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15/03/2008
Montagem sobre fotos Gazeta Press

Por Marcelo Belpiede e Paulo Amaral

FICHA TÉCNICA:
Local: Estádio Santa Cruz, em Ribeirão Preto (SP)
Data: 16 de março de 2008 (domingo)
Horário: 16 horas (de Brasília)
Árbitro: Flávio Rodrigues Guerra (SP)
Assistentes: Carlos Augusto Nogueira Júnior e Aline Lambert (SP)
PALMEIRAS: Marcos; Élder Granja, Gustavo, Henrique e Leandro; Wendel (David), Léo Lima, Diego Souza e Valdívia; Kléber e Alex Mineiro
Técnico: Wanderley Luxemburgo

SÃO PAULO: Rogério Ceni; Zé Luis, Juninho e André Dias; Joílson, Richarlyson, Hernanes, Carlos Alberto e Jorge Wagner; Borges e Adriano
Técnico: Muricy Ramalho

Bicampeão brasileiro e um dos times mais regulares do país nos últimos anos, o São Paulo ostenta uma supremacia sobre o Palmeiras que dura dez anos no âmbito paulista (última derrota foi em 1997) e quase dois no nacional (perdeu no Brasileiro 2006). Apesar do tabu e de também estar na frente do rival na tabela do atual Estadual (26 pontos contra 25 do Palmeiras), o Tricolor não acredita ser o favorito na partida marcada para este domingo, às 16 horas, no estádio Santa Cruz, em Ribeirao Preto.

Líder do elenco e capitão são-paulino, o goleiro Rogério Ceni foi o primeiro a rotular o rival como favorito para o clássico. “Pela primeira vez em muito tempo vamos jogar contra alguém que vive um momento melhor que o nosso. Eles são os favoritos. Há momentos na vida que temos que ver que os outros são superiores”, avisou o camisa um, que aponta os inúmeros desfalques do time para domingo como razão para o favoritismo palmeirense.

“As coisas mudaram muito no banco de reservas. São muitas lesões, cartões, além dos jogadores negociados. Não contávamos com a perda de tantos atletas. Somos limitados em jogadores e qualidade”, comentou Ceni. “No Palmeiras, o elenco é mais encorpado. Sai o Valdívia ou Diego Souza, entra Denílson, Martinez”, completou. Muricy Ramalho concordou com seu capitão. “Fica difícil para arrumarmos o time, não consigo arrumar a defesa, meio-campo, toda hora perco um. Nesse sentindo, o Palmeiras leva vantagem. O Rogério tem razão”, sintetizou o comandante são-paulino, que não terá Miranda e Dagoberto (suspensos), além de Fábio Santos, Alex, Reasco e Alex Silva (contundidos) .

O treinador são-paulino alertou, no entanto, que o favoritismo palmeirense pode cair por terra assim que a bola começar a rolar no Santa Cruz. “Dentro de campo as coisas mudam e se equilibram com o trabalho dos técnicos e os esforços dos jogadores dentro de campo”.

Do outro lado do muro que separa os centros de treinamento, o artifício de empurrar o favoritismo para o Palmeiras não iludiu o experiente técnico Wanderley Luxemburgo e o elenco do Verdão. 'Clássico não tem favorito', afirmou Luxa. 'Palmeiras e São Paulo sempre entrarão em campo para ganhar. Às vezes, o Palmeiras está mal e dá uma porradinha no São Paulo. Em outras, é o oposto. Não tem favorito, mas o Rogério Ceni tem o direito de ter a opinião dele, completou'.

Para o treinador, o confronto deste domingo é importante, mas não decidirá o futuro de nenhuma das equipes na competição. “É um momento nobre do futebol, mas a vida dos dois clubes não termina se não ganhar essa partida. Acho importante meus atletas terem discernimento, pois a vida continua com vitória, empate ou derrota”, filosofou.

