| Foto: Rubens Gazeta /Gazeta Press |
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| Hélio Rubens sai depois de cinco anos e meio
no comando da seleção | Por Marta Teixeira
"Quero
antecipar algo, que você está querendo". Com estas palavras, o técnico Hélio Rubens
Garcia afirma ter decidido seu destino na seleção brasileira masculina de basquete
nesta terça-feira, durante uma reunião com o presidente da Confederação Brasileira
(CBB), Gerasime Grego Bozikis, na sede da entidade no Rio de Janeiro. Depois de
uma conversa com o dirigente, Hélio Rubens comunicou a decisão de deixar o cargo,
cinco anos e meio depois de haver tomado posse e não nega que esteja saindo com
uma certa dose de mágoa. "Criou-se uma polêmica sobre a participação no
Mundial (de Indianápolis), culminando com o debate na tevê (ESPN Brasil). Não
vi por parte do presidente, naquele momento, um comentário, nada, do trabalho
que foi feito", lembra Hélio Rubens para explicar sua decisão. "Fizemos um trabalho
muito profícuo, mas em nenhum momento ele foi capaz de citar isto", lamentou o
técnico. "Ele deixou tudo muito no ar. Fiquei magoado". A conversa desta terça-feira
foi uma antecipação de um futuro encontro envolvendo toda a comissão técnica do
grupo, que já estava programado. "Hoje (terça), novamente senti isto. Este ambiente
de dúvida. Foi a gota d'água", afirma. "Não pela possibilidade de ser substituído,
mas porque ele não disse nada. Seria uma forma de valorizar o que foi feito. Minha
decisão foi pensada, minha família sabia". Hélio Rubens sai, mas toda a comissão
técnica da equipe principal e das categorias de base continuam. Para Hélio
Rubens, todos poderiam ter assumido uma postura mais coletiva "enfatizando mais
o trabalho realizado. No entanto, fiquei sozinho. Mas deixei que ficasse tudo
nas minhas costas. Se ele (Grego) fosse tomar uma decisão teria que mudar todo
mundo e não gostaria que incluísse os outros". Apesar da mágoa pela maneira
como tudo aconteceu, o ex-técnico garante que enquanto esteve no comando do grupo
contou com apoio total, não apenas de Grego. "Agora ficou este clima desfavorável,
este ambiente de dúvida e eu nunca trabalhei em um ambiente assim", diz, lembrando
que sua passagem pela seleção foi sempre movida pelo amor ao esporte. "Nunca tive
salário mensal na seleção. Tudo que fiz foi pelo basquete", garante. Mas
a CBB garante que o treinador recebia um salário da entidade. A partir
de agora, ele afirma que sua preocupação é apenas com seu trabalho. "Estou no
auge da minha capacidade profissional". Comandando o Vasco da Gama nas semifinais
do Campeonato Carioca, o treinador espera que a base do trabalho desenvolvido
na seleção tenha continuidade por causa dos compromissos importantes no próximo
ano. "Cobrança de resultados nunca é boa, mas o mais difícil foi superado. Temos
uma disciplina tática que ainda está por ser alcançada e espero que o trabalho
tenha continuidade. Se não, vamos ter problemas". Na despedida, Hélio Rubens
faz questão de lembrar que sai seguro de haver feito o melhor trabalho possível.
