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18/09/2002

Por Marta Teixeira

Foto Gazeta Press
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Com o Ribeirão, Jefferson conquistou o título paulista da última temporada

"Deus realizou meu sonho agora", comemora ainda emocionado o ala Jefferson, ex-jogador do COC/Ribeirão Preto, que assina nesta quarta-feira um contrato de um ano com o Los Angeles Lakers. Quando foi para os Estados Unidos, há dois meses, o brasileiro imaginava passar um ano treinando, para tentar a sorte em uma das franquias na Liga de Verão de 2003.

Mas Deus, como faz questão de ressaltar, deu-lhe a oportunidade antes e agora é trabalhar para garantir um lugar na equipe californiana. Sua permanência no grupo dependerá em muito do que apresentar nos seis ou sete jogos que disputará com a equipe durante a pré-temporada, em outubro. Na semana que vem, provavelmente dia 26, o jogador embarca para Los Angeles para treinar na nova casa.

"Este contrato já foi um grande passo. Se eu fizer um ano bom, mesmo que jogue pouco e não permaneça nos Lakers vai ficar mais fácil para que outras equipes se interessem", analisa o ala. Mas se depender dele, suas malas ficam mesmo na Califórnia. "Minha preocupação agora é me firmar na equipe". E como só vai para frente quem tem objetivos, Jefferson entrou no ritmo dos Lakers. "Já pensou, eu o primeiro brasileiro com um anel da NBA?"

O contato inicial com a futura equipe deixou o brasileiro empolgado. Semana passada no mini-camp, em Los Angeles, ficou frente a frente com o técnico Phil Jackson. "Ele estava no treino e falou comigo. Me deu alguns conselhos básicos de treinamento e corrigiu meu posicionamento tático. Ele me deu muita atenção". Jefferson quase não acreditou, afinal ele era o único não norte-americano no grupo de 17 aspirantes a uma vaga. "Todos os outros já haviam passado (mesmo que rapidamente) pela NBA".

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Phil Jackson: Dicas para o futuro comandado

A tensão de treinar sob o olhar atento de Jackson e de jogadores dos Lakers (Derek Fisher, Rick Fox e Devean George) não intimidou Jefferson. "Eu me saí bem no treino e gostaram de mim. Não apenas jogando, mas também pela minha personalidade fora da quadra. Para eles isto é muito importante".

Claro que naquela hora Jefferson não imaginava que seria chamado pela equipe e tratou de se garantir. "Tirei fotos com eles, como fã mesmo. Nem imaginava que jogaria no time".

Pulando no meio do salão

Apesar de confiar em seu trabalho, certeza mesmo da oportunidade, o brasileiro só teve na segunda-feira. "Eles (os agentes Jose Santos e Michael Coyne) não me falaram nada o dia todo. À noite fomos jantar e a mesma coisa, ninguém dizia nada. Só depois, chegou o champanhe e Mike me deu a camiseta, dizendo que era do meu novo time".

A reação de Jefferson foi de pura incredulidade. "Eu nem sabia o que falar. Comecei a pular feito um louco no salão do restaurante. As pessoas me olhavam sem entender nada", lembra.

Passada a festa, o ala sabe que tem muito trabalho pela frente e já sentiu um gostinho do que o espera. Nestes dois meses nos Estados Unidos tem treinado como nunca, com até três sessões diárias. "De manhã fazemos musculação, à noite trabalhamos muito arrremesso e controle de bola. À tarde jogamos com um time universitário para nos acostumarmos ao estilo", explica. Fim de semana, praticamente não existe. "De sábado treinamos uma vez (no dia) e às vezes, no domingo, nos dão folga. Quando acham que estamos muito cansados".

Mas ele não reclama, consciente de que para se enquadrar às necessidades do mercado norte-americano terá de se adaptar. "Aqui, posso jogar de dois (ala/armador) ou até de armador e por isso, vou precisar ter muito controle de bola". A intimidação com o tamanho dos adversários norte-americanos também já passou. "A gente vê pela televisão e acha que eles são enormes. Ficava pensando o que ia acontecer comigo aqui. Mas eles não são assim e consegui me sair bem", diz o jogador, que ganhou quatro quilos desde o início dos treinos nos Estados Unidos.

Com um conhecimento razoável do idioma, "só não entendo quando eles falam gírias", Jefferson está praticamente ambientado à nova vida. "A primeira semana foi a mais difícil", afirma, lembrando da saudade da família e do tempero da comida brasileira.

Apesar da distância da terrinha, Jefferson conta a amizade do pivô Nenê, que já assinou com o Denver Nuggets para a próxima temporada. "Ele esteve aqui me visitando e nos falamos sempre pelo telefone. Ele já falou que estou devendo um presente, porque foi ele quem ajeitou tudo para que eles (os agentes) me trouxessem".

O caçula da família Sobral, que treinou com a seleção brasileira no ano passado, segue um caminho tentado pela irmã Marta há quase sete anos, quando a ex-pivô da seleção brasileira tentou a sorte no Richmond Rage, do estado de Virgínia, na American Basketball League (ABL). O garoto, que começou a jogar de tanto ver as irmãs treinando nas quadras, dá continuidade a uma história, que ainda tem muitos capítulos pela frente.

 Raio-X
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Nome: Jefferson de Souza Sobral

Data de nascimento: Santo André, 04 de abril de 1980

Posição: Ala

Altura: 2,02m

Equipes pelas quais atuou: Palmeiras, Vasco da Gama e COC/Ribeirão Preto

Principais títulos: campeão nacional 2001 (Vasco) e campeão paulista 2001 (Ribeirão)

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