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27/07/2003
Foto Djalma Vassão/Gazeta Press

Por Marta Teixeira

Elas são jovens, mas não têm medo quando pensam na responsabilidade que vão herdar. As jogadoras da seleção brasileira feminina sub-21 de basquete disputam o 1º Campeonato Mundial da categoria em Sibenik, Croácia, conscientes de que poderão ser as novas caras da equipe adulta e que vão receber como herança a tradição de ser uma das principais equipes do cenário mundial da modalidade.

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A internacional Érika: adulta e sub-21

Para algumas, fazer papel de veterana não é novidade. A pivô Érika, 21 anos, é o exemplo mais evidente. Desde a temporada passada, divide seu tempo entre a equipe de base e a seleção adulta, com a qual disputou o Campeonato Mundial na China. Seu talento e qualidade levaram a atleta a várias experiências internacionais, com passagem no basquete norte-americano e europeu. Apesar disso, ela optou por não voltar para a WNBA e ir com a seleção sub-21 no Mundial.

"Valeu a pena ficar com a seleção. Lá (Estados Unidos) eu ia ganhar dinheiro, aqui ganho experiência", afirma a jogadora em um sinal claro de amadurecimento. Depois das andanças internacionais, Érika está segura que a saída pelo aeroporto só vale a pena com algum amadurecimento. "Eles (WNBA) não têm a mesma paciência para ensinar. Se você não tiver a base, não vale muito a pena ir lá fora", garante a jogadora, que começou no esporte com 15 anos.

Na opinião de Érika, mesmo as jogadoras que não tiveram o privilégio de atuar na equipe principal do Brasil também tiveram experiências importantes, na última temporada, e amadureceram. "O grupo todo evoluiu bastante. Nem todas têm a oportunidade de estar com a seleção adulta, mas estão em competições difíceis. O Brasileiro é quase um Mundial", exagera.

Foto Djalma Vassão/Gazeta Press
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Fabiana: titular no nacional e confiança na seleção

Sem passagens pelo exterior, mas com a experiência de ter defendido o São Caetano como titular no Campeonato Paulista, a armadora Fabiana, 20 anos, é um dos exemplos de amadurecimento na última temporada nacional. "Fizemos jogos contra Adrianinha, Cíntia (ambas da seleção adulta) e sei que evolui muito", afirma a jogadora, que passou por uma cirurgia no joelho antes do Nacional e chegou a preocupar o técnico Paulo Bassul na estréia do Mundial por causa de uma torção no tornozelo.

A pivô Kátia Regina, 20 anos, também foi titular no Santo André e é outra que garante ter aproveitado bem a experiência. "Fiquei mais confiante para chegar mais preparada à seleção", assegura. O trabalho defensivo foi onde ela identificou sua principal melhoria. Mas não é na evolução individual que as meninas do Brasil apostam suas fichas. Elas dizem que o sucesso da equipe vai ser fruto do conjunto e do entrosamento e neste último quesito, a seleção não tem do que reclamar.

"Este grupo está junto há muito tempo. Desde a seleção cadete", lembra Fabiana. "Está mais maduro e trabalhamos pesado para ficar entre os quatro melhores", garante. Kátia Regina faz planos ainda mais ambiciosos mesmo contando com os adversários. "O grupo evoluiu e com certeza todas (as seleções) evoluíram muito. Mas estamos mais confiantes para este Mundial e vamos trabalhar para chegar à final e ao pódio".

O técnico Bassul também não tem dúvidas do potencial de suas convidadas. "Estou contente com a evolução do grupo, mas estamos conscientes que o campeonato é fortíssimo. Há muitas equipes fortes na competição, mas nenhuma imbatível. E esta evolução do grupo foi suficiente para nos colocar entre as fortes", analisa.

Como prova desta teoria, o Brasil lidera o grupo A do Mundial ao lado de Estados Unidos e França. As primeiras, a seleção venceu na rodada de domingo, dominando o jogo desde o início. Já as francesas foram as únicas, até o momento, que superaram o grupo no Mundial. Na estréia, o Brasil havia passado pelas donas da casa sem dificuldades.

Quanto ao futuro e a uma possível vaga na equipe titular, as meninas do Sub-21 não têm dúvidas. O sonho é possível, mas vai exigir muita dedicação. "Estou tranqüila e preparada", diz a pivô Kátia Regina. "Sei que tenho capacidade suficiente para chegar na equipe principal e cumprir o meu papel", afirma categórica.

Fabiana vê a possibilidade como uma trajetória natural. "A transição vai acontecer naturalmente. Mas sei que ir para o adulto é muito difícil".

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