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25/09/2002

 

Paula critica campanha e pede mudanças
Foto Gazeta Press
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Sétimo lugar no Mundial deixa claro, para Paula, que muita coisa precisa mudar

Por Marta Teixeira

Mudanças da estrutura do esporte até a comissão técnica. Para a campeã mundial de 1994, Paula, o sétimo lugar do Brasil no Campeonato Mundial Feminino de Basquete, encerrado nesta quarta-feira na China, deixou claro que muita coisa precisa mudar para que a modalidade mantenha sua força internacional.

"A gente só fecha a porta depois que o ladrão entra", analisa, recorrendo a um ditado popular. O pouco tempo de treinamento em grupo da seleção é um dos problemas apontados pela ex-atleta, atual diretora do Centro de Treinamento do Ibirapuera. "Pelo período que se prepararam, o resultado está dentro do esperado", diz. A seleção titular do Mundial pode fazer seu primeiro treino completa, quando faltava uma semana para o início do torneio.

O fato de apenas duas jogadoras da seleção (Micaela e Silvinha) atuarem no Brasil antes do torneio também a deixa descontente. "Se (os dirigentes) encarassem o Mundial com mais seriedade, claro que as teriam repatriado".

Para a ex-jogadora, não há inocentes no resultado. "Todos são culpados. Calendário, comissão, jogadoras e a estrutura do basquete. Na opinião da ex-jogadora, a sétima colocação serviu para não encobrir o que está falido. "Nem depois do título houve mais apoio ao feminino".

Com a seleção passando por um processo de renovação - a média de idade é 24 anos -, Paula questiona a postura adotada com o grupo. "Estas meninas precisam de um trabalho mais rígido", analisa. "Não que Barbosa (o técnico Antonio Carlos) não seja. Ele é, mas elas precisam de mais".

O fato do treinador ser exclusivo da seleção também não é visto de forma positiva por ela. "Isto seria diferente se jogassem sempre, se houvesse mais intercâmbio", explica. "Mas dirigir a equipe também é prática. Você tem que vivenciar o dia-a-dia. Em muitos momentos, vimos as meninas batendo cabeça em quadra".

Paula também acha que houve muito individualismo em quadra e lembra que em 1998, no Mundial da Alemanha, quando o Brasil ficou em quarto, começavam a surgir os primeiros sintomas deste problema. "Eu senti isto e lamentei muito". Acompanhando os jogos pela tevê, ela identificou situação semelhante. "Cada uma pensava muito em si. Quando alguém errava, dizia: a culpa foi minha e as coisas seguiam. Não teve um momento em que se abraçassem. Não dá para ser assim no basquete, é muito coletivo".

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Hortência lamenta as derrotas por um ponto da seleção brasileira
Apesar da crítica, a ex-jogadora faz questão de ressaltar que esta não é uma situação só do esporte. "É da geração. A garotada prefere ficar sozinha na frente do micro, que sair com os amigos. Isto se reflete em tudo. As pessoas estão mais individualistas".

No aspecto geral, Paula lamentou a oportunidade perdida. "O Brasil nunca teve tantas condições de disputar a final". Opinião semelhante tem a também campeã Hortência. "Claro que a sétima colocação não era o esperado. O Brasil é uma grande equipe, com talento e potencial. Estas meninas têm muito que crescer", afirma a hoje empresária.

O resultado dos jogos contra Coréia do Sul e China pegaram a ex-jogadora de surpresa. "Depois que venceram a Austrália fiquei confiante. Nunca esteve tão fácil para o Brasil fazer uma final com os Estados Unidos", acredita.

A eterna rainha do basquete nacional não duvida que o grupo fez o que pode para ser campeão. "Tenho certeza que elas lutaram. Quando alguém ganha por um ponto, não dá para falar quem jogou melhor. É difícil para quem está de fora falar o que aconteceu. Não tem explicação".

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