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26/11/2007
Montagem sobre foto de Marcelo Ferrelli/Gazeta Press
Foto: Divulgação
Festa pela conquista da Copa dos Campeões em 2002: Vandick, hoje vereador, marcou três gols e levou o time à Copa Libertadores de 2003

Ex-ídolo e “Herói da Bombonera” lamentam
falta de planejamento do Papão

A conquista da Copa dos Campeões em 2002 rendeu ao Paysandu um feito histórico: no ano seguinte, o time tornou-se o primeiro da história da região norte a disputar a Copa Libertadores da América. E, contrariando as expectativas de grande parte da imprensa nacional, o Papão da Curuzu fez uma surpreendente e honrosa campanha.

O desempenho do time na primeira fase foi impecável. Ao lado de Cerro Porteño, do Paraguai, Sporting Cristal, do Peru e Universidad Catolica, do Chile, no grupo 2 da competição, o time concluiu a etapa inicial na primeira posição com 14 pontos ganhos, obtendo dois empates e quatro vitórias com direito a uma goleada de 6 a 2 sobre os paraguaios em Assunção.

O melhor, porém, ainda estava por vir. Nas oitavas-de-final, o Paysandu encarou o tradicional Boca Juniors com a vantagem de fazer o jogo de volta em casa por ter feito melhor campanha na primeira fase. No jogo de ida, em La Bombonera, o Papão derrotou os argentinos por 1 a 0, com um gol de Iarley e dois jogadores a menos, resultado considerado por muitos torcedores como o maior feito da história do clube paraense. Na partida de volta, no entanto, o Boca levou a melhor ao vencer por 4 a 2 em Belém, com uma polêmica arbitragem, e acabou posteriormente se sagrando campeão da Libertadores de 2003.

Autor do histórico gol na arena argentina, Iarley, hoje no Internacional-RS, diz não se esquecer do gol feito sobre o Boca, para onde acabou se transferindo, e garante guardar carinho pelo Papão. “É um time especial na minha carreira, uma honra ter feito história lá. A torcida é fanática, apóia, vai ao estádio sempre, comparece. Mesmo muitas vezes não tendo condições, o cara trabalha para poder pagar o ingresso e torcer”, afirma o jogador, que culpa a falta de planejamento pela crise que se instalou na equipe nos últimos anos.

“Na minha época tivemos um time forte, planejado, que se destacou e fez história na Libertadores. Os dirigentes precisam se unir, é preciso uma melhoria nos estádios, que são ruins e atrapalhavam o jogador principalmente quando chove. As condições ainda são precárias. Para mim é importante o investimento na categoria de base, acho que assim o Paysandu vai voltar a crescer”, afirma Iarley, que depois de sair do Paysandu foi duas vezes campeão do mundo (Boca Juniors, em 2003, e Internacional, em 2006).

Autor de três gols na final da Copa dos Campeões de 2002, o ex-atacante Vandick, hoje vereador de Belém, repete o discurso do seu ex-companheiro. “O Paysandu teve a grande chance de se estruturar definitivamente quando eu joguei de 2000 a 2003, mas a diretoria da época contratou indiscriminadamente, sem critérios. O resultado é o que se vê agora, um clube endividado e uma situação em que o Papão jamais deveria estar”, lamenta.

O vereador também revela a situação precária em que se encontra o seu ex-clube atualmente. “As condições são péssimas, a categoria de base do Paysandu nem tem onde treinar, trabalha em um gramado alugado. Muitas vezes já fui lá para pagar algumas despesas. Já construímos vestiário, levantei um muro que tinha caído. Os dirigentes contratam um time inteiro de fora, mas quando começa a cair eles recorrem aos meninos. Só que deste jeito não dá para revelar os jogadores”, acusa Vandick.


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