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Foto: Divulgação |
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| Festa pela conquista da Copa dos Campeões em 2002: Vandick, hoje vereador, marcou três gols e levou o time à Copa Libertadores de 2003 |
Ex-ídolo e “Herói da Bombonera”
lamentam
falta de planejamento do Papão
A conquista da Copa dos Campeões em 2002 rendeu ao Paysandu
um feito histórico: no ano seguinte, o time tornou-se o primeiro
da história da região norte a disputar a Copa Libertadores
da América. E, contrariando as expectativas de grande parte
da imprensa nacional, o Papão da Curuzu fez uma surpreendente
e honrosa campanha.
O desempenho do time na primeira fase foi impecável. Ao
lado de Cerro Porteño, do Paraguai, Sporting Cristal, do Peru
e Universidad Catolica, do Chile, no grupo 2 da competição,
o time concluiu a etapa inicial na primeira posição com 14
pontos ganhos, obtendo dois empates e quatro vitórias com
direito a uma goleada de 6 a 2 sobre os paraguaios em Assunção.
O melhor, porém, ainda estava por vir. Nas oitavas-de-final,
o Paysandu encarou o tradicional Boca Juniors com a vantagem
de fazer o jogo de volta em casa por ter feito melhor campanha
na primeira fase. No jogo de ida, em La Bombonera, o
Papão derrotou os argentinos por 1 a 0, com um gol de Iarley e dois jogadores a menos,
resultado considerado por muitos torcedores como o maior feito
da história do clube paraense. Na partida de volta, no entanto,
o Boca levou a melhor ao vencer por 4 a 2 em Belém, com uma polêmica arbitragem, e acabou posteriormente
se sagrando campeão da Libertadores de 2003.
Autor do histórico gol na arena argentina, Iarley, hoje
no Internacional-RS, diz não se esquecer do gol feito sobre
o Boca, para onde acabou se transferindo, e garante guardar
carinho pelo Papão. “É um time especial na minha carreira,
uma honra ter feito história lá. A torcida é fanática, apóia,
vai ao estádio sempre, comparece. Mesmo muitas vezes
não tendo condições, o cara trabalha para poder pagar o ingresso
e torcer”, afirma o jogador, que culpa a falta de planejamento
pela crise que se instalou na equipe nos últimos anos.
“Na minha época tivemos um time forte, planejado, que se
destacou e fez história na Libertadores. Os dirigentes precisam
se unir, é preciso uma melhoria nos estádios, que são ruins
e atrapalhavam o jogador principalmente quando chove. As condições
ainda são precárias. Para mim é importante o investimento
na categoria de base, acho que assim o Paysandu vai voltar
a crescer”, afirma Iarley, que depois de sair do Paysandu foi duas vezes campeão do mundo (Boca Juniors, em 2003, e Internacional, em 2006).
Autor de três gols na final da Copa dos Campeões de 2002, o ex-atacante
Vandick, hoje vereador de Belém, repete o discurso do seu
ex-companheiro. “O Paysandu teve a grande chance de se estruturar
definitivamente quando eu joguei de 2000 a 2003, mas a diretoria
da época contratou indiscriminadamente, sem critérios. O resultado
é o que se vê agora, um clube endividado e uma situação em
que o Papão jamais deveria estar”, lamenta.
O vereador também revela a situação precária em que se encontra
o seu ex-clube atualmente. “As condições são péssimas, a categoria
de base do Paysandu nem tem onde treinar, trabalha em um gramado
alugado. Muitas vezes já fui lá para pagar algumas despesas.
Já construímos vestiário, levantei um muro que tinha caído.
Os dirigentes contratam um time inteiro de fora, mas quando
começa a cair eles recorrem aos meninos. Só que deste jeito
não dá para revelar os jogadores”, acusa Vandick. |