Por Paulo Amaral
Fotos Acervo/ Gazeta
Press |
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| Reprodução
da contracapa de A Gazeta Esportiva |
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| Comemoração
em frente ao prédio da Gazeta |
O presidente Juscelino Kubitschek prometeu, ao assumir o cargo
de principal político do país, 50 anos de progresso
em cinco anos de mandato. Se o Brasil não cresceu tanto
assim no cenário econômico, no futebol, ao menos,
a promessa foi cumprida. Na cola da nova sensação
do pugilismo, Éder Jofre, e da tenista Maria Ester Bueno,
campeã de duplas em Wimbledon (e que viria a conquistar
mais sete vezes a competição, três em simples
e quatro em duplas), a seleção brasileira, finalmente,
desabrochou.
No dia 29 de junho de 1958, o Brasil começou a se
transformar verdadeiramente no país do futebol, ao
escrever o primeiro capítulo das cinco Copas do Mundo
conquistadas pela seleção verde-amarela com
uma arrasadora vitória sobre a dona da casa, a Suécia,
na decisão: 5 a 2.
Comandada pelo experiente Didi e sua ‘folha seca’,
por Garrincha, o ‘gênio das pernas tortas’
e por Pelé, um garoto de apenas 17 anos, que mais tarde
se transformaria no Rei do Futebol, a equipe dirigida pelo
técnico Vicente Feola apagou definitivamente a imagem
do ‘Maracanazo’ da cabeça dos torcedores
e mandou para bem longe o que Nelson Rodrigues
ilustrou como ‘complexo de vira-latas’ do povo
brasileiro (a inferioridade em que o brasileiro se colocava,
voluntariamente, em face do resto do mundo, seja no esporte,
seja em outros cenários).
A campanha em terras suecas foi irretocável. Desde
o primeiro compromisso, na vitória por 3 a 0 diante
da Áustria, a seleção, ainda sem Pelé,
contundido, e Garrincha, opção de banco, dava
mostras de que aquela Copa seria diferente. O empate sem gols
contra a Inglaterra, o primeiro da história registrado
em Mundiais, e as vitórias sobre a União Soviética,
já com Pelé e Garrincha juntos em campo (2 a
0) e País de Gales (1 a 0), tiraram o rótulo
de zebra das costas da seleção para o duelo
contra os franceses, pela semifinal.
O jogo contra os soviéticos, inclusive, é lembrado
até hoje pelos saudosistas como um dos melhores da
história do futebol, em especial os dez primeiros minutos
do duelo, nos quais Mané Garrincha tirou os russos para dançar, e Pelé, segundo a
lenda, atribuiu um novo significado à sigla “CCCP”
(Caiúz Cotsialístic Condr Pespúbliska).
A partir daquele jogo, a sigla da União das Repúblicas
Socialistas Soviéticas passou a significar, para os
amantes do futebol, “Camaradas, Cuidado com Pelé”.
Diante da zaga francesa nas semifinais, uma das melhores
da competição, o time canarinho foi vazado pela
primeira vez, mas continuou dono do posto de melhor zaga do
Mundial e chegou à final com uma incontestável
goleada: 5 a 2, com três gols de Pelé, um de
Vavá e um de Didi, o melhor jogador da Copa. Fontaine,
o maior artilheiro da história dos Mundiais, marcou
um de seus 13 gols na penúltima partida francesa na
competição.
Gilmar, Djalma Santos, Belini e Nilton Santos, Zito e Orlando;
Garrincha, Didi, Vavá, Pelé e Zagallo. Esse
foi o time escalado por Vicente Feola e que entrou no gramado
do estádio de Rasunda no dia 29 de junho de 1958 para,
diante de 52 mil torcedores, ser aplaudido de pé após
derrotar a dona da casa, Suécia, pelo mesmo placar
imposto aos franceses na semifinal.
Apesar de ter saído atrás logo aos quatro minutos,
com um gol de Liedholm, a seleção brasileira
não se assustou. “Acabou a moleza. Vamos encher
esses gringos de gols”, pediu Didi, sendo imediatamente
atendido pelos seus companheiros. Vavá, aos oito e
aos 32 minutos do primeiro tempo, Pelé, duas vezes,
e Zagallo completaram o marcador, que ainda teve mais um gol
dos donos da casa, marcado por Simonsson. Pouco para estragar
a festa do futebol brasileiro, pela primeira vez, o melhor
do Planeta Bola.
Foto Acervo/
Gazeta Press |
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| Bellini, capitão
da Seleção Brasileira, comemora com a taça
Jules Rimet |
Delegação do Brasil
Chefe: Dr. Paulo Machado de Carvalho; Secretário:
Abílio de Almeida; Tesoureiro: Adolpho
Marques Júnior; Delegado ao Congresso:
Dr. Luiz Murgel; Supervisor Técnico:
Carlos Nascimento; Técnico: Vicente
Feola; Preparador Físico: Prof. Paulo
Amaral; Observador Técnico: José
de Almeida; Psicólogo: Prof. João
Carvalhaes; Médico: Dr. Hilton Gosling;
Dentista: Dr. Mário Trigo Loureiro; Massagista:
Mário Américo; Auxiliar: Francisco
de Assis (roupeiro).
Jogadores:
Goleiros: GILMAR dos Santos Neves (Corinthians)
e Carlos José CASTILHO (Fluminense)
Zagueiros: Nilton DE SORDI
(São Paulo F.C.), DJALMA SANTOS (Portuguesa
de Desportos), Hideraldo Luiz BELLINI (Vasco
da Gama), MAURO Ramos de Oliveira (São
Paulo F.C.), NILTON SANTOS (Botafogo) e Valdemar
Rodrigues Martins – ORECO (Corinthians).
Meio-de-campo: DINO SANI (São Paulo
F.C.), José Eli de Miranda – ZITO
(Santos F.C.), ORLANDO Peçanha de
Carvalho (Vasco da Gama) e ZÓZIMO
Alves Calazáns (Bangu).
Atacantes: Manoel Francisco dos Santos –
GARRINCHA (Botafogo), JOEL
Antonio Martins (Flamengo), Waldir Pereira – DIDI
(Fluminense), MOACIR Claudino Pinto
(Flamengo), Edvaldo Isídio Neto – VAVÁ
(Vasco), José João Altafini – MAZZOLA
(Palmeiras), Edson Arantes do Nascimento – PELÉ
(Santos F.C.), Edvaldo Alves Santa Rosa – DIDA
(Flamengo), Mário Jorge Lobo ZAGALO
(Flamengo) e José Macia – PEPE
(Santos F.C.).
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