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03/12/2002

Hélio Rubens deixa a seleção... magoado

Foto: Rubens Gazeta /Gazeta Press
Hélio Rubens sai depois de cinco anos e meio no comando da seleção


Por Marta Teixeira

"Quero antecipar algo, que você está querendo". Com estas palavras, o técnico Hélio Rubens Garcia afirma ter decidido seu destino na seleção brasileira masculina de basquete nesta terça-feira, durante uma reunião com o presidente da Confederação Brasileira (CBB), Gerasime Grego Bozikis, na sede da entidade no Rio de Janeiro. Depois de uma conversa com o dirigente, Hélio Rubens comunicou a decisão de deixar o cargo, cinco anos e meio depois de haver tomado posse e não nega que esteja saindo com uma certa dose de mágoa.

"Criou-se uma polêmica sobre a participação no Mundial (de Indianápolis), culminando com o debate na tevê (ESPN Brasil). Não vi por parte do presidente, naquele momento, um comentário, nada, do trabalho que foi feito", lembra Hélio Rubens para explicar sua decisão. "Fizemos um trabalho muito profícuo, mas em nenhum momento ele foi capaz de citar isto", lamentou o técnico. "Ele deixou tudo muito no ar. Fiquei magoado".

A conversa desta terça-feira foi uma antecipação de um futuro encontro envolvendo toda a comissão técnica do grupo, que já estava programado. "Hoje (terça), novamente senti isto. Este ambiente de dúvida. Foi a gota d'água", afirma. "Não pela possibilidade de ser substituído, mas porque ele não disse nada. Seria uma forma de valorizar o que foi feito. Minha decisão foi pensada, minha família sabia". Hélio Rubens sai, mas toda a comissão técnica da equipe principal e das categorias de base continuam.

Para Hélio Rubens, todos poderiam ter assumido uma postura mais coletiva "enfatizando mais o trabalho realizado. No entanto, fiquei sozinho. Mas deixei que ficasse tudo nas minhas costas. Se ele (Grego) fosse tomar uma decisão teria que mudar todo mundo e não gostaria que incluísse os outros".

Apesar da mágoa pela maneira como tudo aconteceu, o ex-técnico garante que enquanto esteve no comando do grupo contou com apoio total, não apenas de Grego. "Agora ficou este clima desfavorável, este ambiente de dúvida e eu nunca trabalhei em um ambiente assim", diz, lembrando que sua passagem pela seleção foi sempre movida pelo amor ao esporte. "Nunca tive salário mensal na seleção. Tudo que fiz foi pelo basquete", garante. Mas a CBB garante que o treinador recebia um salário da entidade.

A partir de agora, ele afirma que sua preocupação é apenas com seu trabalho. "Estou no auge da minha capacidade profissional". Comandando o Vasco da Gama nas semifinais do Campeonato Carioca, o treinador espera que a base do trabalho desenvolvido na seleção tenha continuidade por causa dos compromissos importantes no próximo ano. "Cobrança de resultados nunca é boa, mas o mais difícil foi superado. Temos uma disciplina tática que ainda está por ser alcançada e espero que o trabalho tenha continuidade. Se não, vamos ter problemas".

Na despedida, Hélio Rubens faz questão de lembrar que sai seguro de haver feito o melhor trabalho possível. "Nosso planejamento foi cumprido à risca. Fizemos uma renovação que hoje já é realidade. Temos o Anderson e o Nenê, que são frutos do trabalho da seleção. Mantivemos nossa competitividade e conseguimos resultados. No Mundial ficamos em oitavo e não acho que foi ruim", analisa, ressaltando que a ausência do pivô Nenê deixou a seleção em uma situação mais difícil. "Perdemos nosso principal reboteiro, que era fundamental para as características do trabalho de velocidade e contra-ataque da equipe".

E agora, quem vai assumir? A Confederação Brasileira de Basquete prometeu apenas para janeiro o anúncio do novo técnico da seleção masculina. Oficialmente, não há nomes, mas umas das especulações mais freqüentes é a indicação de seu assistente técnico Lula Ferreira. O técnico do COC/Ribeirão, líder invicto do Campeonato Paulista, prefere não se manifestar a respeito. "Minha vontade é apenas conversar com o Hélio Rubens. Coisa que não consegui ainda", dizia no início da tarde. "Este é um momento para ficar quieto".

