| Por Paulo
Amaral e Marcelo Belpiede
Considerados favoritos ao título paulista na disputa
com Ponte Preta e Guaratinguetá, São Paulo e
Palmeiras iniciam neste domingo, às 16 horas, no Morumbi,
a caminhada por uma vaga na decisão do Estadual e fazem,
aos olhos da crítica, a popular “final antecipada”
da competição.
O clima para o jogo entre os co-irmãos não
é, nem de longe, amistoso. As seqüelas do último
encontro, realizado no dia 16 de março, em Ribeirão
Preto, e vencido pelo Alviverde por 4 a 1, seguem vivas em
ambas as equipes, acirrando ainda mais a atmosfera que cerca
o reencontro.
Punidos pelo Tribunal de Justiça Desportiva (TJD)
através de imagens flagradas por câmeras de televisão,
o palmeirense Kléber e o são-paulino Jorge Wagner
terão novamente pela frente os “vilões”
de suas penas: André Dias e Valdívia.
Toda a celeuma causada pelas suspensões dos dois atletas
não é novidade na longa história entre
os clubes. A rivalidade entre São Paulo e Palmeiras
vem de longa data e já passou por situação
semelhante no início da década de 90.
Soberano no mundo da bola, o São Paulo, então
treinado por Telê Santana, era o “time da moda”,
bicampeão da Libertadores da América e também
mundial. O Palmeiras, por sua vez, trazia na parceria com
a Parmalat, pioneira no país, e na chegada de um técnico
promissor, Wanderley Luxemburgo, a esperança de terminar
com um jejum de quase 17 anos sem conquistas.
Agora, em 2008, a história se repete. Enquanto o São
Paulo, comandado por Muricy Ramalho, discípulo do “mestre”
Telê, chega às semifinais com o status de ser
o atual bicampeão brasileiro no currículo, o
Palmeiras, sem conquistas estaduais desde 1996, traz novamente
em Wanderley Luxemburgo, hoje um dos principais técnicos
do pais e até do mundo, curiosamente o último
a comandar o time em um título paulista, a grande esperança
de sair novamente do jejum.
Remanescente do time campeão de 1996, o goleiro Marcos,
à época reserva de Velloso, prefere frear as
comparações e não vê o Palmeiras
como o “substituto” do São Paulo como bicho-papão
do futebol novamente. “Não podemos nos colocar
como substitutos, até porque, para passar por tudo
o que o São Paulo passou nos últimos anos, o
Palmeiras precisa voltar a conquistar títulos”.
O vice-presidente do Verdão, Gilberto Cipullo, também
participou da administração vitoriosa da Parmalat,
mas evitou comparar a rivalidade da década 90 com o
atual momento das equipes. “Não temos que pensar
em tomar o lugar do São Paulo, pois, sempre que enfrentamos
o São Paulo, não há quem está
melhor ou está pior”, diz.
Wanderley Luxemburgo, responsável pela reformulação
palmeirense em 2008, concordou: “Não temos que
fazer comparações, pois essa equipe ainda não
ganhou nada. O trabalho está sendo feito de maneira
a buscar títulos, mas ainda não alcançamos
nada”, ressaltou.
No São Paulo, os sinais são claros de que o
time já não apresenta a confiança de
anos anteriores, um momento parecido quando o Palmeiras começou
a ganhar espaço nos anos 90. A fragilidade tricolor
ficou provada novamente na recente derrota diante do modesto
Audax Italiano, pela Libertadores.
“Foi resultado ruim, surpreendente, não esperávamos
esse resultado adverso. Temos que evitar situações
como essa, buscar forças para recuperar ânimo
e o nosso futebol”, comentou o vice de futebol Carlos
Augusto de Barros e Silva, o Leco, visivelmente preocupado
com a instabilidade do equipe.
Os próprios jogadores do Tricolor são bombardeados
com perguntas sobre o favoritismo alviverde no confronto.
A ordem é exaltar a força do elenco bicampeão
brasileiro. “Não existe desvantagem. No clássico,
tem que esquecer cansaço e a tristeza”, receitou
o atacante Adriano, abordando a preocupante maratona de jogos
da equipe na temporada.
Mesmo descontente com a atuação da sua equipe
no Chile, o técnico Muricy Ramalho é outro a
enfatizar o equilíbrio da semifinal, apesar de saber
que seu time terá apenas dois dias de descanso após
a volta de Santiago, enquanto o Palmeiras apenas treinou nesta
semana. “Serão dois grandes jogos, com a presença
de ótimos jogadores. Levaremos desvantagem na parte
física, mas nossa qualidade é boa”, lembrou.
Palmeiras completo: Em relação
aos times que começarão jogando, mais uma vez
a vantagem parece estar do lado palmeirense, que terá
todo o grupo à disposição do técnico
Wanderley Luxemburgo. Kléber, de volta após
cumprir os três jogos de suspensão impostos pelo
TJD, é a grande atração.
Na primeira vez que jogou contra sua ex-equipe, o jogador,
revelado pelo São Paulo, marcou um gol (o de empate)
e foi o centro das atenções pela confusão
com André Dias. De volta, o atleta espera manter a
escrita que tem desde que começou a jogar pelo Verdão.
Até o momento, são sete jogos e sete vitórias,
diante de Cene-MS, Corinthians, Bragantino, Ponte Preta, Paulista,
São Paulo e Central-PE.
Alex Mineiro, que formará dupla com Kléber,
espera reeditar a boa parceria mostrada nas vezes em que atuaram
juntos para, quem sabe, aumentar ainda mais a vantagem que
o Palmeiras já tem sobre seu adversário. “O
Palmeiras está bem tranqüilo quanto a essa partida
e nós vamos jogar para vencer. Não tem essa
de vantagem. Está tudo 0 a 0 e o objetivo do Palmeiras
é sempre o gol. Vamos tentar ganhar o primeiro jogo
para ter mais tranqüilidade ainda no Palestra Itália”,
prometeu o jogador, artilheiro do Verdão no Paulista,
com 11 gols.
O setor de meio-campo também terá alterações,
já que Valdívia, outro livre de suspensão,
e Pierre, poupado contra o Barueri por estar com dois cartões
amarelos, retomam seus lugares. O volante, aliás, é,
ao lado de Martinez, o único atleta do elenco pendurado
com dois cartões.
Do lado são-paulino, para contrastar, Muricy Ramalho
terá que orientar bem seus atletas, pois conta com
oito jogadores ameaçados de suspensão: Rogério
Ceni, Júnior, Richarlyson, Hernanes, André Dias,
Joílson, Zé Luis e Jorge Wagner.
Para esta partida, o técnico do Tricolor já
não poderá contar com Aloísio, Juninho,
Reasco e Alex, machucados, além do artilheiro Borges,
suspenso pelo terceiro cartão amarelo, e com a dupla
Carlos Alberto e Fábio Santos, afastados temporariamente
do elenco por indisciplina.
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