| Com infra-estrutura humilde, Guará abre
mão de ascensão por CT
| Foto Marcelo Ferreli/Gazeta Press |
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| Empolgado com projeto, Macuglia vê time em ascensão e prevê aumento maior com CT |
Todo grande clube começa por um grande CT. É com
esta máxima futebolística adaptada que o Guaratinguetá quer
iniciar sua ascensão no futebol. Tanto que o time
desistiu da vaga a que tinha direito na última Série
C do Campeonato Brasileiro para adquirir um terreno onde
será construído seu centro de treinamento,
que já é chamado carinhosamente de Ninho da
Garça. Por enquanto, os atletas e a comissão
técnica do time do Vale do Paraíba têm
que se contentar com o gramado do estádio municipal
Dr. Dario Rodrigues Leite.
"O Guaratinguetá é isso aqui. Temos o estádio,
que é mantido pela Prefeitura, e ainda buscamos um
CT. Às vezes nós treinamos aqui no estádio,
mas o campo tem problemas. Mas tenho certeza que a Prefeitura,
junto com a empresa (Sony Sports), vai melhorar isso. Eles
(a direção) nunca negaram nada para nós
e estão sempre procurando melhorar a estrutura da
equipe", analisou o treinador Guilherme Macuglia, que também
comparou os planos e a atual condição do Guaratinguetá com
os outros clubes em que trabalhou.
"Eu, que tenho experiência em passagens pelo Coritiba
e Criciúma, além de Grêmio e Internacional
nas categorias de base, sei que o Guará está crescendo
e vai crescer mais ainda melhorando suas condições.
A direção não está medindo esforços,
já temos o terreno para o CT e pelo que sei vai começar
a terraplanagem. É isso que dá condições
para os profissionais melhorarem o time", completou o comandante.
A construção do Ninho da Garça, aliás, é tratada
com tanta prioridade no clube que o presidente Carlos Arini,
o Carlito, coloca o investimento como condição
para a transferência de seus principais jogadores. "A
principio, diria que não negociamos ninguém.
Mas se vierem com uma proposta irrecusável, que viabilizasse
o centro de treinamento e uma Série C de Campeonato
Brasileiro, poderíamos aceitar prontamente, até porque
temos o elenco bom. Só que eu não acredito
que isso aconteça", ponderou o dirigente, mantendo
os pés no chão.
O projeto, aliás, é bastante ousado. Além
de construir campos de futebol e toda a infra-estrutura necessária
para acolher delegações, o Guaratinguetá quer
aproveitar o fato de sua cidade-sede ser localizada quase
na metade do caminho entre Rio de Janeiro e São Paulo
para pleitear a hospedagem de uma seleção nacional
durante a Copa do Mundo de 2014, que será disputada
no Brasil. Segundo o clube, a cidade possui um aeroporto
militar que facilitaria o deslocamento para as sedes sem
a necessidade de circular por aeroportos comerciais.
| Foto Divulgação |
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| Maquete do futuro "Ninho da Garça": terreno de 100 mil m² na
divisa entre Guaratinguetá e Potim foi comprado próximo à Basílica
de Aparecida |
Porém, enquanto isso não acontece, o clube
fica limitado a treinar e jogar no estádio Dr. Dario
Rodrigues Leite, que tem capacidade para 16 mil pessoas e é mantido
pela Prefeitura Municipal. No local, é feito praticamente
tudo: jogos pelas competições oficiais, coletivos,
treinos táticos-técnicos e até exercícios
físicos, já que o clube não possui uma
academia. No dia em que a reportagem da GE.Net visitou o
clube, os jogadores faziam musculação com pesos
no gramado, dividindo espaço com atividades recreativas.
Naquele dia, aliás, alguns jogadores faziam uma avaliação
física comandada pelo preparador físico Márcio
Corrêa. O aparelho que registrava de forma personalizada
o rendimento dos atletas nos treinamentos, porém,
não pertencia ao clube, mas sim ao próprio
profissional, que tem no currículo passagens por Grêmio,
Internacional, Cerro Porteño (Paraguai) e clubes da
Arábia Saudita.
Até mesmo os jogadores reconhecem que o clube necessita
de maior investimento na infra-estrutura. "O Guará está engatinhando
no futebol e é claro que ainda precisa de estrutura,
de um centro de treinamento. Isso está dentro dos
planos", analisou o atacante Alessandro Cambalhota, que já atuou
por Vasco, Santos, Fluminense, Cruzeiro, Atlético-MG
e Corinthians, além de passagens por Japão,
Portugal e Turquia.
Além dele, o goleiro Fábio, que despontou
na Adap-PR e defendeu também o português Marítimo,
também comparou a estrutura do Guará com a
dos times pelos quais passou. "Assim como na Europa, aqui
eles também pagam em dia, coisa que é um pouco
complicado atualmente, especialmente em times menores. Além
disso, eles dão todo respaldo fora do campo para que
a gente jogue bem. Claro que lá (na Europa) eles têm
mais recursos e oferecem bons campos, material de treinamento
e salários mais altos. Isso ajuda, mas não é tudo",
explicou.
Assim, com o terreno de 100 mil m² já adquirido
para a construção do CT, que será localizado
a oito quilômetros do estádio municipal, na
divisa entre Guaratinguetá e Potim, próximo à Basílica
de Aparecida, o clube espera iniciar em 2008 as obras, que
estão previstas para serem completamente concluídas
em 2014. Para isso, a diretoria está disposta a sacrificar
até mesmo uma possível participação
nas divisões inferiores do Campeonato Brasileiro,
o que limitaria a ascensão nacional da equipe, outro
desejo dos dirigentes.
"No ano passado, tomamos uma decisão estratégica,
não financeira. Descartamos a Série C porque
sabíamos que, naquele momento, o melhor seria buscar
um terreno para começar a planejar um CT. Isso era
prioridade na época, como empresa. Analisamos friamente
se era melhor disputar a competição ou procurar
um terreno de 100 mil m², buscar um arquiteto, analisar
outros CTs e dar o pontapé inicial nesse projeto.
Optamos por isso", explicou o presidente Carlito.
"Não quero comparar, mas eu sempre escutei e sei
que é uma realidade dentro do futebol ficar um bom
tempo sem vencer para construir o patrimônio. O São
Paulo ficou 14 anos sem títulos para construir o Morumbi,
por exemplo. Ou você vem para ficar ou você passa
simplesmente, o que não é nossa idéia.
Claro que se for possível conciliar a estruturação
com o futebol, ótimo. Se não, vamos fazer escolhas",
decretou.
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