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Anderson Varejão: Promessa cumprida

Por Marta Teixeira

Reuters
Juvenil, Anderson (e) estreou na seleção adulta em 2001
AFP
O pivô (d) chamou a atenção dos olheiros e foi contratado pelo Barcelona

Nove jogos na Euroliga e outros dois na Liga ACB – primeira divisão do basquete espanhol -, para o pivô Anderson Varejão, o saldo destes seis meses passados no Barcelona não poderia ter sido melhor. "Eu mesmo não esperava tanto", diz. Com apenas 19 anos, Anderson é um caso de promessa que se tornou realidade em tempo recorde.

No ano passado, ele foi convocado pela primeira vez para a seleção adulta de basquete. Assim como no caso do pivô Nenê, o objetivo inicial era apenas dar um pouco mais de experiência para estes juvenis, pensando em aproveitá-los no futuro. Mas eles se anteciparam e provaram que davam conta do recado apesar da pouca idade.

O interesse dos olheiros internacionais não demorou a ser despertado. Anderson foi para o time catalão e Nenê, para o Denver Nuggets (sétima escolha da primeira rodada no draft do dia 26). "Eles eram promessa e agora já são realidade", diz o técnico Lula Ferreira, assistente técnico na seleção brasileira.

Anderson não esconde a satisfação com a experiência. "Foi uma temporada muito importante para mim", assegura. Para ele, a forma como foi recebido na Espanha foi essencial para seu desempenho. "A boa recepção foi fundamental. Imagine só: eu, jovem, chegando agora. Mas eles me trataram super bem".

O relacionamento com o técnico Aíto García Reneses não foi diferente. O treinador incentivava o brasileiro e tomou cuidado para não "queimá-lo" no início. Anderson não demorou para entrar em atividade. A estréia foi contra o lituano Zalgiris Kaunas, em 31 de janeiro. O brasileiro ficou 6min26 em quadra e marcou dois pontos.

Vestindo a camisa 16 na Euroliga, o brasileiro atuou em nove jogos. A média de tempo em quadra foi de 13min34, o suficiente para marcar 42 pontos pela equipe, com um aproveitamento de 51,7% nas cestas de dois pontos. Pegou 36 rebotes e fez quatro bloqueios. Nada mal para alguém que chegou meio receoso.

"De início tive um pouco de medo, mas quando comecei a praticar mais, passou", afirma o jogador. Disposição para os treinos não faltou. Duas vezes ao dia, ele percorria os 600 metros que separavam sua casa do ginásio para treinar: das 10 às 12h e das 19 às 21h.

Quando entrava na quadra, era a reação da torcida que mais o emocionava. Fiel aos penteados exóticos, o brasileiro não passava despercebido e recebia sempre o incentivo dos torcedores. "Houve jogos que arrepiaram. A torcida gritando, você se emociona", lembra.

De vez em quando ele arranjava algum tempo para conhecer a cidade. Mas confessa ter se acomodado. "Dava para ter conhecido mais, mas eu sou assim, sossegado". As amizades vieram naturalmente e incluíram dois brasileiros, mas não impediram que em alguns momentos ele sentisse muita saudade de casa.

"É um pouco difícil ficar tão longe da família", lembra. Nos dois primeiros meses, o pai estava na Espanha, quando voltou foi difícil segurar a saudade. "Chegou a bater um pouco de depressão", confessa. "Mas com o tempo me acostumei. Isto faz parte e com o tempo passa".

Há 20 dias, ele pôde matar toda saudade que sentiu neste semestre. Primeiro passou uma temporada na casa dos pais no Espírito Santo, depois foi rever os amigos em Franca, onde jogou até ir para a Espanha. "Cada lugar foi uma festa", diz, sorridente.

A alegria pela oportunidade de jogar na Europa não tirou seus pés do chão. Anderson define-se como um "jogador jovem, que tem muito a mostrar, mas ainda está começando a aprender". Em nome desta aprendizagem, ele achou melhor não se arriscar no draft da NBA nesta temporada e retirou seu nome da lista. "Quem sabe no ano que vem?". Ele tem mais um ano de contrato no Barcelona, para onde volta depois do Mundial. A próxima temporada ainda é uma incógnita, porque o time catalão mexeu bastante na equipe, contratando inclusive o técnico Svetislav Pesic.

De uma maneira ou de outra, Anderson acredita que ele e Nenê vão contribuir com a seleção pelo que aprenderam fora do País e também chamando atenção para o basquete brasileiro. "Tudo isto vai mexer com eles (olheiros). Vão abrir portas e descobrir novos talentos", afirma, confiante.

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