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12/10/2007
Montagem foto Acervo/Gazeta Press

Foto: Acervo/Gazeta Press
Basílio (E) comemora seu gol durante a partida em que o Corinthians venceu a Ponte Preta e encerrou o jejum

Por onde andam os campeões?

Tobias: O ex-goleiro trabalha em uma ONG em São Paulo para ex-moradores de rua.

Zé Maria: O ex-lateral é supervisor de esportes na Fundação Casa, a antiga Febem.

Moisés: Trabalha como técnico no Oriente Médio.

Ademir: É secretário de Esportes em Santa Bárbara D’Oeste (SP).

Wladimir: O ex-lateral é secretário de Esportes em Diadema (SP).

Ruço: É dono de um bar no Rio de Janeiro.

Luciano: Foi técnico e hoje trabalha em escolinhas para crianças.

Vaguinho: O ex-ponta-direita dá aula de futebol para crianças.

Geraldão: É professor de futebol para crianças na CooperEsporte, cooperativa formada por ex-atletas.

Basílio: É vice-presidente da CooperEsporte.

Romeu: Trabalha com venda de consórcios em Barueri

Saiba mais

Por Luiz Ricardo Fini

Há 30 anos, a Fiel torcida voltou a ecoar o grito de “campeão”. Em 13 de outubro de 1977, o time comandado por Oswaldo Brandão derrubou o maior jejum de títulos da gloriosa história do Corinthians. A vitória por 1 a 0 sobre a Ponte Preta, no terceiro jogo da decisão do Campeonato Paulista, acabou com a “fila” que já durava 22 anos, oito meses e sete dias.

Na noite daquela quinta-feira, mais de 86 mil fiéis encheram as arquibancadas do Morumbi com a esperança de ver ruir o amargo tabu de conquistas. E o estádio tremeu com o gol de Basílio, aos 36 minutos do segundo tempo. O lance do tento começou em falta na lateral direita, que Zé Maria foi responsável em cobrar para a área. Depois de um desvio no meio do caminho, Vaguinho carimbou a trave. Wladimir, então, arriscou de cabeça, mas Oscar salvou a Ponte, apenas por alguns segundos... O rebote caiu no pé direito de Basílio, que chutou forte para estufar as redes, dar início à comemoração da massa alvinegra e entrar para a história como o homem do gol do título.

“O Vaguinho teve a chance e acertou na trave, e o Wladimir mandou de cabeça. Quando eu vi a bola vindo, eu só quis que ela descesse logo para chutar rápido. Tinha certeza de ela entraria porque muitos jogadores estavam caídos. Eu bati e corri para a galera para comemorar”, descreve Basílio, que ficou marcado na história pelo gol que marcou há 30 anos.

O título de 1977 acabou com um jejum que durava desde a conquista do troféu do 4º Centenário, em 1955, pelo Campeonato Paulista do ano anterior. O período de 22 anos sem triunfos foi marcado por grandes frustrações, como a derrota para o arqui-rival Palmeiras na decisão do Estadual de 74, quando Rivelino foi apontado como culpado pelo fracasso e acabou dando adeus ao Corinthians.

Mas a história do Timão deu uma guinada com a taça do Paulistão de 1977. A Fiel começou a ter certeza de que o título estava próximo no primeiro jogo da decisão. No dia 5 de outubro, diante de cerca de 65 mil torcedores, o Corinthians venceu a Ponte por 1 a 0, no Morumbi. Palhinha fez o gol da vitória logo aos 14 minutos do primeiro tempo.

Com a confiança redobrada, a Fiel entupiu as arquibancadas do Morumbi no segundo duelo, quando o Timão poderia enfim acabar com o jejum com apenas um empate. Diante de 146 mil torcedores, no entanto, a equipe de Campinas jogou um balde de água fria no entusiasmo corintiano, venceu de virada por 2 a 1 e manteve a comemoração entalada na garganta dos torcedores de Parque São Jorge. Zé Maria, lateral-direito do Timão na época, lembra que a confiança do técnico Oswaldo Brandão foi fundamental para a recuperação no terceiro jogo.

“Depois que perdemos o segundo jogo, ele não deixou o time ir para casa. Ele mandou todo mundo tomar o banho e nos levou para a concentração para conversar. Só fomos embora na segunda de manhã”, recorda Zé Maria. Já Wladimir reforça a importância do treinador e lembra que Brandão nunca deixou a confiança do elenco diminuir.

“O técnico tem participação de 20% do que acontece em campo com o time. Mas, naquela final, o Brandão teve responsabilidade de 50%. Ele era paternalista e não deixava ninguém mexer com seus atletas. Depois do segundo jogo, ele nos fez entender que seríamos campeões. Depois daquela derrota, foi incentivando o time até o próximo jogo. Nós não perderíamos aquele jogo nem para a seleção do mundo”, recorda.

