| Por Marta Teixeira
| Foto Divulgação |
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| Aos 18 anos, Michelle volta a vestir
o uniforme da seleção brasileira |
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| Duplo
comando
Paulo Bassul não estará
no comando da seleção brasileira nos amistosos
porque se dedicará à seleção principal
para o Torneio Pré-olímpico Mundial, de 9 a 15 de junho.
Pelo mesmo motivo,
Guidetti também cuidará do grupo que disputará o Campeonato
Sul-americano, de 23 a 29 de maio, em Loja, no Equador.
A fórmula será utilizada
também na seleção masculina. Enquanto o espanhol Moncho
Monsalve cuidará do time para o Pré-olímpico na Grécia
(de 14 a 20 de julho), outro nome ainda não definido
trabalhará com o time do Sul-americano (de 30 de junho
a 7 de julho, no Chile).
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Aos 15 anos, a irmã do ala/pivô da seleção brasileira Tiago
Splitter, Michelle, parecia destinada a seguir os passos do
jogador que ganhou destaque internacional ainda na adolescência.
Ela já era lembrada nas seleções de base,
quando uma notícia inesperada virou do avesso a vida desta
catarinense.
Exames de sangue realizados após um mal-estar durante um
treinamento constataram que a jogadora estava com leucemia.
Durante três anos, ela lutou contra a doença e acalentou o
sonho de retornar às competições. Na última temporada, o desejo
se realizou.
Com a doença controlada, Michelle voltou ao Campeonato Paulista
de 2007, defendendo o Unimed/Americana e, nesta terça-feira,
teve seu nome incluído na convocação do técnico César Guidetti
para a seleção brasileira, que enfrentará Cuba em quatro amistosos.
As 12 convocadas apresentam-se na próxima semana, em São
Paulo, onde treinarão. Os jogos serão disputados entre
os dias 10 e 15 de março, em Havana.
A doença de Michelle pegou a família de surpresa e até hoje
não se sabe qual foi a origem. “Não tem como descobrir, pode
ser genético, estresse...”, disse a jogadora, que nunca havia
tido nem anemia.
O diagnóstico inicial de seis meses de tratamento foi se
prolongando. “Fiquei com medo”, confessa. “O mais complicado
era saber o risco de não poder mais jogar e também pelos meus
pais. Mas eu sempre repetia: vou dar um jeito”.
Para se tratar, ela deixou Joinville (SC), onde jogava,
e foi para Campinas (SP). A mãe, Elisabeth, a acompanhou.
Apesar da constatação que a doença estava em remissão já na
segunda sessão quimioterápica, Michelle enfrentou um longo
tratamento, passando alguns períodos internada.
Apesar de distante – na Espanha, onde defende o Tau Ceramica
-, Tiago manteve contato freqüente com a irmã. “Ele me
ajudou muito, ligava todo dia”, lembra. No momento mais crítico
da doença, a pivô chegou a perder 17 de seus então 87kg.
A recuperação foi lenta, mas constante. “O começo foi difícil
porque não queriam me liberar”. Em julho do ano passado, ela
soube que poderia voltar a jogar. A princípio, o maior temor
era bater a cabeça, o que poderia provocar uma hemorragia.
O recomeço foi em Joinville. “Eles me deram o maior apoio”,
agradece.
Pouco tempo depois, chegou a proposta do Americana.
A vantagem extra era a proximidade com Campinas, o que facilitaria
o acompanhamento médico.
Pelo time paulista, Michelle participou de três jogos, marcou
11 pontos e pegou seis rebotes. O suficiente para convencer
a comissão técnica nacional que merecia uma nova chance com
a camisa do Brasil.
A experiência com a doença levam-na a encarar as situações
de maneira diferente. “Não gosto de fazer muitos planos, porque
fazia antes e não deram certo”. Mas ao saber que seu nome
estava na lista, Michelle confessa uma alegria indescritível.
“Não imaginava que isto fosse acontecer. Fiquei muito feliz
por acreditarem que posso voltar a jogar e fazer um bom trabalho”.
Vendo a história da pivô, é quase impossível não pensar
na situação de outro atleta da seleção brasileira: o ala/pivô
Nenê. Diagnosticado com um tumor maligno no início do ano,
o jogador do Denver Nuggets teve um dos testículos removido
e fez, nesta terça, uma sessão de quimioterapia como medida
de prevenção.
Sem data prevista para retornar às quadras, ele é uma incógnita
para o Pré-olímpico Mundial, na Grécia. Mas independente de
vestir ou não o uniforme já nesta temporada, Michelle acredita
que o desfecho de Nenê pode ser tão positivo quanto o seu.
”O importante é que tenha os objetivos dele. Saber se quer
mesmo jogar, ter fé em Deus e fazer o tratamento, porque ele
consegue. Não há nada impossível”, diz confiante.
| As convocadas para
os amistosos |
| Michelle Splitter |
Pivô |
18 anos |
1,98m |
Unimed/Americana (SP) |
| Flávia Luiza dos Santos |
Pivô |
25 anos |
1,87m |
sem clube |
| Karina Jacob |
Pivô |
22 anos |
1,87m |
Açúcar Cometa/Unimed/Catanduva (SP) |
| Tatiana Conceição |
Pivô |
26 anos |
1,85m |
Colchões Castor/FIO/Unimed/Ourinhos (SP) |
| Izabela de Andrade |
Ala/Pivô |
21 anos |
1,82m |
Colchões Castor/FIO/Unimed/Ourinhos (SP) |
| Patrícia Ferreira “Chuca” |
Ala |
28 anos |
1,80m |
Colchões Castor/FIO/Unimed/Ourinhos (SP) |
| Tayara Pesenti |
Ala |
25 anos |
1,80m |
Sport/Maurício de Nassau (PE) |
| Karen Rocha |
Ala |
23 anos |
1,77m |
Colchões Castor/FIO/Unimed/Ourinhos (SP) |
| Karla Costa |
Ala |
29 anos |
1,73m |
Açúcar Cometa/Unimed/Catanduva (SP) |
| Vanessa Gattei |
Armadora |
27 anos |
1,69m |
Colchões Castor/FIO/Unimed/Ourinhos (SP) |
| Gislaine Paulino “Gigi” |
Armadora |
27 anos |
1,69m |
Sport/Maurício de Nassau (PE) |
| Natália Burian |
Armadora |
23 anos |
1,62m |
Açúcar Cometa/Unimed/Catanduva (SP) |
| Média de idade: 24,5 anos |
Média de altura: 1,79m |
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