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09/05/2003

Por Marta Teixeira

Expectativa não falta, mas o mistério permanece. Desta vez, Anderson Varejão vai ou não participar do draft da NBA. O companheiro de seleção brasileira Nenê Hilário, que atua no Denver Nuggets, acha pouco provável que Anderson troque o Barcelona pelos Estados Unidos.

"Anderson não tem o propósito de entrar este ano", garante Nenê, que elogia o talento do companheiro e dá uma dica sobre o que pode ser melhorado. "Ele tem que trabalhar o corpo dele", diz, lembrando do esforço necessário para que ficasse com o físico requerido na NBA.

"Só de lembrar dá coceira", brinca. Nos meses que antecederam o draft de 2002, Nenê passava de 5h30 a 6 horas treinando. De manhã fazia até três horas de musculação e à tarde voltava à quadra para o treino físico e tático-técnico. "Treinei como um soldado e pensei até em desistir".

A persistência fez com que o jogador de 2,11m ganhasse quase dez quilos, passando de 113kg a 123kg e garantisse um contrato de US$ 6,7 milhões por três anos, com o Denver. As perspectivas seriam suficientes para interessar qualquer jogador, mas Anderson também tem bons motivos para não ceder à tentação. Com mais uma temporada de contrato com o Barcelona, o brasileiro tem ainda mais um ano para inscrever seu nome no draft da NBA.

No ano passado, ele também colocou seu nome na lista de candidatos, mas acabou retirando-o antes da data das escolhas. E Anderson já deu mostras que permanecer na Europa é uma opção bastante atraente. Em entrevista à ESPN Brasil, ele deixou claro que jogar nos Estados Unidos não lhe parece tão sedutor, principalmente por atuar em um dos melhores times da Liga Espanhola.

Finalista da Euroliga, nos 20 jogos da equipe até o top 16, o pivô teve médias de 14min12 (no ano passado, em nove jogos, atuou 13min34). Converteu 88 pontos (4,4 por jogo), com 51,6% de aproveitamento nos lances de dois pontos, e pegou 67 rebotes (4,4). Além disso, ele finalmente poderá disputar a liga ACB, primeira divisão do espanhol, com o Barcelona, uma vez que Dejan Bodiroga deixará de ser considerado estrangeiro porque a Sérvia passará a integrar a Comunidade Européia.

Mas na NBA suas chances também são boas. Os especialistas colocam o brasileiro como a oitava escolha da primeira rodada do draft e indicam o Milwaukee Bucks como provável equipe a selecioná-lo. O site do draft deixa claro que potencial para a liga, Anderson tem, mas pode optar por retardar sua entrada porque ainda não teve tempo de jogo suficiente.

A resposta final fica para 24 de junho ou, se ele optar por retirar seu nome do draft, antes disso. De qualquer maneira, Anderson já conseguiu chamar atenção para seu trabalho e conta com o interesse dos olheiros da mais poderosa liga de basquete do mundo.

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