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19/05/2008
Montagem sobre fotos Gazeta Press

Paulo Amaral

Fotos Marcelo Ferrelli/ Gazeta Press
Mesmo em seus momentos mais desengonçados, Herrera é aplaudido pela Fiel graças à raça demonstrada
Além da habilidade, Valdívia conquistou a torcida com irreverência, comemorações e provocações

O futebol paulista está com um sotaque diferente. À exceção do São Paulo, que tem como grandes estrela o atacante Adriano, “importado” temporariamente da Inter de Milão, as outras três maiores forças do Estado têm como principal talento um jogador estrangeiro. O chileno Valdivia encanta os palmeirenses com seus dribles ousados e comemorações irreverentes. O colombiano Molina ganhou seu espaço no Santos do rigoroso técnico Emerson Leão. E o Corinthians já adotou o raçudo argentino Herrera.

O Timão já viveu o fenômeno da “Tevez mania” em 2005, graças ao sucesso alcançado pelo argentino, melhor jogador e campeão brasileiro vestindo a dez alvinegra naquele ano. Hoje, é outro “hermano”, menos habilidoso mas tão aguerrido quanto o outro craque, que virou xodó alvinegro. Antes criticado pelo enorme número de gols perdidos, o que lhe rendeu o apelido de “quase gol” na Argentina, Herrera vem fazendo jus à confiança do técnico Mano Menezes, comandante dos tempos de Tricolor gaúcho.

O camisa 17 disputou 25 partidas com a camisa corintiana e balançou as redes em 11 oportunidades (quatro só na Copa do Brasil), desempenho que rendeu palavras carinhosas do “mestre” Mano.

“Existem muitas coisas que agradam ao técnico em relação a um jogador. Para o atacante, agrada mais fazer gol, que aumenta a confiança, Isso impulsiona mais a doação, o comprometimento, o esforço e a garra que o jogador já mostra. Felizmente, a equipe está colocando mais bolas em condição para o Herrera fazer também. Tenho certeza de que ele vai saber conviver com essa fase tão bem como conviveu com as críticas”, comentou o comandante do Alvinegro.

No outro Parque, o Antártica, quem brilha, agora de forma constante, é o venezuelano naturalizado chileno Jorge Luis Valdívia Toro. O “Mago”, como é carinhosamente chamado por torcedores e companheiros, também chegou do Colo Colo cercado de desconfiança, mas, em pouco tempo, transformou-se no principal ícone da equipe, que ainda conta com a eterna segurança do goleiro Marcos e com a garra do volante Pierre, principal ladrão de bolas do futebol brasileiro.

Depois do Campeonato Paulista, Valdívia conquistou também o coração do técnico Wanderley Luxemburgo. “Ele evoluiu em todos os sentidos. Tudo o que faz é com objetividade e sempre é um diferencial dentro de campo. Ele é o craque do momento”, elogiou o treinador, satisfeito com o desempenho do “Mago” em 2008: 26 partidas e dez gols. “Ele agora está gostando de fazer gols. Sentiu o gostinho, algo que não fazia muito no ano passado.”

Até quem já foi acusado de sofrer de xenofobia, como o técnico Emerson Leão, está se rendendo (aos poucos, é verdade) ao talento dos jogadores de fora do Brasil. Considerado responsável pela saída de Tevez e outros argentinos do Corinthians na época da MSI, o agora comandante santista tem total noção da importância do meia Maurício Molina para o time do Peixe.

“Todo mundo viu, logo no início, que ele sabia jogar”, comentou o comandante santista, que chegou a dizer, à época da chegada de Molina ao Peixe, que um jogador estrangeiro teria que ser “fora de série” para se destacar no futebol brasileiro. Talvez por isso, Leão ainda tenha algumas ressalvas a fazer em relação ao melhor jogador do time no momento.

“Sempre digo isso: atrás de um bom jogador, que pensa ofensivo, sempre terá alguém se sacrificando. O Molina sempre vai precisar de um bom coadjuvante ao seu lado”, reforçou o técnico, que deu ao jovem Wesley o papel de “cão de guarda” do habilidoso meia colombiano, autor de sete gols em 19 partidas com a camisa santista, seis deles na Libertadores e quatro em um único jogo, diante do San Jose, da Bolívia.

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