Voltar para a home Sexta, 16 de Maio de 2008 Home Fale conosco Receba o boletim   Ir para a Gazeta Press
 
26/11/2007
Montagem sobre foto de Marcelo Ferrelli/Gazeta Press

Distância geográfica e “discriminação” contribuem para queda

A distância em relação à região centro-sul do Brasil, aliada à discriminação aos clubes locais, são fatores apontados como culpados pela recente derrocada nortista. Presidente do Conselho Deliberativo do Paysandu, Ricardo Rezende faz graves acusações contra as entidades que comandam o futebol nacional.

“Ao que parece, o Clube dos 13 e a CBF não têm interesse de jogar aqui por causa da distância, apesar de nossa torcida e da festa dos paraenses. Infelizmente, eles não pensam em uma tabela inteligente para o time do norte”, reclama o dirigente, seguido por Raimundo Ribeiro, presidente do Remo, que se queixa de uma “perseguição” ao clube que comanda.

“Os times aqui praticamente vivem da arrecadação e logo de cara o Remo fez três partidas com portões fechados na Série B por ter sido condenado pelo STJD. Vi times como Grêmio, Flamengo não serem punidos, mas com o Remo sempre é diferente”, dispara.

“Não há interesse de ver o Remo na Série A. Além disso, a TV está transmitindo jogos para dentro de Belém, na hora do jogo a gente vê bares lotados, que cobram dois reais na entrada, enquanto o estádio fica vazio. Neste ano, a arbitragem também atrapalhou muito, fez nosso ano ainda mais difícil”, emenda o presidente.

Ex-jogador do Paysandu, Vandick dá um exemplo claro de como os longos deslocamentos que os times do norte têm de fazer atrapalham os seus desempenhos. “Os times do sul e do sudeste sempre reclamam de jogar aqui. Mas eles não sabem o quanto é difícil para nós. Enquanto as equipes de lá só vêm aqui uma vez, nós temos uma maratona de viagens”, argumenta Vandick.

“Quando joguei, chegamos a atuar domingo, no Rio, quarta em Belém, e logo no outro domingo em Porto Alegre. Isto atrapalha, cansa muito. Garanto que se tivesse dois times do norte na Série A, a CBF iria facilitar, fazendo uma tabela com os grandes jogando seguidamente no Pará e no Amazonas, por exemplo”.

Jairo Dias, novo presidente do São Raimundo, resume bem o sentimento dos nortistas. “O nosso torcedor está com saudade das tardes de sábado, das terças-feiras em que times do sul, sudeste, nordeste vinham jogar aqui. Era uma época em que o Brasil estava mais próximo”, afirma o mandatário.

Atuais dirigentes culpam gestões anteriores
por derrocada paraense

A distância geográfica e a falta de apoio atrapalham, mas a principal razão do desempenho pífio dos dois maiores clubes do Pará em 2007 foi a “herança maldita” que os atuais diretores receberam das gestões anteriores. Pelo menos é o que garantem dois importantes cartolas do Remo e do Paysandu.

Presidente do Conselho Deliberativo do Papão da Curuzu, Ricardo Costa Rezende culpa a falta de planejamento da diretoria anterior, capitaneada pelo ex-presidente Artur Tourinho, pelos recentes fracassos dentro de campo. Segundo Rezende, a atual diretoria assumiu um clube praticamente quebrado no início de 2007, com uma dívida próxima de R$ 35 milhões.

“O problema maior foi administrativo. A gestão anterior pode ter levado o clube ao seu momento de auge, com a Copa dos Campeões e a campanha na Libertadores, mas não soube aproveitar. Eles pegaram dinheiro emprestado com a CBF e não devolveram, e a dívida chegou a ser de R$ 35 milhões, valor que felizmente conseguimos reduzir pela metade”, afirma Rezende, que prevê um futuro negro para os times da região.

“Têm outros times do norte do Brasil que não contam com a torcida tão numerosa quanto Remo e Paysandu. Acredito que isto possa até levá-los a desistir de participar dos campeonatos, porque praticamente vivemos da renda. Os torcedores sempre ajudam, mas neste ano tudo acabou indo muito mal”, diz o dirigente. O ex-presidente Artur Tourinho foi procurado, mas não foi encontrado pela reportagem da GE.Net.

Raimundo Ribeiro, presidente do Remo, adota um discurso quase semelhante ao do dirigente do arqui-rival do estado. No cargo desde o início deste ano, o mandatário, que, com a confirmação do rebaixamento do Baenão à Série C, vem sendo pressionado a renunciar, alega que não conseguiu administrar o clube por conta das dívidas.

“Não dá para fazer futebol sem dinheiro, enquanto não quitarmos nossos compromissos, o clube fica inadministrável. Assumi o Remo com R$ 5 milhões em dívida e eu e amigos meus chegamos a tirar dinheiro do bolso para pagar contas. A Justiça Desportiva bloqueou tudo por causa da dívida, bloqueou a pouca arrecadação que temos”, lamenta Ribeiro.

O atual mandatário remista, porém, garante que não abandonará o cargo, apesar da pressão que vem enfrentando nos bastidores, acentuada após a queda à Terceira Divisão do Campeonato Brasileiro. Ele relembra a primeira vez em que esteve no cargo, de 1992 a 1995, quando alcançou ótimos resultados, e dispara críticas contra seus opositores.

“São pessoas oportunistas, que perderam a eleição no início do ano e agora aproveitam o rebaixamento para me atacar. Não fui eu que causei a dívida, esta situação foi construída de 1998 a 2006. O estatuto só diz que um impeachment é válido para improbidade administrativa, algo que nunca aconteceu em minha gestão”, acusa o presidente.

“Os jogadores não receberam salários totais na Série B, pagamos sempre parte da folha até novembro e isto com certeza reflete dentro de campo. Mas lembro que presidi o Clube do Remo de 1992 a 1995, quando conquistei três estaduais, fiquei três anos sem perder para o nosso maior rival. No total foram quatro títulos e ainda levei o time à Série A na época. Com esse currículo, sou o presidente mais vitorioso da história do clube”, encerra Raimundo Ribeiro.

Retomada - Para levar os seus clubes de volta ao caminho das vitórias, ambos os dirigentes apelarão para a já famosa política do bom e barato: os dirigentes pretendem formar times competitivos apostando nas categorias de base para assim quitar os compromissos pendentes do clube e ter mais condições de administração.

“Estamos tentando vender a sede campestre do clube para finalmente desbloquear os nossos bens na Justiça e começar a remontar o time. Esperamos em 2008 conquistar o bi do Paraense, fazer boa campanha na Copa do Brasil, que é um dos campeonatos mais rentáveis, e, claro, retornar à segunda divisão do Campeonato Brasileiro”, projeta o presidente remista.

Ricardo Rezende revela que será adotada uma política bastante semelhante a do arqui-rival. “Estamos trabalhando de acordo com a atual situação do clube, recorrendo aos garotos da base. Não tenho bola de cristal, mas creio que o Paysandu deve passar mais uns dois anos de dificuldades pelo que fizeram com o clube”, lamenta. “O planejamento está sendo feito conforme nossa capacidade de investimento que no momento, infelizmente, é muito baixo. Não iremos fazer nenhuma loucura e continuaremos com os pés no chão”, encerra Rezende, que lembra que o Papão já apresentou rcentemente o técnico Sérgio Belfort para comandar a equipe na próxima temporada.


Gazeta Esportiva.Net © Todos os direitos reservados à Gazeta Esportiva.Net