| Paulo
Amaral
Fotos Marcelo
Ferrelli/ Gazeta Press |
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| Mesmo em seus momentos mais desengonçados, Herrera é aplaudido pela Fiel graças à raça demonstrada |
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| Além da habilidade, Valdívia conquistou a torcida com irreverência, comemorações e provocações |
O futebol paulista está com um sotaque diferente. À exceção
do São Paulo, que tem como grandes estrela o atacante
Adriano, “importado” temporariamente da Inter
de Milão, as outras três maiores forças
do Estado têm como principal talento um jogador estrangeiro.
O chileno Valdivia encanta os palmeirenses com seus dribles
ousados e comemorações irreverentes. O colombiano
Molina ganhou seu espaço no Santos do rigoroso técnico
Emerson Leão. E o Corinthians já adotou o raçudo
argentino Herrera.
O Timão já viveu o fenômeno da “Tevez
mania” em 2005, graças ao sucesso alcançado
pelo argentino, melhor jogador e campeão brasileiro
vestindo a dez alvinegra naquele ano. Hoje, é outro “hermano”,
menos habilidoso mas tão aguerrido quanto o outro
craque, que virou xodó alvinegro. Antes criticado
pelo enorme número de gols perdidos, o que lhe rendeu
o apelido de “quase gol” na Argentina, Herrera
vem fazendo jus à confiança do técnico
Mano Menezes, comandante dos tempos de Tricolor gaúcho.
O camisa 17 disputou 25 partidas com a camisa corintiana
e balançou as redes em 11 oportunidades (quatro só na
Copa do Brasil), desempenho que rendeu palavras carinhosas
do “mestre” Mano.
“Existem muitas coisas que agradam ao técnico
em relação a um jogador. Para o atacante, agrada
mais fazer gol, que aumenta a confiança, Isso impulsiona
mais a doação, o comprometimento, o esforço
e a garra que o jogador já mostra. Felizmente, a equipe
está colocando mais bolas em condição
para o Herrera fazer também. Tenho certeza de que
ele vai saber conviver com essa fase tão bem como
conviveu com as críticas”, comentou o comandante
do Alvinegro.
No outro Parque, o Antártica, quem brilha, agora
de forma constante, é o venezuelano naturalizado chileno
Jorge Luis Valdívia Toro. O “Mago”, como é carinhosamente
chamado por torcedores e companheiros, também chegou
do Colo Colo cercado de desconfiança, mas, em pouco
tempo, transformou-se no principal ícone da equipe,
que ainda conta com a eterna segurança do goleiro
Marcos e com a garra do volante Pierre, principal ladrão
de bolas do futebol brasileiro.
Depois do Campeonato Paulista, Valdívia conquistou
também o coração do técnico Wanderley
Luxemburgo. “Ele evoluiu em todos os sentidos. Tudo
o que faz é com objetividade e sempre é um
diferencial dentro de campo. Ele é o craque do momento”,
elogiou o treinador, satisfeito com o desempenho do “Mago” em
2008: 26 partidas e dez gols. “Ele agora está gostando
de fazer gols. Sentiu o gostinho, algo que não fazia
muito no ano passado.”
Até quem já foi acusado de sofrer de xenofobia,
como o técnico Emerson Leão, está se
rendendo (aos poucos, é verdade) ao talento dos jogadores
de fora do Brasil. Considerado responsável pela saída
de Tevez e outros argentinos do Corinthians na época
da MSI, o agora comandante santista tem total noção
da importância do meia Maurício Molina para
o time do Peixe.
“Todo mundo viu, logo no início, que ele sabia
jogar”, comentou o comandante santista, que chegou
a dizer, à época da chegada de Molina ao Peixe,
que um jogador estrangeiro teria que ser “fora de série” para
se destacar no futebol brasileiro. Talvez por isso, Leão
ainda tenha algumas ressalvas a fazer em relação
ao melhor jogador do time no momento.
“Sempre digo isso: atrás de um bom jogador,
que pensa ofensivo, sempre terá alguém se sacrificando.
O Molina sempre vai precisar de um bom coadjuvante ao seu
lado”, reforçou o técnico, que deu ao
jovem Wesley o papel de “cão de guarda” do
habilidoso meia colombiano, autor de sete gols em 19 partidas
com a camisa santista, seis deles na Libertadores e quatro
em um único jogo, diante do San Jose, da Bolívia. |