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| Foto: Acervo/Gazeta Press |
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| Basílio (E) comemora seu gol durante a partida
em que o Corinthians venceu a Ponte Preta e encerrou o
jejum |
Por
onde andam os campeões?
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| Tobias: O ex-goleiro trabalha em
uma ONG em São Paulo para ex-moradores de rua.
Zé Maria: O ex-lateral é
supervisor de esportes na Fundação Casa,
a antiga Febem.
Moisés: Trabalha como técnico
no Oriente Médio.
Ademir: É secretário
de Esportes em Santa Bárbara D’Oeste (SP).
Wladimir: O ex-lateral é secretário
de Esportes em Diadema (SP).
Ruço: É dono de um bar
no Rio de Janeiro.
Luciano: Foi técnico e hoje
trabalha em escolinhas para crianças.
Vaguinho: O ex-ponta-direita dá
aula de futebol para crianças.
Geraldão: É professor
de futebol para crianças na CooperEsporte, cooperativa
formada por ex-atletas.
Basílio: É vice-presidente
da CooperEsporte.
Romeu: Trabalha com venda de consórcios
em Barueri |
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Saiba mais
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Por Luiz Ricardo Fini
Há 30 anos, a Fiel torcida voltou a ecoar o grito de “campeão”.
Em 13 de outubro de 1977, o time comandado por Oswaldo Brandão
derrubou o maior jejum de títulos da gloriosa história do
Corinthians. A vitória por 1 a 0 sobre a Ponte Preta, no terceiro
jogo da decisão do Campeonato Paulista, acabou com a “fila”
que já durava 22 anos, oito meses e sete dias.
Na noite daquela quinta-feira, mais de 86 mil fiéis encheram
as arquibancadas do Morumbi com a esperança de ver ruir o
amargo tabu de conquistas. E o estádio tremeu com o gol de
Basílio, aos 36 minutos do segundo tempo. O lance do tento
começou em falta na lateral direita, que Zé Maria foi responsável
em cobrar para a área. Depois de um desvio no meio do caminho,
Vaguinho carimbou a trave. Wladimir, então, arriscou de cabeça,
mas Oscar salvou a Ponte, apenas por alguns segundos... O
rebote caiu no pé direito de Basílio, que chutou forte para
estufar as redes, dar início à comemoração da massa alvinegra
e entrar para a história como o homem do gol do título.
“O Vaguinho teve a chance e acertou na trave, e o Wladimir
mandou de cabeça. Quando eu vi a bola vindo, eu só
quis que ela descesse logo para chutar rápido. Tinha
certeza de ela entraria porque muitos jogadores estavam caídos.
Eu bati e corri para a galera para comemorar”, descreve
Basílio, que ficou marcado na história pelo
gol que marcou há 30 anos.
O título de 1977 acabou com um jejum que durava desde a
conquista do troféu do 4º Centenário, em 1955, pelo Campeonato
Paulista do ano anterior. O período de 22 anos sem triunfos
foi marcado por grandes frustrações, como a derrota para o
arqui-rival Palmeiras na decisão do Estadual de 74, quando
Rivelino foi apontado como culpado pelo fracasso e acabou
dando adeus ao Corinthians.
Mas a história do Timão deu uma guinada com a taça do Paulistão
de 1977. A Fiel começou a ter certeza de que o título estava
próximo no primeiro jogo da decisão. No dia 5 de outubro,
diante de cerca de 65 mil torcedores, o Corinthians venceu
a Ponte por 1 a 0, no Morumbi. Palhinha fez o gol da vitória
logo aos 14 minutos do primeiro tempo.
Com a confiança redobrada, a Fiel entupiu as arquibancadas
do Morumbi no segundo duelo, quando o Timão poderia enfim
acabar com o jejum com apenas um empate. Diante de 146 mil
torcedores, no entanto, a equipe de Campinas jogou um balde
de água fria no entusiasmo corintiano, venceu de virada por
2 a 1 e manteve a comemoração entalada na garganta dos torcedores
de Parque São Jorge. Zé Maria, lateral-direito do Timão na
época, lembra que a confiança do técnico Oswaldo Brandão foi
fundamental para a recuperação no terceiro jogo.
“Depois que perdemos o segundo jogo, ele não deixou o time
ir para casa. Ele mandou todo mundo tomar o banho e nos levou
para a concentração para conversar. Só fomos embora na segunda
de manhã”, recorda Zé Maria. Já Wladimir reforça a importância
do treinador e lembra que Brandão nunca deixou a confiança
do elenco diminuir.
“O técnico tem participação de 20% do que acontece em campo
com o time. Mas, naquela final, o Brandão teve responsabilidade
de 50%. Ele era paternalista e não deixava ninguém mexer com
seus atletas. Depois do segundo jogo, ele nos fez entender
que seríamos campeões. Depois daquela derrota, foi incentivando
o time até o próximo jogo. Nós não perderíamos aquele jogo
nem para a seleção do mundo”, recorda.
