| Por Julio Simões e William
Correia
| CURIOSIDADES |
| Resumo |
Total |
| Jogos |
181 |
| Vitórias da Ponte Preta |
57 |
| Vitórias do Guarani |
64 |
| Empates |
60 |
| Gols marcados pela Ponte Preta |
235 |
| Gols marcados pelo Guarani |
247 |
- Em toda a história dos dérbis, a Ponte
Preta reclama três jogos que não foram
registrados, todos com vitórias suas. O Guarani,
no entanto, não se pronuncia sobre o caso.
- Embora o equilíbrio prevaleça nos dérbis,
algumas goleadas já foram registradas. Pelo lado
da Ponte, a maior foi por 5 a 2, em 22 de novembro de
1936. Já no Guarani, a maior foi 6 a 0, em 5 de
junho de 1960.
- Muitas vezes apontado como um clássico em
que a raça prevalece, o dérbi foi realmente
violento ao menos uma vez, em 18 de agosto de 1999.
Naquela ocasião, o árbitro registrou 101
faltas, pouco mais de uma por minuto. Um recorde.
- Antigamente, Ponte e Guarani costumavam se enfrentar
muitas vezes ao ano, ao contrário de agora, que
os times estão há dois anos sem jogar.
Assim, o ano de 1943 foi o de maior número de
dérbis realizados: sete.
- O maior tabu dos dérbis pertence ao Guarani,
que durante quase 16 anos (de 1987 a 2002) ficou sem
perder para a Ponte. Tal qual em aniversário
de debutantes, a torcida bugrina dançou valsa
em algumas partidas, em “comemoração”
dos 15 anos da marca.
- O maior período de invencibilidade da Ponte,
por outro lado, foi de pouco mais de cinco anos (ou
16 jogos), entre 1979 e 1984. Atualmente, a Ponte está
invicta em dérbis praticamente pelo mesmo período
e não perde no Moisés Lucarelli desde
2003.
- Os últimos três dérbis terminaram
empatados: em 2006 e 2005 (no Paulistão) e em
2004 (no Brasileiro). Antes disso, os dois últimos
haviam sido vencidos pela Ponte, por 3 a 1, nos anos
de 2004 e 2003, ambos pela Série B do Campeonato
Brasileiro.
Fonte: Assessorias de imprensa da Ponte Preta
e do Guarani
|
Há 770 dias Campinas não vivia um domingo como
o que viverá neste 16 de março. A partir das
18h10, no Estádio Moisés Lucarelli, uma das
mais tradicionais partidas do futebol brasileiro terá
seu 182º capítulo com o duelo entre Ponte Preta
e Guarani – o famoso dérbi campineiro. O jogo
é válido pela 15ª rodada do Campeonato Paulista, mas
para a população local o embate direto das duas
paixões do município teria o mesmo valor se
fosse um mero amistoso.
A força da rivalidade tomou as ruas muito tempo
antes do compromisso. Os jogadores, protagonistas do espetáculo,
percebem isso de todas as formas, seja veterano ou jovem,
recém-chegado à equipe. César, capitão
pontepretano, sentiu a pressão na pele a três
dias do enfrentamento. Na saída do treino de quinta-feira
no estádio alvinegro, o jogador, de 32 anos e com passagens
por agremiações como Palmeiras e Corinthians,
foi abordado por um torcedor que utilizava a camisa e o gorro
da Macaca. O zagueiro parou o trajeto para seu carro e ouviu
a síntese do que significa o clássico para a
cidade.
“César, domingo é dérbi. Tem que
ganhar, não tem outra coisa. Tem que ganhar. Classificação
vem depois. Você vai ver, vamos ganhar e vão
sair três ônibus daqui com fogos, fazendo festa
por três dias. Tem que ganhar. Vai ser o último
dérbi da história, porque as ‘galinhas’
(gozação pejorativa usada contra o Guarani,
atualmente na zona de rebaixamento do Paulistão) estão
ficando extintas. Vou trazer meu filho aqui para ver a última
vitória sobre eles”, esbravejou o torcedor, que
teve seu “discurso” aplaudido por cerca de seis
torcedores que passaram o dia em frente ao Moisés Lucarelli
comentando o clássico. “Vamos vencer”,
repetiam todos.
Apesar de limitar-se a prometer a vitória ao exaltado
apaixonado pela Ponte, César não se surpreendeu
com o episódio. Minutos antes da abordagem, o zagueiro,
com passagem pelas categorias de base da Macaca, já
falava sobre a importância do clássico para a
população campineira. “Desde quando eu
me apresentei na Ponte, torcedores me encontram na rua e falam:
‘é 16 de março, hein’. Não
tem como esquecer a data. Com toda certeza, é o clássico
de maior rivalidade do futebol brasileiro. E já falei
para os jogadores: vencer é o paraíso, não
queiram conhecer o inferno; se quiserem saber, é só
perder o dérbi. Ainda mais esse, que vai ser o único
do ano”.
A pressão decantada pelo capitão alvinegro
já é sentida pelos mais novos no grupo. Aos
24 anos, o atacante Luis Ricardo está na Ponte há
pouco mais de um mês. O suficiente para sentir a diferença
dos dias que antecedem o dérbi. “Essa semana
tem sido diferente, as pessoas têm cobrado muito mais
da gente. Já joguei no Vila Nova, senti o clássico
contra o Goiás, mas aqui a gente sente que a rivalidade
é muito maior”, admitiu.
O volante Ricardo Conceição, que já
atuou em outros clássicos campineiros, vê fatores
positivos no histórico embate. “É muito
bom disputar um jogo como esse. É bom para os jogadores,
as torcidas, a cidade. Todos os olhos ficam voltados para
Campinas, a cidade se prepara para o jogo”, animou-se
o volante.
