| Sem identidade, torcida do Guará se
esforça para acompanhar "time da cidade"
| Foto Marcelo Ferrelli /Gazeta Press |
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| Cena comum no Dario Rodrigues: torcedores com camisas dos grandes paulistas dividida com o Guará |
Em qualquer jogo do Guaratinguetá, a camisa vermelha
com detalhes azul e branco pode ser vista vestindo homens,
mulheres e crianças. Porém, essa adoção
das cores do time não significa que a torcida local
tenha identificação com a equipe. O que se
percebe em uma rápida conversa com torcedores nas
arquibancadas do estádio municipal Dr. Dario Rodrigues
Leite é que a boa fase no Campeonato Paulista é o
principal fator do sucesso de público do "time da
cidade".
Caso de Miriam e Leandro, que apesar de vestirem a camisa
do time para a partida contra o Marília, nunca haviam
assistido a um jogo da equipe no estádio. "É a
nossa primeira vez. É igual na TV", relatou Miriam,
que pagou R$ 20 no ingresso das arquibancadas. "Acho que
agora o Guará tem mobilizado mais a torcida, afinal
disputa a primeira divisão e faz uma boa campanha",
enumerou Leandro.
Já Abílio, que estava acompanhado do sobrinho
Paulo, sempre freqüenta o estádio e acredita
que a presença dos torcedores é freqüente,
porém maior nos fins de semana. "O torcedor sempre
vem, mas acho que agora, por ter começado as aulas
e ser meio de semana, essa presença vai cair um pouco",
especulou o torcedor, que ainda admitiu ser corintiano, enquanto
seu sobrinho revelou ser palmeirense.
| Foto Djalma Vassão /Gazeta Press |
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| Iniciativa de torcedor com os "gritos de torcida" é uma das armas para aumentar festa na arquibancada |
A presença do torcedor, entretanto, não é o
maior problema enfrentado pelo Guaratinguetá nas arquibancadas.
Apesar de ter quatro torcidas organizadas, grande parte dos
torcedores não sabe sequer quais são os cânticos
entoados para empurrar a equipe para frente. Pensando nisso,
o torcedor Fábio Gallé, que trabalha como guarda
de trânsito municipal, teve a idéia de imprimir 50
mil folhetos com a letra de algumas músicas para incentivar
a torcida e o time.
"Tive essa idéia no jogo contra a Ponte, quando nossa
torcida estava se preocupando mais em provocar os 100 torcedores
adversários do que apoiar a equipe. Aí eu percebi
que a torcida tinha vontade de participar, mas que não
sabia como. Falei com a minha namorada e tivemos a idéia
dos folhetos", contou o torcedor, que distribuiu 10 mil papéis
contra o Marília e previa a distribuição
de mais 10 mil em cada uma das partidas seguintes, contra
Bragantino e Sertãozinho, além de 20 mil na
partida contra o Santos.
A idéia, que custou R$ 900 e foi bancada apenas por
patrocinadores, sem qualquer apoio do clube, ainda tem o
intuito de evitar a violência e promover a integração
no estádio. "A manifestação da nossa
torcida é fraquinha e não pode ser assim. Os
torcedores precisam saber que é primordial o apoio
das arquibancadas. Perdendo ou ganhando, temos que incentivar,
e não ficar pensando em violência", declarou
Fábio, que apesar de ter tido a iniciativa própria
de promover a identificação do time com as
arquibancadas, admitiu que é corintiano |