Se os jogadores já entraram confiantes no gramado do Morumbi para a partida decisiva, a Fiel teve motivos para ficar ainda mais otimista logo no início do duelo, com a expulsão de Rui Rei, um dos principais jogadores da Macaca. Sem seu atacante, que se viu envolvido em muita polêmica nos anos seguintes, a equipe de Campinas não conseguiu segurar o ímpeto corintiano, que precisava apenas de um empate para sagrar-se campeão. E o gol de Basílio serviu para antecipar a festa da Fiel, que invadiu o gramado do estádio assim que o árbitro Dulcídio Wanderley Boschillia apitou o fim do jogo.

“A Ponte Preta tinha um time melhor que o nosso porque era muito entrosada, mas jogamos muito bem e alugamos metade do campo. Amarramos de tal forma que nem a seleção do mundo passaria pela nossa intermediária”, relembra Wladimir, um dos destaques do Timão naquela época.

Fim de pena ao ‘vilão’ Rui Rei

Se Basílio foi apontado o herói da conquista corintiana, o atacante Rui Rei foi rotulado como o vilão da decisão do Paulistão de 77. Um dos principais jogadores da Ponte Preta, ele foi expulso logo no início do terceiro jogo, o que deixou sua equipe fragilizada. O jogador, que acertou sua transferência para o Timão meses depois, foi acusado de ter se vendido na decisão para beneficiar o time da capital. Três décadas depois da partida, Rui Rei segue jurando inocência e quer o fim da polêmica.

“A pena máxima no Brasil é de 30 anos e eu sofri essa penalidade, que atrapalhou minha vida e a de meus filhos. Agora, acho que está na hora de acabar”, decretou o atacante, que, apesar dos problemas que o jogo lhe proporcionou, fala com saudades da histórica decisão.

“Aquele foi um jogo marcante. Para a história, ficou lembrando por um herói e um vilão. O Basílio é meu amigo e é visto como herói, mas eu fui apontado como o vilão”, ponderou. Rui Rei foi expulso aos 16 minutos do primeiro tempo depois de gesticular diante do árbitro Dulcídio Wanderley Boschillia, que havia apitado também o primeiro jogo da decisão.

“Ficaram falando que eu forcei o cartão e ainda inventaram outras barbaridades. A verdade é que eu era um rebelde sem maldade. No primeiro jogo, eu fiz catimba com o Tobias e nós dois levamos amarelo. O terceiro jogo começou com o Dulcídio falando que me expulsaria se eu fizesse a mesma coisa. Eu sofri uma falta e levantei gesticulando. Ele me deu amarelo e não deu tempo nem de eu ficar quieto porque já levei rápido o vermelho também”, recorda, tentando enfim acabar com a polêmica.

Fiel tem nova obsessão 30 anos depois: a Libertadores

O ano de 1977 não ficou marcado apenas pelo fim do jejum do Corinthians, mas também pela primeira participação do clube na Copa Libertadores da América. Na época, porém, o torneio continental foi deixado de lado para o Timão buscar o objetivo considerado mais importante: o título do Paulistão.

Mas, se naquela época o troféu estadual era o principal objeto de desejo dos corintianos, a obsessão da Fiel no século 21 é a conquista da Libertadores. Com a experiência de quem levou o Timão ao título em 77, Wladimir prega paciência à equipe alvinegra.

“Sem dúvida é uma obsessão, mas não tenho visto o Corinthians com condição de ganhar agora da forma como está organizado. O time está brigando primeiro para sair do rebaixamento. Hoje, é um clube em transição e tem de pensar em ganhar a Libertadores só em dois anos”, avisa o ex-lateral-esquerdo.

Na década de 1970, antes de conquistar o cobiçado Paulistão, o Timão sofreu com as derrotas na decisão do Estadual de 74 (ante o Palmeiras) e do Brasileiro de 76 (contra o Internacional). Na atual década, o algoz corintiano é o River Plate, que foi carrasco do clube de Parque São Jorge nas edições de 2003 e 2006 da Libertadores. Com a experiência de quem passou pelas decepções e pelo sucesso no passado, Zé Maria tem a receita para o Timão triunfar no torneio continental.

“O primeiro passo é sair desta situação e ter tranqüilidade para trabalhar. Um time precisa ter confiança para vencer. O jogador tem de ter tranqüilidade e naquela época nós a tínhamos por causa do Brandão. Ele vedou o time da cornetagem”, recorda.

E a força da torcida corintiana também não é esquecida pelos campeões de 77. Recorrendo a outro momento histórico da trajetória alvinegra, Basílio acredita que a Fiel está pronta para apoiar em massa o Timão na busca pelo título da Libertadores.

“Eu vejo semelhança entre aquele título e o sonho da torcida de ganhar a Libertadores. Em 76, houve a invasão da torcida no Maracanã (na semifinal do Brasileiro, contra o Fluminense). Se amanhã o Corinthians jogar uma final de Libertadores em outro estado, a torcida faria uma invasão novamente. Mas, antes, o time tem de fazer um planejamento para sair desta situação e reforçar o plantel”, salientou.


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