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Por Marta Teixeira
26 de dezembro de 1997: a pivô Alessandra assinou seu
primeiro contrato internacional para jogar na Europa.
De lá para cá, ela nunca mais defendeu um time brasileiro.
Em suas andanças pelo exterior atuou na Itália, Estados
Unidos, Eslováquia, Hungria e Coréia do Sul e reuniu
informações que poderão ser valiosíssimas para o técnico
Antonio Carlos Barbosa na seleção brasileira.
Alessandra
é uma das 15 jogadoras que se prepara para os Jogos
Olímpicos de Atenas, em agosto. Há dez anos, a pivô
é presença garantida na seleção em todos os torneios
importantes e, além de ajudar a equipe nas quadras,
pode ser uma fonte com conhecimento de causa das seleções
adversárias.
'Conheço quase todas as pivôs que vão estar lá', reconhece.
As informações são compartilhadas com a comissão técnica,
garante. 'Eu falo para ele (Barbosa) o que sei sobre
elas'.
Mesmo com os segredos e particularidades que conhece
das adversárias, Alessandra acha que a tarefa brasileira
em Atenas não vai ficar mais simples. 'Todas as Olimpíadas
são complicadas e difíceis', destaca. 'Qualquer adversário
pode ganhar força pela perseverança'.
No papel e historicamente, a pivô acha que corre por
fora a representante africana no torneio, a Nigéria.
O país faz sua primeira participação olímpica, mas tem
trabalhado firme para surpreender. Fazendo sua preparação
olímpica na Europa, a equipe disputou amistosos contra
a Alemanha e tem no calendário jogos confirmados contra
Sérvia e Montenegro, e Turquia.
Tudo isso comprova a opinião de Alessandra de que
em Olimpíadas qualquer deslize custa caro. 'Não podemos
dormir no ponto. Teoricamente o mais fraco é o continente
africano, mas não é assim. Todos têm seu mérito para
estar nas Olimpíadas'.
O fato de dez das convocadas atuarem regularmente
no exterior, oito com experiência nos Estados Unidos,
é apontado como uma vantagem a mais para o grupo. 'Tivemos
uma evolução boa nos últimos anos jogando fora. Geograficamente,
o Brasil é muito longe e não temos intercâmbio regular.
Na Europa você joga praticamente toda semana contra
grandes equipes internacionais'.
Mas o mesmo privilégio da seleção brasileira outras
também têm. Austrália, Rússia e Espanha têm jogadoras
na WNBA. Mesmo a Nigéria conta com atletas em Ligas
menos importantes do país e na Europa. 'O crescimento
dos outros países também é constante', lembra Alessandra.
Em sua permanência na seleção, a pivô acompanhou a
chegada de três gerações ao time e acredita que nessa
preparação, a equipe está conquistando uma uniformidade
inédita em tempos recentes. 'Esse treinamento está sendo
bem proveitoso, estamos conseguindo treinar bem. Estamos
conseguindo dar uma identidade para um grupo que vem
de todas as partes', comemora.
A seleção brasileira começou a treinar dia 7 de junho,
em São Paulo. Essa semana, a equipe transferiu sua base
para o Rio de Janeiro, onde enfrenta o time cubano em
dois amistosos, a partir desse sábado.
Em Atenas, o Brasil lutará por sua terceira medalha
olímpica, pensando em um ouro inédito. O grupo foi prata
em Atlanta-96 e bronze em Sydney-2000, Alessandra participou
das duas conquistas e na Austrália foi de suas mãos
que saiu a cesta decisiva na vitória sobre a Rússia,
que levou a seleção às semifinais.
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