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Expansão tenta fugir do balão
de ensaio
Por
Marta Teixeira
Com um estado a mais na competição, o Campeonato
Nacional masculino de basquete começa a ser disputado
neste domingo, reunindo 16 equipes. A nova praça na
competição é Brasília, representada
pelo Universo/DF. O sul também reserva surpresas com
o URB/Adeblu, conquistando a vaga por Santa Catarina.
A equipe brasiliense, mais uma ligada à rede de ensino
Salgado Filho (Universo, que patrocina diretamente três
equipes Unit, Ajax e Brasília - e é parceiro
em outros dois Minas e Campos), conseguiu sua classificação
através da Supercopa Brasil. Os catarinenses desbancaram
o Bandeirante, que representou o estado nas duas últimas
edições do torneio. As novas caras no Nacional,
simbolizam o movimento de expansão das fronteiras da
modalidade, que ultrapassaram os limites de São Paulo,
Rio de Janeiro e, mais recentemente, Minas Gerais.
Paraná e Goiás firmaram-se como novos centros,
enquanto Brasília tenta resgatar uma tradição
que andava esquecida, mas rendeu ao país nomes como
o Mão Santa Oscar - que tomou gosto pelo esporte jogando
no Unidade Vizinhança -, Santa Catarina, terra de uma
das sensações da nova geração
de talento, o pivô Tiago Splitter, tenta trilhar um
novo caminho. "Esta é a primeira temporada da
nova estrutura (do clube). Estamos trabalhando com todas as
categorias e nosso objetivo é massificar novamente
o basquete na cidade", explica o técnico Sérgio
Cardoso, que busca em projetos recentes o exemplo de eficiência.
"A gente pega como exemplo cidades fora de São
Paulo como Uberlândia, Londrina, Ulbra, Casa Branca.
Projetos que se solidificaram", explica.
Programa de longo prazo também é o ideal da
Ulbra, como explica o técnico e supervisor da equipe
Ricardo Mancuso. Para ele, não adianta a equipe surgir
do nada e em um ano fazer um investimento tremendo no time
principal e parar o trabalho por aí. A prioridade tem
de ser crescer com constância para chegar ao nível
que o clube tem hoje em esportes como vôlei e futsal:
com tradição na camisa e apelo junto à
torcida.
Nacional de longo prazo
A preocupação em fugir dos balões de
ensaio equipes que surgem com força total em
um momento e depois desaparecem faz com que o técnico
do Corinthians/Mogi, Carlos Alberto Rodrigues, defende um
Nacional de longo prazo. "Sempre defendi que o Nacional
poderia começar em setembro e terminar na época
que termina hoje (junho). Nas primeiras fases teria um jogo
por semana e os estaduais poderiam seguir como são
hoje, com jogos em outro dia", explica.
Para Carlão, o modelo, que é utilizado atualmente
na Europa as equipes disputam simultaneamente os campeonatos
nacionais e a Euroliga, além de outros torneios mais
rápidos, como a Copa do Rei na Espanha -, seria uma
maneira de comprometer equipes com um projeto duradouro.
"Garantiria estabilidade de emprego e não teríamos
equipes que ficam seis meses sem gastar e depois correm atrás
de jogadores que nós formamos. O que acaba prejudicando
o trabalho dos outros e São Paulo acaba sendo o grande
prejudicado", diz o treinador.
Carlão usa ainda o argumento mercadológico para
fundamentar sua idéia. "Um Nacional mais longo
também garantiria mais visibilidade aos patrocinadores
como acontece no mundo inteiro. (O torneio) seria muito mais
disputado e garantiria estabilidade acima de tudo" .
Mas para o presidente da Confederação Brasileira
de Basquete (CBB), Gerasime Grego Bozikis, tal proposta não
é viável. "Temos campeonatos estaduais
fortes e que merecem continuar assim. Já temos um calendário",
diz.
Já a preocupação sobre a constância
dos projetos de basquete não é exclusividade
paulista. O técnico do Tijuca/Del Valle, Roberto de
Almeida, o Betinho, faz questão de ressaltar que a
proposta da equipe vai na contramão do que foi feito
no Rio temporadas atrás. "Fizeram trabalho em
cima de grandes nomes e tiveram a imagem diminuída
por não pagar". O preço pela técnica
de trabalho foi uma crise profunda, que levou à extinção
de algumas equipes tradicionais. Agora, ele garante que a
mentalidade é outra com enfoques diferenciados nas
equipes que vão representar o estado no Nacional. "A
gente precisa massificar o basquete do Rio. Campos é
um time de cidade, Flamengo, de massa e o Tijuca é
um clube social, que permite uma redução de
custo".
