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Distância geográfica e “discriminação”
contribuem para queda
A distância em relação à região centro-sul do Brasil,
aliada à discriminação aos clubes locais, são fatores
apontados como culpados pela recente derrocada nortista.
Presidente do Conselho Deliberativo do Paysandu, Ricardo
Rezende faz graves acusações contra as entidades que
comandam o futebol nacional.
“Ao que parece, o Clube dos 13 e a CBF não têm interesse
de jogar aqui por causa da distância, apesar de nossa
torcida e da festa dos paraenses. Infelizmente, eles
não pensam em uma tabela inteligente para o time do
norte”, reclama o dirigente, seguido por Raimundo Ribeiro,
presidente do Remo, que se queixa de uma “perseguição”
ao clube que comanda.
“Os times aqui praticamente vivem da arrecadação e
logo de cara o Remo fez três partidas com portões fechados
na Série B por ter sido condenado pelo STJD. Vi times
como Grêmio, Flamengo não serem punidos, mas com o Remo
sempre é diferente”, dispara.
“Não há interesse de ver o Remo na Série A. Além disso,
a TV está transmitindo jogos para dentro de Belém, na
hora do jogo a gente vê bares lotados, que cobram dois
reais na entrada, enquanto o estádio fica vazio. Neste
ano, a arbitragem também atrapalhou muito, fez nosso
ano ainda mais difícil”, emenda o presidente.
Ex-jogador do Paysandu, Vandick dá um exemplo claro
de como os longos deslocamentos que os times do norte
têm de fazer atrapalham os seus desempenhos. “Os times
do sul e do sudeste sempre reclamam de jogar aqui. Mas
eles não sabem o quanto é difícil para nós. Enquanto
as equipes de lá só vêm aqui uma vez, nós temos uma
maratona de viagens”, argumenta Vandick.
“Quando joguei, chegamos a atuar domingo, no Rio,
quarta em Belém, e logo no outro domingo em Porto Alegre.
Isto atrapalha, cansa muito. Garanto que se tivesse
dois times do norte na Série A, a CBF iria facilitar,
fazendo uma tabela com os grandes jogando seguidamente
no Pará e no Amazonas, por exemplo”.
Jairo Dias, novo presidente do São Raimundo, resume
bem o sentimento dos nortistas. “O nosso torcedor está
com saudade das tardes de sábado, das terças-feiras
em que times do sul, sudeste, nordeste vinham jogar
aqui. Era uma época em que o Brasil estava mais próximo”,
afirma o mandatário.
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Atuais dirigentes culpam gestões
anteriores
por derrocada paraense
A distância geográfica e a falta de apoio atrapalham, mas
a principal razão do desempenho pífio dos dois maiores clubes
do Pará em 2007 foi a “herança maldita” que os atuais diretores
receberam das gestões anteriores. Pelo menos é o que garantem
dois importantes cartolas do Remo e do Paysandu.
Presidente do Conselho Deliberativo do Papão da Curuzu,
Ricardo Costa Rezende culpa a falta de planejamento da diretoria
anterior, capitaneada pelo ex-presidente Artur Tourinho, pelos
recentes fracassos dentro de campo. Segundo Rezende, a atual diretoria
assumiu um clube praticamente quebrado no início de 2007,
com uma dívida próxima de R$ 35 milhões.
“O problema maior foi administrativo. A gestão anterior
pode ter levado o clube ao seu momento de auge, com a Copa
dos Campeões e a campanha na Libertadores, mas não soube aproveitar.
Eles pegaram dinheiro emprestado com a CBF e não devolveram,
e a dívida chegou a ser de R$ 35 milhões, valor que felizmente
conseguimos reduzir pela metade”, afirma Rezende, que prevê
um futuro negro para os times da região.
“Têm outros times do norte do Brasil que não contam com
a torcida tão numerosa quanto Remo e Paysandu. Acredito que
isto possa até levá-los a desistir de participar dos campeonatos,
porque praticamente vivemos da renda. Os torcedores sempre
ajudam, mas neste ano tudo acabou indo muito mal”, diz o dirigente. O ex-presidente Artur Tourinho foi procurado, mas não foi encontrado pela reportagem da GE.Net.
Raimundo Ribeiro, presidente do Remo, adota um discurso
quase semelhante ao do dirigente do arqui-rival do estado.
No cargo desde o início deste ano, o mandatário, que, com
a confirmação do rebaixamento do Baenão à Série C, vem sendo
pressionado a renunciar, alega que não conseguiu administrar
o clube por conta das dívidas.
“Não dá para fazer futebol sem dinheiro, enquanto não quitarmos
nossos compromissos, o clube fica inadministrável. Assumi
o Remo com R$ 5 milhões em dívida e eu e amigos meus chegamos
a tirar dinheiro do bolso para pagar contas. A Justiça Desportiva
bloqueou tudo por causa da dívida, bloqueou a pouca arrecadação
que temos”, lamenta Ribeiro.
O atual mandatário remista, porém, garante que não abandonará
o cargo, apesar da pressão que vem enfrentando nos bastidores,
acentuada após a queda à Terceira Divisão do Campeonato Brasileiro.
Ele relembra a primeira vez em que esteve no cargo, de 1992
a 1995, quando alcançou ótimos resultados, e dispara críticas
contra seus opositores.
“São pessoas oportunistas, que perderam a eleição no início
do ano e agora aproveitam o rebaixamento para me atacar. Não
fui eu que causei a dívida, esta situação foi construída de
1998 a 2006. O estatuto só diz que um impeachment é válido
para improbidade administrativa, algo que nunca aconteceu
em minha gestão”, acusa o presidente.
“Os jogadores não receberam salários totais na Série B,
pagamos sempre parte da folha até novembro e isto com certeza
reflete dentro de campo. Mas lembro que presidi o Clube do
Remo de 1992 a 1995, quando conquistei três estaduais, fiquei
três anos sem perder para o nosso maior rival. No total foram
quatro títulos e ainda levei o time à Série A na época. Com
esse currículo, sou o presidente mais vitorioso da história
do clube”, encerra Raimundo Ribeiro.
Retomada - Para
levar os seus clubes de volta ao caminho das vitórias, ambos
os dirigentes apelarão para a já famosa política do bom e
barato: os dirigentes pretendem formar times competitivos
apostando nas categorias de base para assim quitar os compromissos
pendentes do clube e ter mais condições de administração.
“Estamos tentando vender a sede campestre do clube para
finalmente desbloquear os nossos bens na Justiça e começar
a remontar o time. Esperamos em 2008 conquistar o bi do Paraense,
fazer boa campanha na Copa do Brasil, que é um dos campeonatos
mais rentáveis, e, claro, retornar à segunda divisão do Campeonato
Brasileiro”, projeta o presidente remista.
Ricardo Rezende revela que será adotada uma política bastante
semelhante a do arqui-rival. “Estamos trabalhando de acordo
com a atual situação do clube, recorrendo aos garotos da base.
Não tenho bola de cristal, mas creio que o Paysandu deve passar
mais uns dois anos de dificuldades pelo que fizeram com o
clube”, lamenta. “O planejamento está sendo feito conforme
nossa capacidade de investimento que no momento, infelizmente,
é muito baixo. Não iremos fazer nenhuma loucura e continuaremos
com os pés no chão”, encerra Rezende, que lembra que o Papão
já apresentou rcentemente o técnico Sérgio Belfort para
comandar a equipe na próxima temporada. |