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09/09/2002

Por Marta Teixeira

foto Adrees Latif/ REUTERS
foto Adrees Latif/ REUTERS
Os iugoslavos passaram aperto, mas garantiram o 5º título mundial.

A 14ª edição do Campeonato Mundial Masculino de Basquete, que terminou neste domingo com a conquista do quinto título pela Iugoslávia, provou que muita coisa mudou na modalidade desde o torneio de Atenas, em 1998. Apenas três das seis seleções que ficaram nas primeiras classificações na Grécia marcaram presença no topo também em Indianápolis. Mas antes de confirmar a mudança no mapa geográfico das potências da modalidade, o Mundial deixou claro que não há mais soberania absoluta nas quadras.

Os Estados Unidos sentiram na pele o sabor da derrota não apenas uma, mas três vezes na competição, apesar de contar com jogadores da NBA. Verdade que não eram as principais estrelas da liga profissional, mesmo assim esperava-se mais. Cair ante a Iugoslávia, como nas quartas-de-final do torneio, era uma possibilidade considerada. Mas a grande surpresa foi mesmo a derrota para a Argentina, ainda nas oitavas-de-final. Para completar o ciclo de decepções, amargaram mais uma derrota na despedida, perdendo o quinto lugar do torneio para a Espanha. Não bastassem os resultados negativos, houve também as apresentações pouco convincentes em confrontos mais simples.

Indianápolis, porém, não cobrou seu preço apenas aos norte-americanos. A competição teve boas surpresas produzidas por Porto Rico (7º)- que derrotou duas equipes apontadas como favoritas às finais, os próprios iugoslavos e a Espanha – e a Nova Zelândia (4º), que não era encarada como potência, mas chegou às semifinais e deu trabalho aos iugoslavos na hora de definir a vaga para a decisão. A Alemanha (3º) também superou suas campanhas anteriores, graças à participação marcante do ala/pivô Dirk Nowitzki, astro na NBA.

foto Brent Smith/ REUTERS
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A Argentina, vice-campeã, fez sua melhor campanha desde 1950 no mundial.

Um dos principais destaques foi, sem dúvida a Argentina, que fez uma campanha perfeita e perdeu apenas para a Iugoslávia em uma final bastante disputada. Apesar da tradição no basquete, os argentinos possuíam apenas um título do torneio, conquistado em 1950, na primeira edição do Mundial.

No entanto, o que mais chamou atenção em Indianápolis foram as frustrações produzidas por equipes que chegaram como grandes promessas. A campeã Iugoslávia começou titubeante, balançada mais por crises internas de ego, que por falta de qualidade técnica. Na hora do aperto, porém, o time entrou nos eixos e conseguiu evitar a tragédia.

Os espanhóis chegaram com o bronze do Campeonato Europeu e confiantes que subiriam no pódio. No final, apesar da excelente participação do ala Pau Gasol - eleito o novato do ano na NBA - tiveram de se contentar em repetir o quinto lugar da edição passada, com apenas uma satisfação extra: foram responsáveis pela terceira derrota norte-americana no torneio.

Campanhas mais frustrantes no entanto, foram realizadas por turcos (9º), russos (10º), chineses (12º) e canadenses (13º). A Turquia, vice-campeã européia, ficou longe de mostrar a força que todos esperavam, mesmo contando com o bom desempenho do pivô Hidayet Turkoglu, outro que atua na NBA. A Rússia, prata nas duas edições anteriores do campeonato, esteve longe do que se esperava, assim como os chineses que, apesar de não serem medalhistas, acreditavam em uma campanha melhor.

Sem contar com a presença de Wang Zhizhi, vetado pela confederação do país, a muralha chinesa, que chamou atenção na Olimpíada de Sydney-2000, ruiu, mesmo com o empenho de Yao Ming, número um no draft da NBA, que fechou o torneio, com médias de 21 pontos, 6,8 rebotes e 2,3 tocos.

foto Brent Smith/ REUTERS
foto Brent Smith/ REUTERS
Brasil: esperança na nova geração de Anderson e Cia.

O Canadá, que foi para Indianápolis sem nenhum dos jogadores que atuam na NBA, sofreu mais ainda e conseguiu apenas duas vitórias em cinco confrontos. A seleção brasileira (8ª) saiu-se melhor que na edição passada, quando foi 10ª, mas deixou claro que tem muitos problemas para resolver e pontos nos quais evoluir se quiser estar nas Olimpíadas de Atenas-2004.

O exemplo da Argentina, que implantou um trabalho sério de renovação há cerca de dez anos e já colhe seus primeiros frutos, deixa claro que o caminho é longo e feito de muitos detalhes, que não podem ser ignorados. Contar com um campeonato interno forte é imprescindível, mas as necessidades incluem também o intercâmbio internacional da própria seleção e a participação de brasileiros em torneios de ponta no exterior.

A saída de Marcelinho e Guilherme (Itália), Tiago Splitter e Anderson Varejão (Espanha), Luís Fernando (China), Nenê (NBA) e outros jogadores que também tentam a sorte nos Estados Unidos é uma esperança a mais. Em contrapartida, a não classificação da seleção sub-21 para o próximo Mundial é outro sinal de alerta. Afinal, teoricamente os integrantes deste grupo são os prováveis substitutos dos atletas que hoje defendem o time adulto.

No Pré-olímpico do ano que vem, os brasileiros terão que lutar por uma das três vagas destinadas à América. Os adversários indicam que a tarefa vai ser árdua. A Argentina, vice-mundial e adversária conhecida dispensa explicações. Estados Unidos e Canadá deixaram claro que vão lutar com suas melhores armas, ou seja os principais destaques da NBA. Correndo por fora, Porto Rico e Brasil terão ainda outros inimigos pelo caminho.

Resta esperar que os acontecimentos de Indianápolis produzam frutos positivos para o planejamento e evolução da modalidade.

Distribuição de vagas no Pré-olímpico*

Continente
Número de Vagas
África
01
América
03
Ásia
01
Europa
04
Oceania
02

*A Grécia, anfitriã do torneio, já está classificada.

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