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9/11/05

Por Marta Teixeira

Quem disse que santo de casa não faz milagre? Na família Barbosa foi o exemplo do armador Leandrinho que motivou Eduardo e Ricardo a definirem suas metas para o futuro: jogar na NBA. Para atingir o objetivo, seguem a mesma fórmula utilizada pelo tio: os conselhos de Artur Carlos, irmão de Leandrinho e pai da dupla de aspirantes.

“Sempre digo para eles que não é pelo nome do tio que vão conseguir nada. Tem que suar a camisa”, avisa o ‘general’. O apelido, usado pelo irmão e por amigos deixa claro que, com Artur, a conversa tem que ser séria.

Foto NBA/Divulgação

Em sua terceira temporada na NBA, Leandrinho (à direita) avisa aos sobrinhos que não podem viver à sua sombra

A exemplo de Leandrinho, os dois sobrinhos entraram cedo nas quadras. Ricardo, 11 anos, começou com 7 e sempre soube que gostava de basquete. Com Eduardo, a história foi diferente. “Gostava mesmo de futebol”, confessa o ex-ala, que mudou de clube para se descobrir como armador. Assistindo aos jogos do tio e aos treinos que o pai fazia com o irmão acabou rendendo-se ao vício da família aos 9 anos. Hoje, a dupla defende as equipes de A Hebraica. Ricardo no pré-míni, Eduardo no míni e incorporou a postura do pai para tratar da relação entre o tio e o basquete.

“Eles nem falam muito sobre isso”, afirma o técnico do míni Luiz Otávio Barão Negretti, sem esconder que a admiração dos sobrinhos se revela nos detalhes. “Os dois têm bastante espelho no tio. Tentam imitar alguns movimentos específicos, mas a gente lembra que não está na hora ainda. A NBA tem um jogo mais individual e aqui é mais coletivo”.

Atuando na mesma posição de Leandrinho, o que não falta a Eduardo é incentivo. “Ele é bastante explosivo, inteligente e faz muitas assistências. Ele também vai bastante para a cesta”, elogia Negretti.

O tio não fica atrás. “O Eduardo tem uma habilidade muito boa, lembra eu quando tinha a mesma idade”, compara, mas Leandrinho não fica só no passar de mão na cabeça. “Mas ele tem que procurar mais a cesta. Digo sempre que ele tem que pensar mais rápido que o defensor. Já o Ricardo não tem esse problema”. O caçula, chamado de raçudo pelo tio, parece ser mesmo destemido e garante não se intimidar nem contra adversários maiores. “Não tenho medo, é normal”.

A metodologia de Artur com a dupla é a mesma que funcionou com Leandrinho. Assim, vez por outra, lá estão os meninos enfrentando jogadores mais velhos. “Quando era pequeno, eu não gostava”, confessa Eduardo. “Nem queria ir, mas vi a evolução dele (Ricardo) e agora vou”.

Apesar do método semelhante, Leandrinho acha que a história não é exatamente a mesma. “Meu irmão faz o mesmo processo que fez comigo, mas não tão forte quanto era”, compara. “Querendo ou não são filhos dele”, diz rindo. “Vendo ele dar um treino, percebi que não é a mesma coisa”.

Seguir a carreira do tio e se expor às cobranças decorrentes disso não perturba Eduardo. “Dizem que temos o mesmo estilo, mas não ligo (para as comparações)”.

De Leandrinho, além de incentivo e conselhos, recebem treinos esporádicos nas férias e, claro, lembranças da NBA. Têm tênis, camisetas, pôsteres, já foram assistir a jogos nos Estados Unidos e viram de perto alguns de seus ídolos. Mas demonstram não ter se deslumbrado. “É legal”, resume Ricardo, talvez por conta das palavras do tio. “Todo mundo tem condição de jogar na NBA, depende de querer. O importante é que eles querem e já estão trabalhando para ser alguém na vida”.

Os treinos - duas horas, três vezes por semana, e mais alguns extras ao lado do pai e do tio -, dividem espaço com os bate-papos com os amigos e os jogos de videogame, passatempos comuns na adolescência. E o técnico Cleiton Ferreira de Oliveira, responsável pelo pré-míni da Hebraica, acha que o equilíbrio é positivo. “Eles têm que trabalhar a concentração, o jogo coletivo, passe, defesa, todas estas coisas porque ainda são muito novos. Mas não podem mesmo exagerar porque tem muito menino que quando chega aos 15, 16 anos pára porque foi cobrado na hora errada”.

Se depender de vontade, contudo, a dupla de novos jogadores tem futuro e já provou estar disposta a pagar o preço pela evolução. Tanto Ricardo quanto Eduardo enfrentaram lesões que encurtaram suas temporadas. O primeiro quebrou o braço em uma subida para a bandeja, ficou quatro meses afastado e só pôde participar de quatro jogos. Eduardo machucou o dedo mínimo da mão direita e ficou pouco mais de um mês parado. Participou de 14 dos 22 confrontos de sua equipe, marcou 96 pontos e ficou em 94º entre os 100 cestinhas da competição, que reuniu 300 atletas.

"Estou visualizando a mesma trajetória (de Leandrinho) para eles", confessa o pai. “Estou começando tudo de novo”, admite. “E usamos o Leandrinho como parâmetro. Se ele conseguiu, eles também podem”. Os meninos demonstram a mesma determinação: "quero jogar na NBA", avisa Ricardo.

.Mas quando o assunto é futuro, tanto o tio quanto o pai dão o alerta. “A gente vê muita gente que tenta viver à sombra de parente famoso e não consegue nada. Lembro sempre que o Leandrinho é um bom exemplo, mas que conseguiu tudo às custas de suor e lágrimas”, afirma Artur. Leandrinho não usa discurso muito diferente. “Eles vêem que trabalho muito e continuo trabalhando. Antigamente, achavam que era fácil, mas estão vendo que não é”.

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