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Por Marta Teixeira
| foto Adrees Latif/ REUTERS |
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| Os iugoslavos passaram aperto,
mas garantiram o 5º título mundial. |
A 14ª edição do Campeonato Mundial Masculino
de Basquete, que terminou neste domingo com a conquista do
quinto título pela Iugoslávia, provou que muita
coisa mudou na modalidade desde o torneio de Atenas, em 1998.
Apenas
três das seis seleções
que ficaram nas primeiras classificações na
Grécia marcaram presença no topo também
em Indianápolis. Mas antes de confirmar a mudança
no mapa geográfico das potências da modalidade,
o Mundial deixou claro que não há mais soberania
absoluta nas quadras.
Os Estados Unidos sentiram na pele o sabor da derrota não
apenas uma, mas três vezes na competição,
apesar de contar com jogadores da NBA. Verdade que não
eram as principais estrelas da liga profissional, mesmo assim
esperava-se mais. Cair ante a Iugoslávia, como nas
quartas-de-final do torneio, era uma possibilidade considerada.
Mas a grande surpresa foi mesmo a derrota para a Argentina,
ainda nas oitavas-de-final. Para completar o ciclo de decepções,
amargaram mais uma derrota na despedida, perdendo o quinto
lugar do torneio para a Espanha. Não bastassem os resultados
negativos, houve também as apresentações
pouco convincentes em confrontos mais simples.
Indianápolis, porém, não cobrou seu
preço apenas aos norte-americanos. A competição
teve boas surpresas produzidas por Porto Rico (7º)- que
derrotou duas equipes apontadas como favoritas às finais,
os próprios iugoslavos e a Espanha e a Nova
Zelândia (4º), que não era encarada como
potência, mas chegou às semifinais e deu trabalho
aos iugoslavos na hora de definir a vaga para a decisão.
A Alemanha (3º) também superou suas campanhas
anteriores, graças à participação
marcante do ala/pivô Dirk Nowitzki, astro na NBA.
| foto Brent Smith/ REUTERS |
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| A Argentina, vice-campeã,
fez sua melhor campanha desde 1950 no mundial. |
Um dos principais destaques foi, sem dúvida a Argentina,
que fez uma campanha perfeita e perdeu apenas para a Iugoslávia
em uma final bastante disputada. Apesar da tradição
no basquete, os argentinos possuíam apenas um título
do torneio, conquistado em 1950, na primeira edição
do Mundial.
No entanto, o que mais chamou atenção em Indianápolis
foram as frustrações produzidas por equipes
que chegaram como grandes promessas. A campeã Iugoslávia
começou titubeante, balançada mais por crises
internas de ego, que por falta de qualidade técnica.
Na hora do aperto, porém, o time entrou nos eixos e
conseguiu evitar a tragédia.
Os espanhóis chegaram com o bronze do Campeonato Europeu
e confiantes que subiriam no pódio. No final, apesar
da excelente participação do ala Pau Gasol -
eleito o novato do ano na NBA - tiveram de se contentar em
repetir o quinto lugar da edição passada, com
apenas uma satisfação extra: foram responsáveis
pela terceira derrota norte-americana no torneio.
Campanhas mais frustrantes no entanto, foram realizadas por
turcos (9º), russos (10º), chineses (12º) e
canadenses (13º). A Turquia, vice-campeã européia,
ficou longe de mostrar a força que todos esperavam,
mesmo contando com o bom desempenho do pivô Hidayet
Turkoglu, outro que atua na NBA. A Rússia, prata nas
duas edições anteriores do campeonato, esteve
longe do que se esperava, assim como os chineses que, apesar
de não serem medalhistas, acreditavam em uma campanha
melhor.
Sem contar com a presença de Wang Zhizhi, vetado pela
confederação do país, a muralha chinesa,
que chamou atenção na Olimpíada de Sydney-2000,
ruiu, mesmo com o empenho de Yao Ming, número um no
draft da NBA, que fechou o torneio, com médias de 21
pontos, 6,8 rebotes e 2,3 tocos.
| foto Brent Smith/ REUTERS |
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| Brasil: esperança na nova
geração de Anderson e Cia. |
O Canadá, que foi para Indianápolis sem nenhum
dos jogadores que atuam na NBA, sofreu mais ainda e conseguiu
apenas duas vitórias em cinco confrontos. A seleção
brasileira (8ª) saiu-se melhor que na edição
passada, quando foi 10ª, mas deixou claro que tem muitos
problemas para resolver e pontos nos quais evoluir se quiser
estar nas Olimpíadas de Atenas-2004.
O exemplo da Argentina, que implantou um trabalho sério
de renovação há cerca de dez anos e já
colhe seus primeiros frutos, deixa claro que o caminho é
longo e feito de muitos detalhes, que não podem ser
ignorados. Contar com um campeonato interno forte é
imprescindível, mas as necessidades incluem também
o intercâmbio internacional da própria seleção
e a participação de brasileiros em torneios
de ponta no exterior.
A saída de Marcelinho e Guilherme (Itália),
Tiago Splitter e Anderson Varejão (Espanha), Luís
Fernando (China), Nenê (NBA) e outros jogadores que
também tentam a sorte nos Estados Unidos é uma
esperança a mais. Em contrapartida, a não classificação
da seleção sub-21 para o próximo Mundial
é outro sinal de alerta. Afinal, teoricamente os integrantes
deste grupo são os prováveis substitutos dos
atletas que hoje defendem o time adulto.
No Pré-olímpico do ano que vem, os brasileiros
terão que lutar por uma das três vagas destinadas
à América. Os adversários indicam que
a tarefa vai ser árdua. A Argentina, vice-mundial e
adversária conhecida dispensa explicações.
Estados Unidos e Canadá deixaram claro que vão
lutar com suas melhores armas, ou seja os principais destaques
da NBA. Correndo por fora, Porto Rico e Brasil terão
ainda outros inimigos pelo caminho.
Resta esperar que os acontecimentos de Indianápolis
produzam frutos positivos para o planejamento e evolução
da modalidade.
Distribuição de vagas no Pré-olímpico*
Continente
|
Número de Vagas
|
África
|
01
|
América
|
03
|
Ásia
|
01
|
Europa
|
04
|
Oceania
|
02
|
*A Grécia, anfitriã do torneio, já está
classificada.
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