| Por
Marta Teixeira
Expectativa não falta, mas o mistério permanece.
Desta vez, Anderson Varejão vai ou não participar
do draft da NBA. O companheiro de seleção brasileira
Nenê Hilário, que atua no Denver Nuggets, acha
pouco provável que Anderson troque o Barcelona pelos
Estados Unidos.
"Anderson não tem o propósito de entrar
este ano", garante Nenê, que elogia o talento do
companheiro e dá uma dica sobre o que pode ser melhorado.
"Ele tem que trabalhar o corpo dele", diz, lembrando
do esforço necessário para que ficasse com o
físico requerido na NBA.
"Só de lembrar dá coceira", brinca.
Nos meses que antecederam o draft de 2002, Nenê passava
de 5h30 a 6 horas treinando. De manhã fazia até
três horas de musculação e à tarde
voltava à quadra para o treino físico e tático-técnico.
"Treinei como um soldado e pensei até em desistir".
A persistência fez com que o jogador de 2,11m ganhasse
quase dez quilos, passando de 113kg a 123kg e garantisse um
contrato de US$ 6,7 milhões por três anos, com
o Denver. As perspectivas seriam suficientes para interessar
qualquer jogador, mas Anderson também tem bons motivos
para não ceder à tentação. Com
mais uma temporada de contrato com o Barcelona, o brasileiro
tem ainda mais um ano para inscrever seu nome no draft da
NBA.
No ano passado, ele também colocou seu nome na lista
de candidatos, mas acabou retirando-o antes da data das escolhas.
E Anderson já deu mostras que permanecer na Europa
é uma opção bastante atraente. Em entrevista
à ESPN Brasil, ele deixou claro que jogar nos Estados
Unidos não lhe parece tão sedutor, principalmente
por atuar em um dos melhores times da Liga Espanhola.
Finalista da Euroliga, nos 20 jogos da equipe até
o top 16, o pivô teve médias de 14min12 (no ano
passado, em nove jogos, atuou 13min34). Converteu 88 pontos
(4,4 por jogo), com 51,6% de aproveitamento nos lances de
dois pontos, e pegou 67 rebotes (4,4). Além disso,
ele finalmente poderá disputar a liga ACB, primeira
divisão do espanhol, com o Barcelona, uma vez que Dejan
Bodiroga deixará de ser considerado estrangeiro porque
a Sérvia passará a integrar a Comunidade Européia.
Mas na NBA suas chances também são boas. Os
especialistas colocam o brasileiro como a oitava escolha da
primeira rodada do draft e indicam o Milwaukee Bucks como
provável equipe a selecioná-lo. O site do draft
deixa claro que potencial para a liga, Anderson tem, mas pode
optar por retardar sua entrada porque ainda não teve
tempo de jogo suficiente.
A resposta final fica para 24 de junho ou, se ele optar por
retirar seu nome do draft, antes disso. De qualquer maneira,
Anderson já conseguiu chamar atenção
para seu trabalho e conta com o interesse dos olheiros da
mais poderosa liga de basquete do mundo.
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