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27/10/2003
Temporada de abertura brasileira
Idioma: a barreira extra
Inferno astral dos campeões
Histórico
Campeonato

 

Por Marta Teixeira

Na temporada passada, o ala/pivô Nenê (Denver Nuggets) era uma estrela solitária representando o Brasil na NBA. Nesta terça-feira, a temporada 2003/04 começa com presença verde-amarela triplicada nas franquias da mais importante liga de basquete do mundo. Além de Nenê, vão disputar o torneio o armador Leandrinho (Phoenix Suns) e o ala/armador Alex (San Antonio Spurs). Pode-se dizer que ocorreu exatamente o oposto do que houve na última temporada do feminino (WNBA), quando o Brasil baixou de sete representantes (Adrianinha, Helen, Janeth, Kelly, Cíntia Tuiú, Iziane, Érika), para apenas três.

Foto: NBAE/Getty Images/Divulgação
Nenê, do Denver Nuggets

Nenê, o veterano da turma, fez bonito em sua estréia e terminou na equipe titular dos melhores novatos de 2002/03. Ele participou do Fim de Semana das Estrelas (All Star Game) no Desafio dos Rookies e agora quer mais. "Quero participar de mais um All Star e fazer tudo o que não fiz no ano passado", diz, definindo seus objetivos.

Os passos iniciais foram dados. Titular no Denver, Nenê quer melhorar seu jogo dentro do garrafão e continuar evoluindo em quadra. Para os novos companheiros de liga ele só tem palavras de incentivo e confiança no potencial. "Vai depender deles. Se fizerem o que fazem nos clubes e os dirigentes gostarem deles. Espero que seja uma invasão (de brasileiros)".

Foto: NBAE/Getty Images/Divulgação
Leandrinho, do Phoenix Suns

Os novatos têm ainda um longo caminho até estabilizar um espaço próprio na NBA, mas o início já foi feito: passar pelo funil de quem fica ou é dispensado. Leandrinho sabe que o aprimoramento tem de ser uma meta diária. "A primeira temporada é de aprendizado e espero poder adquirir muito conhecimento e experiência neste primeiro ano".

O resultado dos treinos intensos e dos jogos de pré-temporada ele já começa a sentir. "Estou conseguindo um bom aproveitamento nos arremessos, especialmente nas bolas de três pontos. Outra coisa que aprendi bastante foi em relação à marcação. Trabalhamos duro na parte física e tática, aprendi muitos detalhes de jogo com os técnicos e companheiros. São coisas pequenas, que unidas fazem com que o meu jogo melhore".

Na temporada passada, o time chegou à primeira fase dos playoffs e quer melhorar este rendimento. Para isso, o técnico Frank Johnson quer muita velocidade e contra-ataque. Um estilo de jogo que não poderia ser mais adequado a Leandrinho.

Ao contrário dos outros dois brasileiros (selecionados no draft), Alex precisou passar pela prova de fogo dos training camps. Como se não bastasse, ainda foi transferido da posição dois para a um, ou seja, deixou de atuar como ala para se tornar armador.

Seus desafios não param aí. Há uma semana, ele quebrou o pé esquerdo e ficará pelo menos seis semanas afastado das quadras. Apesar disso, seu nome foi confirmado na equipe pelo técnico Gregg Poppovic e ele conta com o apoio dos companheiros de grupo.

"Alex fez um trabalho impressionante nas partidas de pré-temporada e no campo de treinamento", afirma o armador Manu Ginóbili. "Na base de esforço, ganhou um lugar na equipe. O técnico gosta muito de seu trabalho. Teve um problema que o impede de jogar por algumas semanas, mas com certeza já é parte desta equipe", garante o argentino.

Assim como coube a Nenê dar a primeira prova que os brasileiros tinham nível para atuar na NBA, a trinca tem agora a responsabilidade de ampliar este espaço. "É uma responsabilidade, mas eu, o Alex e o Nenê estamos nos preparando bem para a temporada, objetivando atuar da melhor maneira possível. No futuro, certamente, teremos outros brasileiros jogando por aqui", garante Leandrinho.

As expectativas não são exagero porque não faltam brasileiros na mira da NBA. A lista é encabeçada pelos pivôs Anderson Varejão e Tiago Splitter, ambos no basquete espanhol atualmente. Os especialistas colocam ambos na relação de escolhas para uma primeira rodada do draft.

Anderson, depois de retirar seu nome da lista em dois anos consecutivos, deve ir até o fim do processo deste ano. Splitter é uma aposta para 2005. A relação conta ainda com o pivô Baby (Rafael) Araújo, que joga na liga universitária norte-americana e com outros nomes que também buscam seu espaço nos times das universidades para chegar mais perto da NBA.

Mas a ambição de fazer parte de uma das competições mais disputadas da modalidade não é privilégio de brasileiros. Este ano haverá 11 latinos no torneio: Carlos Arroyo (Porto Rico) e Raúl López (Espanha) – Utah Jazz, Manu Ginóbilli (Argentina) – San Antonio Spurs, Pau Gasol (Espanha) – Memphis Gizzlies, Eduardo Nájera (México) – Dallas Mavericks, Milt Palacio (Belize) –Toronto Raptors, Juan Pepe Sánchez (Argentina) – Golden State Warriors, Daniel Santiago (Porto Rico) – Milwaukee Bucks, e os três brasileiros.

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