| Por Paulo Amaral
Montagem sobre
fotos Gazeta Press |
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| Guilherme Macuglia, do Guará,
e Sérgio Guedes, da Ponte: regularidade é
a arma no Campeonato |
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| Luxemburgo e Muricy: favoritos disputam
em uma das semifinais a "decisão" antecipada
do Paulistão |
Rotular como “pequeno” ou “grande”
um clube que disputa a Primeira Divisão do futebol
paulista, um dos mais fortes do país, há muito
tempo pode ser considerado heresia. Afinal, as forças
do ABC e do Interior do Estado têm, nos últimos
anos, emparelhado a disputa com os quatro considerados “grandes”
(São Paulo, Santos, Palmeiras e Corinthians) e, muitas
vezes, terminado a competição na frente dos
teóricos favoritos.
Em 2004, Paulista, Palmeiras, São Caetano e Santos
alcançaram a vaga para as semifinais do Estadual e
a crítica foi unânime ao apontar uma decisão
entre Palmeiras e Santos. Resultado: Paulista e São
Caetano classificados e Azulão campeão estadual
pela primeira vez. Em 2005 e 2006, a competição
foi disputada por pontos corridos e apontou como campeões
São Paulo e Santos. No ano passado, com a volta da
fórmula antiga, mais uma vez os “pequenos”
mostraram sua força, colocando Bragantino e São
Caetano entre os quatro melhores e vendo o Azulão eliminar
o São Paulo nas semifinais com direito à goleada
na primeira partida: 4 a 1 em pleno Morumbi.
Na decisão, o duelo contra o “grande”
Santos foi equilibrado, mas a taça ficou na Vila Belmiro
pelos critérios de desempate. O São Caetano
abriu 2 a 0 no primeiro jogo, mas perdeu pelo mesmo placar
no segundo, ficando com o vice-campeonato graças à
melhor campanha dos santistas ao longo da competição.
Agora, em 2008, mais uma vez a taça será disputada
por um time formado por vários “Davis”
e outro por diversos “Golias”, já que os
cruzamentos das semifinais reunirão, de um lado, Ponte
Preta e Guaratinguetá, os melhores do ano no interior
do Estado e, do outro, São Paulo e Palmeiras, as maiores
forças da capital no momento.
Lutando para assumir o papel do pastor de ovelhas israelense
na reedição da passagem bíblica que ilustra
a luta do “pequeno” Davi contra o “gigante”
filisteu, Golias, atingido por uma pedrada e levado a nocaute,
estarão Ponte Preta e Guaratinguetá, que já
assumiram momentaneamente o lado “Davi” nesta
edição do Paulistão.
Enquanto o time do Vale do Paraíba terminou a fase
classificatória na primeira colocação
(o que lhe daria o título paulista se o torneio fosse
disputado por pontos corridos), com o mesmo número
de pontos do Palmeiras (40) e uma vitória a mais que
os comandados de Wanderley Luxemburgo, a Ponte Preta superou
por muito a campanha do bicampeão Santos, além
de também chegar à frente do favorito Corinthians,
abocanhando a quarta e última vaga nas semifinais.
Sonhando alto - Momentaneamente entre os
quatro melhores do Estado, Guará e Ponte sonham em
alçar vôos mais altos e em repetir o feito alcançado
por Inter de Limeira (1986), Bragantino (1989) e Ituano (2002),
tornando-se mais um time do interior a subir ao lugar mais
alto do pódio.
“No início do nosso trabalho, muita gente disse
que não chegaríamos porque o time era fraco.
Mas não nos conheciam. Fico feliz por colocar a Ponte
onde ela estava acostumada a chegar e por poder retribuir
o carinho dos torcedores”, comentou o técnico
da Ponte Preta, o ex-goleiro Sérgio Guedes, que traz
como destaques na equipe os meias Elias, formado nas divisões
de base do Palmeiras, e Renato, ex-Juventude.
Novo emergente do futebol paulista, o Guaratinguetá,
que completará apenas dez anos de vida em outubro,
já acumula em seu curto currículo na elite Estadual
(está em sua segunda participação), o
título de campeão do Interior no Paulistão
2007, batendo o Noroeste na decisão. O segredo do sucesso,
segundo um dos investidores do clube, o empresário
Sony Alberto Douer, é simples: critério na montagem
do elenco.
“A gente tem uma filosofia de contratação.
Não é qualquer jogador que atua no Guará.
Primeiro, ele tem que ter caráter, porque o jogador
de caráter se integra bem ao grupo e ajuda o outro.
Depois, ele tem que ser bom tecnicamente e ter algum tipo
de vitória na vida. A gente quer jogadores que tenham
vontade de ganhar. Depois de ter escolhido os atletas por
essa base, a gente dá totais condições
para eles fazerem o trabalho deles. É a isso que se
deve o sucesso do Guará”, comentou Douer, que
traz como principal destaque do atual elenco o meia Michael,
ex-Ponte Preta, Barueri, Avaí e Fortaleza.
Pontos de discórdia - Além
da tradicional rivalidade que envolve os duelos entre Palmeiras
e São Paulo, os dois jogos destas semifinais ficarão
marcados por uma briga de bastidores envolvendo o mando de
campo. O regulamento da competição prevê
que a FPF definirá os locais das partidas nas fases
semifinais e finais e, em reunião realizada na sede
da entidade nesta segunda, 7 de abril, ficou determinado que
os dois clássicos terão como casa o Morumbi.
Pelo menos por enquanto.
O Palmeiras admite aceitar a determinação,
mas antes fará valer o prazo de 48 horas dado pela
Federação para provar que o estádio Benedito
Teixeira, em São José do Rio Preto, reúne
as condições de segurança e conforto
exigidas pela entidade para ser a “casa” do time
no duelo decisivo.
Em relação ao mando, Ponte Preta e Guaratinguetá
não terão do que reclamar, ao menos nas semifinais,
pois disputarão um jogo em cada casa, sem prejuízo
para qualquer equipe. Dependendo dos resultados e de uma possível
classificação do time do Vale do Paraíba,
no entanto, a decisão poderá ser ainda mais
polêmica.
Dono da melhor campanha na primeira fase, com 40 pontos (mesmo
número do Palmeiras), o Guaratinguetá poderá
enfrentar o São Paulo ou o próprio Palmeiras
na decisão sem a vantagem de levar o título
com dois resultados iguais. Isso tudo graças ao parágrafo
único do artigo 14 do regulamento do Paulistão
2008.
Segundo determinação da entidade, no caso de
dois resultados iguais entre os finalistas (empates ou vitórias
pela mesma diferença de gols), o campeão paulista
será determinado pela melhor campanha na “somatória
das fases anteriores”. Na prática, isso significa
o seguinte: caso o Guaratinguetá se classifique com
dois empates diante da Ponte, chegará a 42 pontos no
total.
Se o Palmeiras vencer um dos duelos contra o São Paulo
e também for finalista, chegará com 43 pontos
e, conseqüentemente, “roubará” a vantagem
dos empates para as duas decisões. O São Paulo,
terceiro na tabela, com 38 pontos, também poderá
chegar com vantagem na final, desde que despache o Palmeiras
com duas vitórias, chegando à decisão
com 44 pontos.
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