Mas a massificação, que também é
o foco de Carneiro em Santa Catarina, exige cuidados para
resultado. "O basquete precisa de duas coisas: massificar,
unindo quantidade com qualidade, e profissionalismo. Temos
três pólos bem estruturados, mas profissionalismo
tem que envolver mais dinheiro", avisa.
Em contrapartida à entrada de mais uma região
no Nacional, São Paulo perdeu uma de suas vagas e terá
apenas seis representantes. Isso fez com que a briga por um
lugar no Nacional ficasse mais acirrada no mais disputado
campeonato estadual do país.
"Com uma vaga a menos as dificuldades aumentaram bastante",
diz o técnico do Liberty Seguros/Casa Branca, Marco
Antônio Aga. A prova foi que a última vaga paulista
no torneio só foi definida na última rodada
de classificação do estadual. "Agora vamos
para a Liga que é uma competição muito
forte. No Paulista tínhamos quatro favoritos e nove
times na briga. Agora, serão dez favoritos e seis times
na briga".
A dança das cadeiras
A edição 2004 do Campeonato Nacional masculino
de basquete não tem como única novidade o surgimento
de núcleos do esporte fora do eixo São Paulo-Rio
e, mais recentemente, Minas Gerais. Equipes tradicionais do
torneio também vão para a disputa com novidades.
Apontado como um dos favoritos, o Universo BH/Minas é
um dos que passou pela maior transformação.
Dos cinco titulares da temporada passada ficou apenas o pivô
Aylton. "A gente sabe que vai ser difícil. O minas
de uma profunda reformulação", diz o técnico
Flávio Davis Furtado.
Outro quadrifinalista de 2003 também mexeu no grupo.
O Uniara/Araraquara perdeu três jogadores, o pivô
Adriano, que foi para o Flamengo, o armador Ricardo Giannechini,
que deve ir para Franca, e o pivô André Bambu,
que fechou com o Universo/Goiás. O único reforço
é o armador norte-americano Courtney Eldridge.
A saída mais comprometedora é, sem dúvida,
a de Bambu que era titular. Para o seu lugar existe a possibilidade
de Araraquara contratar um norte-americano. "Vai depender
do resultado da ressonância do Edvaldo", explica
o técnico Tom Zé. "Se não precisar
fazer artroscopia, o time é esse mesmo".
As mudanças de última hora não preocupam
Tom Zé, que pretende usar jogadores das categorias
de base para as substituições. "Com certeza
vamos começar mais fortes que no ano passado porque
os meninos já têm um ano de experiência",
diz, referindo-se à formação da temporada
passada que também mudou às vésperas
da competição.
Fora do grupo principal as mudanças também foram
grandes. Retornando ao nacional depois de cinco anos, o Tijuca
reforçou seu grupo em relação ao Estadual.
A equipe que desbancou o Vasco da Gama na luta pela terceira
vaga carioca (as outras ficaram com Campos e Flamengo, respectivamente,
campeão e vice) trouxe seis reforços, o principal
deles o armador Ricardinho (ex-Vasco). Do alvinegro vieram
também Wagner e Maicon. No Flamengo, o técnico
Roberto de Almeida, o Betinho, foi buscar Douglas e Marcelão.
O último reforço foi Luís Fernando Helminsky
(ex-São Caetano).
Quem também vai tentar a volta por cima depois de
um desmanche é o Liberty/Casa Branca, que perdeu cinco
jogadores do Estadual. "Perdemos cinco por problemas
financeiros. Todos ficariam até o final da temporada,
mas receberam ótimas propostas e não temos o
direito de atrapalhar", diz o técnico Marco Antônio
Aga.
Do grupo que conquistou o oitavo lugar no Paulista ficaram
apenas Té, Murilo Jordão, Acari, Daniel Amaral
e Paulinho Cheidde. Os reforços vieram de fora. "Contratamos
dois armadores: Alê (ex-São Caetano), Cauê
(ex-Santos), os alas Fischer (ex-Hebraica) e Gustavo (ex-Unit),
Atílio e Rapa (ex-Limeira). "O time ainda estuda
a contratação de outros dois reforços:
um pivô e um ala.
