| Foto Gazeta Press |
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| A medalha olímpica de Sydney encanta a sobrinha
da pivô Kelly |
Por Marta Teixeira
Na última temporada da WNBA, ela chegou a ser comparada
com os bad boys do final da década de 80 da
NBA. Bem humorada e tranqüila fora das quadras, a pivô
Kelly Santos se dispôs a bancar a bad girl para
assegurar alguns créditos extras com o técnico
do Detroit Shock, Bill Laimbeer, em sua segunda temporada
na liga. Antes de Laimbeer assumir a equipe, no final da temporada
regular, Kelly praticamente não jogava, mas a troca
de técnico mudou sua situação.
"Conversamos muito e ele me disse que queria isto mesmo.
Que eu brigasse, pegasse forte. Ele disse que gostou muito
da minha altura e força", diz animada. Por conta
destas características, Kelly foi comparada com seu
técnico, um dos bad boys da geração de
Dennis Rodman. "O (jornal) Detroit News fez uma matéria
me comparando com ele".
Além de faturar uns minutinhos a mais nas estatísticas
- a jogadora terminou a temporada com média de 14,1
minutos em 12 partidas, 2,7 rebotes e 3,7 pontos por jogo
-, Kelly também assegurou o interesse pela renovação
de seu contrato para a temporada de 2003. Mas não há
nada definido.
Segundo ela, Indiana Fever e Washington Mystics, onde atua
a ala/armadora Helen, também revelaram seus interesses
para o próximo ano. Mas as projeções
no Detroit são bastante esperançosas. "Ele
(Laimbeer) falou que tenho a posição de titular,
como quatro ou cinco, praticamente garantida. Tudo vai depender
das escolhas que forem feitas no draft", afirma a pivô.
Sem se deixar deslumbrar pelas chances, Kelly assegura que
só define para qual equipe vai em janeiro. "Até
lá quero ir pensando, estudando as possibilidades".
Se sua situação na WNBA não está
fechada ainda, o mesmo não acontece com seu destino
depois do Mundial da China.
Assim que o torneio terminar, ela se apresenta ao Bourges
Basket, na França. A jogadora foi indicada à
equipe pelo técnico da seleção francesa,
que já fez vários jogos contra o Brasil. "Ele
disse que eu era forte, tinha boa velocidade e me indicou".
Até o início da última temporada paulista,
Kelly era uma das poucas jogadoras da seleção
que não havia sido seduzida por convites internacionais.
Mas ela acredita que a espera valeu a pena. "Vou para
uma equipe estruturada, com mais de 20 anos na liga francesa.
Sei que o campeonato lá é muito mais organizado
também".
Para explicar a demora na decisão de aventurar-se
fora do país, além da WNBA, Kelly é franca.
"Os convites que apareciam eram para equipes pequenas
e na verdade iria ganhar praticamente o mesmo que aqui. Agora
não".
Mas a empolgação com o desafio não a
faz ignorar as dificuldades que terá pela frente. "Sei
que haverá o problema da língua (ela não
fala francês) e tem a cultura. Mas eu não vou
sozinha, a Vendrana (que já jogou no Brasil) está
indo para o mesmo time", explica. Esta paulistana, que
passou anos sob o sol forte de Piracicaba, Campinas e Rio
de Janeiro, terá pela frente também o clima
francês. "Vou para uma cidade fria. Dizem que chega
a fazer 10°C". Mas nada disso a preocupa. "Estou
me sentindo muito bem, feliz mesmo. Acho que este é
o momento certo. Valeu a pena esperar".
Tranqüila, ela vai se preparando para a próxima
etapa com calma. "Peguei algumas fitas de francês
para ver e quando chegar lá vou fazer um curso de francês
e inglês", garante.
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