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Por Marta Teixeira
Quem disse que santo de casa não faz milagre? Na família
Barbosa foi o exemplo do armador Leandrinho que motivou Eduardo
e Ricardo a definirem suas metas para o futuro: jogar na NBA.
Para atingir o objetivo, seguem a mesma fórmula utilizada
pelo tio: os conselhos de Artur Carlos, irmão de Leandrinho
e pai da dupla de aspirantes.
Sempre digo para eles que não é pelo
nome do tio que vão conseguir nada. Tem que suar a
camisa, avisa o general. O apelido, usado
pelo irmão e por amigos deixa claro que, com Artur,
a conversa tem que ser séria.
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Foto NBA/Divulgação
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| Em sua terceira temporada na NBA, Leandrinho (à
direita) avisa aos sobrinhos que não podem viver
à sua sombra |
A exemplo de Leandrinho, os dois sobrinhos entraram cedo
nas quadras. Ricardo, 11 anos, começou com 7 e sempre
soube que gostava de basquete. Com Eduardo, a história
foi diferente. Gostava mesmo de futebol, confessa
o ex-ala, que mudou de clube para se descobrir como armador.
Assistindo aos jogos do tio e aos treinos que o pai fazia
com o irmão acabou rendendo-se ao vício da família
aos 9 anos. Hoje, a dupla defende as equipes de A Hebraica.
Ricardo no pré-míni, Eduardo no míni
e incorporou a postura do pai para tratar da relação
entre o tio e o basquete.
Eles nem falam muito sobre isso, afirma o técnico
do míni Luiz Otávio Barão Negretti, sem
esconder que a admiração dos sobrinhos se revela
nos detalhes. Os dois têm bastante espelho no
tio. Tentam imitar alguns movimentos específicos, mas
a gente lembra que não está na hora ainda. A
NBA tem um jogo mais individual e aqui é mais coletivo.
Atuando na mesma posição de Leandrinho, o que
não falta a Eduardo é incentivo. Ele é
bastante explosivo, inteligente e faz muitas assistências.
Ele também vai bastante para a cesta, elogia
Negretti.
O tio não fica atrás. O Eduardo tem uma
habilidade muito boa, lembra eu quando tinha a mesma idade,
compara, mas Leandrinho não fica só no passar
de mão na cabeça. Mas ele tem que procurar
mais a cesta. Digo sempre que ele tem que pensar mais rápido
que o defensor. Já o Ricardo não tem esse problema.
O caçula, chamado de raçudo pelo tio, parece
ser mesmo destemido e garante não se intimidar nem
contra adversários maiores. Não tenho
medo, é normal.
A metodologia de Artur com a dupla é a mesma que funcionou
com Leandrinho. Assim, vez por outra, lá estão
os meninos enfrentando jogadores mais velhos. Quando
era pequeno, eu não gostava, confessa Eduardo.
Nem queria ir, mas vi a evolução dele
(Ricardo) e agora vou.
Apesar do método semelhante, Leandrinho acha que a
história não é exatamente a mesma. Meu
irmão faz o mesmo processo que fez comigo, mas não
tão forte quanto era, compara. Querendo
ou não são filhos dele, diz rindo. Vendo
ele dar um treino, percebi que não é a mesma
coisa.
Seguir a carreira do tio e se expor às cobranças
decorrentes disso não perturba Eduardo. Dizem
que temos o mesmo estilo, mas não ligo (para as comparações).
De Leandrinho, além de incentivo e conselhos, recebem
treinos esporádicos nas férias e, claro, lembranças
da NBA. Têm tênis, camisetas, pôsteres,
já foram assistir a jogos nos Estados Unidos e viram
de perto alguns de seus ídolos. Mas demonstram não
ter se deslumbrado. É legal, resume Ricardo,
talvez por conta das palavras do tio. Todo mundo tem
condição de jogar na NBA, depende de querer.
O importante é que eles querem e já estão
trabalhando para ser alguém na vida.
Os treinos - duas horas, três vezes por semana, e mais
alguns extras ao lado do pai e do tio -, dividem espaço
com os bate-papos com os amigos e os jogos de videogame, passatempos
comuns na adolescência. E o técnico Cleiton Ferreira
de Oliveira, responsável pelo pré-míni
da Hebraica, acha que o equilíbrio é positivo.
Eles têm que trabalhar a concentração,
o jogo coletivo, passe, defesa, todas estas coisas porque
ainda são muito novos. Mas não podem mesmo exagerar
porque tem muito menino que quando chega aos 15, 16 anos pára
porque foi cobrado na hora errada.
Se depender de vontade, contudo, a dupla de novos jogadores
tem futuro e já provou estar disposta a pagar o preço
pela evolução. Tanto Ricardo quanto Eduardo
enfrentaram lesões que encurtaram suas temporadas.
O primeiro quebrou o braço em uma subida para a bandeja,
ficou quatro meses afastado e só pôde participar
de quatro jogos. Eduardo machucou o dedo mínimo da
mão direita e ficou pouco mais de um mês parado.
Participou de 14 dos 22 confrontos de sua equipe, marcou 96
pontos e ficou em 94º entre os 100 cestinhas da competição,
que reuniu 300 atletas.
"Estou visualizando a mesma trajetória (de Leandrinho)
para eles", confessa o pai. Estou começando
tudo de novo, admite. E usamos o Leandrinho como
parâmetro. Se ele conseguiu, eles também podem.
Os meninos demonstram a mesma determinação:
"quero jogar na NBA", avisa Ricardo.
.Mas quando o assunto é futuro, tanto o tio quanto
o pai dão o alerta. A gente vê muita gente
que tenta viver à sombra de parente famoso e não
consegue nada. Lembro sempre que o Leandrinho é um
bom exemplo, mas que conseguiu tudo às custas de suor
e lágrimas, afirma Artur. Leandrinho não
usa discurso muito diferente. Eles vêem que trabalho
muito e continuo trabalhando. Antigamente, achavam que era
fácil, mas estão vendo que não é.
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