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06/02/2003

Com a seleção nas mãos
De olho em Atenas
Trabalho dobrado no Paulista

 

Por Marta Teixeira

Workholic assumido, o técnico do COC/Ribeirão, Aluísio Ferreira, conseguiu que sua equipe garantisse o bicampeonato Paulista masculino de basquete, dia 19, na inédita condição de campeão invicto do torneio, com 39 vitórias na temporada.

Foto Gazeta Press
Foto Gazeta Press
O técnico Lula

Na quadra, Lula emocionou-se ao ver atletas que se formaram, em sua maioria, com ele, levantando a taça. Mas nem bem o título foi guardado e lá estava ele, pensando na seleção e no Nacional, no qual seu time permanece invicto, até esta quarta-feira, acumulando 43 vitórias consecutivas. Na verdade, antes mesmo do final do Estadual, Lula encontrava tempo para se dedicar à função de técnico da seleção brasileira, posto que assumiu no início do ano.

Os resultados iniciais desta dedicação devem ser vistos na primeira quinzena de fevereiro, quando a comissão técnica faz a pré-convocação dos atletas que têm chance de defender o Brasil nesta temporada. A lista será divulgada antes do embarque das comissões técnicas masculina e feminina para o estágio de 15 dias no Denver Nuggets, nos Estados Unidos.

Lula e os assistentes técnicos Guerrinha e Flávio Davis fizeram várias reuniões para discutir a filosofia de jogo e planejar o calendário e já têm uma boa idéia de quem deve estar na relação inicial de convocados. Sem querer se comprometer, o treinador deixa o número em aberto. "Poderíamos chegar a mais ou menos 30 e poucos jogadores", diz. Com uma lista tão ampla, Lula afirma ter como objetivo dar um incentivo extra para aqueles que não aparecem como favoritos a uma vaga. "Para estes jogadores intermediários isto é um alento e, com certeza, eles poderão começar a se preparar melhor", acredita.

A atenção da comissão técnica não ficou restrita ao território nacional. O técnico garante que os atletas que foram tentar a sorte no exterior também foram acompanhados e isto não se aplica apenas aqueles que passaram pela seleção – casos de Nenê (Denver Nuggets – NBA), Anderson Varejão (Barcelona – Espanha), Tiago Splitter (Tau Ceramica, mas emprestado ao Bilbao – Espanha), Marcelinho e Guilherme (Rimini Crabs – Itália).

Nos Estados Unidos, além de Baby, que não poderá atuar em competições da Fiba por dois anos porque foi pego no antidoping do Mundial, Lula lembra de Gilsinho (de Jesus, na Kansas State) e Cassiano (Mateus, na Universidade da Georgia), que também jogam nos EUA. "Não estou dizendo que eles serão convocados, mas estamos acompanhando sua evolução".

O técnico reconhece que muitos dos que serão chamados na primeira lista não estarão prontos para a seleção. "Mas a seleção tem que ser uma alavanca para o desenvolvimento da modalidade", afirma Lula. "Queremos que os jogadores estejam sempre motivados", completa, lembrando que mesmo aqueles que não forem chamados em fevereiro ainda têm chance. "Não ser incluído agora não significa que não será chamado".

Com a pré-convocação, a comissão brasileira quer evitar que o atleta seja chamado já na época de preparação para os torneios e se descubra que está com algum problema físico. "Os que estiverem no Brasil vão passar por testes médicos e físicos imediatos", explica. Na temporada passada, o armador Valtinho e o pivô Estevam foram dispensados por causa de contusões.

Além disso, Lula acredita que a chance de integrar a equipe será um incentivo importante em a evolução destes atletas. "Vamos ver como eles estão agora e isto permitirá que ele trabalhe (se aperfeiçoe) no clube".

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