Untitled Document
01/07/2004

Montagem  sobre fotos  de Wander Roberto/CBB/Divulgação

Por Marta Teixeira

26 de dezembro de 1997: a pivô Alessandra assinou seu primeiro contrato internacional para jogar na Europa. De lá para cá, ela nunca mais defendeu um time brasileiro. Em suas andanças pelo exterior atuou na Itália, Estados Unidos, Eslováquia, Hungria e Coréia do Sul e reuniu informações que poderão ser valiosíssimas para o técnico Antonio Carlos Barbosa na seleção brasileira.

Foto  Wander Roberto/CBB/DivulgaçãoAlessandra é uma das 15 jogadoras que se prepara para os Jogos Olímpicos de Atenas, em agosto. Há dez anos, a pivô é presença garantida na seleção em todos os torneios importantes e, além de ajudar a equipe nas quadras, pode ser uma fonte com conhecimento de causa das seleções adversárias.

'Conheço quase todas as pivôs que vão estar lá', reconhece. As informações são compartilhadas com a comissão técnica, garante. 'Eu falo para ele (Barbosa) o que sei sobre elas'.

Mesmo com os segredos e particularidades que conhece das adversárias, Alessandra acha que a tarefa brasileira em Atenas não vai ficar mais simples. 'Todas as Olimpíadas são complicadas e difíceis', destaca. 'Qualquer adversário pode ganhar força pela perseverança'.

No papel e historicamente, a pivô acha que corre por fora a representante africana no torneio, a Nigéria. O país faz sua primeira participação olímpica, mas tem trabalhado firme para surpreender. Fazendo sua preparação olímpica na Europa, a equipe disputou amistosos contra a Alemanha e tem no calendário jogos confirmados contra Sérvia e Montenegro, e Turquia.

Tudo isso comprova a opinião de Alessandra de que em Olimpíadas qualquer deslize custa caro. 'Não podemos dormir no ponto. Teoricamente o mais fraco é o continente africano, mas não é assim. Todos têm seu mérito para estar nas Olimpíadas'.

O fato de dez das convocadas atuarem regularmente no exterior, oito com experiência nos Estados Unidos, é apontado como uma vantagem a mais para o grupo. 'Tivemos uma evolução boa nos últimos anos jogando fora. Geograficamente, o Brasil é muito longe e não temos intercâmbio regular. Na Europa você joga praticamente toda semana contra grandes equipes internacionais'.

Mas o mesmo privilégio da seleção brasileira outras também têm. Austrália, Rússia e Espanha têm jogadoras na WNBA. Mesmo a Nigéria conta com atletas em Ligas menos importantes do país e na Europa. 'O crescimento dos outros países também é constante', lembra Alessandra.

Em sua permanência na seleção, a pivô acompanhou a chegada de três gerações ao time e acredita que nessa preparação, a equipe está conquistando uma uniformidade inédita em tempos recentes. 'Esse treinamento está sendo bem proveitoso, estamos conseguindo treinar bem. Estamos conseguindo dar uma identidade para um grupo que vem de todas as partes', comemora.

A seleção brasileira começou a treinar dia 7 de junho, em São Paulo. Essa semana, a equipe transferiu sua base para o Rio de Janeiro, onde enfrenta o time cubano em dois amistosos, a partir desse sábado.

Em Atenas, o Brasil lutará por sua terceira medalha olímpica, pensando em um ouro inédito. O grupo foi prata em Atlanta-96 e bronze em Sydney-2000, Alessandra participou das duas conquistas e na Austrália foi de suas mãos que saiu a cesta decisiva na vitória sobre a Rússia, que levou a seleção às semifinais.

Gazeta Esportiva.Net © Todos os direitos reservados à Gazeta Esportiva.Net