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Por Marta Teixeira
No primeiro jogo ela já mostrou a que estava disposta nas
quadras francesas e marcou 38 pontos. O feito deixou a comissão
técnica e as outras jogadoras do Lattes Maurin, de Montpellier,
impressionadas com o desempenho da ala brasileira Adriana
Santos. A conquista não foi por empolgação na estréia e terminada
a campanha de 2002, a equipe tratou de garantir sua contratação
para a próxima temporada.
| foto Gazeta Press |
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| Com a seleção, Adriana conquistou duas
medalhas olímpicas: prata em Atlanta/96 e bronze
em Sydney/2000 |
"Foi uma temporada super boa", afirma a jogadora, nome praticamente
certo para defender o Brasil no Mundial da China, em setembro,
e que retorna para a França no mês seguinte. "Quando me contrataram,
deixaram claro que era para jogar como eu sabia. Lá elas são
muito regradas no sistema de jogo, mas eu podia inventar muitas
jogadas. O técnico me deu total liberdade", lembra.
A boa participação de Adriana no torneio garantiu-lhe a
convocação para o All-Star Game. "Fui chamada, mas no último
treinamento para o jogo machuquei e acabei ficando de fora",
lamenta.
O nível de organização do torneio e a determinação da equipe
também foram boas surpresas para a brasileira. Os jogos eram
realizados apenas aos sábados, mas o grupo treinava duas vezes
por dia. "Mesmo assim, dava tempo de conhecer outros lugares",
recorda a jogadora, que aproveitava os domingos para passear.
Em sua estréia na divisão principal do Campeonato, o Lattes
Maurin tinha como principal preocupação manter-se no grupo
para a próxima temporada. "A cidade é muito forte em outros
esportes e queria garantir o mesmo para o time feminino de
basquete. No handebol, eles têm a melhor equipe da Europa",
lembra. O clube garantiu o oitavo lugar na classificação geral
do torneio e manteve-se na divisão principal.
Outra coisa que chamou muita atenção de Adriana na França
foi a deferência com que era apresentada em toda parte. "Antes
de cada jogo, na hora da apresentação das atletas, eles sempre
falavam que eu era a Adriana da seleção brasileira, que tinha
conquistado duas medalhas olímpicas", comenta. "Era até engraçado,
eles diziam que tinham de tomar muito cuidado comigo porque
era medalhista", completa, rindo.
Idioma e cultura
A ala Adriana Santos confessa que sempre gostou de desafios.
Viver novas experiências nunca foi um problema e por isso,
a proposta de atuar na França, mesmo sem conhecer o idioma,
não foi recusada. "Nunca tive medo de mudar, mas não achava
que seria tão bom", confessa a jogadora.
| foto Gazeta Press |
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| Adriana estreou na seleção brasileira
principal em 1991 |
As duas primeiras semanas foram as mais difíceis. "Em quadra,
até me virava bem porque conseguia entender o que ele (o técnico
Pierre Galles) queria que eu fizesse. O mais difícil era conversar.
Eu ficava desesperada porque não conseguia me comunicar",
lembra.
Mas o problema não durou muito. Adriana afirma que em três
meses dominava bem o idioma. A tática de aprendizagem foi
intensiva. "Não assinei tevê a cabo e ia ao cinema toda segunda-feira,
mesmo sem entender nada".
Com a barreira do idioma superada, Adriana tratou de aproveitar
ao máximo sua temporada européia. Nas folgas da equipe viajava
para outras cidades da França e países próximos. "Minha cidade
ficava a 3 horas de Barcelona", comenta. "Conheci muitos lugares
porque sempre tive sede de conhecer coisas antigas, castelos",
recorda Adriana, que ficou impressionada com a conservação
dos prédios e o conhecimento histórico que os franceses têm
de seu país.
"Dava até vergonha", lembra rindo. "Eles comentavam alguma
coisa sobre o Brasil e perguntavam detalhes que eu nem sabia
e eles sabiam tudo sobre seus monumentos".
A temporada na França rendeu bons amigos na equipe, mas
também fora dela. Em Montpellier, Adriana conheceu Roberto
Assis, irmão de Ronaldinho Gaúcho que atua pela equipe de
futebol da cidade. O jogador de vôlei Pezão e sua mulher também
eram companhias constantes. "Eles moravam pertinho de mim".
Adriana deu sorte até na localização da cidade. Fã de praia,
morava de frente para o mar. "Todo dia era levantar e dar
de cara com o mar", ri. "No dia que tive de voltar me surpreendi
com como estava adaptada a vida por lá".
Triste retorno
Quando resolveu trocar o Brasil pela França, em setembro
de 2000, Adriana teve um motivo forte e bastante comum para
isto: a falta de condições das equipes nacionais para bancar
as principais jogadoras no país. Ela saiu do Brasil, passou
nove meses fora e quando voltou, viu que pouca coisa havia
mudado.
"Saí, voltei e acho que tá pior", confessa, usando o Campeonato
Paulista como exemplo. "O Campeonato perdeu muito. Até para
acompanhar é complicado, você quase não houve falar dos jogos.
Nem passam na televisão".
Na França, ela viu a diferença de estrutura oferecida. "Toda
equipe lá é obrigada a ter um time até 20 anos, que joga antes
das partidas principais", recorda. "Aqui podia ser assim também.
Temos material humano muito melhor", garante.
"Você vê o que é o basquete feminino no Brasil. Mesmo com
a saída de Paula e Hortência conseguimos nos manter no topo",
explica. Para Adriana, é inacreditável que uma jogadora como
Janeth não tenha um time para atuar. Sua esperança é que a
conquista do direito de realizar o Mundial de 2006 dê uma
virada nesta situação.
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