| Por Marta Teixeira
O melhor jogador da última edição do
Campeonato Nacional masculino de basquete não faz o
gênero super star. O ala Vanderlei, da Tilibra/Copimax/Bauru,
levou para casa na última sexta-feira, além
da alegria pelo título inédito conquistado pela
cidade, o troféu de melhor em quadra nesta temporada.
Mas ele não vê isto como um resultado apenas
do seu trabalho individual. Para Vanderlei, a participação
dos companheiros foi determinante.
"Falo isto sempre. Eu jogando sozinho sou horroroso",
exagera. "É verdade", insiste, "quando
eu parar de jogar, meu filho não vai acreditar que
joguei bem basquete", completa rindo. "Nosso time
é coletivo e a gente viu isto hoje (sexta). Eu não
joguei bem, mas o time conseguiu ganhar", recorda. "Demonstra
exatamente isto. O time não tinha um ou dois, tinha
pelo menos oito em condições de jogar",
completa.
Se ficou insatisfeito com sua performance na última
partida, Vanderlei não pode reclamar do que fez durante
a temporada, afinal, o título de melhor jogador não
foi presente. Principal cestinha do Bauru na competição,
o ala marcou 1.009 pontos no Nacional - atrás apenas
de Oscar (1.183) e Marcelinho (1.035) - além de contribuir
nas assistências e rebotes. A arma de Vanderlei é
mesmo o elemento surpresa. Quem joga contra ele, sabe que
não pode deixá-lo sobrando, em um canto da quadra,
porque ele fatalmente aproveitará a brecha para partir
ligeiro para a cesta e se, em uma situação relativamente
rara, não acertar é quase garantido que consiga
uma falta.
O aprendizado na quadra começou cedo. Aos 10 anos,
o paulista Vanderlei Mazzuchini conduzia a bola com desenvoltura.
Aos 17 já era titular e com responsabilidade grande.
Defendia o Palmeiras no último ano do craque Marcel
como profissional. "Olha só, ele era meu reserva
no time", lembra, sorrindo da ironia.
Vanderlei é categórico em classificar esta época
como uma das mais importantes de sua carreira. "O Edvar
(Edvar Simões, então técnico do alvi-verde)
prestava atenção em cada detalhe. Falava coisas
importantíssimas, era do tipo rigoroso. Da gente jogar
com medo dele", recorda. Mas não se queixa da
experiência. "Depois que passei por ele, fiquei
pronto para tudo", afirma.
Marcel também foi importante. "Ele falava muitas
coisa, me orientava. Dei um passo legal na carreira. Foi um
ano em que fiquei bem diferente no final", diz. Justamente
por isso, às vezes Vanderlei sente que poderia ajudar
mais seus jovens companheiros. "Eu não sou de
falar muito, dar toques e às vezes acho que poderia
ajudar mais".
Mesmo quando treina com os juvenis, o ala é econômico
nas dicas. "Eu não penso em falar", confessa,
responsabilizando o temperamento por isso. "Sou assim
mesmo. Quando estou com eles, somos iguais. Gosto das mesmas
músicas, falamos as mesmas coisas".
Sua trajetória nas quadras começou no Sírio
Libanês, passou pelo Monte Líbano, São
Bernardo, Palmeiras, Franca, Ribeirão Preto, Flamengo
até chegar a Bauru. O destino na próxima temporada
ainda não está completamente definido. Ele quer
permanecer onde está, mas isto só será
definido na próxima semana. Procurado por outras equipes,
o ala deixou claro que quer antes conversar com seu atual
time.
"Vou conversar com a Tilibra para daí decidir
o que fazer da minha vida". Sobre a ameaça da
equipe perder seu principal patrocinador, Vanderlei diz que
não se envolve. "Acho que isto é uma coisa
da diretoria, nós jogadores não temos que nos
envolver. O contrato vence agora, em junho, e eles também
não estão errados em sair. A diretoria é
quem vai decidir".
Agora, Vanderlei só pensa nas merecidas férias.
"Tô esgotado", confessa, revelando também
o motivo pelo qual não ficou satisfeito com seu rendimento
na sexta e marcou apenas 11 pontos no jogo. "Ainda bem
que vou dar uma descansadinha agora. Estava falando com o
Guerrinha, eu estava quase indo deitar ali (no banco de reservas)
com o Leandrinho, que estava com câimbra", brinca.
O jogador só deve voltar a ativa no próximo
mês, quando Hélio Rubens convoca os adultos para
os treinamentos para o Mundial de Indianápolis. "Foi
um campeonato muito cansativo e a gente vem do Paulista, que
também é cansativo", lembra Vanderlei.
Para ele, fechar a série contra a Uniara em casa foi
resultado não apenas do trabalho do grupo em quadra,
mas também do apoio da torcida. "Se este jogo
não fosse aqui, acho que a gente teria perdido",
diz. "A gente vê que a torcida passa uma coisa
legal para nosso time. Quando a gente parece que vai entregar,
ela vem e dá uma levantada. Não é à
toa que a Tilibra só perdeu um jogo aqui", festeja.
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