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09/05/2003

Por Marta Teixeira

São Paulo (SP) - Ele foi a sétima escolha na primeira rodada do draft de 2002 da NBA, foi selecionado pelos técnicos para integrar o time dos Novatos no fim de semana do All Star Game, assumiu a condição de titular no Denver Nuggets e já se tornou uma das figuras latinas mais populares e carismáticas da liga. O ala/pivô Nenê Hilário não tem do que reclamar sobre sua primeira temporada nos Estados Unidos, admite que não esperava tanto, mas deixa claro que tudo foi resultado de muito trabalho.

'Não tinha a dimensão de que seria assim no primeiro ano', confessou durante a entrevista coletiva em São Paulo. Nenê fechou sua participação no torneio com média de 28min2, 10,5 pontos, 1,9 assistência e 6,10 rebotes por jogo. O desempenho rendeu respeito em quadra e aumentou as expectativas sobre sua participação na evolução do time.

As diferenças, o brasileiro sentiu nos próprios adversários, que mudaram sua postura contra ele em quadra. 'Eles gostam disso. Te dão crédito se você mostra serviço', afirma, deixando claro que sempre que possível lembra aos oponentes que não está para brincadeira. 'Tem que ser assim, né. Se não respeitarem a batata vai assar', brinca.

Nem mesmo Kobe Bryant escapou desta filosofia de trabalho. 'Ele fez um passe por trás, deu um dunk (enterrada) e saiu olhando para mim', lembra, rindo. 'Mas eu também dei minha enterradinha. De leve', diz, reconhecendo que o armador do Los Angeles Lakers foi o que mais o impressionou em quadra. 'Ele faz milagre'.

O encontro com Michael Jordan também produziu boas lembranças para o brasileiro. 'Eu consegui roubar uma bola dele', recorda. Mas o melhor veio depois do jogo. 'Ele passou por mim e disse: continue assim, que você vai longe. Pôxa, foi o rei falando isso'.

A expectativa de Jordan é partilhada por muitos, mas o aumento de responsabilidade e cobrança não o preocupa. 'Penso no presente, no futuro também, mas o que eu quero é me dedicar e treinar certo. Isto não me assusta, tenho os pés no chão', garante, sem temer que o sucesso lhe suba à cabeça. 'Muitos jogadores na minha posição poderiam estar se vendo como all star. Eu não, continuo simples'.

Quando voltar na próxima temporada, Nenê quer ser um jogador bem mais completo em quadra. A primeira providência é melhorar nos arremessos. Este ano, ele teve uma média de 51,9% de aproveitamento nas cestas de dois pontos. 'Quero aprender a chutar', explica, tranquilo de que arranque e impulsão não são problemas em sua performance.

O trabalho de aperfeiçoamento começa em breve. O jogador aproveita as férias no Brasil até dia 20, quando segue para Cleveland. 'Treinar com meu personal'. Só depois, ele viaja para Denver onde tem mais duas semanas de treinos antes do início da programação do time.

Nenê diz que seleção tem chances no Pré-olímpico

Presença confirmada no Pré-olímpico de Porto Rico em agosto, o ala/pivô Nenê acredita que a seleção brasileira masculina de basquete tem chances de conquistar uma das três vagas abertas para os Jogos Olímpicos de Atenas-2004. A chave para o sucesso, acredita ele, será a composição do grupo.

'Se convocar os jogadores certos tem chance', diz, destacando que a experiência será fundamental para uma campanha de sucesso. 'Jogar contra Porto Rico lá não vai ser fácil', afirma.

Na pré-convocação do técnico Lula Ferreira, o time brasileiro perdeu um pouco de sua experiência internacional com os cortes de veteranos como Vanderlei, Rogério e Sandro Varejão. Em contrapartida, o time vai poder contar, além de Nenê, com outros atletas que tiveram passagens pelos campeonatos europeus: Anderson Varejão, Guilherme Giovannoni e Marcelinho. O armador Leandrinho, que treina para tentar a sorte no draft da NBA, é outro que pode unir-se ao grupo mais preparado. Nenê apresenta-se à seleção brasileira apenas em agosto.

Com um ano e dois meses de experiência no esquema norte-americano de lidar com o esporte, Nenê lamenta que no Brasil a postura adotada com os atletas ainda esteja atrasada. 'O Brasil não dá valor a seus jogadores. Você precisa sair para ter valor aqui dentro. Se o jogador for visto como profissional a coisa vai mudar', garante.

Nenê foi um caso clássico dos problemas que os atletas nacionais têm de enfrentar para conquistar seu espaço. Ele decidiu deixar o Vasco da Gama, onde não estava recebendo os salários, para tentar a sorte na NBA. Mas na hora de assinar seu contrato com o Denver, ainda teve que indenizar o clube carioca. 'Não recebia e tive que pagar. É diferente isto'. Apesar da experiência negativa, ele garante não guardar mágoas ou rancores. 'Da passagem no Rio, guardo meus amigos e a torcida'.



Hilário dá lugar a Nenê


Desde o início da temporada da NBA, o brasileiro Nenê Hilário não escondeu que gostaria de ter Nenê estampado nas costas da camiseta do Denver Nuggets. No entanto, as regras da liga impediram que o nome pelo qual sempre foi conhecido no Brasil se popularizasse também nos Estados Unidos. Mas na próxima temporada, a situação vai mudar e a camiseta do jogador terá o apelido estampado nas costas.

'É como todo mundo sempre me conheceu', diz. Para conseguir a mudança, Nenê teve que negociar com a liga. 'Fui com um advogado acertar as coisas', explica, o atleta que precisou registrar a marca para adotá-la. Com a mudança, o apelido também será utilizado nos documentos oficiais. No entanto, não houve mudança no registro de nascimento do jogador.

Nenê mudou o nome, mas desistiu de usar o tradicional 13, que usava quando ainda jogava no Vasco. 'Time que está ganhando não se muda', brinca. Quando foi para a NBA, ele teve que ficar com o 31 porque a camiseta 13 já tinha dono.

 

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