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08/04/2008
Montagem sobre fotos Gazeta Press

Por Paulo Amaral

Montagem sobre fotos Gazeta Press
Guilherme Macuglia, do Guará, e Sérgio Guedes, da Ponte: regularidade é a arma no Campeonato
Luxemburgo e Muricy: favoritos disputam em uma das semifinais a "decisão" antecipada do Paulistão
Rotular como “pequeno” ou “grande” um clube que disputa a Primeira Divisão do futebol paulista, um dos mais fortes do país, há muito tempo pode ser considerado heresia. Afinal, as forças do ABC e do Interior do Estado têm, nos últimos anos, emparelhado a disputa com os quatro considerados “grandes” (São Paulo, Santos, Palmeiras e Corinthians) e, muitas vezes, terminado a competição na frente dos teóricos favoritos.

Em 2004, Paulista, Palmeiras, São Caetano e Santos alcançaram a vaga para as semifinais do Estadual e a crítica foi unânime ao apontar uma decisão entre Palmeiras e Santos. Resultado: Paulista e São Caetano classificados e Azulão campeão estadual pela primeira vez. Em 2005 e 2006, a competição foi disputada por pontos corridos e apontou como campeões São Paulo e Santos. No ano passado, com a volta da fórmula antiga, mais uma vez os “pequenos” mostraram sua força, colocando Bragantino e São Caetano entre os quatro melhores e vendo o Azulão eliminar o São Paulo nas semifinais com direito à goleada na primeira partida: 4 a 1 em pleno Morumbi.

Na decisão, o duelo contra o “grande” Santos foi equilibrado, mas a taça ficou na Vila Belmiro pelos critérios de desempate. O São Caetano abriu 2 a 0 no primeiro jogo, mas perdeu pelo mesmo placar no segundo, ficando com o vice-campeonato graças à melhor campanha dos santistas ao longo da competição.

Agora, em 2008, mais uma vez a taça será disputada por um time formado por vários “Davis” e outro por diversos “Golias”, já que os cruzamentos das semifinais reunirão, de um lado, Ponte Preta e Guaratinguetá, os melhores do ano no interior do Estado e, do outro, São Paulo e Palmeiras, as maiores forças da capital no momento.

Lutando para assumir o papel do pastor de ovelhas israelense na reedição da passagem bíblica que ilustra a luta do “pequeno” Davi contra o “gigante” filisteu, Golias, atingido por uma pedrada e levado a nocaute, estarão Ponte Preta e Guaratinguetá, que já assumiram momentaneamente o lado “Davi” nesta edição do Paulistão.

Enquanto o time do Vale do Paraíba terminou a fase classificatória na primeira colocação (o que lhe daria o título paulista se o torneio fosse disputado por pontos corridos), com o mesmo número de pontos do Palmeiras (40) e uma vitória a mais que os comandados de Wanderley Luxemburgo, a Ponte Preta superou por muito a campanha do bicampeão Santos, além de também chegar à frente do favorito Corinthians, abocanhando a quarta e última vaga nas semifinais.

Sonhando alto - Momentaneamente entre os quatro melhores do Estado, Guará e Ponte sonham em alçar vôos mais altos e em repetir o feito alcançado por Inter de Limeira (1986), Bragantino (1989) e Ituano (2002), tornando-se mais um time do interior a subir ao lugar mais alto do pódio.

“No início do nosso trabalho, muita gente disse que não chegaríamos porque o time era fraco. Mas não nos conheciam. Fico feliz por colocar a Ponte onde ela estava acostumada a chegar e por poder retribuir o carinho dos torcedores”, comentou o técnico da Ponte Preta, o ex-goleiro Sérgio Guedes, que traz como destaques na equipe os meias Elias, formado nas divisões de base do Palmeiras, e Renato, ex-Juventude.

Novo emergente do futebol paulista, o Guaratinguetá, que completará apenas dez anos de vida em outubro, já acumula em seu curto currículo na elite Estadual (está em sua segunda participação), o título de campeão do Interior no Paulistão 2007, batendo o Noroeste na decisão. O segredo do sucesso, segundo um dos investidores do clube, o empresário Sony Alberto Douer, é simples: critério na montagem do elenco.

“A gente tem uma filosofia de contratação. Não é qualquer jogador que atua no Guará. Primeiro, ele tem que ter caráter, porque o jogador de caráter se integra bem ao grupo e ajuda o outro. Depois, ele tem que ser bom tecnicamente e ter algum tipo de vitória na vida. A gente quer jogadores que tenham vontade de ganhar. Depois de ter escolhido os atletas por essa base, a gente dá totais condições para eles fazerem o trabalho deles. É a isso que se deve o sucesso do Guará”, comentou Douer, que traz como principal destaque do atual elenco o meia Michael, ex-Ponte Preta, Barueri, Avaí e Fortaleza.

Pontos de discórdia - Além da tradicional rivalidade que envolve os duelos entre Palmeiras e São Paulo, os dois jogos destas semifinais ficarão marcados por uma briga de bastidores envolvendo o mando de campo. O regulamento da competição prevê que a FPF definirá os locais das partidas nas fases semifinais e finais e, em reunião realizada na sede da entidade nesta segunda, 7 de abril, ficou determinado que os dois clássicos terão como casa o Morumbi. Pelo menos por enquanto.

O Palmeiras admite aceitar a determinação, mas antes fará valer o prazo de 48 horas dado pela Federação para provar que o estádio Benedito Teixeira, em São José do Rio Preto, reúne as condições de segurança e conforto exigidas pela entidade para ser a “casa” do time no duelo decisivo.

Em relação ao mando, Ponte Preta e Guaratinguetá não terão do que reclamar, ao menos nas semifinais, pois disputarão um jogo em cada casa, sem prejuízo para qualquer equipe. Dependendo dos resultados e de uma possível classificação do time do Vale do Paraíba, no entanto, a decisão poderá ser ainda mais polêmica.

Dono da melhor campanha na primeira fase, com 40 pontos (mesmo número do Palmeiras), o Guaratinguetá poderá enfrentar o São Paulo ou o próprio Palmeiras na decisão sem a vantagem de levar o título com dois resultados iguais. Isso tudo graças ao parágrafo único do artigo 14 do regulamento do Paulistão 2008.

Segundo determinação da entidade, no caso de dois resultados iguais entre os finalistas (empates ou vitórias pela mesma diferença de gols), o campeão paulista será determinado pela melhor campanha na “somatória das fases anteriores”. Na prática, isso significa o seguinte: caso o Guaratinguetá se classifique com dois empates diante da Ponte, chegará a 42 pontos no total.

Se o Palmeiras vencer um dos duelos contra o São Paulo e também for finalista, chegará com 43 pontos e, conseqüentemente, “roubará” a vantagem dos empates para as duas decisões. O São Paulo, terceiro na tabela, com 38 pontos, também poderá chegar com vantagem na final, desde que despache o Palmeiras com duas vitórias, chegando à decisão com 44 pontos.

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