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| Sétimo lugar no Mundial deixa
claro, para Paula, que muita coisa precisa mudar |
Por Marta Teixeira
Mudanças da estrutura do esporte até a comissão técnica.
Para a campeã mundial de 1994, Paula, o sétimo lugar do Brasil
no Campeonato Mundial Feminino de Basquete, encerrado nesta
quarta-feira na China, deixou claro que muita coisa precisa
mudar para que a modalidade mantenha sua força internacional.
"A gente só fecha a porta depois que o ladrão entra", analisa,
recorrendo a um ditado popular. O pouco tempo de treinamento
em grupo da seleção é um dos problemas apontados pela ex-atleta,
atual diretora do Centro de Treinamento do Ibirapuera. "Pelo
período que se prepararam, o resultado está dentro do esperado",
diz. A seleção titular do Mundial pode fazer seu primeiro
treino completa, quando faltava uma semana para o início do
torneio.
O fato de apenas duas jogadoras da seleção (Micaela e Silvinha)
atuarem no Brasil antes do torneio também a deixa descontente.
"Se (os dirigentes) encarassem o Mundial com mais seriedade,
claro que as teriam repatriado".
Para a ex-jogadora, não há inocentes no resultado. "Todos
são culpados. Calendário, comissão, jogadoras e a estrutura
do basquete. Na opinião da ex-jogadora, a sétima colocação
serviu para não encobrir o que está falido. "Nem depois do
título houve mais apoio ao feminino".
Com a seleção passando por um processo de renovação - a
média de idade é 24 anos -, Paula questiona a postura adotada
com o grupo. "Estas meninas precisam de um trabalho mais rígido",
analisa. "Não que Barbosa (o técnico Antonio Carlos) não seja.
Ele é, mas elas precisam de mais".
O fato do treinador ser exclusivo da seleção também não
é visto de forma positiva por ela. "Isto seria diferente se
jogassem sempre, se houvesse mais intercâmbio", explica. "Mas
dirigir a equipe também é prática. Você tem que vivenciar
o dia-a-dia. Em muitos momentos, vimos as meninas batendo
cabeça em quadra".
Paula também acha que houve muito individualismo em quadra
e lembra que em 1998, no Mundial da Alemanha, quando o Brasil
ficou em quarto, começavam a surgir os primeiros sintomas
deste problema. "Eu senti isto e lamentei muito". Acompanhando
os jogos pela tevê, ela identificou situação semelhante. "Cada
uma pensava muito em si. Quando alguém errava, dizia: a culpa
foi minha e as coisas seguiam. Não teve um momento em que
se abraçassem. Não dá para ser assim no basquete, é muito
coletivo".
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| Hortência lamenta as derrotas
por um ponto da seleção brasileira |
Apesar da crítica, a ex-jogadora faz questão de ressaltar que
esta não é uma situação só do esporte. "É da geração. A garotada
prefere ficar sozinha na frente do micro, que sair com os amigos.
Isto se reflete em tudo. As pessoas estão mais individualistas".
No aspecto geral, Paula lamentou a oportunidade perdida.
"O Brasil nunca teve tantas condições de disputar a final".
Opinião semelhante tem a também campeã Hortência. "Claro que
a sétima colocação não era o esperado. O Brasil é uma grande
equipe, com talento e potencial. Estas meninas têm muito que
crescer", afirma a hoje empresária.
O resultado dos jogos contra Coréia do Sul e China pegaram
a ex-jogadora de surpresa. "Depois que venceram a Austrália
fiquei confiante. Nunca esteve tão fácil para o Brasil fazer
uma final com os Estados Unidos", acredita.
A eterna rainha do basquete nacional não duvida que o grupo
fez o que pode para ser campeão. "Tenho certeza que elas lutaram.
Quando alguém ganha por um ponto, não dá para falar quem jogou
melhor. É difícil para quem está de fora falar o que aconteceu.
Não tem explicação".
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