E quem passou pela cidade na semana que antecedeu a partida
percebeu o clima do dérbi. A classificação
e o desempenho dos times nas rodadas que antecederam o esperado
confronto nem eram colocados em discussão pela população.
Só havia expectativa para o embate que não acontece
desde o Paulistão de 2006 e não ocorrerá
mais neste ano porque a Macaca está na Série
B do Brasileiro, enquanto o Bugre precisa se classificar para
a Série C.
Diante dessa situação, os pontepretanos aguardam
uma vitória antológica. A voz de ordem para
os aficionados pela Macaca é de aproveitar o mau momento
do rival. A frase que mais se ouve nas redondezas do Moisés
Lucarelli é “se não ganhar do Guarani,
vai ganhar de quem?!”. “O Guarani está
em uma condição totalmente adversa, na zona
de rebaixamento, já era. A Ponte tem tudo para fazer
um jogo histórico, tem muito mais chance de aplicar
um massacre”, disse Marcilio, vendedor da loja de artigos
pontepretanos no estádio.
O grande fator de confiança para os alvinegros é
que a Ponte briga para jogar as semifinais, muito diferente
dos bugrinos, que anseiam ao menos a permanência na
Série A-1. “E não vai vale ficar relembrando
muito que a Ponte não ganha há cinco jogos.
Adoram falar disso, mas o melhor é a Ponte chegar
na final e ser campeã. Vai ser a chance de o futebol
brasileiro pedir desculpa pelas vezes em que fomos ‘garfados’”,
frisou Marcilio.
A esperança pontepretana por um massacre neste domingo,
contudo, é totalmente desdenhada pelos bugrinos. “Esse
negócio de goleada, massacre, é ilusão
deles. Todo mundo sabe que clássico é difícil.
No dérbi, a camisa pesa. Se você perguntar para
100 bugrinos o resultado do jogo, 99 vão dizer que
vai dar Guarani e no máximo um vai falar que dá
empate. E eu acho que vamos vencer”, aposta Marcelo
Dias, figura conhecida no Brinco de Ouro da Princesa. “Mas
é até bom que eles pensem isso, porque chega
nos nossos jogadores e eles vão entrar com tudo para
ganhar o dérbi”.
A previsão alvinegra de “extinção”
do Guarani também é prontamente descartada por
Marcelo. Advogado voluntário do clube alviverde, assim
como o amigo Tiago, que atua na área de informática
do Bugre também sem cobrar salário, Marcelo
acredita que seu exemplo é uma mostra de que a torcida
é grande e forte o suficiente para levantar o time.
“O Guarani tem torcida para levar o clube no colo.
Eles falam disso, mas qual é o único time de
Campinas que é campeão brasileiro? (O Guarani
foi campeão nacional em 1978) A Ponte Preta só
tem simpatizante. É são-paulino, corintiano
que tem a Ponte como segundo time”, provoca o advogado,
que, assim como a maioria bugrina, prefere chamar o adversário
deste domingo de “Chita”, macaca que ficou conhecida
mundialmente nos filmes de Tarzan.
Essa rivalidade, contudo, não pôde ser sentida
tão de perto pelo elenco alviverde. O time do Brinco
de Ouro começou a semana na lanterna do Campeonato
Paulista. Para dar tranqüilidade aos jogadores, diretoria
e comissão técnica decidiram levar o grupo para
Jaguariúna na quarta-feira. Desde então, os
bugrinos só voltaram para Campinas na quinta-feira,
para enfrentar (e vencer) o Ituano. A “fuga”,
no entanto, parece ter sido aprovada pelos torcedores.
“A torcida apóia essa decisão de ir para
Jaguariúna. A equipe precisa de tranqüilidade
para trabalhar. E na terça-feira, um dia antes da viagem,
a torcida se reuniu com os jogadores e reforçou o apoio
total a eles. Vamos arrancar no Paulista, e vamos vencer o
dérbi”, assegurou Marcelo.
E o sentimento de tranqüilidade dominou mesmo o Guarani.
“Essa ‘fugida’ foi importante pela fase
em que vivemos. A torcida estava cobrando, a imprensa também.
É bom para dar uma esfriada na cabeça”,
analisou o atacante bugrino Henrique, que, aos 21 anos, é a
principal esperança de gols do Guarani.
A distância de Campinas, porém, não quer
dizer que os alviverdes não sentiram a pressão
pelo clássico. “O dérbi é um jogo
diferente, que movimenta toda a cidade. Esse clima já
vem desde antes do início do campeonato. A gente sabe
que a vitória é quase como ganhar um título”,
comentou o goleiro Gesiel. “Você está no
quarto e fica imaginando como é estar em campo. Dá
vontade de jogar, mas é preciso ter tranqüilidade
e deixar a torcida fazer o espetáculo”, completou
Henrique, bugrino assumido.
Experiente em embates como o deste domingo, o técnico
Jair Picerni também não está livre da
expectativa que envolve o histórico embate. “Já
tinha alguns torcedores fazendo barulho, é um clássico
que sempre é reconhecido. Muitos jogadores importantes,
inclusive de seleção, já jogaram. Eu
colocaria no mesmo patamar de um Palmeiras e Corinthians ou
um Flamengo e Vasco”, comparou.
Para o torcedor, no entanto, os momentos que antecedem a
partida são inesquecíveis e incomparáveis
até mesmo a uma final de Copa do Mundo. “Domingo
vai ser daquele jeito. Depois do meio-dia está todo
mundo conversando sobre o jogo, ansioso. Todo mundo acorda
com dor de barriga, tremendo, com aquele friozinho. A gente
só espera que às 20h30 a festa seja nossa e
o choro fique para eles”, resumiu o apaixonado bugrino
Marcelo. |