"Nosso planejamento foi cumprido à risca. Fizemos uma renovação que hoje já é
realidade. Temos o Anderson e o Nenê, que são frutos do trabalho da seleção. Mantivemos
nossa competitividade e conseguimos resultados. No Mundial ficamos em oitavo e
não acho que foi ruim", analisa, ressaltando que a ausência do pivô Nenê deixou
a seleção em uma situação mais difícil. "Perdemos nosso principal reboteiro, que
era fundamental para as características do trabalho de velocidade e contra-ataque
da equipe". E agora, quem vai assumir? A Confederação Brasileira de Basquete
prometeu apenas para janeiro o anúncio do novo técnico da seleção masculina. Oficialmente,
não há nomes, mas umas das especulações mais freqüentes é a indicação de seu assistente
técnico Lula Ferreira. O técnico do COC/Ribeirão, líder invicto do Campeonato
Paulista, prefere não se manifestar a respeito. "Minha vontade é apenas conversar
com o Hélio Rubens. Coisa que não consegui ainda", dizia no início da tarde. "Este
é um momento para ficar quieto". Com quase dois anos de trabalho ao lado de
Hélio Rubens, Lula afirma lamentar muito sua saída. "Não é ser técnico da seleção
que vai torná-lo melhor ou pior. Por todo trabalho que ele já fez, ele é uma figura
muito importante no basquete. Fico chateado pela saída. Foi um prazer enorme trabalhar
com Hélio". Com ou sem Hélio Rubens, Lula acredita que os princípios básicos
do trabalho desenvolvido no grupo serão mantidos. Por mais críticas que os padrões
de jogo tenham recebido, não vão ser mudados radicalmente. Mas é claro que o novo
técnico vai personalizar um pouco mais". Lula ressalta ainda, que o novo treinador
da seleção vai precisar de ajuda. "Esta não é tarefa para uma pessoa só", afirma,
e dá uma sugestão para facilitar a vida do substituto. "Quem quer que seja escolhido
tem que receber o apoio de todos. Estamos em uma hora que o basquete brasileiro
precisa ir bem internacionalmente. Se não, fica mais difícil internamente, até
para conseguir patrocínio". Lula sugere ainda que o apoio ao comandante da
seleção seja intermediado pela Associação Brasileira de Técnicos. "A Associação
já existe e todo técnico que quiser ajudar poderia enviar sua sugestão por eles.
Para o técnico da Unit/Uberlândia, Zé Boquinha, apenas a mudança de treinador
não vai solucionar todos os problemas da seleção. "Tem que mexer em toda a estrutura",
afirma. "Estamos perdendo espaço muito rapidamente", Zé Boquinha torce por um
basquete mais agressivo, mais rápido, com muito jogo de transição. "Mais no estilo
da NBA". Para ele, parte destas características foram perdidas. "Jogamos assim
no Pan-americano de 99 e passamos por cima de todos". O veterano treinador
concorda que comandar a seleção não é tarefa para um apenas. "Deveria haver uma
comissão técnica, mas não para apenas concordar com o técnico principal". Nesta
linha, Zé Boquinha acha que os veteranos das quadras deveriam ser melhor aproveitados
na comissão. "Poderiam colocar um técnico mais novo, mas dinossauros como eu poderiam
passar a experiência internacional". Com a proximidade de compromissos importantes
para a seleção masculina, o técnico do Automóvel Clube/Campos, Cláudio Mortari,
acredita que a substituição é delicada. "É um assunto complicado. Substituição
nunca é boa, mas no Brasil acabam sendo sempre normais", afirma. "Será um ano
sumamente importante e espero que o indicado tenha muita sorte para ele e para
nosso basquete também", diz referindo-se a 2003. A era Hélio Rubens
Dono de oito títulos Nacionais (seis com Franca e dois com o Vasco da Gama),
Hélio Rubens Garcia é um dos treinadores brasileiros mais premiados na modalidade.
Em suas duas passagens pela seleção, Hélio Rubens conquistou alguns importantes
resultados em torneios internacionais.
| Torneio | Classificação |
| Sul-americano-89 | Campeão |
| Copa América-89 | 3º lugar | | Campeonato
Mundial-90 | 5º lugar | | Goodwill
Games-90 | 4º lugar | | Sul-americano-97 | 4º
lugar | | Copa América-97 | 3º
lugar | | Campeonato Mundial-98 | 10º lugar |
| Sul-americano-99 | Campeão |
| Pan-americano-99 | Campeão |
| Super Four-2000 | Campeão | | Super Four-2001 |
3º lugar | | Goodwill Games-2001 | 3º
lugar | | Super Four-2002 | 2º lugar |
| Copa do Mundo de Istambul 2002 | 3º lugar |
| Campeonato Mundial 2002 | 8º lugar | Os
desafios para 2003 A seleção brasileira masculina de basquete
terá compromissos importantes na temporada de 2003. O Pré-olímpico,
ainda sem local definido para ser realizado e que classificará três
equipes para os Jogos de Atenas-2004, é o ápice desta programação.
Mas os desafios são muitos.
| Competição | Local |
| Sul-americano | Uruguai |
| Pan-americano | República Dominicana |
| Jogos Desafio | Brasil |
| Copa 70 Anos | Brasil | | Super
Four | Argentina | | Pré-olímpico
| A definir | |