

Tanto Adib quanto Karina afirmam ter interesse no acordo. "Não discuto o direito dela, mas quero chegar a um acordo que seja justo para as duas partes", diz Karina. Adib também garante ter boa vontade. "Nosso interesse é que a Keli consiga o auxílio por acidente o mais rápido possível", afirma. Keli diz que deseja aquilo a que tem direito. "Não estou pedindo hora extra nem qualquer coisa além do meu direito".

O drama da ex-ala começou dia 5 de janeiro de 2000. Durante um treino a jogadora, que não era registrada,levou uma cotovelada que provocou o deslocamento de sua primeira vértebra cervical, deixando-a sob o risco de ficar tetraplégica. Desde então, Keli nunca mais pôde jogar. Durante os dez primeiros meses, a ex-jogadora afirma ter recebido assistência da equipe, mas em outubro foi despejada do apartamento alugado pelo time e parou de receber salário ou qualquer outra ajuda. Por isso, resolveu recorrer à Justiça.

A ex-jogadora moveu dois processos separados. Um na Justiça Trabalhista e outro na Civil (processo 3229/00), no qual Keli pleitea uma indezinação por danos morais equivalente a mil salários mínimos e outra por danos materiais. "O pedido considera os rendimentos que ela teria desde o acidente até a idade de 65 anos", explica o advogado. Pelos cálculos da época, a ex-jogadora deveria receber uma indenização de R$ 40 mil. Em abril de 2001, a Justiça deu a Keli a tutela antecipada para o pedido.

Nos dois processos, os réus eram a Ka e a Knorr Lámen, mas na hora de proferir a sentença trabalhista, o juiz considerou que a Knorr não tinha responsabilidade no caso e deixou apenas a empresa de Karina no processo. Por medida de precaução, Adib distribuiu recurso referente à Knorr nesta sexta-feira. "Mas isto é para nos assegurarmos. Vamos aguardar a postura da Ka, se ela cumprir a determinação desistimos do recurso da Knorr porque para nós não importa quem pague, desde que seja pago".

Keli confia, mas desconfia

A mais interessada na definição do impasse mantém um pé atrás no meio de tudo isso. Há duas semanas na cidade de Campinas, onde tem feito fisioterapia, a ex-jogadora prefere aguardar. "Estou confiante, mas enquanto não ver tudo resolvido prefiro não comemorar. Espero que ela acerte mesmo", diz desconfiada.

Nestas duas semanas em Campinas, ela tem feito hidroterapia e exercícios para recuperar o equilíbrio. "Tenho me sentido muito melhor", afirma a ex-jogadora, que descobriu em novembro ter um tumor no cerebelo, próximo a região em que foi atingida pela cotovelada. No início deste ano, ela foi submetida a uma cirurgia e desde então faz quimioterapia para controlar a doença.

Aos 27 anos, Keli vive com a mãe e um irmão em São José do Rio Preto e depende do que eles ganham para se manter, já que não tem outra fonte de renda. Por causa da doença, perdeu boa parte do cabelo e teve de raspar a cabeça. Apesar disso, mantém o otimismo. "Estou me sentindo melhor, o que prova que os remédios estão fazendo efeito". Segundo ela, a despesa mensal com medicamentos é de aproximadamente R$ 200,00.

Karina quer um acordo "dentro da realidade"

A pivô Karina, proprietária da Ka Comércio, Produção e Eventos Esportivos, garante ser uma das mais interessadas em resolver o impasse sobre o caso da ex-jogadora Keli. Durante a reunião com o advogado da reclamante, ela diz que buscará um acordo justo para as duas partes e que "esteja dentro da realidade", mas não especifica quais seriam estas opções.

"O câncer de Keli me sensibiliza, mas não tem a ver com o acidente", diz. "Não me isento das minhas responsabilidades e não discuto o direito dela", completa Karina, lembrando que ajudou a ex-pivô Leila quando esta se machucou.

Gazeta Esportiva.Net © Todos os direitos reservados à Gazeta Esportiva.Net Voltar            Topo da página