|
Por Marta Teixeira
Na temporada passada, o ala/pivô Nenê (Denver
Nuggets) era uma estrela solitária representando o
Brasil na NBA. Nesta terça-feira, a temporada 2003/04
começa com presença verde-amarela triplicada
nas franquias da mais importante liga de basquete do mundo.
Além de Nenê, vão disputar o torneio o
armador Leandrinho (Phoenix Suns) e o ala/armador Alex (San
Antonio Spurs). Pode-se dizer que ocorreu exatamente o oposto
do que houve na última temporada do feminino (WNBA),
quando o Brasil baixou de sete representantes (Adrianinha,
Helen, Janeth, Kelly, Cíntia Tuiú, Iziane, Érika),
para apenas três.
| Foto: NBAE/Getty Images/Divulgação |
 |
| Nenê, do Denver Nuggets |
Nenê, o veterano da turma, fez bonito em sua estréia
e terminou na equipe titular dos melhores novatos de 2002/03.
Ele participou do Fim de Semana das Estrelas (All Star Game)
no Desafio dos Rookies e agora quer mais. "Quero participar
de mais um All Star e fazer tudo o que não fiz no ano
passado", diz, definindo seus objetivos.
Os passos iniciais foram dados. Titular no Denver, Nenê
quer melhorar seu jogo dentro do garrafão e continuar
evoluindo em quadra. Para os novos companheiros de liga ele
só tem palavras de incentivo e confiança no
potencial. "Vai depender deles. Se fizerem o que fazem
nos clubes e os dirigentes gostarem deles. Espero que seja
uma invasão (de brasileiros)".
| Foto: NBAE/Getty Images/Divulgação |
 |
| Leandrinho, do Phoenix Suns |
Os novatos têm ainda um longo caminho até estabilizar
um espaço próprio na NBA, mas o início
já foi feito: passar pelo funil de quem fica ou é
dispensado. Leandrinho sabe que o aprimoramento tem de ser
uma meta diária. "A primeira temporada é
de aprendizado e espero poder adquirir muito conhecimento
e experiência neste primeiro ano".
O resultado dos treinos intensos e dos jogos de pré-temporada
ele já começa a sentir. "Estou conseguindo
um bom aproveitamento nos arremessos, especialmente nas bolas
de três pontos. Outra coisa que aprendi bastante foi
em relação à marcação.
Trabalhamos duro na parte física e tática, aprendi
muitos detalhes de jogo com os técnicos e companheiros.
São coisas pequenas, que unidas fazem com que o meu
jogo melhore".
Na temporada passada, o time chegou à primeira fase
dos playoffs e quer melhorar este rendimento. Para isso, o
técnico Frank Johnson quer muita velocidade e contra-ataque.
Um estilo de jogo que não poderia ser mais adequado
a Leandrinho.
Ao contrário dos outros dois brasileiros (selecionados
no draft), Alex precisou passar pela prova de fogo dos training
camps. Como se não bastasse, ainda foi transferido
da posição dois para a um, ou seja, deixou de
atuar como ala para se tornar armador.
Seus desafios não param aí. Há uma semana,
ele quebrou o pé esquerdo e ficará pelo menos
seis semanas afastado das quadras. Apesar disso, seu nome
foi confirmado na equipe pelo técnico Gregg Poppovic
e ele conta com o apoio dos companheiros de grupo.
"Alex fez um trabalho impressionante nas partidas de
pré-temporada e no campo de treinamento", afirma
o armador Manu Ginóbili. "Na base de esforço,
ganhou um lugar na equipe. O técnico gosta muito de
seu trabalho. Teve um problema que o impede de jogar por algumas
semanas, mas com certeza já é parte desta equipe",
garante o argentino.
Assim como coube a Nenê dar a primeira prova que os
brasileiros tinham nível para atuar na NBA, a trinca
tem agora a responsabilidade de ampliar este espaço.
"É uma responsabilidade, mas eu, o Alex e o Nenê
estamos nos preparando bem para a temporada, objetivando atuar
da melhor maneira possível. No futuro, certamente,
teremos outros brasileiros jogando por aqui", garante
Leandrinho.
As expectativas não são exagero porque não
faltam brasileiros na mira da NBA. A lista é encabeçada
pelos pivôs Anderson Varejão e Tiago Splitter,
ambos no basquete espanhol atualmente. Os especialistas colocam
ambos na relação de escolhas para uma primeira
rodada do draft.
Anderson, depois de retirar seu nome da lista em dois anos
consecutivos, deve ir até o fim do processo deste ano.
Splitter é uma aposta para 2005. A relação
conta ainda com o pivô Baby (Rafael) Araújo,
que joga na liga universitária norte-americana e com
outros nomes que também buscam seu espaço nos
times das universidades para chegar mais perto da NBA.
Mas a ambição de fazer parte de uma das competições
mais disputadas da modalidade não é privilégio
de brasileiros. Este ano haverá 11 latinos no torneio:
Carlos Arroyo (Porto Rico) e Raúl López (Espanha)
Utah Jazz, Manu Ginóbilli (Argentina)
San Antonio Spurs, Pau Gasol (Espanha) Memphis Gizzlies,
Eduardo Nájera (México) Dallas Mavericks,
Milt Palacio (Belize) Toronto Raptors, Juan Pepe Sánchez
(Argentina) Golden State Warriors, Daniel Santiago
(Porto Rico) Milwaukee Bucks, e os três brasileiros.
|