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Por Marta Teixeira
"A seleção brasileira feminina de basquete
foi responsável por uma oportunidade inédita
para as irmãs Alessandra e Renata Santos. Desde o último
final de semana, a dupla treina em Americana (SP), com o grupo
que se prepara para o Mundial da China, em setembro.
| foto Rubens Gazeta/Gazeta Press |
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| Alessandra e Renata driblam
os quilômetros na Europa para matar as saudades |
"Nunca pensei que fosse chegar este dia", comenta
a pivô Alessandra, convocada para a seleção
adulta pela primeira vez para o Sul-americano de 93. A ala
Renata está estreando na equipe principal. "Ela
me ajuda muito, é experiente na seleção
e me dá tranqüilidade", diz Renata.
Em clubes, as irmãs nunca vestiram a mesma camisa.
Alessandra, que começou no basquete aos 11 anos, mas
só optou realmente pelo esporte aos 14, joga na Europa
há cinco anos. Renata seguiu o mesmo caminho há
duas temporadas. Em seu primeiro ano, as duas jogavam em equipes
do norte da Itália: a ala, no Bees Treviglio e Alessandra,
no Commense.
Na temporada passada, no entanto, os caminhos se distanciaram
ainda mais porque a pivô trocou o time italiano pelo
Ruzomberok, da Eslováquia, ampliando a distância
entre elas para mais de mil quilômetros e provando que
não tem medo de mudanças. "Tem sido uma
experiência pessoal muito grande", explica a pivô
referindo-se à vida no exterior. "Fiz muitos amigos".
No Ruzomberok, Alessandra foi comandada pela técnica
da seleção nacional e chegou ao Final Four da
Euroliga. "Terminei a temporada com médias de
15 pontos e 11 rebotes e ficamos em quarto lugar".
| foto Gazeta Press |
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| Pivô vai disputar seu terceiro
Mundial |
Da Eslováquia, ao contrário dos anos anteriores
quando trocava a Europa pela WNBA, Alessandra alçou
vôos mais distantes e passou dois meses no Wooribank,
equipe coreana da cidade de Chu Chon. Depois de enfrentar
o frio de 20ºC da Europa nem a barreira da língua
dificultou a adaptação da brasileira. "Eles
foram um amor", confessa. "Tinha um intérprete
24 horas por dia e havia sempre alguém perguntando
como eu estava. O preparador físico estava sempre repetindo:
call me, call me (me chama)".
A afeição dos coreanos fez a brasileira chorar
na despedida do país. "Foi a primeira vez que
chorei quando deixei uma equipe", lembra emocionada.
Boas recordações ela trouxe também da
Eslováquia onde, além do frio intenso, enfrentava
ruas com quase dois metros de neve. "Conheci uns 30 castelos
por lá". Morando praticamente dentro de uma pista
de esqui, Alessandra arriscou a sorte no snowboard, mas nada
muito arrojado. "Era na montanha para as crianças",
lembra, rindo.
O frio intenso deixou-a desesperada no início, mas
confessa que hoje sente falta do "cheiro de neve fresca"
e que o inverno que encontrou aqui "não é
inverno". A saudade da irmã nas duas etapas era
driblada com telefonemas quase diários e longas conversas.
"Estamos sempre em contato", afirma, lembrando que
os "laços de família" não se
limitavam às duas. A pivô Cíntia Tuiú,
que jogou na mesma equipe que Renata, e a armadora Adrianinha,
do Faenza, acabaram sendo "adotadas". "Estava
lá há mais tempo, era natural que conhecesse
mais. Era quase uma mãezona".
Hungria e Itália
Na temporada que vem, a situação não
deve mudar muito. Alessandra vai jogar na Hungria, no Sopron,
que tem o mesmo nome da cidade sede. "Vou morar a 40
quilômetros de Viena", diz. A irmã Renata
sabe que volta para a Itália. "Só não
sei se na mesma equipe".
Para Alessandra, os cinco últimos anos têm sido
a realização de um desejo antigo. "Meu
sonho era conhecer a Europa. Estou conhecendo e o que é
melhor, trabalhando e ganhando para isto", ri.
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