Capitão do Alviverde na virada sobre a Ponte Preta, o zagueiro Gustavo decidiu aceitar o favoritismo atribuído pelos são-paulinos a sua equipe. “Se o Rogério está jogando a responsabilidade para o nosso lado, vamos assumir, pois em clássico ganha aquele que aproveitar melhor as oportunidades e errar menos”, opinou.

“Estamos crescendo no momento certo e mostrando nossa força na reta final da competição. Em clássicos não há favoritos”, ponderou Gustavo, acompanhado pelo artilheiro do time no Paulistão, Alex Mineiro. “Clássicos são decididos nos detalhes e nas desatenções. Favoritismo não existe, mas eu acredito na força do Palmeiras”, avisou o camisa nove.

Dentro de campo: Favoritismo à parte, os dois treinadores têm trabalhado bastante para colocar em campo uma equipe competitiva para vencer o clássico. Para minimizar o excesso de problemas que terá para montar o time são-paulino, o técnico Muricy Ramalho conta com a versatilidade de alguns atletas do elenco, como o volante Zé Luis,que deve aparecer improvisado na defesa ao lado de Juninho e André Dias, recuperado de lesão.

Carlos Alberto, que atuou durante 88 minutos contra o Barueri, também vive a expectativa de ser escalado como titular pela segunda vez consecutiva. Jorge Wagner, que atua no mesmo setor, vê com bons olhos tal possibilidade. “Carlos Alberto é um grande jogador e procurou contribuir da melhor maneira possível no último jogo. Esse é um momento em que esperamos contar com todos”, comentou. “Mas só saberemos a escalação no dia do jogo”.

O volante Hernanes sabe que terá a dura missão de marcar o chileno Valdívia no domingo. Livre da suspensão que o tirou do jogo contra a Ponte Preta, o “Mago” merecerá atenção especial do lado tricolor. “Não é só o Valdívia que joga no Palmeiras. Vamos precisar ter cuidado com todos. O Diego Souza é um grande jogador no meio-campo, o Leandro vem muito bem na lateral esquerda e o Alex Mineiro é um goleador. Esperamos que seja um jogo bonito de se ver”, comentou Hernanes.

Os palmeirenses também acreditam que o duelo do Santa Cruz será vistoso. “Será um clássico importantíssimo e um grande jogo. O Palmeiras está crescendo a cada partida e mostrando sua força. O São Paulo tem um elenco muito bom e peças de reposição à altura. Será uma excelente partida”, apostou Alex Mineiro, que terá como companheiro de ataque o ex-são-paulino Kléber.

“Passei dez anos da minha vida no São Paulo e tenho um carinho muito grande pelo clube, mas agora estou no Palmeiras. Fui muito bem recebido por todos, estou feliz aqui e farei de tudo para tentar conquistar mais três pontos para nossa equipe”, avisou Kléber, que acumula quatro vitórias nos quatro jogos que disputou pelo Verdão (Cene, Corinthians, Bragantino e Ponte Preta).

Outro ex-são-paulino à disposição de Wanderley Luxemburgo é Denílson. Titular contra a Ponte Preta, o jogador se transformou no novo xodó da torcida alviverde e, contra o Tricolor, deverá entrar na partida no segundo tempo. “Por tudo o que o São Paulo fez por mim, a minha intenção era não comemorar gols contra eles. Mas o carinho e apoio que recebi aqui no Palmeiras foram sensacionais. Estou muito feliz e mesmo não sendo titular, eu me sinto útil ao grupo. Estou recuperando a minha forma e quero ganhar muitos títulos no Palmeiras”, avisou o habilidoso canhoto.

Além da volta de Valdívia ao meio-campo junto com Diego Souza, o Palmeiras terá o retorno de Marcos ao gol no posto de Diego Cavalieri. Os desfalques serão Pierre e Lenny, suspensos pelo terceiro cartão amarelo. Para o lugar do camisa cinco, o favorito é Wendel, mas Luxemburgo poderá surpreender e optar pela entrada do zagueiro David, que atua tanto no tripé defensivo quanto no setor de meio-campo. “Vou segurar mais um pouquinho, mas posso mudar o time. Ou não”, terminou Luxa, cheio de mistério.

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