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Por Marta Teixeira
São Paulo (SP) - Ele foi a sétima escolha
na primeira rodada do draft de 2002 da NBA, foi selecionado
pelos técnicos para integrar o time dos Novatos no
fim de semana do All Star Game, assumiu a condição
de titular no Denver Nuggets e já se tornou uma das
figuras latinas mais populares e carismáticas da liga.
O ala/pivô Nenê Hilário não tem
do que reclamar sobre sua primeira temporada nos Estados Unidos,
admite que não esperava tanto, mas deixa claro que
tudo foi resultado de muito trabalho.
'Não tinha a dimensão de que seria assim no
primeiro ano', confessou durante a entrevista coletiva em
São Paulo. Nenê fechou sua participação
no torneio com média de 28min2, 10,5 pontos, 1,9 assistência
e 6,10 rebotes por jogo. O desempenho rendeu respeito em quadra
e aumentou as expectativas sobre sua participação
na evolução do time.
As diferenças, o brasileiro sentiu nos próprios
adversários, que mudaram sua postura contra ele em
quadra. 'Eles gostam disso. Te dão crédito se
você mostra serviço', afirma, deixando claro
que sempre que possível lembra aos oponentes que não
está para brincadeira. 'Tem que ser assim, né.
Se não respeitarem a batata vai assar', brinca.
Nem mesmo Kobe Bryant escapou desta filosofia de trabalho.
'Ele fez um passe por trás, deu um dunk (enterrada)
e saiu olhando para mim', lembra, rindo. 'Mas eu também
dei minha enterradinha. De leve', diz, reconhecendo que o
armador do Los Angeles Lakers foi o que mais o impressionou
em quadra. 'Ele faz milagre'.
O encontro com Michael Jordan também produziu boas
lembranças para o brasileiro. 'Eu consegui roubar uma
bola dele', recorda. Mas o melhor veio depois do jogo. 'Ele
passou por mim e disse: continue assim, que você vai
longe. Pôxa, foi o rei falando isso'.
A expectativa de Jordan é partilhada por muitos, mas
o aumento de responsabilidade e cobrança não
o preocupa. 'Penso no presente, no futuro também, mas
o que eu quero é me dedicar e treinar certo. Isto não
me assusta, tenho os pés no chão', garante,
sem temer que o sucesso lhe suba à cabeça. 'Muitos
jogadores na minha posição poderiam estar se
vendo como all star. Eu não, continuo simples'.
Quando voltar na próxima temporada, Nenê quer
ser um jogador bem mais completo em quadra. A primeira providência
é melhorar nos arremessos. Este ano, ele teve uma média
de 51,9% de aproveitamento nas cestas de dois pontos. 'Quero
aprender a chutar', explica, tranquilo de que arranque e impulsão
não são problemas em sua performance.
O trabalho de aperfeiçoamento começa em breve.
O jogador aproveita as férias no Brasil até
dia 20, quando segue para Cleveland. 'Treinar com meu personal'.
Só depois, ele viaja para Denver onde tem mais duas
semanas de treinos antes do início da programação
do time.
Nenê diz que seleção tem chances no Pré-olímpico
Presença
confirmada no Pré-olímpico de Porto Rico em
agosto, o ala/pivô Nenê acredita que a seleção
brasileira masculina de basquete tem chances de conquistar
uma das três vagas abertas para os Jogos Olímpicos
de Atenas-2004. A chave para o sucesso, acredita ele, será
a composição do grupo.
'Se convocar os jogadores certos tem chance', diz, destacando
que a experiência será fundamental para uma campanha
de sucesso. 'Jogar contra Porto Rico lá não
vai ser fácil', afirma.
Na pré-convocação do técnico
Lula Ferreira, o time brasileiro perdeu um pouco de sua experiência
internacional com os cortes de veteranos como Vanderlei, Rogério
e Sandro Varejão. Em contrapartida, o time vai poder
contar, além de Nenê, com outros atletas que
tiveram passagens pelos campeonatos europeus: Anderson Varejão,
Guilherme Giovannoni e Marcelinho. O armador Leandrinho, que
treina para tentar a sorte no draft da NBA, é outro
que pode unir-se ao grupo mais preparado. Nenê apresenta-se
à seleção brasileira apenas em agosto.
Com um ano e dois meses de experiência no esquema norte-americano
de lidar com o esporte, Nenê lamenta que no Brasil a
postura adotada com os atletas ainda esteja atrasada. 'O Brasil
não dá valor a seus jogadores. Você precisa
sair para ter valor aqui dentro. Se o jogador for visto como
profissional a coisa vai mudar', garante.
Nenê foi um caso clássico dos problemas que
os atletas nacionais têm de enfrentar para conquistar
seu espaço. Ele decidiu deixar o Vasco da Gama, onde
não estava recebendo os salários, para tentar
a sorte na NBA. Mas na hora de assinar seu contrato com o
Denver, ainda teve que indenizar o clube carioca. 'Não
recebia e tive que pagar. É diferente isto'. Apesar
da experiência negativa, ele garante não guardar
mágoas ou rancores. 'Da passagem no Rio, guardo meus
amigos e a torcida'.
Hilário dá lugar a Nenê
Desde o início da temporada da NBA, o brasileiro Nenê
Hilário não escondeu que gostaria de ter Nenê
estampado nas costas da camiseta do Denver Nuggets. No entanto,
as regras da liga impediram que o nome pelo qual sempre foi
conhecido no Brasil se popularizasse também nos Estados
Unidos. Mas na próxima temporada, a situação
vai mudar e a camiseta do jogador terá o apelido estampado
nas costas.
'É como todo mundo sempre me conheceu', diz. Para conseguir
a mudança, Nenê teve que negociar com a liga.
'Fui com um advogado acertar as coisas', explica, o atleta
que precisou registrar a marca para adotá-la. Com a
mudança, o apelido também será utilizado
nos documentos oficiais. No entanto, não houve mudança
no registro de nascimento do jogador.
Nenê mudou o nome, mas desistiu de usar o tradicional
13, que usava quando ainda jogava no Vasco. 'Time que está
ganhando não se muda', brinca. Quando foi para a NBA,
ele teve que ficar com o 31 porque a camiseta 13 já
tinha dono.
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