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Chantagem. Desta forma o deputado federal Aldo Rebelo qualifica
a atitude da CBF e Clube dos 13. As duas entidades decidiram
paralisar o Campeonato Brasileiro alegando que é impossível
colocar em prática as exigências do Estatudo de Defesa do
Torcedor, sancionado pelo presidente Luís Inácio Lula da Silva
na última quinta-feira.
"Eles (dirigentes) terão de cumprir a lei. Não se pode alegar
que a lei pegou ninguém desprevenido. Isso é chantagem e blefe
da CBF e dos dirigentes. O Governo nunca negou diálogo e a
lei será cumprida. Não se pode afrontar uma lei aprovada pelo
Congresso sem se ter um diálogo", afirmou o deputado que também
é líder do Governo na Câmara.
Rebelo lembrou que, caso realmente seja confirmada a paralisação
no próximo domingo, o Governo está pronto para agir. Esse
discurso fez coro ao do ministro do Esporte Agnelo Queiroz
que avisou aos dirigentes que o descumprimento do Código pode
resultar no afastamento dos responsáveis de seus cargos.
"Nós discutiremos juridicamente, porque se a interrupção
do torneio já significa esse descumprimento da legislação
há inclusive a possibilidade de afastamento dos dirigentes
de suas entidades. Afastamento imediato, instalação de um
processo e, se confirmada essa ilegalidade, serão afastados
por dez anos de todas as entidades esportivas brasileiras",
garantiu o Agnelo.
O ministro lamentou a atitude intempestiva das duas entidades
e disse acreditar que todos perderam uma ótima oportunidade
de diálogo. "Essa oportunidade de ouro, em vez de ter a colaboração,
tem uma atitude dessa de confronto, que é o oposto do que
nós trabalhamos o tempo todo, do diálogo permanente. Isso
exige uma ação mais enérgica no sentido de assegurar que esse
patrimônio esteja a serviço do povo brasileiro", afirmou.
Ao contrário do que os dirigentes do Clube dos 13 têm declarado,
Agnelo acredita que é totalmente possível colocar em prática
no momento os principais pontos da nova legislação. "Será
que não dá para implantar agora, instalar um ouvidor para
que tenha um canal de comunicação com o torcedor, colocar
no site o regulamento do atual torneio, fazer sorteio dos
árbitros já para esse fim de semana? Evidente que são coisas
absolutamente exeqüíveis, talvez por isso não esteja explicitado
quais são as dificuldades dos clubes".
O ex-secretário executivo do Ministério do Esporte e Turismo,
José Luís Portella, um dos nomes mais atuantes na confecção
da nova legislação, concorda com o atual ministro e garante
que não houve discordância por parte dos clubes. Por isso,
ele afirma que os pontos são totalmente aplicávies. "Fiz mais
de 12 reuniões com dirigentes de diversos clubes e em nenhum
momento (os dirigentes) levantaram qualquer restrição ao projeto.
Eles não consideraram que era impossível ou inviável e foram
favoráveis à maioria dos pontos propostos", completou o ex-secretário.
Outro argumento dos dirigentes é que o Código teve pouca
discussão sendo transformado em lei muito rapidamente. Entretanto,
também esse discurso é desmentido pelos que participaram da
elaboração do projeto. Portella fez questão de salientar que
as medidas impostas pelo Estatuto foram amplamente discutidas
ainda no primeiro trimestre de 2002, sendo conhecidas e aprovadas
pela maior parte dos clubes.
"Para mim é surpresa (o anúncio da paralisação dos campeonatos
nacionais), porque o processo de discussão das regras presentes
no estatuto começaram em maio (de 2002). Levamos 86 dias discutindo
o processo com Fábio Koff (presidente do Clube dos 13) e Ricardo
Teixeira (presidente da CBF)", afirmou Portella, um dos responsáveis
pela execução do projeto, à época conduzido pelo ministério
do governo Fernando Henrique Cardoso.
Para José Luís Portella, as ações que interrompem o andamento
do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil são tentativas
de manipulação da opinião pública. "Eles estão usando o mesmo
expediente do episódio do 'vôo da muamba'. Naquela ocasião,
o povo foi manobrado e fez pressão favorável à entrada dos
craques campeões da Copa do Mundo e toda a bagagem irregular,
que estava no mesmo vôo, passou batida. Eles (dirigentes)
querem fazer o mesmo agora", explicou.
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