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Por Marta Teixeira
"Você é a presa e tem de ir para cima do
predador", afirma o técnico da seleção
brasileira masculina de basquete, Hélio Rubens Garcia,
referindo-se à participação da equipe
no Mundial de Indianápolis, que começa dia 29.
Correr por fora e surpreender os adversários com aquilo
que os brasileiros têm de melhor: velocidade e criatividade.
Este será o espírito da seleção,
que embarcou domingo para os Estados Unidos. Mas que ninguém
espere um grupo de franco-atiradores para atingir seus objetivos.
| foto Rubens Gazeta / Gazeta Press |
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| Hélio Rubens quer que a seleção
masculina surpreenda em Indianápolis |
O técnico Hélio Rubens Garcia faz questão
de ressaltar que o trabalho de renovação e preparação
foi feito com seriedade e que os primeiros resultados apenas
começam a aparecer. "O time vem em um crescendo,
mas falta muito ainda para chegar à consistência
ideal", afirma, sem querer fazer promessas exageradas
para o Mundial.
Esta postura racional não impede que o treinador alimente,
sim, grandes esperanças quanto a participação
brasileira em Indianápolis. "Temos o atrevimento
de dizer que nossa potencialidade é boa, que a nossa
diferença para as outras equipes não é
tão grande".
Há quatro anos, os brasileiros voltaram para casa
com um modesto décimo lugar do Mundial da Grécia.
Desta vez, eles querem mais, vão determinados a surpreender
os adversários e motivados por uma campanha na preparação
que surpreendeu aos próprios jogadores.
"O Brasil saiu-se melhor do que estávamos esperando",
explica o ala Guilherme, referindo-se aos resultados que a
equipe conquistou nos torneios preparatórios para o
Mundial o Brasil ficou em terceiro na Copa do Mundo
de Istambul e em segundo no Super Four, na Argentina. "Na
Europa surpreendemos os adversários, praticando um
basquete de bom nível", recorda Hélio Rubens.
Apesar do respeito que este desempenho recuperou para a seleção,
o técnico faz questão de lembrar que o Brasil
não é favorito em nenhum dos jogos que fará
no Mundial. "Podemos até surpreendê-los
em um dia de sorte, de muita determinação",
assegura, encarando esta necessidade de superação
como um aspecto positivo. "Este ambiente de superação
é bom. Estamos nesta renovação há
3 anos. Mas encaro isto de forma muito positiva. A irregularidade
de agora é natural nesta renovação de
quase 70% do grupo. Nesta situação e já
sendo respeitados, é uma beleza", comemora.
Em quadra, Hélio Rubens projeta um grupo determinado
a superar os obstáculos, uma vez que o favoritismo
é dos adversários. "Para nós é
tudo muito difícil". Contra equipes mais altas
e com anos a mais de evolução gradativa, o treinador
tem certeza que o grupo precisará de muita criatividade
para assegurar os resultados. "Não há sistema
de jogo fechado. O que existem são conceitos de jogo,
mas temos que tirar proveito das nossas melhores características
que são a criatividade e velocidade".
Hélio Rubens lembra que foi isto que assegurou os
resultados em Istambul, quando a equipe começou a sofrer
com a falta de pivôs. Guilherme e Rogério foram
improvisados, mas sobrou até para o armador Helinho
passar pelos gigantes europeus. "Eu falei para ele, que
tinha de tirar proveito da velocidade. Eles são grandes,
mas não conseguem se mover tão rápido
e foi assim que os superamos".
Mesmo com o interesse em explorar a criatividade individual,
o técnico cobra uma postura consciente da defesa. "Hoje,
se você não tem uma boa defesa está fora",
sentencia.
Mas os olhos de Hélio Rubens estão focados
em um ponto posterior ao Mundial: os Jogos Olímpicos
de Atenas/2004. "Este time está sendo trabalhado
mesmo para daqui a quatro anos, pelo menos", afirma,
pensando na possibilidade do Brasil garantir uma vaga para
a competição.
Problemas de última hora
| foto Rubens Gazeta / Gazeta Press |
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| O pivô Tiago Splitter, de 17 anos, é uma
das alternativas no garrafão |
O garrafão brasileiro tornou-se uma preocupação
extra para o técnico Hélio Rubens nos últimos
dias. Depois de uma longa espera pela apresentação
do pivô Nenê, que não participou de nenhuma
etapa de preparação do Brasil, a comissão
técnica foi informada na última semana, que
o jogador não poderia disputar o Mundial por causa
de uma contusão na virilha. Hélio Rubens ficou
então com Sandro Varejão, 30 anos, Anderson
Varejão, 19 anos, e Tiago Splitter, 17 anos, como opções
no garrafão.
Os pivôs Luís Fernando, que tenta uma oportunidade
na NBA, e Baby, que joga na universidade de Utah, foram chamados
às pressas para reforçar o grupo. Mas nem esta
substituição parece completamente certa. No
final desta semana, Luís Fernando teria dito ao jornal
"Diário de São Paulo" que não
disputaria o Mundial para não correr o risco de se
machucar e acabar com suas chances na liga profissional. A
apresentação deles estava prevista para segunda-feira.
Com tantas incertezas, Hélio Rubens levou os 12 jogadores
que treinavam no Brasil para os Estados Unidos e, somente
na véspera da estréia, definirá os 12
que participarão do Mundial. Antes disso, os jogadores
terão que suar a camisa para garantir sua vaga nos
treinos e no amistoso desta terça-feira, contra a Nova
Zelândia.
Os problemas da seleção começaram bem
antes. Em julho, quando o grupo iniciou os treinos, o armador
Valtinho pediu dispensa por causa de uma contusão.
Pouco depois foi a vez do pivô Estevam ser dispensado
por problemas médicos, o mesmo acontecendo com o pivô
Michel, depois da competição em Istambul.
Mesmo com as dificuldades, os brasileiros mantêm a
confiança. "Ficar entre os oito primeiros já
seria muito honroso", assegura Hélio Rubens, para
quem a presença no torneio é motivo de comemoração.
"Muitas potências da Europa ficaram de fora",
diz, citando Lituânia e França.
Motivação extra pelo
Pan e tradição
A tradição brasileira em Mundiais e a lembrança
pela festa do Pan-americano de 1987, são combustíveis
extras para o Brasil, em Indianápolis. "É
altamente motivante. Além da motivação
por estar no Mundial, existe a tradição do país
no torneio, no qual temos várias medalhas. É
maravilhoso", assegura Hélio Rubens.
Para ele, existe ainda o lado pessoal de estar disputando
seu sétimo Mundial. Quando era jogador, Hélio
Rubens disputou quatro e como técnico vai para sua
terceira edição no torneio. "Não
deve haver nenhum esportista que foi a tantos", diz orgulhoso.
"Nada, nada isto significa 28 anos de mundiais (realizados
a cada quatro anos)", completa animado. "Isto me
orgulha muito e me gratifica, mas também aumenta a
responsabilidade. Queremos fazer a melhor participação
possível", assegura.
O pivô Sandro Varejão reforça a determinação.
"Vamos atrás disso. Temos que imaginar sempre
que podemos repetir (a vitória no Pan). Vamos tentar
fazer o que quase fizemos com os Estados Unidos no Goodwill
Games".
O Brasil estréia no Mundial dia 29 contra o Líbano.
No dia seguinte o adversário é a Turquia, que
os brasileiros derrotaram duas vezes em Istambul, e dia 31
é a vez de Porto Rico. Todos os pontos acumulados na
primeira fase são levados para a etapa seguinte.
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