Fale conosco Receba o boletim  
28/08/2002
foto Rubens Gazeta/ Gazeta Press

Por Marta Teixeira

"A seleção brasileira feminina de basquete foi responsável por uma oportunidade inédita para as irmãs Alessandra e Renata Santos. Desde o último final de semana, a dupla treina em Americana (SP), com o grupo que se prepara para o Mundial da China, em setembro.

foto Rubens Gazeta/Gazeta Press
foto AFP
Alessandra e Renata driblam os quilômetros na Europa para matar as saudades

"Nunca pensei que fosse chegar este dia", comenta a pivô Alessandra, convocada para a seleção adulta pela primeira vez para o Sul-americano de 93. A ala Renata está estreando na equipe principal. "Ela me ajuda muito, é experiente na seleção e me dá tranqüilidade", diz Renata.

Em clubes, as irmãs nunca vestiram a mesma camisa. Alessandra, que começou no basquete aos 11 anos, mas só optou realmente pelo esporte aos 14, joga na Europa há cinco anos. Renata seguiu o mesmo caminho há duas temporadas. Em seu primeiro ano, as duas jogavam em equipes do norte da Itália: a ala, no Bees Treviglio e Alessandra, no Commense.

Na temporada passada, no entanto, os caminhos se distanciaram ainda mais porque a pivô trocou o time italiano pelo Ruzomberok, da Eslováquia, ampliando a distância entre elas para mais de mil quilômetros e provando que não tem medo de mudanças. "Tem sido uma experiência pessoal muito grande", explica a pivô referindo-se à vida no exterior. "Fiz muitos amigos".

No Ruzomberok, Alessandra foi comandada pela técnica da seleção nacional e chegou ao Final Four da Euroliga. "Terminei a temporada com médias de 15 pontos e 11 rebotes e ficamos em quarto lugar".

foto Gazeta Press
foto Gazeta Press
Pivô vai disputar seu terceiro Mundial

Da Eslováquia, ao contrário dos anos anteriores quando trocava a Europa pela WNBA, Alessandra alçou vôos mais distantes e passou dois meses no Wooribank, equipe coreana da cidade de Chu Chon. Depois de enfrentar o frio de –20ºC da Europa nem a barreira da língua dificultou a adaptação da brasileira. "Eles foram um amor", confessa. "Tinha um intérprete 24 horas por dia e havia sempre alguém perguntando como eu estava. O preparador físico estava sempre repetindo: call me, call me (me chama)".

A afeição dos coreanos fez a brasileira chorar na despedida do país. "Foi a primeira vez que chorei quando deixei uma equipe", lembra emocionada. Boas recordações ela trouxe também da Eslováquia onde, além do frio intenso, enfrentava ruas com quase dois metros de neve. "Conheci uns 30 castelos por lá". Morando praticamente dentro de uma pista de esqui, Alessandra arriscou a sorte no snowboard, mas nada muito arrojado. "Era na montanha para as crianças", lembra, rindo.

O frio intenso deixou-a desesperada no início, mas confessa que hoje sente falta do "cheiro de neve fresca" e que o inverno que encontrou aqui "não é inverno". A saudade da irmã nas duas etapas era driblada com telefonemas quase diários e longas conversas. "Estamos sempre em contato", afirma, lembrando que os "laços de família" não se limitavam às duas. A pivô Cíntia Tuiú, que jogou na mesma equipe que Renata, e a armadora Adrianinha, do Faenza, acabaram sendo "adotadas". "Estava lá há mais tempo, era natural que conhecesse mais. Era quase uma mãezona".

Hungria e Itália

Na temporada que vem, a situação não deve mudar muito. Alessandra vai jogar na Hungria, no Sopron, que tem o mesmo nome da cidade sede. "Vou morar a 40 quilômetros de Viena", diz. A irmã Renata sabe que volta para a Itália. "Só não sei se na mesma equipe".

Para Alessandra, os cinco últimos anos têm sido a realização de um desejo antigo. "Meu sonho era conhecer a Europa. Estou conhecendo e o que é melhor, trabalhando e ganhando para isto", ri.

Gazeta Esportiva.Net © Todos os direitos reservados à Gazeta Esportiva.Net Voltar            Topo da página