Voltar para a home Terça, 02 de Dezembro de 2008 Home Fale conosco. Receba o boletim   Ir para a Gazeta Press
 
25/03/2008
Montagem sobre fotos Gazeta Press

Fim de relação: Betão vira santista, e Fiel adota William

Fotos: Marcelo Ferrelli/Gazeta Press
William chegou ao Timão com dúvidas da Fiel, mas fez da defesa a virtude do time e "substituiu" Betão, titular corintiano por dois anos

Betão enfrentará pela primeira vez o clube de coração, ao qual dedicou 14 dos seus 25 anos, nesta quarta-feira, na Vila Belmiro. A relação se encerrou com o dramático rebaixamento do Corinthians à Série B do Campeonato Brasileiro no ano passado. E foi esquecida por quem a vivenciou. Enquanto o zagueiro já se considera santista, a torcida do Timão tem no capitão William o símbolo da nova fase da defesa corintiana, a menos vazada do Campeonato Paulista.

Apesar de ter elogiado o seu substituto no Corinthians, Betão minimizou a importância de William e Chicão para o desempenho de apenas nove gols sofridos em 16 jogos disputados pelo Estadual, média de 0,56 por partida. No Brasileirão de 2007, por exemplo, a média alcançada por Betão e seus ex-companheiros foi de 1,3. “O William e o Chicão são grandes jogadores, mas sempre disse que a defesa não joga sozinha. O Mano fez um ótimo trabalho ao arrumá-la. Só que tudo também depende do meio-campo e dos laterais”, igualou o hoje santista. William, no entanto, evita as comparações com Betão. “Não tem nada a ver”, repeliu o zagueiro. “Vim ao Corinthians quando ele já tinha saído e não tomei o lugar dele. Sua história não será apagada. Ninguém fica 14 anos em um clube sem ter mérito. Ele possui qualidades e ganhou muita coisa aqui. Não trabalhamos juntos, mas quem o conhece sempre o elogia pelos lados profissional e pessoal dele”, completou.

De fato, Betão continua muito querido no Parque São Jorge. “Quem conhece o Betão sabe que é um ídolo, mas agora defende outra equipe e vai dar o máximo ao seu clube. A gente entende. Ele é nosso amigo e vai querer ajudar o Santos porque sempre foi um bom profissional. Quero conversar para saber se está pegando muita praia, mas só depois do jogo”, sorriu o goleiro Felipe, um dos jogadores que motivam o santista para o confronto de quarta-feira. “Há uma expectativa diferente por enfrentar o ex-clube, até porque nunca passei por isso. Só que estou levando naturalmente. A ansiedade maior é de encontrar os amigos. Quero esquecer de tudo o que aconteceu lá”, garantiu Betão.

Os amigos que Betão reencontrará, contudo, são poucos. Na reformulação promovida pelo técnico Mano Menezes, na qual um dos que perderam o emprego foi o zagueiro, sobraram quatro de seus ex-companheiros entre os titulares do Corinthians. Dos que conviveram com o santista, apenas Felipe, o agora zagueiro Carlão, o improvisado ala-direito Carlos Alberto e o atacante Dentinho estão escalados para o clássico. Muito mais numerosos serão os torcedores do Timão, que tanto o aplaudiram e vaiaram, com quem Betão já não se preocupa. “Lógico que, se tiver uma manifestação contra da torcida do Corinthians, será desagradável, mas natural. Se me receberem bem, ficarei feliz.”

São declarações bem diferentes daquelas de Betão ao deixar o Corinthians, quando fez juras de amor ao clube de coração. Ao time que premiou com uma placa de agradecimento e para onde prometeu voltar antes de acertar com o Santos, o zagueiro avisou: “Vou comemorar gol, sim. Não tem nada a ver com respeito. Vou comemorar com os meus companheiros e com a minha torcida”.

Betão já balançou as redes duas vezes em 19 partidas disputadas pelo Peixe. Foi tempo suficiente para superar o passado ligado ao Corinthians, que o fez ser perseguido por torcedores do Santos com frases como “Betão, sinônimo de segunda divisão”, pichadas nos muros do CT Rei Pelé. Para o técnico Emerson Leão, Betão já virou casaca de vez. “Ele é um profissional que tem o seu valor por ter defendido um mesmo grande clube por tanto tempo, mas agora está completamente identificado com o Santos. É um ótimo zagueiro, que conta com a minha confiança”, elogiou o comandante.

Por outro lado, o Corinthians não sente a ausência do seu ex-jogador-torcedor. Único jogador titular em todas as partidas da equipe em 2008, William também merece a exaltação de seu treinador. “Ele foi um presente inesperado que ganhamos para esta temporada. Seria difícil imaginar que o Grêmio abriria mão de um jogador como ele, mas, às vezes, a gente ganha presentes assim. Fiquei muito contente por contar com a sua capacidade técnica e liderança aqui. Ele está sendo muito importante neste trabalho, principalmente na orientação da defesa. Junto com o Chicão, vem dando segurança para nós”, enalteceu Mano Menezes.

Homem de confiança do treinador dentro de campo, William assumiu a braçadeira de capitão neste ano, herdando justamente depois de Betão deixá-la com sua saída do clube. Agora, o novo xerife corintiano já fala como candidato a ídolo da Fiel torcida, mas sem abrir mão de sua conhecida cautela.

“Tenho dois anos de contrato e pretendo cumpri-los. Espero prorrogar também, mas sei que tudo depende de resultado. Cheguei ao Corinthians e me adaptei. É um clube onde estou feliz. Estou trabalhando e produzindo em campo com a ajuda dos demais companheiros. A diretoria e os torcedores tiveram uma receptividade boa comigo. Do mesmo jeito que cobram, eles também apóiam”, agradeceu o capitão do Timão, fazendo lembrar os discursos de Betão durante sua longa passagem pelo Parque São Jorge.

Gazeta Esportiva.Net © Todos os direitos reservados à Gazeta Esportiva.Net