Por Paulo Amaral
Fotos: Marcelo Ferrelli/GP
e Divulgação/Fotocom
 
Após brilhar no Fla-Flu de domingo, Thiago Neves inicia luta pelo sonho da América, assim como o 10 do São Paulo, Adriano, que debuta na principal competição interclubes da América. |
Trinta e duas equipes iniciam a disputa pelo título
mais cobiçado do continente americano: a Libertadores
da América, que entrará em sua fase de grupos.
Quatro deles em especial (Fluminense, Cruzeiro, São
Paulo e Boca Juniors) largam na frente na corrida pela taça
por trazerem em seus elencos jogadores com capacidade para
desequilibrar uma partida, todos com um ponto em comum: a
camisa dez.
“Esquecida” no futebol depois da fase áurea
que viu desfilar pelos gramados estrelas do quilate de Pelé,
Dirceu Lopes, Zico, Rivelino, Maradona entre outros talentos,
a camisa mais mística do Planeta Bola reconquistou
seu espaço na última edição da
Libertadores da América graças a um jogador
em especial: Juan Roman Riquelme.
Foi apoiado no talento de seu camisa dez que o Boca Juniors
arrematou a taça em 2007. Com duas atuações
de gala na final contra o Grêmio, Riquelme não
deu chances aos brasileiros e levou os Xeneizes ao sexto título
da competição. Se Riquelme repetir o desempenho
neste ano, o Boca terá enormes chances de alcançar
o também argentino Independiente como recordista de
conquistas do torneio.
Riquelme terá pelo menos mais três concorrentes
de peso, que também trazem no número das camisas
que vestem a responsabilidade de comandarem suas equipes:
Thiago Neves, eleito o segundo melhor meia do Brasileirão
atuando pelo Fluminense, Wagner, principal peça do
meio-campo do Cruzeiro, e Adriano, o Imperador, referência
do ataque do São Paulo, atual bicampeão brasileiro
e ansioso pela conquista do tetra.
A chegada de Adriano ao Morumbi foi a principal transação
do futebol brasileiro em 2008. Repercutiu no mundo todo e
mereceu elogios inclusive de um dos concorrentes do Imperador:
Riquelme. Na opinião do craque argentino, o Tricolor
parte como um dos favoritos ao título, justamente por
ter repatriado o jogador da Inter de Milão.
“O River (Plate) vai brigar, o Estudiantes tem o Verón
(meio-campista argentino), que é uma vantagem na Libertadores,
e o São Paulo trouxe o Adriano, mas nós temos
a obrigação de defender tudo o que ganhamos
em 2007”, sintetizou o dez do Boca, citando os principais
postulantes ao título em sua rápida análise.
Por outro lado, Santos e Flamengo, que têm gravado
na história dois dos maiores ícones do número
dez do futebol, Pelé e Zico, partirão para mais
uma Libertadores da América “órfãos”
de um nome de peso na posição. Na Vila Belmiro,
Rodrigo Tabata, contestado por grande parte dos torcedores
alvinegros, será o herdeiro da camisa do Rei do Futebol.
Pelo rubro-negro carioca, a ausência de um camisa dez
será ainda mais sentida. Renato Augusto, considerado
uma das maiores promessas da equipe, contundiu-se gravemente
e precisou passar por uma cirurgia para a reconstrução
da face. Para prestar homenagem ao atleta, a diretoria decidiu
guardar o número dez, enquanto Renato Augusto não
voltar a jogar, o que deve levar pelo menos três meses.
Foto: Fernando Pilatos/Gazeta Press
 Em 2007, Riquelme, o 10 do Boca, foi o nome da final e ajudou time a levar taça |
Outras forças: Mesmo sem terem à
disposição um camisa dez com o mesmo peso de
Riquelme ou Adriano, há times que não podem
ser deixados de fora em qualquer análise pré-torneio
e também pretendem cavar seu espaço entre os
favoritos ao título de 2008.
É o caso dos argentinos River Plate, rival histórico
do Boca, representado pelo experiente Ariel Ortega, Estudiantes,
que aposta suas fichas no jovem Wilchez, e Arsenal, que chega
como surpresa e credenciado pela conquista da última
edição da Copa Sul-americana.
Sempre perigosos, os mexicanos, representados nesta edição
por Atlas, América e Chivas Guadalajara, tentarão,
pela primeira vez, arrematar o torneio. O América aposta
na força de Cabañas, artilheiro da Libertadores
2007 com dez gols, e na experiência do zagueiro Sebastián
Domingues, rotulado como “galáctico” do
Corinthians na época da parceria com a MSI.
O Chivas Guadalajara, adversário do Santos, volta
à Libertadores depois de um ano de ausência e
sonha repetir o desempenho da primeira fase da competição
de 2006, quando bateu duas vezes o São Paulo e chegou
às semifinais, sucumbindo diante do próprio
Tricolor.
Outro rival santista na primeira fase também aparece
entre os “novos favoritos” à conquista
da América: o Deportivo Cúcuta, da Colômbia.
Estreante em 2007, o Cúcuta surpreendeu e, por pouco,
não cavou uma vaga na decisão contra o Grêmio,
ao abrir vantagem sobre o Boca Juniors na primeira semifinal
(3 a 1), mas permitir a reação argentina no
jogo da volta (3 a 0).
Fechando a lista de possíveis surpresas aparecem o
Nacional, do Uruguai, eliminado pelo Cúcuta nas quartas-de-final
em 2007, e duas equipes que farão da altitude nos jogos
em casa sua grande arma: LDU (EQU) e Cienciano (PER), que
mandam seus jogos em Quito e Cuzco, respectivamente. San Jose
e Real Potosi, da Bolívia, também podem somar
pontos na altitude, mas têm poucas chances de surpreender
quando “descerem” para enfrentar os rivais em
jogos disputados ao nível do mar.
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