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Por Paulo Amaral
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Foto: Marcelo Ferrelli/Gazeta Press |
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| Ademir da Guia,
ídolo do Palmeiras fala sobre as semelhanças
e diferenças entre ele e o atual ídolo do
Palmeiras Valdivia. Na foto, os dois craques se encontram
no busto em homenagem ao Divino |
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Difícil começo: Antes
de serem considerados unanimidades no Palestra, tanto
Ademir da Guia quanto Valdívia enfrentaram a
desconfiança. Contratado ao Bangu em 1961, o
“Divino” demorou para mostrar seu talento
com a camisa verde. “A sorte que eu tive foi a
de não chegar como titular, pois tive tempo para
observar as grandes diferenças entre o futebol
carioca e o paulista antes de entrar na equipe. Fiquei
no banco, observei e me adaptei”, comentou.
O jogador também teve que deixar para trás
a fama de “lento” que carregou no início
de seu ciclo no Palestra. “Eu não era lento:
quando corria 100m contra o Edu Bala (antigo ponta-direita
do Palmeiras), perdia, mas, quando eram 800 metros em
disputa, eu chegava na frente, inteiro, enquanto ele
ficava pelo caminho”, lembrou.
Valdívia também demorou a engrenar, mas
por um motivo bem distinto: “A principal dificuldade
foi a língua, pois vim de um outro país.
Quando comecei a jogar, entrava aos poucos. Depois que
chegou o Caio Júnior (ex-técnico palmeirense),
mudou: ele me deu confiança e, no primeiro dia,
falou que eu era o cara que tinha que representar o
Palmeiras. Quando alguém passa confiança,
você tem que responder dentro do campo. Foi isso
que procurei fazer. Se tenho alguém a agradecer
é ao Caio”, discursou o chileno.
O fato de ter de atuar em uma posição
de fundamental importância para o êxito
ofensivo do time também atrapalhou a caminhada
do “Mago” no Palmeiras. “Vir do Chile
para atuar na posição que jogo é
ainda mais difícil, pois os melhores jogadores
do Brasil atuam ali. Sabia que podia conquistar o coração
do torcedor palmeirense, pois me conheço, mas
isso só foi possível porque confiaram
em mim.” |
No mundo do futebol, vestir a camisa dez é sinônimo
de talento. Na pelada de rua, na várzea, nas escolinhas,
nos campos ao redor do globo, a verdade é uma só
até aos olhos dos mais leigos sobre o assunto: o dono
da camisa dez, salvo raras exceções, é
o melhor jogador da equipe. Foi com ela às costas que
Pelé, Platini, Maradona , Zico, Dirceu Lopes, Pedro
Rocha e, mais recentemente, Riquelme, Zidane, Ronaldinho Gaúcho
e outros tantos fizeram jus à fama que imortalizou
o número dez e o tornou o mais cobiçado do Planeta
Bola.
Eleito o melhor meia-esquerda do Campeonato Brasileiro e
um dos três destaques do futebol nacional em 2007, o
chileno Jorge Valdívia trouxe de volta ao Palestra
Itália a “magia” antes incorporada por
outro inesquecível dono da número dez alviverde:
Ademir da Guia, o “Divino”, comandante da Academia
de Futebol do Palmeiras, esquadrão que fez frente ao
Santos de Pelé nas décadas de 60 e 70.
Adorado pela torcida e querido pelos companheiros, o “Mago”
Valdívia, que completou um ano e meio de Palmeiras
em dezembro, pecou apenas no aspecto disciplinar. Punido pelo
STJD por uma expulsão infantil contra o Vasco da Gama,
dia 28 de outubro, acabou prejudicando o Verdão na
luta por uma vaga à Libertadores da América
2008 ao desfalcar a equipe em cinco das últimas seis
partidas do Brasileirão.
Indisciplina à parte, o talento de Valdívia
cativou os palmeirenses e o próprio Ademir da Guia.
A Gazeta Esportiva.Net conseguiu realizar o sonho de muitos
torcedores e colocou lado a lado dois ícones do número
dez alviverde. Perto do busto que imortalizou o “Divino”
nas alamedas do Palestra Itália, o “Mago”
e o “Divino” puderam se conhecer pessoalmente
e trocaram experiências de como é ser ídolo
de um grande clube no Brasil.
