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 30 anos de história nas mãos de Nenê

Nenê, Pipoka e Oscar

Por Marta Teixeira

Quando pensa no ala/pivô brasileiro Nenê defendendo o Denver Nuggets na NBA, o ex-técnico de basquete, hoje gerente de futebol do Corinthians, Edvar Simões consegue visualizar outros craques do passado na quadra. "Fico muito feliz pelo Nenê. É espetacular. Ele está levando 30 anos de história do basquete para a NBA", considera.

Gazeta Press

Na opinião de Simões, Nenê conseguiu o que alguns atletas do passado poderiam ter alcançado. "Como Bira, Rosa Branca, Adilson, Oscar. Vejo estes lá", diz. Alguns destes chegaram mesmo a despertar o interesse no exterior. Bira foi o primeiro brasileiro a atuar na Europa, indo jogar na Itália no início da década de 70. Não por acaso, o "Cavalo de aço", como também era chamado o pivô, tornou-se ídolo do principal ídolo nacional, o Mão Santa.

Oscar também jogou na Europa, por mais de dez anos, mas apesar de convidado para atuar na NBA, nunca aceitou as propostas. A razão foi sempre uma só. Como o basquete da liga norte-americana era profissional, e naquele tempo jogadores profissionais não podiam defender a seleção em Jogos Olímpicos. Mão Santa fechou com o Brasil e nunca sentiu o gostinho das disputas da NBA. Somente a partir da Olimpíada de Barcelona/92, as regras mudaram e profissionais passaram a ser admitidos nos Jogos.

Somente dois brasileiros chegaram a jogar na NBA. Os pivôs Rolando (Portland Trail Blazers), no final da década de 80, e Pipoka (Dallas Mavericks), no início da década seguinte. Quem também ficou com um pé nos Estados Unidos foi o bicampeão mundial Rosa Branca. Ele foi convidado para viajar com os Harlem Globettroters, mas achou melhor ficar no Brasil.

Simões lembra que neste tempo a situação dos estrangeiros na NBA era diferente, o que tornava mais difícil sua presença na liga. Para ele, a ida de Nenê para uma equipe da NBA tem dois aspectos importantes para o basquete nacional .

O primeiro diz respeito a quem está começando na carreira. "É bom para pensar grande, pensar NBA. Sonhar com a NBA como realidade. É um incentivo extraordinário", analisa. O outro funcionará nos bastidores. "É bom para os dirigentes acreditarem no basquete brasileiro", considera.

Simões, que esteve ligado à seleção brasileira por mais de uma década como jogador e técnico, diz que foi voz isolada na década de 80, quando se opunha ao excesso de estrangeiros nas equipes nacionais. "Cheguei a ser um pouco marginalizado por isso", recorda. "Hoje, fico feliz pelo Nenê. E quando vejo meninos como Alex e Renato na seleção fico feliz, pelo retorno da utilização de jogadores nacionais nas equipes, mesmo que isto tenha acontecido por causa do dinheiro", analisa.

"Acho que fui o último técnico de uma época a comandar um time essencialmente brasileiro", diz lembrando seus tempos como comandante do Monte Líbano. "Tínhamos quatro ou cinco jogadores que haviam atuado na Europa e jogavam de igual para igual com os outros países", completa.

O Brasil, que ocupa a quarta posição entre as principais potências no esporte de acordo com o ranking da Fiba, possui alguns dos mais importantes títulos da modalidade. No masculino foi duas vezes campeão mundial (Chile/59 e Brasil/63), três vezes medalha de bronze em Jogos Olímpicos (Londres/48, Roma/60 e Tóquio/64) e o ouro Pan-americano (Indianápolis/87). O feminino conquistou o mundial de Havana/94 e duas medalhas olímpicas. A prata em Atlanta/96 e o bronze em Sydney/2000.

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