Quem também buscou reforços fora de casa foram
os catarinenses do URB/Adeblu. Eles contrataram o veterano
ala norte-americano Charles Byrd e o pivô Emeka Okewa,
que estréia no Brasil.
Na sexta-feira, a temporada de anúncio de reforços
chegou ao fim com a contratação do armador Demétrius
e do ala Marquinhos pelo Corinthians/Mogi.
Nacional sem Olimpíada
A temporada do basquete brasileiro não vai ser completa
em 2004. Em agosto, quando todas as atenções
estiverem voltadas para os Jogos Olímpicos de Atenas,
os jogadores nacionais terão de acompanhar o torneio
apenas pela televisão.
Mas para os técnicos do Nacional, isso só acrescenta
valor à competição.
O técnico Aluísio Ferreira, o Lula, responsável
pela seleção brasileira e pelo time do COC/Ribeirão
acha que, até por não estar nas Olimpíadas
o Nacional tem de ser mais valorizado.
Principal vitrine dos atletas que sonham em chegar à
seleção, o torneio também recebe distinção
especial do técnico Flávio Davis Furtado, responsável
pelo Universo BH/Minas. "São duas coisas separadas.
Nosso campeonato tem vida própria, dá ritmo,
revela novos jogadores", destaca.
A luta por uma oportunidade no próximo ciclo olímpico
acaba sendo o grande motivador para quem está na quadra.
"Há muita expectativa, até porque temos
o Sul-americano este ano", lembra Flávio Davis.
"Iniciamos um novo ciclo. Demos o primeiro passo no ano
passado. Fica um gostinho de que podia estar lá (Atenas),
mas será que o Nacional perde o interesse por não
estar? Não. Se coloca muito o foco em uma única
competição. Temos que trabalhar para tudo".
Se não carimbou o passaporte para os Jogos Gregos,
a seleção brasileira não ficará
totalmente fora do circuito internacional. Em julho, a equipe
disputa o Sul-americano no Rio de Janeiro. "Vamos enfrentar
a Argentina completa", diz Grego.
Depois, a equipe ainda participa do torneio Super Four e
encara Espanha e Grécia no Torneio Acrópoles,
na Grécia. Tudo já de olho no próximo
Mundial.
Novidades na competição
Ficar restrita às transmissões em canal por
assinatura era uma das grandes queixas de quem disputava o
Campeonato Nacional masculino de basquete. Em 2004, o problema
foi solucionado com o contrato feito com a Rede TV, emissora
de sinal aberto que transmite para todo o país. A rede
vai transmitir um jogo por semana, sempre nos domingos, às
11 horas. A Sportv mantém a cobertura tradicional do
torneio no canal fechado.
O Nacional também apresenta novidades na parte de
estatísticas. Nesta edição haverá
65 rankings, incluindo um de eficiência, que classificará
o melhor jogador por partida, semana e fase, atendendo a uma
solicitação antiga das equipes.
Para o presidente da CBB, Grego, o 15º Nacional vai
provar que há razões para crescer o otimismo
em relação ao desenvolvimento do basquete. "Vamos
ter uma competição com 15 cidades diferentes
e 32 patrocinadores entre eles seis prefeituras, um
governo estadual, 14 empresas privadas e seis fornecedores.
Temos porque ficar mais otimistas. O produto basquete está
crescendo", comemora.
Confira a programação completa da primeira
rodada de jogos do Nacional:
11 horas Universo/Ajax x Tijuca/Del Valle Ginásio
do Rio Vermelho (Rede TV )
COC/Ribeirão Preto x Liberty Seguros/Casa Branca
Ginásio da UNICOC
11h30 Flamengo/Petrobras x Paulistano/UNIFMU
Ginásio do Tijuca (Sportv)
15h30 Unit/Uberlândia x ACF Campos/Universo
Ginásio do Uberlândia (Sportv)
17 horas Universo/DF x Sport Ulbra Ginásio
da ASCEB
18 horas Franca Basquete x Universo BH/Minas
Ginásio Pedrocão
Londrina/TIM x Uniara/Araraquara Ginásio Moringão
URB/Adeblu x Corinthians/UMC Ginásio Galegão
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