O carinho dos fãs pela dupla ficou evidente já
no início da reportagem. Enquanto caminhava em direção
ao busto, Ademir da Guia parou para dar autógrafos
a sócios e conselheiros, das mais variadas idades,
e até foi reverenciado por Diego Cavalieri, titular
da meta palmeirense. Valdívia também posou para
fotos e distribuiu assinaturas antes de sentar à mesa
para um descontraído bate-papo e posar para fotos históricas.
“Ser ídolo do Palmeiras é um orgulho.
Tive a oportunidade de jogar aqui durante 16 anos, conquistar
inúmeros títulos e conhecer o mundo. Até
hoje sinto esse carinho e isso é importante”,
comentou Ademir, enquanto autografava a camiseta de um torcedor-mirim.
“Hoje eu sou palmeirense. Adoro todo mundo aqui e sei
o quanto é importante ser ídolo do clube. Sei
que é difícil, mas, se pudesse, ficaria a vida
inteira aqui”, completou Valdívia.
A longa permanência no Palestra Itália, inclusive,
ajudou Ademir da Guia a merecer o busto de bronze em sua homenagem.
Foram 16 anos de serviços prestados e muitas conquistas
com a camisa verde. No futebol atual, no entanto, é
quase impossível um atleta cobiçado pela Europa
permanecer tanto tempo no Brasil. Valdívia, na mira
de clubes da Espanha, tem ciência disso e sabe que dificilmente
“fará companhia” a Ademir nas alamedas
do Palestra.
“Na época do Ademir, o jogador ficava mais tempo
no time. Hoje é mais difícil, pois os clubes
da Europa chegam e pagam. Quando vêem jogadores bons,
levam. Ele ficou 16 anos aqui, eu estou há um ano e
meio. Precisaria ficar muito tempo aqui. Tomara que possa
ter um (busto), mas é difícil, pois a Europa
é um sonho presente na minha cabeça. Espero
poder conquistar um título em 2008 e aí sim
poder ir embora”, discursou Valdívia, praticamente
estipulando um prazo para sua saída do Verdão.
Os dois ídolos mostraram sintonia quando questionados
sobre a mística do número da camisa que dividem
no coração da torcida alviverde e admitiram
que a dez palmeirense tem um significado especial: “Na
época do futebol mais romântico, o jogador que
vestia a camisa dez era o craque do time, como o Dirceu Lopes
no Cruzeiro, o Zico, no Flamengo, o Pelé, no Santos.
Eu fiquei muito tempo com a camisa dez e, realmente, ela era
significativa para os clubes”, opinou Ademir.
“A camisa dez representa muito, seja no Brasil, na
Argentina, no Chile ou em qualquer parte do mundo. O numero
dez é, entre aspas, o melhor do time, o que tem mais
responsabilidade e que precisa levar a equipe nas costas.
Aqui já passaram nomes como Ademir da Guia, Alex. A
camisa dez não tem que morrer nunca”, endossou
Valdívia, para, na seqüência, admitir seu
orgulho em herdar a posição do Divino.
“Se a camisa dez do Palmeiras tem essa magia, eu gostaria
de ficar aqui a vida toda para que a magia não acabe.
Jogar na posição que o Ademir jogou e ocupar
a camisa que ele vestiu representa muito. Quando cheguei aqui,
me falaram que era o maior do Palmeiras e já me deram
o DVD de presente. Ele era clássico, fora de série.
Quando pegava a bola, o time descansava. A Academia dependia
dele e é isso que eu quero: que o Palmeiras dependa
de mim e, quando o time precisar, eu resolva o jogo como ele
resolvia”.
Se depender da opinião de Caio Júnior, ex-comandante
do Palmeiras e hoje no Goiás, a “magia”
no Palestra está garantida. “A camisa dez do
Palmeiras tem a magia do Valdívia e também a
divindade do Ademir. Na verdade, os dois são diferenciados,
jogadores que levam o torcedor ao estádio, coisa que,
infelizmente, está acabando no futebol. Não
é fácil ser ídolo. Ídolo é
para o resto da vida, e não algo momentâneo.
O Ademir conseguiu isso e espero que o Valdívia consiga
também”.
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