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27/02/2008
Arte com foto CBB/Divulgação

Por Marta Teixeira
Foto Divulgação
Aos 18 anos, Michelle volta a vestir o uniforme da seleção brasileira
 
Duplo comando

Paulo Bassul não estará no comando da seleção brasileira nos amistosos porque se dedicará à seleção principal para o Torneio Pré-olímpico Mundial, de 9 a 15 de junho.

Pelo mesmo motivo, Guidetti também cuidará do grupo que disputará o Campeonato Sul-americano, de 23 a 29 de maio, em Loja, no Equador.

A fórmula será utilizada também na seleção masculina. Enquanto o espanhol Moncho Monsalve cuidará do time para o Pré-olímpico na Grécia (de 14 a 20 de julho), outro nome ainda não definido trabalhará com o time do Sul-americano (de 30 de junho a 7 de julho, no Chile).

Aos 15 anos, a irmã do ala/pivô da seleção brasileira Tiago Splitter, Michelle, parecia destinada a seguir os passos do jogador que ganhou destaque internacional ainda na adolescência. Ela já era lembrada nas seleções de base, quando uma notícia inesperada virou do avesso a vida desta catarinense.

Exames de sangue realizados após um mal-estar durante um treinamento constataram que a jogadora estava com leucemia. Durante três anos, ela lutou contra a doença e acalentou o sonho de retornar às competições. Na última temporada, o desejo se realizou.

Com a doença controlada, Michelle voltou ao Campeonato Paulista de 2007, defendendo o Unimed/Americana e, nesta terça-feira, teve seu nome incluído na convocação do técnico César Guidetti para a seleção brasileira, que enfrentará Cuba em quatro amistosos.

As 12 convocadas apresentam-se na próxima semana, em São Paulo, onde treinarão. Os jogos serão disputados entre os dias 10 e 15 de março, em Havana.

A doença de Michelle pegou a família de surpresa e até hoje não se sabe qual foi a origem. “Não tem como descobrir, pode ser genético, estresse...”, disse a jogadora, que nunca havia tido nem anemia.

O diagnóstico inicial de seis meses de tratamento foi se prolongando. “Fiquei com medo”, confessa. “O mais complicado era saber o risco de não poder mais jogar e também pelos meus pais. Mas eu sempre repetia: vou dar um jeito”.

Para se tratar, ela deixou Joinville (SC), onde jogava, e foi para Campinas (SP). A mãe, Elisabeth, a acompanhou. Apesar da constatação que a doença estava em remissão já na segunda sessão quimioterápica, Michelle enfrentou um longo tratamento, passando alguns períodos internada.

Apesar de distante – na Espanha, onde defende o Tau Ceramica -, Tiago manteve contato freqüente com a irmã. “Ele me ajudou muito, ligava todo dia”, lembra. No momento mais crítico da doença, a pivô chegou a perder 17 de seus então 87kg.

A recuperação foi lenta, mas constante. “O começo foi difícil porque não queriam me liberar”. Em julho do ano passado, ela soube que poderia voltar a jogar. A princípio, o maior temor era bater a cabeça, o que poderia provocar uma hemorragia. O recomeço foi em Joinville. “Eles me deram o maior apoio”, agradece.

Pouco tempo depois, chegou a proposta do Americana. A vantagem extra era a proximidade com Campinas, o que facilitaria o acompanhamento médico. Pelo time paulista, Michelle participou de três jogos, marcou 11 pontos e pegou seis rebotes. O suficiente para convencer a comissão técnica nacional que merecia uma nova chance com a camisa do Brasil.

A experiência com a doença levam-na a encarar as situações de maneira diferente. “Não gosto de fazer muitos planos, porque fazia antes e não deram certo”. Mas ao saber que seu nome estava na lista, Michelle confessa uma alegria indescritível. “Não imaginava que isto fosse acontecer. Fiquei muito feliz por acreditarem que posso voltar a jogar e fazer um bom trabalho”.

Vendo a história da pivô, é quase impossível não pensar na situação de outro atleta da seleção brasileira: o ala/pivô Nenê. Diagnosticado com um tumor maligno no início do ano, o jogador do Denver Nuggets teve um dos testículos removido e fez, nesta terça, uma sessão de quimioterapia como medida de prevenção.

Sem data prevista para retornar às quadras, ele é uma incógnita para o Pré-olímpico Mundial, na Grécia. Mas independente de vestir ou não o uniforme já nesta temporada, Michelle acredita que o desfecho de Nenê pode ser tão positivo quanto o seu. ”O importante é que tenha os objetivos dele. Saber se quer mesmo jogar, ter fé em Deus e fazer o tratamento, porque ele consegue. Não há nada impossível”, diz confiante.
As convocadas para os amistosos
Michelle Splitter Pivô 18 anos 1,98m Unimed/Americana (SP)
Flávia Luiza dos Santos Pivô 25 anos 1,87m sem clube
Karina Jacob Pivô 22 anos 1,87m Açúcar Cometa/Unimed/Catanduva (SP)
Tatiana Conceição Pivô 26 anos 1,85m Colchões Castor/FIO/Unimed/Ourinhos (SP)
Izabela de Andrade Ala/Pivô 21 anos 1,82m Colchões Castor/FIO/Unimed/Ourinhos (SP)
Patrícia Ferreira “Chuca” Ala 28 anos 1,80m Colchões Castor/FIO/Unimed/Ourinhos (SP)
Tayara Pesenti Ala 25 anos 1,80m Sport/Maurício de Nassau (PE)
Karen Rocha Ala 23 anos 1,77m Colchões Castor/FIO/Unimed/Ourinhos (SP)
Karla Costa Ala 29 anos 1,73m Açúcar Cometa/Unimed/Catanduva (SP)
Vanessa Gattei Armadora 27 anos 1,69m Colchões Castor/FIO/Unimed/Ourinhos (SP)
Gislaine Paulino “Gigi” Armadora 27 anos 1,69m Sport/Maurício de Nassau (PE)
Natália Burian Armadora 23 anos 1,62m Açúcar Cometa/Unimed/Catanduva (SP)
Média de idade: 24,5 anos Média de altura: 1,79m

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