Com quase dois anos de trabalho ao lado de Hélio Rubens, Lula afirma lamentar muito sua saída. "Não é ser técnico da seleção que vai torná-lo melhor ou pior. Por todo trabalho que ele já fez, ele é uma figura muito importante no basquete. Fico chateado pela saída. Foi um prazer enorme trabalhar com Hélio".

Com ou sem Hélio Rubens, Lula acredita que os princípios básicos do trabalho desenvolvido no grupo serão mantidos. Por mais críticas que os padrões de jogo tenham recebido, não vão ser mudados radicalmente. Mas é claro que o novo técnico vai personalizar um pouco mais". Lula ressalta ainda, que o novo treinador da seleção vai precisar de ajuda. "Esta não é tarefa para uma pessoa só", afirma, e dá uma sugestão para facilitar a vida do substituto. "Quem quer que seja escolhido tem que receber o apoio de todos. Estamos em uma hora que o basquete brasileiro precisa ir bem internacionalmente. Se não, fica mais difícil internamente, até para conseguir patrocínio".

Lula sugere ainda que o apoio ao comandante da seleção seja intermediado pela Associação Brasileira de Técnicos. "A Associação já existe e todo técnico que quiser ajudar poderia enviar sua sugestão por eles.

Para o técnico da Unit/Uberlândia, Zé Boquinha, apenas a mudança de treinador não vai solucionar todos os problemas da seleção. "Tem que mexer em toda a estrutura", afirma. "Estamos perdendo espaço muito rapidamente", Zé Boquinha torce por um basquete mais agressivo, mais rápido, com muito jogo de transição. "Mais no estilo da NBA". Para ele, parte destas características foram perdidas. "Jogamos assim no Pan-americano de 99 e passamos por cima de todos".

O veterano treinador concorda que comandar a seleção não é tarefa para um apenas. "Deveria haver uma comissão técnica, mas não para apenas concordar com o técnico principal". Nesta linha, Zé Boquinha acha que os veteranos das quadras deveriam ser melhor aproveitados na comissão. "Poderiam colocar um técnico mais novo, mas dinossauros como eu poderiam passar a experiência internacional".

Com a proximidade de compromissos importantes para a seleção masculina, o técnico do Automóvel Clube/Campos, Cláudio Mortari, acredita que a substituição é delicada. "É um assunto complicado. Substituição nunca é boa, mas no Brasil acabam sendo sempre normais", afirma. "Será um ano sumamente importante e espero que o indicado tenha muita sorte para ele e para nosso basquete também", diz referindo-se a 2003.

A era Hélio Rubens

Dono de oito títulos Nacionais (seis com Franca e dois com o Vasco da Gama), Hélio Rubens Garcia é um dos treinadores brasileiros mais premiados na modalidade. Em suas duas passagens pela seleção, Hélio Rubens conquistou alguns importantes resultados em torneios internacionais.


TorneioClassificação
Sul-americano-89 Campeão
Copa América-89 3º lugar
Campeonato Mundial-90 5º lugar
Goodwill Games-90 4º lugar
Sul-americano-97 4º lugar
Copa América-973º lugar
Campeonato Mundial-98 10º lugar
Sul-americano-99Campeão
Pan-americano-99 Campeão
Super Four-2000 Campeão
Super Four-2001 3º lugar
Goodwill Games-2001 3º lugar
Super Four-2002 2º lugar
Copa do Mundo de Istambul 2002 3º lugar
Campeonato Mundial 2002 8º lugar

Os desafios para 2003

A seleção brasileira masculina de basquete terá compromissos importantes na temporada de 2003. O Pré-olímpico, ainda sem local definido para ser realizado e que classificará três equipes para os Jogos de Atenas-2004, é o ápice desta programação. Mas os desafios são muitos.

Competição Local
Sul-americano Uruguai
Pan-americano República Dominicana
Jogos Desafio Brasil
Copa 70 Anos Brasil
Super Four Argentina
Pré-olímpico A definir
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