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28/06/08
Montagem sobre foto Acervo/Gazeta Press

Por Paulo Amaral

Fotos Acervo/ Gazeta Press
Reprodução da contracapa de A Gazeta Esportiva
Comemoração em frente ao prédio da Gazeta
O presidente Juscelino Kubitschek prometeu, ao assumir o cargo de principal político do país, 50 anos de progresso em cinco anos de mandato. Se o Brasil não cresceu tanto assim no cenário econômico, no futebol, ao menos, a promessa foi cumprida. Na cola da nova sensação do pugilismo, Éder Jofre, e da tenista Maria Ester Bueno, campeã de duplas em Wimbledon (e que viria a conquistar mais sete vezes a competição, três em simples e quatro em duplas), a seleção brasileira, finalmente, desabrochou.

No dia 29 de junho de 1958, o Brasil começou a se transformar verdadeiramente no país do futebol, ao escrever o primeiro capítulo das cinco Copas do Mundo conquistadas pela seleção verde-amarela com uma arrasadora vitória sobre a dona da casa, a Suécia, na decisão: 5 a 2.

Comandada pelo experiente Didi e sua ‘folha seca’, por Garrincha, o ‘gênio das pernas tortas’ e por Pelé, um garoto de apenas 17 anos, que mais tarde se transformaria no Rei do Futebol, a equipe dirigida pelo técnico Vicente Feola apagou definitivamente a imagem do ‘Maracanazo’ da cabeça dos torcedores e mandou para bem longe o que Nelson Rodrigues ilustrou como ‘complexo de vira-latas’ do povo brasileiro (a inferioridade em que o brasileiro se colocava, voluntariamente, em face do resto do mundo, seja no esporte, seja em outros cenários).

A campanha em terras suecas foi irretocável. Desde o primeiro compromisso, na vitória por 3 a 0 diante da Áustria, a seleção, ainda sem Pelé, contundido, e Garrincha, opção de banco, dava mostras de que aquela Copa seria diferente. O empate sem gols contra a Inglaterra, o primeiro da história registrado em Mundiais, e as vitórias sobre a União Soviética, já com Pelé e Garrincha juntos em campo (2 a 0) e País de Gales (1 a 0), tiraram o rótulo de zebra das costas da seleção para o duelo contra os franceses, pela semifinal.

O jogo contra os soviéticos, inclusive, é lembrado até hoje pelos saudosistas como um dos melhores da história do futebol, em especial os dez primeiros minutos do duelo, nos quais Mané Garrincha tirou os russos para dançar, e Pelé, segundo a lenda, atribuiu um novo significado à sigla “CCCP” (Caiúz Cotsialístic Condr Pespúbliska). A partir daquele jogo, a sigla da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas passou a significar, para os amantes do futebol, “Camaradas, Cuidado com Pelé”.

Diante da zaga francesa nas semifinais, uma das melhores da competição, o time canarinho foi vazado pela primeira vez, mas continuou dono do posto de melhor zaga do Mundial e chegou à final com uma incontestável goleada: 5 a 2, com três gols de Pelé, um de Vavá e um de Didi, o melhor jogador da Copa. Fontaine, o maior artilheiro da história dos Mundiais, marcou um de seus 13 gols na penúltima partida francesa na competição.

Gilmar, Djalma Santos, Belini e Nilton Santos, Zito e Orlando; Garrincha, Didi, Vavá, Pelé e Zagallo. Esse foi o time escalado por Vicente Feola e que entrou no gramado do estádio de Rasunda no dia 29 de junho de 1958 para, diante de 52 mil torcedores, ser aplaudido de pé após derrotar a dona da casa, Suécia, pelo mesmo placar imposto aos franceses na semifinal.

Apesar de ter saído atrás logo aos quatro minutos, com um gol de Liedholm, a seleção brasileira não se assustou. “Acabou a moleza. Vamos encher esses gringos de gols”, pediu Didi, sendo imediatamente atendido pelos seus companheiros. Vavá, aos oito e aos 32 minutos do primeiro tempo, Pelé, duas vezes, e Zagallo completaram o marcador, que ainda teve mais um gol dos donos da casa, marcado por Simonsson. Pouco para estragar a festa do futebol brasileiro, pela primeira vez, o melhor do Planeta Bola.

Foto Acervo/ Gazeta Press
Bellini, capitão da Seleção Brasileira, comemora com a taça Jules Rimet

Delegação do Brasil

Chefe: Dr. Paulo Machado de Carvalho; Secretário: Abílio de Almeida; Tesoureiro: Adolpho Marques Júnior; Delegado ao Congresso: Dr. Luiz Murgel; Supervisor Técnico: Carlos Nascimento; Técnico: Vicente Feola; Preparador Físico: Prof. Paulo Amaral; Observador Técnico: José de Almeida; Psicólogo: Prof. João Carvalhaes; Médico: Dr. Hilton Gosling; Dentista: Dr. Mário Trigo Loureiro; Massagista: Mário Américo; Auxiliar: Francisco de Assis (roupeiro).

Jogadores:

Goleiros: GILMAR dos Santos Neves (Corinthians) e Carlos José CASTILHO (Fluminense)

Zagueiros: Nilton DE SORDI (São Paulo F.C.), DJALMA SANTOS (Portuguesa de Desportos), Hideraldo Luiz BELLINI (Vasco da Gama), MAURO Ramos de Oliveira (São Paulo F.C.), NILTON SANTOS (Botafogo) e Valdemar Rodrigues Martins – ORECO (Corinthians).

Meio-de-campo: DINO SANI (São Paulo F.C.), José Eli de Miranda – ZITO (Santos F.C.), ORLANDO Peçanha de Carvalho (Vasco da Gama) e ZÓZIMO Alves Calazáns (Bangu).

Atacantes: Manoel Francisco dos Santos – GARRINCHA (Botafogo), JOEL Antonio Martins (Flamengo), Waldir Pereira – DIDI (Fluminense), MOACIR Claudino Pinto (Flamengo), Edvaldo Isídio Neto – VAVÁ (Vasco), José João Altafini – MAZZOLA (Palmeiras), Edson Arantes do Nascimento – PELÉ (Santos F.C.), Edvaldo Alves Santa Rosa – DIDA (Flamengo), Mário Jorge Lobo ZAGALO (Flamengo) e José Macia – PEPE (Santos F.C.).

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