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10/12/05
Montagem sobre fotos CBB/Divulgação
Perdas e ganhos

No meio de tanta confusão e desencontros, há quem veja aspectos positivos na cisão atual. “Foram criados mais empregos, muitos juvenis que não teriam chance antes estão jogando na Nossa Liga”, valoriza Chupeta. “Mas em um futuro bem próximo tem que haver a reunificação, para o bem do basquete. Em um primeiro momento há ganho, mas com o tempo você perde”, avalia.

Lula concorda. “Acredito que não há interesse de ninguém em fazer mal para o basquete”. Mas depois desta sacudida na modalidade, uma coisa ficou evidente para alguns: nada mais será como antes.

“Vamos esperar que termine (a temporada com os dois torneios) para fazer um balanço final. Talvez haja uma unificação, mas aí teremos que ter uma liga A e B para não deixar de fora quem começou agora. Foi um beneficio tudo isso, temos mais equipes, mais jogadores e técnicos empregados”, avalia o supervisor do Unitri/Uberlândia, Fernando Larralde.

Por Marta Teixeira

A mais tradicional competição brasileira de basquete começa neste domingo sob a sombra da discórdia. Com 18 clubes, sem o atual dono do título, Telemar, o Campeonato Nacional da Confederação Brasileira de Basquete (CBB) estréia novo sistema de disputa, tentando provar que merece ser o único em seu gênero no país.

Contudo, nos bastidores, aqueles que foram impedidos de se inscrever prometem chegar às últimas conseqüências para garantir o seu direito. Tudo porque a competição organizada pela CBB é a única que pode levar as equipes às disputas que têm aval da Federação Internacional de Basquete (Fiba).

Todo o imbróglio começou com a criação da Nossa Liga de Basquete (NLB), reunindo equipes descontentes com o torneio da CBB. A reação da Confederação foi condicionar a participação em seu Nacional ao compromisso de não disputar torneios semelhantes.

Por conta disso, o próprio regulamento dos Estaduais acabou ignorado. No caso de São Paulo, os quadrifinalistas teriam vaga assegurada, mas com a mudança de regra Winner/Limeira e Uniara/Lupo/Araraquara, que jogam na NLB, ficaram de fora.

A ausência do atual campeão e mesmo de adversários que já provaram sua qualidade nas quadras é encarada com tranqüilidade pelos clubes do Nacional. “Tem que respeitar a decisão deles. Eu nem comento”, diz Aluísio Ferreira, o Lula, técnico do COC/Ribeirão. “Claro que são equipes boas que não vão estar participando, mas tem várias equipes fortes participando”.

Paulo Sampaio, o Chupeta, treinador do Flamengo, representante solitário do Rio de Janeiro, reconhece que a ausência do campeão faz falta. Mas também acha que no Nacional não faltam boas equipes, prometendo uma briga boa na temporada. Sua lista de favoritos é longa, incluindo a renascida Franca – que contratou Hélio Rubens e um grupo de ex-jogadores da seleção -, Ribeirão, Assis, Universo/BRB e suas co-irmãs (Ajax e Uberlândia). “Este ano, vai ser mais competitivo que nunca”, garante.

Dirigente do Telemar e presidente da NLB, o ex-jogador Oscar Schmidt resume em uma frase sua opinião ao veto feito a sua equipe. “É a situação do basquete brasileiro hoje em dia”.

Polêmicas à parte, quem já assegurou sua presença acredita que a edição deste ano promete ser uma das mais disputadas. Desde a última temporada, muitas mudanças ocorreram nas equipes, principalmente nos mais recentes campeões.

Unitri/Uberlândia, vencedor em 2004, está completamente remodelado. Perdeu o técnico Hélio Rubens Garcia, recordista de títulos da competição, e sua base de jogadores. Com o ex-jogador Cadum no comando, o supervisor Fernando Larralde mantém a confiança. “Os resultados estão dizendo isso”, afirma, lembrando a liderança no Campeonato Mineiro. “Estamos mantendo o mesmo esquema de jogo e a equipe já provou que é competitiva em nível internacional”.

O COC/Ribeirão, campeão de 2003, manteve o técnico, mas entra em quadra com um grupo modificado, que tem dado conta do recado no Campeonato Paulista, no qual já é quadrifinalista e teve a terceira melhor campanha na fase classificatória aos playoffs.

Com tantas movimentações nos bastidores, o Nacional de 2005 vai ter caras novas. Americana, Conti/Assis, São Paulo/Santo André e Sport Recife fazem sua primeira participação. Do grupo paulista, apenas Assis obteve a vaga pela classificação no Estadual. Os outros chegam como convidados.

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