Se os jogadores já entraram confiantes no gramado do Morumbi
para a partida decisiva, a Fiel teve motivos para ficar ainda
mais otimista logo no início do duelo, com a expulsão de Rui
Rei, um dos principais jogadores da Macaca. Sem seu atacante,
que se viu envolvido em muita polêmica nos anos seguintes,
a equipe de Campinas não conseguiu segurar o ímpeto corintiano,
que precisava apenas de um empate para sagrar-se campeão.
E o gol de Basílio serviu para antecipar a festa da Fiel,
que invadiu o gramado do estádio assim que o árbitro Dulcídio
Wanderley Boschillia apitou o fim do jogo.
“A Ponte Preta tinha um time melhor que o nosso porque era
muito entrosada, mas jogamos muito bem e alugamos metade do
campo. Amarramos de tal forma que nem a seleção do mundo passaria
pela nossa intermediária”, relembra Wladimir, um dos destaques
do Timão naquela época.
Fim de pena ao ‘vilão’ Rui Rei
Se Basílio foi apontado o
herói da conquista corintiana, o atacante Rui Rei foi rotulado
como o vilão da decisão do Paulistão de 77. Um dos principais
jogadores da Ponte Preta, ele foi expulso logo no início do
terceiro jogo, o que deixou sua equipe fragilizada. O jogador,
que acertou sua transferência para o Timão meses depois, foi
acusado de ter se vendido na decisão para beneficiar o time
da capital. Três décadas depois da partida, Rui Rei segue jurando
inocência e quer o fim da polêmica.
“A pena máxima no Brasil é de 30 anos e eu sofri essa penalidade,
que atrapalhou minha vida e a de meus filhos. Agora, acho
que está na hora de acabar”, decretou o atacante, que, apesar
dos problemas que o jogo lhe proporcionou, fala com saudades
da histórica decisão.
“Aquele foi um jogo marcante. Para a história, ficou lembrando
por um herói e um vilão. O Basílio é meu amigo e é visto como
herói, mas eu fui apontado como o vilão”, ponderou. Rui Rei
foi expulso aos 16 minutos do primeiro tempo depois de gesticular
diante do árbitro Dulcídio Wanderley Boschillia, que havia
apitado também o primeiro jogo da decisão.
“Ficaram falando que eu forcei o cartão e ainda inventaram
outras barbaridades. A verdade é que eu era um rebelde sem
maldade. No primeiro jogo, eu fiz catimba com o Tobias e nós
dois levamos amarelo. O terceiro jogo começou com o Dulcídio
falando que me expulsaria se eu fizesse a mesma coisa. Eu
sofri uma falta e levantei gesticulando. Ele me deu amarelo
e não deu tempo nem de eu ficar quieto porque já levei rápido
o vermelho também”, recorda, tentando enfim acabar com a polêmica.
Fiel tem nova obsessão 30 anos depois: a Libertadores
O ano de 1977 não ficou marcado apenas pelo fim do jejum
do Corinthians, mas também pela primeira participação do clube
na Copa Libertadores da América. Na época, porém, o torneio
continental foi deixado de lado para o Timão buscar o objetivo
considerado mais importante: o título do Paulistão.
Mas, se naquela época o troféu estadual era o principal
objeto de desejo dos corintianos, a obsessão da Fiel no século
21 é a conquista da Libertadores. Com a experiência de quem
levou o Timão ao título em 77, Wladimir prega paciência à
equipe alvinegra.
“Sem dúvida é uma obsessão, mas não tenho visto o Corinthians
com condição de ganhar agora da forma como está organizado.
O time está brigando primeiro para sair do rebaixamento. Hoje,
é um clube em transição e tem de pensar em ganhar a Libertadores
só em dois anos”, avisa o ex-lateral-esquerdo.
Na década de 1970, antes de conquistar o cobiçado Paulistão,
o Timão sofreu com as derrotas na decisão do Estadual de 74
(ante o Palmeiras) e do Brasileiro de 76 (contra o Internacional).
Na atual década, o algoz corintiano é o River Plate, que foi
carrasco do clube de Parque São Jorge nas edições de 2003
e 2006 da Libertadores. Com a experiência de quem passou pelas
decepções e pelo sucesso no passado, Zé Maria tem a receita
para o Timão triunfar no torneio continental.
“O primeiro passo é sair desta situação e ter tranqüilidade
para trabalhar. Um time precisa ter confiança para vencer.
O jogador tem de ter tranqüilidade e naquela época nós a tínhamos
por causa do Brandão. Ele vedou o time da cornetagem”, recorda.
E a força da torcida corintiana também não
é esquecida pelos campeões de 77. Recorrendo
a outro momento histórico da trajetória alvinegra,
Basílio acredita que a Fiel está pronta para
apoiar em massa o Timão na busca pelo título
da Libertadores.
“Eu vejo semelhança entre aquele título
e o sonho da torcida de ganhar a Libertadores. Em 76, houve
a invasão da torcida no Maracanã (na semifinal
do Brasileiro, contra o Fluminense). Se amanhã o Corinthians
jogar uma final de Libertadores em outro estado, a torcida
faria uma invasão novamente. Mas, antes, o time tem
de fazer um planejamento para sair desta situação
e reforçar o plantel”, salientou. |