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24/08/2002
foto Rubens Gazeta/ Gazeta Press

Por Marta Teixeira

"Você é a presa e tem de ir para cima do predador", afirma o técnico da seleção brasileira masculina de basquete, Hélio Rubens Garcia, referindo-se à participação da equipe no Mundial de Indianápolis, que começa dia 29. Correr por fora e surpreender os adversários com aquilo que os brasileiros têm de melhor: velocidade e criatividade. Este será o espírito da seleção, que embarcou domingo para os Estados Unidos. Mas que ninguém espere um grupo de franco-atiradores para atingir seus objetivos.

foto Rubens Gazeta / Gazeta Press
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Hélio Rubens quer que a seleção masculina surpreenda em Indianápolis

O técnico Hélio Rubens Garcia faz questão de ressaltar que o trabalho de renovação e preparação foi feito com seriedade e que os primeiros resultados apenas começam a aparecer. "O time vem em um crescendo, mas falta muito ainda para chegar à consistência ideal", afirma, sem querer fazer promessas exageradas para o Mundial.

Esta postura racional não impede que o treinador alimente, sim, grandes esperanças quanto a participação brasileira em Indianápolis. "Temos o atrevimento de dizer que nossa potencialidade é boa, que a nossa diferença para as outras equipes não é tão grande".

Há quatro anos, os brasileiros voltaram para casa com um modesto décimo lugar do Mundial da Grécia. Desta vez, eles querem mais, vão determinados a surpreender os adversários e motivados por uma campanha na preparação que surpreendeu aos próprios jogadores.

"O Brasil saiu-se melhor do que estávamos esperando", explica o ala Guilherme, referindo-se aos resultados que a equipe conquistou nos torneios preparatórios para o Mundial – o Brasil ficou em terceiro na Copa do Mundo de Istambul e em segundo no Super Four, na Argentina. "Na Europa surpreendemos os adversários, praticando um basquete de bom nível", recorda Hélio Rubens.

Apesar do respeito que este desempenho recuperou para a seleção, o técnico faz questão de lembrar que o Brasil não é favorito em nenhum dos jogos que fará no Mundial. "Podemos até surpreendê-los em um dia de sorte, de muita determinação", assegura, encarando esta necessidade de superação como um aspecto positivo. "Este ambiente de superação é bom. Estamos nesta renovação há 3 anos. Mas encaro isto de forma muito positiva. A irregularidade de agora é natural nesta renovação de quase 70% do grupo. Nesta situação e já sendo respeitados, é uma beleza", comemora.

Em quadra, Hélio Rubens projeta um grupo determinado a superar os obstáculos, uma vez que o favoritismo é dos adversários. "Para nós é tudo muito difícil". Contra equipes mais altas e com anos a mais de evolução gradativa, o treinador tem certeza que o grupo precisará de muita criatividade para assegurar os resultados. "Não há sistema de jogo fechado. O que existem são conceitos de jogo, mas temos que tirar proveito das nossas melhores características que são a criatividade e velocidade".

Hélio Rubens lembra que foi isto que assegurou os resultados em Istambul, quando a equipe começou a sofrer com a falta de pivôs. Guilherme e Rogério foram improvisados, mas sobrou até para o armador Helinho passar pelos gigantes europeus. "Eu falei para ele, que tinha de tirar proveito da velocidade. Eles são grandes, mas não conseguem se mover tão rápido e foi assim que os superamos".

Mesmo com o interesse em explorar a criatividade individual, o técnico cobra uma postura consciente da defesa. "Hoje, se você não tem uma boa defesa está fora", sentencia.

Mas os olhos de Hélio Rubens estão focados em um ponto posterior ao Mundial: os Jogos Olímpicos de Atenas/2004. "Este time está sendo trabalhado mesmo para daqui a quatro anos, pelo menos", afirma, pensando na possibilidade do Brasil garantir uma vaga para a competição.

Problemas de última hora

foto Rubens Gazeta / Gazeta Press
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O pivô Tiago Splitter, de 17 anos, é uma das alternativas no garrafão

O garrafão brasileiro tornou-se uma preocupação extra para o técnico Hélio Rubens nos últimos dias. Depois de uma longa espera pela apresentação do pivô Nenê, que não participou de nenhuma etapa de preparação do Brasil, a comissão técnica foi informada na última semana, que o jogador não poderia disputar o Mundial por causa de uma contusão na virilha. Hélio Rubens ficou então com Sandro Varejão, 30 anos, Anderson Varejão, 19 anos, e Tiago Splitter, 17 anos, como opções no garrafão.

Os pivôs Luís Fernando, que tenta uma oportunidade na NBA, e Baby, que joga na universidade de Utah, foram chamados às pressas para reforçar o grupo. Mas nem esta substituição parece completamente certa. No final desta semana, Luís Fernando teria dito ao jornal "Diário de São Paulo" que não disputaria o Mundial para não correr o risco de se machucar e acabar com suas chances na liga profissional. A apresentação deles estava prevista para segunda-feira.

Com tantas incertezas, Hélio Rubens levou os 12 jogadores que treinavam no Brasil para os Estados Unidos e, somente na véspera da estréia, definirá os 12 que participarão do Mundial. Antes disso, os jogadores terão que suar a camisa para garantir sua vaga nos treinos e no amistoso desta terça-feira, contra a Nova Zelândia.

Os problemas da seleção começaram bem antes. Em julho, quando o grupo iniciou os treinos, o armador Valtinho pediu dispensa por causa de uma contusão. Pouco depois foi a vez do pivô Estevam ser dispensado por problemas médicos, o mesmo acontecendo com o pivô Michel, depois da competição em Istambul.

Mesmo com as dificuldades, os brasileiros mantêm a confiança. "Ficar entre os oito primeiros já seria muito honroso", assegura Hélio Rubens, para quem a presença no torneio é motivo de comemoração. "Muitas potências da Europa ficaram de fora", diz, citando Lituânia e França.

Motivação extra pelo Pan e tradição

A tradição brasileira em Mundiais e a lembrança pela festa do Pan-americano de 1987, são combustíveis extras para o Brasil, em Indianápolis. "É altamente motivante. Além da motivação por estar no Mundial, existe a tradição do país no torneio, no qual temos várias medalhas. É maravilhoso", assegura Hélio Rubens.

Para ele, existe ainda o lado pessoal de estar disputando seu sétimo Mundial. Quando era jogador, Hélio Rubens disputou quatro e como técnico vai para sua terceira edição no torneio. "Não deve haver nenhum esportista que foi a tantos", diz orgulhoso. "Nada, nada isto significa 28 anos de mundiais (realizados a cada quatro anos)", completa animado. "Isto me orgulha muito e me gratifica, mas também aumenta a responsabilidade. Queremos fazer a melhor participação possível", assegura.

O pivô Sandro Varejão reforça a determinação. "Vamos atrás disso. Temos que imaginar sempre que podemos repetir (a vitória no Pan). Vamos tentar fazer o que quase fizemos com os Estados Unidos no Goodwill Games".

O Brasil estréia no Mundial dia 29 contra o Líbano. No dia seguinte o adversário é a Turquia, que os brasileiros derrotaram duas vezes em Istambul, e dia 31 é a vez de Porto Rico. Todos os pontos acumulados na primeira fase são levados para a etapa seguinte.

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