| Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press |
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Por Marta Teixeira
Fora os Estados Unidos, qual a grande potência no basquete
mundial? Uma das primeiras respostas que vem a cabeça
de quem acompanha a modalidade é a Iugoslávia.
"No basquete, somos o Brasil", brinca o técnico
Zeljko Obradovic, comparando a importância de seu país
para a modalidade com a do Brasil no futebol.
Para ele, se o Brasil tem boa parte dos 170 milhões
de habitantes como técnicos ou jogadores de futebol,
a Iugoslávia vive o mesmo com seus 10,5 milhões
de habitantes e o basquete. É justamente isto que Obradovic
acredita ser a força da modalidade no pais. "Basquete
na Iugoslávia é como futebol no Brasil. Todo
jovem tem um exemplo na frente". Como ele mesmo garante,
foram as gerações e gerações de
destaques, que garantiram a enorme tradição
iugoslava no esporte.
"Chegamos ao topo em 1960 e estamos lá desde
então", afirma, lembrando da conquista do Campeonato
Europeu. Ele reconhece com orgulho, que seu país foi
um dos responsáveis pela decisão dos Estados
Unidos de criar o dream team para recuperar a supremacia do
esporte na Olimpíada de Barcelona/92. Afinal, ele era
o armador da equipe que ficou com a prata em Seul/88, quando
os EUA voltaram para casa com um modestíssimo bronze.
Admirador do futebol e fã de Ronaldinho, assim como
seu ídolo, Obradovic é um personagem singular,
só que no basquete. Único a possuir um título
Mundial como jogador (Argentina/90) e treinador (Grécia/98),
Obradovic tem certeza que a técnica nunca será
superada pela força física em quadra.
Numa época em que gigantes como Shaquille ONeal
(Los Angeles Lakers) desequilibram as disputas, o ex-armador
garante que o físico é importante, mas não
determinante. "A técnica sempre será o
mais importante".
Assim, ele se confessa um treinador exigente, que não
dá moleza para jogador, não importa quem ele
seja. "Eles precisam de disciplina". Responsável
pela seleção iugoslava até 98, Obradovic
afirma que problemas são sempre resolvidos com trabalho.
Não importa se a crise é financeira ou de troca
de gerações.
"A mescla é a melhor maneira de renovar os grupos.
Também tivemos este problema e precisamos trabalhar
mais. Se você trabalha mais tem menos problemas",
afirma o homem que se despedia da seleção quando
talentos juvenis como Drazen Petrovic e Vlade Divac começavam
a conquistar seu espaço na equipe nacional. Para provar
que quando as dificuldades são enfrentadas é
possível garantir resultados, ele lembra que seu país
enfrentou e superou problemas provocados pela guerra no início
da década de 90.
No Brasil, ele acha que o futebol prova que crise financeira
não acaba com um esporte. "Aqui, o menino pobre
sonha em ser jogador para melhorar de vida. O mais importante
é praticar o esporte e o técnico é como
um professor, que incentiva isto". Obradovic sintetiza
o trabalho do treinador na responsabilidade de garantir que
tudo funcione bem na equipe e que todos rendam por igual.
Por isso, ele não tem dúvidas para afirmar que
ser treinador é muito mais difícil que jogar.
"Quando você está jogando só se preocupa
com a sua parte. O técnico não. Tem que pensar
por todos".
França e Senegal, viram piada para o Mundial - A Iugoslávia
não quer saber de ser a França no basquete.
Mais uma vez, Obradovic recorre ao futebol para falar do cuidado
com que a seleção de seu país se prepara
para o Campeonato Mundial de Indianápolis, de 29 de
agosto a 8 de setembro, nos Estados Unidos. A comparação
é feita com a derrota da então campeã
mundial de futebol, França, na estréia da Copa
de 2002 para o Senegal.
Atuais campeões do Mundo, os iugoslavos não
querem saber de repetir esta história na estréia
contra a seleção angolana, que tem tanta tradição
no basquete quanto Senegal no futebol. "Já virou
piada na Iugoslávia", diz o treinador.
Para Obradovic, o momento é muito importante e a expectativa
em torno do seu país é grande. "Afinal,
somos os campeões e todos querem vencer o campeão".
Sem querer fazer previsões, "você tem sempre
que esperar até o último dia", o iugoslavo
tem apenas duas certezas para o torneio: será tão
difícil quanto o outro e haverá várias
equipes brigando de igual para igual. "Muitas podem surpreender".
A relação de times fortes é extensa
e inclui, além de Estados Unidos e Iugoslávia
(óbvios), Canadá, Alemanha, Espanha e nossos
vizinhos argentinos. "Isto prova que todos já
sabem jogar", assegura o treinador, que atualmente comanda
o campeão da Euroliga, Panathinaikos.
O Brasil não foi incluído, mas Obradovic lembra
que o País já teve bons jogadores e conquistou
títulos importantes. Sobre o momento atual, diz apenas
que não tem muitas informações. "Há
tempos não vejo a seleção jogar".
Assim como Charles Barkley, que garantiu ser uma questão
de tempo a derrota dos Estados Unidos em uma competição
de ponta, Obradovic também acha que o dia está
próximo e torce para isto em benefício do espote.
"Acredito que em pouco tempo haverá muitas equipes
em condições de vencer". A internacionalização
do esporte é um dos fatores que contribuem para isto.
"Hoje, há muitos estrangeiros que são importantes
na NBA e não são apenas mais um nos times".
Há 23 anos, o iugoslavo Obradovic esteve no Brasil
pela primeira vez. Naquela época, ele tinha 19 anos
e defendia seu país no Mundial Juvenil. Nesta sexta
e sábado (2 e 3) ele passou novamente pelo País,
agora como jogador e técnico premiado.
"É uma alegria muito grande estar em São
Paulo de novo, depois de 23 anos. Estou contente por voltar
aqui", afirma, lembrando que na primeira visita passou
por São Paulo, Salvador e Rio de Janeiro.
| Raio-X |
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Nome: Zeljko Obradovic
Data de Nascimento: 8 de março de 1960
Os títulos
Como jogador: campeão da Liga Iugoslava na
temporada de 1986/87, medalha de prata nas Olimpíadas
de Seul/88 e medalha de ouro no Campeonato Mundial da
Argentina/90.
Como técnico: com a seleção
iugoslava foi medalha de prata nas Olimpíadas
de Atlanta/96, ouro no Campeonato da Europa (1997) e
ouro no Campeonato Mundial da Grécia/98. Em clubes
foi campeão da Euroliga pelo Partizan Belgrado
(1991/92), pelo Joventud Badalona (1993/94), pelo Real
Madrid (1994/95) e pelo Panathinaikos Atenas (1999/2000
e 2002). Também foi campeão da Eurocopa
pelo Real Madrid (1996/97). Foi eleito pela revista
FIBA Basket o melhor técnico europeu nas temporadas
de 1994 e 1995.
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