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Por Marta Teixeira
| Foto Gazeta Press |
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| Com o Ribeirão, Jefferson
conquistou o título paulista da última temporada |
"Deus realizou meu sonho agora", comemora ainda
emocionado o ala Jefferson, ex-jogador do COC/Ribeirão
Preto, que assina nesta quarta-feira um contrato de um ano
com o Los Angeles Lakers. Quando foi para os Estados Unidos,
há dois meses, o brasileiro imaginava passar um ano
treinando, para tentar a sorte em uma das franquias na Liga
de Verão de 2003.
Mas Deus, como faz questão de ressaltar, deu-lhe a
oportunidade antes e agora é trabalhar para garantir
um lugar na equipe californiana. Sua permanência no
grupo dependerá em muito do que apresentar nos seis
ou sete jogos que disputará com a equipe durante a
pré-temporada, em outubro. Na semana que vem, provavelmente
dia 26, o jogador embarca para Los Angeles para treinar na
nova casa.
"Este contrato já foi um grande passo. Se eu
fizer um ano bom, mesmo que jogue pouco e não permaneça
nos Lakers vai ficar mais fácil para que outras equipes
se interessem", analisa o ala. Mas se depender dele,
suas malas ficam mesmo na Califórnia. "Minha preocupação
agora é me firmar na equipe". E como só
vai para frente quem tem objetivos, Jefferson entrou no ritmo
dos Lakers. "Já pensou, eu o primeiro brasileiro
com um anel da NBA?"
O contato inicial com a futura equipe deixou o brasileiro
empolgado. Semana passada no mini-camp, em Los Angeles, ficou
frente a frente com o técnico Phil Jackson. "Ele
estava no treino e falou comigo. Me deu alguns conselhos básicos
de treinamento e corrigiu meu posicionamento tático.
Ele me deu muita atenção". Jefferson quase
não acreditou, afinal ele era o único não
norte-americano no grupo de 17 aspirantes a uma vaga. "Todos
os outros já haviam passado (mesmo que rapidamente)
pela NBA".
| Foto Reuters |
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| Phil Jackson:
Dicas para o futuro comandado |
A tensão de treinar sob o olhar atento de Jackson
e de jogadores dos Lakers (Derek Fisher, Rick Fox e Devean
George) não intimidou Jefferson. "Eu me saí
bem no treino e gostaram de mim. Não apenas jogando,
mas também pela minha personalidade fora da quadra.
Para eles isto é muito importante".
Claro que naquela hora Jefferson não imaginava que
seria chamado pela equipe e tratou de se garantir. "Tirei
fotos com eles, como fã mesmo. Nem imaginava que jogaria
no time".
Pulando no meio do salão
Apesar de confiar em seu trabalho, certeza mesmo da oportunidade,
o brasileiro só teve na segunda-feira. "Eles (os
agentes Jose Santos e Michael Coyne) não me falaram
nada o dia todo. À noite fomos jantar e a mesma coisa,
ninguém dizia nada. Só depois, chegou o champanhe
e Mike me deu a camiseta, dizendo que era do meu novo time".
A reação de Jefferson foi de pura incredulidade.
"Eu nem sabia o que falar. Comecei a pular feito um louco
no salão do restaurante. As pessoas me olhavam sem
entender nada", lembra.
Passada a festa, o ala sabe que tem muito trabalho pela frente
e já sentiu um gostinho do que o espera. Nestes dois
meses nos Estados Unidos tem treinado como nunca, com até
três sessões diárias. "De manhã
fazemos musculação, à noite trabalhamos
muito arrremesso e controle de bola. À tarde jogamos
com um time universitário para nos acostumarmos ao
estilo", explica. Fim de semana, praticamente não
existe. "De sábado treinamos uma vez (no dia)
e às vezes, no domingo, nos dão folga. Quando
acham que estamos muito cansados".
Mas ele não reclama, consciente de que para se enquadrar
às necessidades do mercado norte-americano terá
de se adaptar. "Aqui, posso jogar de dois (ala/armador)
ou até de armador e por isso, vou precisar ter muito
controle de bola". A intimidação com o
tamanho dos adversários norte-americanos também
já passou. "A gente vê pela televisão
e acha que eles são enormes. Ficava pensando o que
ia acontecer comigo aqui. Mas eles não são assim
e consegui me sair bem", diz o jogador, que ganhou quatro
quilos desde o início dos treinos nos Estados Unidos.
Com um conhecimento razoável do idioma, "só
não entendo quando eles falam gírias",
Jefferson está praticamente ambientado à nova
vida. "A primeira semana foi a mais difícil",
afirma, lembrando da saudade da família e do tempero
da comida brasileira.
Apesar da distância da terrinha, Jefferson conta a
amizade do pivô Nenê, que já assinou com
o Denver Nuggets para a próxima temporada. "Ele
esteve aqui me visitando e nos falamos sempre pelo telefone.
Ele já falou que estou devendo um presente, porque
foi ele quem ajeitou tudo para que eles (os agentes) me trouxessem".
O caçula da família Sobral, que treinou com
a seleção brasileira no ano passado, segue um
caminho tentado pela irmã Marta há quase sete
anos, quando a ex-pivô da seleção brasileira
tentou a sorte no Richmond Rage, do estado de Virgínia,
na American Basketball League (ABL). O garoto, que começou
a jogar de tanto ver as irmãs treinando nas quadras,
dá continuidade a uma história, que ainda tem
muitos capítulos pela frente.
| Raio-X |
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Foto Gazeta Press
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Nome:
Jefferson de Souza Sobral
Data de nascimento: Santo André, 04 de abril de 1980
Posição: Ala
Altura: 2,02m
Equipes pelas quais atuou: Palmeiras,
Vasco da Gama e COC/Ribeirão Preto
Principais títulos: campeão
nacional 2001 (Vasco) e campeão paulista
2001 (Ribeirão)
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