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10/03/2008
Montagem sobre fotos de Marcelo Ferrelli e Djalma Vassão/Gazeta Press

Sem identidade, torcida do Guará se esforça para acompanhar "time da cidade"

Foto Marcelo Ferrelli /Gazeta Press
Cena comum no Dario Rodrigues: torcedores com camisas dos grandes paulistas dividida com o Guará

Em qualquer jogo do Guaratinguetá, a camisa vermelha com detalhes azul e branco pode ser vista vestindo homens, mulheres e crianças. Porém, essa adoção das cores do time não significa que a torcida local tenha identificação com a equipe. O que se percebe em uma rápida conversa com torcedores nas arquibancadas do estádio municipal Dr. Dario Rodrigues Leite é que a boa fase no Campeonato Paulista é o principal fator do sucesso de público do "time da cidade".

Caso de Miriam e Leandro, que apesar de vestirem a camisa do time para a partida contra o Marília, nunca haviam assistido a um jogo da equipe no estádio. "É a nossa primeira vez. É igual na TV", relatou Miriam, que pagou R$ 20 no ingresso das arquibancadas. "Acho que agora o Guará tem mobilizado mais a torcida, afinal disputa a primeira divisão e faz uma boa campanha", enumerou Leandro.

Já Abílio, que estava acompanhado do sobrinho Paulo, sempre freqüenta o estádio e acredita que a presença dos torcedores é freqüente, porém maior nos fins de semana. "O torcedor sempre vem, mas acho que agora, por ter começado as aulas e ser meio de semana, essa presença vai cair um pouco", especulou o torcedor, que ainda admitiu ser corintiano, enquanto seu sobrinho revelou ser palmeirense.

Foto Djalma Vassão /Gazeta Press
Iniciativa de torcedor com os "gritos de torcida" é uma das armas para aumentar festa na arquibancada

A presença do torcedor, entretanto, não é o maior problema enfrentado pelo Guaratinguetá nas arquibancadas. Apesar de ter quatro torcidas organizadas, grande parte dos torcedores não sabe sequer quais são os cânticos entoados para empurrar a equipe para frente. Pensando nisso, o torcedor Fábio Gallé, que trabalha como guarda de trânsito municipal, teve a idéia de imprimir 50 mil folhetos com a letra de algumas músicas para incentivar a torcida e o time.

"Tive essa idéia no jogo contra a Ponte, quando nossa torcida estava se preocupando mais em provocar os 100 torcedores adversários do que apoiar a equipe. Aí eu percebi que a torcida tinha vontade de participar, mas que não sabia como. Falei com a minha namorada e tivemos a idéia dos folhetos", contou o torcedor, que distribuiu 10 mil papéis contra o Marília e previa a distribuição de mais 10 mil em cada uma das partidas seguintes, contra Bragantino e Sertãozinho, além de 20 mil na partida contra o Santos.

A idéia, que custou R$ 900 e foi bancada apenas por patrocinadores, sem qualquer apoio do clube, ainda tem o intuito de evitar a violência e promover a integração no estádio. "A manifestação da nossa torcida é fraquinha e não pode ser assim. Os torcedores precisam saber que é primordial o apoio das arquibancadas. Perdendo ou ganhando, temos que incentivar, e não ficar pensando em violência", declarou Fábio, que apesar de ter tido a iniciativa própria de promover a identificação do time com as arquibancadas, admitiu que é corintiano


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