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21/05/03
Governo promete não cair na chantagem
O artigo da discórdia
O que diz o seu time
O que diz o torcedor
Presidentes das organizadas falam em 'desrespeito'
Conheça melhor o Estatuto do Torcedor
Leia o Estatuto na íntegra

Chantagem. Desta forma o deputado federal Aldo Rebelo qualifica a atitude da CBF e Clube dos 13. As duas entidades decidiram paralisar o Campeonato Brasileiro alegando que é impossível colocar em prática as exigências do Estatudo de Defesa do Torcedor, sancionado pelo presidente Luís Inácio Lula da Silva na última quinta-feira.

"Eles (dirigentes) terão de cumprir a lei. Não se pode alegar que a lei pegou ninguém desprevenido. Isso é chantagem e blefe da CBF e dos dirigentes. O Governo nunca negou diálogo e a lei será cumprida. Não se pode afrontar uma lei aprovada pelo Congresso sem se ter um diálogo", afirmou o deputado que também é líder do Governo na Câmara.

Rebelo lembrou que, caso realmente seja confirmada a paralisação no próximo domingo, o Governo está pronto para agir. Esse discurso fez coro ao do ministro do Esporte Agnelo Queiroz que avisou aos dirigentes que o descumprimento do Código pode resultar no afastamento dos responsáveis de seus cargos.

"Nós discutiremos juridicamente, porque se a interrupção do torneio já significa esse descumprimento da legislação há inclusive a possibilidade de afastamento dos dirigentes de suas entidades. Afastamento imediato, instalação de um processo e, se confirmada essa ilegalidade, serão afastados por dez anos de todas as entidades esportivas brasileiras", garantiu o Agnelo.

O ministro lamentou a atitude intempestiva das duas entidades e disse acreditar que todos perderam uma ótima oportunidade de diálogo. "Essa oportunidade de ouro, em vez de ter a colaboração, tem uma atitude dessa de confronto, que é o oposto do que nós trabalhamos o tempo todo, do diálogo permanente. Isso exige uma ação mais enérgica no sentido de assegurar que esse patrimônio esteja a serviço do povo brasileiro", afirmou.

Ao contrário do que os dirigentes do Clube dos 13 têm declarado, Agnelo acredita que é totalmente possível colocar em prática no momento os principais pontos da nova legislação. "Será que não dá para implantar agora, instalar um ouvidor para que tenha um canal de comunicação com o torcedor, colocar no site o regulamento do atual torneio, fazer sorteio dos árbitros já para esse fim de semana? Evidente que são coisas absolutamente exeqüíveis, talvez por isso não esteja explicitado quais são as dificuldades dos clubes".

O ex-secretário executivo do Ministério do Esporte e Turismo, José Luís Portella, um dos nomes mais atuantes na confecção da nova legislação, concorda com o atual ministro e garante que não houve discordância por parte dos clubes. Por isso, ele afirma que os pontos são totalmente aplicávies. "Fiz mais de 12 reuniões com dirigentes de diversos clubes e em nenhum momento (os dirigentes) levantaram qualquer restrição ao projeto. Eles não consideraram que era impossível ou inviável e foram favoráveis à maioria dos pontos propostos", completou o ex-secretário.

Outro argumento dos dirigentes é que o Código teve pouca discussão sendo transformado em lei muito rapidamente. Entretanto, também esse discurso é desmentido pelos que participaram da elaboração do projeto. Portella fez questão de salientar que as medidas impostas pelo Estatuto foram amplamente discutidas ainda no primeiro trimestre de 2002, sendo conhecidas e aprovadas pela maior parte dos clubes.

"Para mim é surpresa (o anúncio da paralisação dos campeonatos nacionais), porque o processo de discussão das regras presentes no estatuto começaram em maio (de 2002). Levamos 86 dias discutindo o processo com Fábio Koff (presidente do Clube dos 13) e Ricardo Teixeira (presidente da CBF)", afirmou Portella, um dos responsáveis pela execução do projeto, à época conduzido pelo ministério do governo Fernando Henrique Cardoso.

Para José Luís Portella, as ações que interrompem o andamento do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil são tentativas de manipulação da opinião pública. "Eles estão usando o mesmo expediente do episódio do 'vôo da muamba'. Naquela ocasião, o povo foi manobrado e fez pressão favorável à entrada dos craques campeões da Copa do Mundo e toda a bagagem irregular, que estava no mesmo vôo, passou batida. Eles (dirigentes) querem fazer o mesmo agora", explicou.

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