| Fim de relação:
Betão vira santista, e Fiel adota William
Fotos: Marcelo
Ferrelli/Gazeta Press |
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| William chegou ao Timão com dúvidas da Fiel, mas fez da defesa a virtude do time e "substituiu" Betão, titular corintiano por dois anos |
Betão enfrentará pela primeira vez o clube de coração, ao
qual dedicou 14 dos seus 25 anos, nesta quarta-feira, na Vila
Belmiro. A relação se encerrou com o dramático rebaixamento
do Corinthians à Série B do Campeonato Brasileiro no ano passado.
E foi esquecida por quem a vivenciou. Enquanto o zagueiro já
se considera santista, a torcida do Timão tem no capitão William
o símbolo da nova fase da defesa corintiana, a menos vazada
do Campeonato Paulista.
Apesar de ter elogiado o seu substituto no Corinthians,
Betão minimizou a importância de William e Chicão para o desempenho
de apenas nove gols sofridos em 16 jogos disputados pelo Estadual,
média de 0,56 por partida. No Brasileirão de 2007, por exemplo,
a média alcançada por Betão e seus ex-companheiros foi de
1,3. “O William e o Chicão são grandes jogadores, mas sempre
disse que a defesa não joga sozinha. O Mano fez um ótimo trabalho
ao arrumá-la. Só que tudo também depende do meio-campo e dos
laterais”, igualou o hoje santista. William, no entanto, evita
as comparações com Betão. “Não tem nada a ver”, repeliu o
zagueiro. “Vim ao Corinthians quando ele já tinha saído e
não tomei o lugar dele. Sua história não será apagada. Ninguém
fica 14 anos em um clube sem ter mérito. Ele possui qualidades
e ganhou muita coisa aqui. Não trabalhamos juntos, mas quem
o conhece sempre o elogia pelos lados profissional e pessoal
dele”, completou.
De fato, Betão continua muito querido no Parque São Jorge.
“Quem conhece o Betão sabe que é um ídolo, mas agora defende
outra equipe e vai dar o máximo ao seu clube. A gente entende.
Ele é nosso amigo e vai querer ajudar o Santos porque sempre
foi um bom profissional. Quero conversar para saber se está
pegando muita praia, mas só depois do jogo”, sorriu o goleiro
Felipe, um dos jogadores que motivam o santista para o confronto
de quarta-feira. “Há uma expectativa diferente por enfrentar
o ex-clube, até porque nunca passei por isso. Só que estou
levando naturalmente. A ansiedade maior é de encontrar os
amigos. Quero esquecer de tudo o que aconteceu lá”, garantiu
Betão.
Os amigos que Betão reencontrará, contudo, são poucos. Na
reformulação promovida pelo técnico Mano Menezes, na qual
um dos que perderam o emprego foi o zagueiro, sobraram quatro
de seus ex-companheiros entre os titulares do Corinthians.
Dos que conviveram com o santista, apenas Felipe, o agora
zagueiro Carlão, o improvisado ala-direito Carlos Alberto
e o atacante Dentinho estão escalados para o clássico. Muito
mais numerosos serão os torcedores do Timão, que tanto o aplaudiram
e vaiaram, com quem Betão já não se preocupa. “Lógico que,
se tiver uma manifestação contra da torcida do Corinthians,
será desagradável, mas natural. Se me receberem bem, ficarei
feliz.”
São declarações bem diferentes daquelas de Betão ao deixar
o Corinthians, quando fez juras de amor ao clube de coração.
Ao time que premiou com uma placa de agradecimento e para
onde prometeu voltar antes de acertar com o Santos, o zagueiro
avisou: “Vou comemorar gol, sim. Não tem nada a ver com respeito.
Vou comemorar com os meus companheiros e com a minha torcida”.
Betão já balançou as redes duas vezes em 19 partidas disputadas
pelo Peixe. Foi tempo suficiente para superar o passado ligado
ao Corinthians, que o fez ser perseguido por torcedores do
Santos com frases como “Betão, sinônimo de segunda divisão”,
pichadas nos muros do CT Rei Pelé. Para o técnico Emerson
Leão, Betão já virou casaca de vez. “Ele é um profissional
que tem o seu valor por ter defendido um mesmo grande clube
por tanto tempo, mas agora está completamente identificado
com o Santos. É um ótimo zagueiro, que conta com a minha confiança”,
elogiou o comandante.
Por outro lado, o Corinthians não sente a ausência do seu
ex-jogador-torcedor. Único jogador titular em todas as partidas
da equipe em 2008, William também merece a exaltação de seu
treinador. “Ele foi um presente inesperado que ganhamos para
esta temporada. Seria difícil imaginar que o Grêmio abriria
mão de um jogador como ele, mas, às vezes, a gente ganha presentes
assim. Fiquei muito contente por contar com a sua capacidade
técnica e liderança aqui. Ele está sendo muito importante
neste trabalho, principalmente na orientação da defesa. Junto
com o Chicão, vem dando segurança para nós”, enalteceu Mano
Menezes.
Homem de confiança do treinador dentro de campo, William
assumiu a braçadeira de capitão neste ano, herdando justamente
depois de Betão deixá-la com sua saída do clube. Agora, o
novo xerife corintiano já fala como candidato a ídolo da Fiel
torcida, mas sem abrir mão de sua conhecida cautela.
“Tenho dois anos de contrato e pretendo cumpri-los. Espero
prorrogar também, mas sei que tudo depende de resultado. Cheguei
ao Corinthians e me adaptei. É um clube onde estou feliz.
Estou trabalhando e produzindo em campo com a ajuda dos demais
companheiros. A diretoria e os torcedores tiveram uma receptividade
boa comigo. Do mesmo jeito que cobram, eles também apóiam”,
agradeceu o capitão do Timão, fazendo lembrar os discursos
de Betão durante sua longa passagem pelo Parque São Jorge.
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