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12/05/2003

Por Marta Teixeira

Beber na fonte e aprender os segredos do campeão. O técnico da seleção brasileira masculina de basquete, Lula Ferreira, foi um dos que aproveitou a palestra do técnico pentacampeão mundial de futebol, Luiz Felipe Scolari, em São Paulo, para descobrir o que diferencia vencedores de simples competidores. Famoso por seu estilo linha dura, Felipão voltou da Copa do Mundo do Japão-Coréia com o título e uma imagem diferente, desde o advento da Família Felipão. Denominação dada ao novo estilo de comando, que combinava psicologia e talento dentro e fora de campo.

Atento às últimas novidades esportivas, Lula fez questão de acompanhar a palestra de Felipão e da psicóloga Regina Brandão, nesta segunda-feira. "É know-how de vencedor", brinca Lula, que pretende contar com a experiência do gaúcho na preparação da seleção para o Pré-olímpico de Porto Rico. O torneio definirá os três representantes das Américas nos Jogos Olímpicos de Atenas-2004. "Conversei com o Felipão, que se colocou à disposição para conversar com o pessoal", diz Lula. Claro que tudo isto depende da agenda do pentacampeão, hoje treinador da seleção de Portugal.

Sobre a criação da Família Lula, o técnico de basquete ri, mas não descarta a possibilidade. "Por que a mãe lida tão bem com todos os filhos? Porque ela conhece cada um, sabe como são. O segredo em uma equipe é combinar os defeitos. Isto sim é duro. Combinar as qualidades é fácil".

Segundo Lula, não importa se as modalidades são diferentes, o importante é ter a técnica de trabalho adequada por isso, a experiência do campo é na quadra. "Fui conferir como ele faz o trabalho de formação do time e o que faz para motivar os jogadores", explica. O contato com o Felipão não se limitou à palestra. Antes, Lula foi ao camarim trocar segredos com o pentacampeão.

"Para mim, Felipão é um ídolo nacional. E é legal ter um técnico como ídolo. Normalmente, os ídolos são os jogadores", revela Lula, para quem o gaúcho traz a marca da coragem. "Foi coragem deixar o Romário de fora (da Copa). Ele deixou de fora um craque e levou um time", analisa, reconhecendo a importância do trabalho da psicóloga Regina nas decisões de Felipão.

Regina acompanha Felipão em suas equipes desde o tempo do Grêmio. A combinação de seu trabalho, com o comando do treinador, resultou em resultados importantes com o time gaúcho. Felipão conquistou oito títulos com o Grêmio, incluindo a Copa do Brasil de 94, a Libertadores de 95 e o Brasileiro de 96, e quatro com o Palmeiras, entre eles a Libertadores de 99.

Uma das principais atribuições da psicóloga em seu trabalho com as equipes é elaborar os perfis dos jogadores e das comissões técnicas das equipes. Com isso, os técnicos descobrem a melhor forma de lidar com cada um de seus atletas, poupando desgastes desnecessários. "Não adianta achar que falando igual com todo mundo, vai dar o mesmo resultado", admite Lula. "O treinador tem que atingir o coração do jogador".

Antes de chegar aos perfis, a psicóloga faz entrevistas, aplica testes e tem várias conversas com o grupo. O sistema de trabalho não é novidade para Lula, que já contou com o trabalho da própria Regina no COC/Ribeirão, equipe que dirige nos torneios nacionais, e na seleção juvenil, que dirigiu no Mundial de 99. O projeto agora é levar este recurso extra também aos adultos. "Gostaríamos de fazer um trabalho permanente, começando desde a base. Estamos vendo com o Grego (Gerasime Bozikis, presidente da Confederação Brasileira de Basquete) e já conversei com ela sobre isto. Mas tudo depende, porque ela está trabalhando com o Felipão em Portugal".

Com a difícil tarefa de disputar vagas para Atenas contra Estados Unidos, Argentina, Canadá, Porto Rico e Venezuela, Lula reconhece que os resultados de um trabalho de apoio psicológico podem não surgir nesta temporada, que inclui ainda a disputa dos Jogos Pan-americanos, Sul-americano e Super Four. "Talvez não dê para fazer tudo isto agora. Mas para o futuro...", diz, reafirmando sua confiança na classificação brasileira. "Temos esperança de nos classificar e acho que vamos conseguir a vaga", garante.

Se o basquete conseguir repetir a trajetória do futebol, as chances existem. A seleção de Felipão também embarcou para o Mundial desacreditada. O time quase não se classificou para o torneio, garantindo a vaga apenas na última rodada, com uma vitória sofrida sobre a Venezuela.

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