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Bad girl
de fachada

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22/08/2002
Bad girl de fachada
Foto Gazeta Press
foto Gazeta Press
A medalha olímpica de Sydney encanta a sobrinha da pivô Kelly

Por Marta Teixeira

Na última temporada da WNBA, ela chegou a ser comparada com os bad boys do final da década de 80 da NBA. Bem humorada e tranqüila fora das quadras, a pivô Kelly Santos se dispôs a bancar a bad girl para assegurar alguns créditos extras com o técnico do Detroit Shock, Bill Laimbeer, em sua segunda temporada na liga. Antes de Laimbeer assumir a equipe, no final da temporada regular, Kelly praticamente não jogava, mas a troca de técnico mudou sua situação.

"Conversamos muito e ele me disse que queria isto mesmo. Que eu brigasse, pegasse forte. Ele disse que gostou muito da minha altura e força", diz animada. Por conta destas características, Kelly foi comparada com seu técnico, um dos bad boys da geração de Dennis Rodman. "O (jornal) Detroit News fez uma matéria me comparando com ele".

Além de faturar uns minutinhos a mais nas estatísticas - a jogadora terminou a temporada com média de 14,1 minutos em 12 partidas, 2,7 rebotes e 3,7 pontos por jogo -, Kelly também assegurou o interesse pela renovação de seu contrato para a temporada de 2003. Mas não há nada definido.

Segundo ela, Indiana Fever e Washington Mystics, onde atua a ala/armadora Helen, também revelaram seus interesses para o próximo ano. Mas as projeções no Detroit são bastante esperançosas. "Ele (Laimbeer) falou que tenho a posição de titular, como quatro ou cinco, praticamente garantida. Tudo vai depender das escolhas que forem feitas no draft", afirma a pivô.

Sem se deixar deslumbrar pelas chances, Kelly assegura que só define para qual equipe vai em janeiro. "Até lá quero ir pensando, estudando as possibilidades". Se sua situação na WNBA não está fechada ainda, o mesmo não acontece com seu destino depois do Mundial da China.

Assim que o torneio terminar, ela se apresenta ao Bourges Basket, na França. A jogadora foi indicada à equipe pelo técnico da seleção francesa, que já fez vários jogos contra o Brasil. "Ele disse que eu era forte, tinha boa velocidade e me indicou".

Até o início da última temporada paulista, Kelly era uma das poucas jogadoras da seleção que não havia sido seduzida por convites internacionais. Mas ela acredita que a espera valeu a pena. "Vou para uma equipe estruturada, com mais de 20 anos na liga francesa. Sei que o campeonato lá é muito mais organizado também".

Para explicar a demora na decisão de aventurar-se fora do país, além da WNBA, Kelly é franca. "Os convites que apareciam eram para equipes pequenas e na verdade iria ganhar praticamente o mesmo que aqui. Agora não".

Mas a empolgação com o desafio não a faz ignorar as dificuldades que terá pela frente. "Sei que haverá o problema da língua (ela não fala francês) e tem a cultura. Mas eu não vou sozinha, a Vendrana (que já jogou no Brasil) está indo para o mesmo time", explica. Esta paulistana, que passou anos sob o sol forte de Piracicaba, Campinas e Rio de Janeiro, terá pela frente também o clima francês. "Vou para uma cidade fria. Dizem que chega a fazer –10°C". Mas nada disso a preocupa. "Estou me sentindo muito bem, feliz mesmo. Acho que este é o momento certo. Valeu a pena esperar".

Tranqüila, ela vai se preparando para a próxima etapa com calma. "Peguei algumas fitas de francês para ver e quando chegar lá vou fazer um curso de francês e inglês", garante.

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